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Em conclusão ao que foi exposto até aqui, pode-se perceber que o encadeamento da ressignificação no decorrer dos três ciclos pode ser sintetizado com mais nitidez no quadro a seguir:

Quadro 10: SÍNTESE DAS RESSIGNIFICAÇÕES AO LONGO DOS CICLOS

CATEGORIAS CICLO 1 CICLO 2 CICLO 3

VISÃO DE LE Meio de comunicação Instrumento de expressão do

pensamento e sentimento de modo significativo

intervenção social

PLANEJAMENTO Mais flexível Conectado à realidade /Provido de material relevante

Contextualizado

AVALIAÇÃO Processual Critérios avaliativos

claros/ coerentes Não evolui PAPEL DO PROFESSOR De provedora de informações à facilitadora que delega funções

Facilitadora do

processo de autonomia do aluno

Mediadora

MEDIAÇÃO Contribuição para o aprendizado/ acompanhamento e orientação Mediação da autonomia do aluno Reflexões sobre a viabilidade do tema/ capacidade para ouvir e dialogar

REFLEXÃO Conscientização da própria mudança/revisão da prática/ importância da colaboração Crescimento profissional/ oportunidade para o aluno praticar a LE/valorização da teoria/ tornar-se multiplicadora

Olhar para o outro (alteridade)/empodera- mento do aluno/ colaboração com os pares

(Quadro de minha autoria) Fazendo uma avaliação mais aprofundada de todo o processo de modificações ocorridas no decurso dos três ciclos, pode-se perceber nitidamente a correlação entre as ações empreendidas na implementação do projeto (seleção do tema, uso de vocabulário-chave para discussão, planejamento colaborativo das atividades, seleção e análise de informações, produção textual, avaliação e apresentação do produto final) com as reflexões suscitadas ao longo da pesquisa. Tais reflexões, por sua vez, desencadearam ressignificações de posturas enquanto professora (maior flexibilidade, delegação de funções, auxílio na construção da autonomia discente) e crenças (a não predominância da gramática, a necessidade de reflexão da prática, valorização da teoria, produção de LE dos discente de forma mais significativa, avaliação processual, protagonismo do aluno) refletidas em novas ações ( revisão da prática, oferecimento de mais oportunidades para o aluno usar a LE de modo significativo,

flexibilização e coerência no planejamento e avaliação) . É o que pode ser observado no quadro a seguir:

Quadro 11: CORRELAÇÃO ENTRE AÇÃO, RESSIGNIFICAÇÃO E REFLEXÃO

AÇÃO REFLEXÃO RESSIGNIFICAÇÃO AÇÃO

SELEÇÃO DO TEMA O aluno precisa falar de si,

de seus interesses.

Destrangeirização da LE

Propiciou

momentos para que os alunos falassem de temas atuais como as eleições. Os alunos são capazes e

gostam de falar o idioma se tiverem oportunidade.

Desmistificação da dificuldade em falar a língua-alvo

Deu voz aos

alunos para

participar mais das aulas e decidir o que aprender no projeto.

A intervenção pode quebrar o fluxo da expressão.

Papel de facilitadora Não interveio quando os alunos falaram sobre as eleições.

O tema precisa ser

adequado ao nível de conhecimento da LE.

Papel de mediadora Fez perguntas

mediadoras para que os alunos de Básico 2 refletissem se conseguiriam falar sobre a corrupção no Brasil na língua-alvo. USO DE FICHA DE VOCABULÁRIO- CHAVE PARA DISCUSSÃO

A LE pode ser usada como meio de expressão de opiniões, negociação de sentidos. LE como meio de expressão Ofereceu aos alunos a oportunidade de falar sobre as eleições. PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES

As atividades não podem ser inadequadas, extensas, cansativa Planejamento mais flexível, adequado Revisão da atividade de compreensão oral. O conteúdo precisa estar Escolha de materiais Unidade sobre

conectado com a realidade. relevantes, autênticos invenções

antecedida por uma apresentação de materiais sobre invenções da NASA. O ensino de tópicos

gramaticais não pode ser descontextualizado. Contextualização da gramática Construiu os exemplos de Reported Speech com os alunos. SELEÇÃO E ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES

O aluno também tem acesso a informação/Não preciso prover toda a informação.

Ressignificação do papel do professor

Fez os alunos refletirem sobre o que estavam lendo e escrevendo. Preciso auxiliar o aluno a

refletir sobre a informação e selecioná-la.

Alertou sobre a qualidade das informações. Professor e aluno aprendem

um com o outro. Mostrou-se disposta em aprender/ buscar mais leituras. PRODUÇÃO DE TEXTOS

Os alunos devem escolher o que vai constar no texto.

Papel mais protagonista do aluno Negociou com um aluno sobre as ideias que apareceriam no texto. ESTABELECIMENTO DE CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO O aluno precisa de

condições adequadas para praticar a LE e se preparar para a avaliação.

O resultado negativo deve ser reavaliado. A avaliação é processual Refez avaliação. Ofereceu mais oportunidades de prática oral. Alunos devem saber como

serão avaliados.

Clareza dos critérios de avaliação

Deixou claro aos alunos como seriam avaliados.

PRODUÇÃO E

APRESENTAÇÃO DO

Os alunos devem decidir como apresentar o produto

Autonomia do aluno Aceitou o tema sobre música.

PRODUTO FINAL final.

Os alunos são capazes de apresentar os temas de forma relevante. Permitiu aos alunos decidir a forma de apresentar o projeto sobre música. O produto final é resultado

do esforço do aluno. A apresentação deve conter linguagem clara para o público. Relevância da competência discursiva Chamou a atenção sobre o público/ a forma de apresentação/ quantidade de informações/ vocabulário usado. (Quadro de minha autoria) Deveras, ao considerar mais atentamente o quadro acima explicitado, é possível inferir que houve um processo cíclico de transformação caracterizado por retroalimentação no qual uma ação fomentou uma reflexão, que por sua vez, promoveu uma ressignificação e acarretou em uma nova ação do mesmo modo como explicitado por Almeida Filho (2012) da relação de influência proativa e retroativa ocorrida nas diferentes etapas do modelo OGEL:

Figura 3- Processo Cíclico de Transformação

(Figura de minha autoria)

A reforma do fazer pedagógico da professora participante perpassou por esse processo cíclico levando-a, a partir das ações inerentes ao projeto, a refletir sua prática e atitudes

AÇÃO

REFLEXÃO RESSIGNIFICAÇÃO

trazendo um novo significado para algumas de suas posturas e crenças, o que a conduziu em direção a novas ações.

Conclui-se então esse capítulo que tratou da parte analítica da dissertação averiguando os indícios de possíveis ressignificações na abordagem de ensinar da professora participante por meio da análise das transformações ocorridas nos três ciclos da pesquisa-ação nas categorias de visão de LE/Linguagem/Língua, concepção de ensinar a LE, o planejamento, a avaliação, o papel do professor, a mediação e as contribuições da reflexão.

5.CONSIDERAÇÕES FINAIS

No presente capítulo, as perguntas de pesquisa são novamente retomadas e respondidas. Além disso, algumas reflexões gerais sobre a pesquisa bem como contribuições e limitações da mesma são traçadas. Por fim, sugestões para futuros estudos são indicadas.

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