D EVELOPMENT U NDERMINE
3.8 Testing the Validity of Explanations
O usuário do site tem entre 20 e 40 anos e, às vezes, é assinante da versão impressa. O perfil é baseado em relatórios enviados pela empresa que gerencia os acessos. “É uma coisa interessante: o pai é assinante e o filho entra no site. Várias vezes encontrava amigos e eles me diziam que o filho, quando ele chegava à noite em casa, já antecipava alguma notícia. Inicialmente, a gente pensa que quem acessa o site está em Bangladesh e não é assim. O limeirense que vive aqui acessa muito o site. Ele está no escritório, vai ler sua caixa de mensagens, dá um cliquizinho e vê a primeira página do jornal, mas ele pode ter o jornal impresso na casa dele.”
Em relação aos links e cadernos mais acessados, Lucato declara que as colunas diárias,
assinadas por diversos colunistas, todos jornalistas, têm grande acesso. A parte esportiva, “devido ao conglomerado que a Gazeta fez de mídia, envolvendo rádio e televisão para divulgar o esporte”, também é bastante procurada pelos usuários. Em relação aos cadernos, estão à frente o caderno de lazer (Lazer) e o suplemento feminino (Jornal da Mulher). “O Lazer traz notícias que são consumidas pelo público mais jovem e o Jornal da Mulher é bem acessado porque tem notícias de saúde e comportamento, que também são interessantes inclusive para imprimir e guardar.”
2.1.3. Anunciantes
Apesar do número de acessos mensais e das investidas comerciais, não há anunciantes na página on-line da Gazeta de Limeira. Para explicar a situação, Lucato afirma que falta conhecimento em relação ao produto por parte do anunciante em potencial. “A gente percebe assim: muita dificuldade da pessoa que não é do meio compreender o que é acesso, o que é uma propaganda virtual, o que é um banner.” Além disso, as empresas locais, “não têm interesse em se estruturar para fazer a venda virtual”, na opinião do empresário. “Nós até pensamos em ter uma equipe independente para se fazer esse tipo de venda (referindo-se aos anúncios on-line), mas como estava tão inviável, essa equipe iria ter um rendimento desprezível e não iria ficar estimulada a vender o produto”.
Então, afirma Lucato, as barreiras vão desde o vendedor, que não estaria preparado adequadamente para apresentar o produto, até o anunciante local, desprovido de uma cultura de investimento na internet e que “não enxerga as potencialidades da rede”. “Limeira é uma praça complicada. Eu não sei se é medo de exposição, se é receio. A questão é: como se criar
essa cultura, fazer esse anunciante tentar arriscar. O jornal não pode sobreviver apenas de uma receita. Em regra, o jornal tem que ter várias fontes de receita, porque nem todas caminham positivamente durante o ano. E aí que está o grande dilema: se você começar a ter os seus assinantes virtuais, poderia criar uma fonte de receita para subsidiar essa equipe que possa ser montada (referindo-se a parte de produção do conteúdo). Mas, por outro lado, em primeiro lugar, pode derrubar o número de acessos violentamente. Em segundo lugar, uma equipe grande, especializada, ou seja, formada por jornalistas, não dá qualquer garantia que o site vá melhorar. Evidente que vai melhorar tecnicamente, mas em números, não há essa garantia.”
Em relação à suposta concorrência entre as versões impressa e on-line, o empresário afirma que, em um primeiro momento, o site concorre com a edição impressa. Em seguida, porém, declara que, baseado em leituras de conferências internacionais sobre o assunto, principalmente material norte-americano, a internet não interfere na dinâmica de circulação do jornal. “O jornal não perdeu mercado, não perdeu leitor, não perdeu absolutamente nada. Ele agregou valor. Então, quando a gente fala de penetração é isso: é você estar em Limeira, pegar seu carro, ir a um bairro de periferia e encontrar a Gazeta em um balcão de bar. É você ter um estudante que o pai não assina o jornal, porque tem uma situação financeira que não permite, mas ele precisa fazer um trabalho de escola e pega alguma coisa no site, ele usa o site para fazer a pesquisa. A Gazeta é um nome, você vai fixando esse nome, essas informações vão penetrando e isso faz com que o jornal mantenha sua fertilidade.”
Mesmo assim, com a parte comercial insípida, Lucato diz que é vantajoso manter um site, porque o custo é baixo, “baixíssimo”. “A Gazeta é um mini-provedor, a gente tem muitas pessoas que tem e-mail grátis pelo próprio site, tem esses serviços”.
Além da ausência de anunciantes, Lucato argumenta que outra dificuldade é a impossibilidade atual de incrementar o site, por exemplo, disponibilizando na página matérias feitas para a televisão ou para o rádio (nos programas em que a Gazeta produz em parceria com outras empresas de mídia), apropriadamente editadas para a versão on-line. “Tudo é complicado, porque você tem que colocar isso no site, aí começa a encarecer. Você tem que ter uma placa, programa, a própria televisão também tem que trabalhar com a mesma linguagem. Precisa de alguém para separar aquela matéria, porque ninguém vai querer rever o programa pelo computador”.
A narração de determinados gols, referentes principalmente aos jogos dos dois times locais, já pode ser acessada por meio do site. No entanto, segundo o empresário, o material não está editado e não fornece demais informações relativas à partida. “Alguém ter que fazer o gerenciamento dos gols, até quando vão ficar disponíveis para baixar, quais momentos, fazer a edição. Hoje, por exemplo, está jogado. Você vai lá, clica, tem um ponto: bola para fulano. Não tem isso: esse jogo aconteceu no dia tal, a Inter (Internacional de Limeira, um dos times locais) ganhou, o Galo (Independente, o outro time da cidade) ganhou. Simplesmente não tem.” Ainda em relação à parte esportiva, uma das metas é disponibilizar as imagens dos jogos via internet, concretizando, assim, uma convergência midiática possibilitada e característica da internet.