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Neste capítulo pretendo analisar o desenvolvimento do ensino da Matemática no Ensino Primário, no Colégio Vasco da Gama, no período que vai desde o início da década de 1960, época em que o Colégio é inaugurado, até ao ano lectivo de 1986/ 1987, altura em que começa a implementação dos Programas Próprios, no Ensino Primário da instituição. Apesar de o estudo estar centrado no ensino da Matemática, existe uma figura neste Colégio, que assume um papel central no ensino desta disciplina no Primário. João António Nabais, o fundador e primeiro director do Colégio Vasco da Gama, torna-se um promotor do desenvolvimento de algumas experiências pedagógicas que ocorreram na instituição nesta área, nomeadamente com a introdução de alguns materiais didácticos e com o desenvolvimento de Programas Próprios.

Sendo este pedagogo uma figura central no Colégio Vasco da Gama, nomeadamente no ensino da Matemática no Primário, inicio o capítulo com a apresentação de algumas notas biográficas sobre João António Nabais e sobre o historial deste Colégio. Por ser um trabalho centrado no ensino da Matemática, toda esta parte do estudo está mais focada neste aspecto da obra deste pedagogo. Esta abordagem comporta o risco de se perder uma visão global sobre a obra de João António Nabais, que não se limita ao campo da Matemática, deixando de fora alguns aspectos importantes do seu trabalho. Com as notas iniciais tento dar uma ideia geral da sua vida e obra.

Depois da introdução de carácter geral sobre a vida e obra de João António Nabais, divido este capítulo VI em quatro partes, que integram quatro aspectos que são centrais no estudo: o desenvolvimento das ideias pedagógicas de Nabais relativamente ao ensino da Matemática no Primário e as influências que são explicitadas no seu trabalho, a divulgação e desenvolvimento de materiais didácticos, o desenvolvimento de Programas Próprios no Colégio Vasco da Gama e uma controvérsia sobre o ensino da multiplicação, que este autor teve com António Augusto Lopes em 1968.

Para a análise destes quatro aspectos centrais seleccionei alguns documentos que constituem as fontes utilizadas.

Capítulo VI – João António Nabais e o ensino da Matemática no Colégio Vasco da Gama

Uma das fontes essenciais, são os artigos publicados por Nabais na revista de Ciências da Educação: Cadernos de Psicologia e Pedagogia47.

Nóvoa (1993b) refere-se a esta revista como um periódico que pretendia fazer crescer a competência e participação dos educadores portugueses e um veículo de formação em ciências da educação, mas, devido à falta de um trabalho de edição regular não permitiu a concretização do projecto inicial (Nóvoa, 1993).

Em 1958, é editado o volume I da revista Cadernos de Psicologia e Pedagogia, com a compilação dos cadernos nºs 1 e 2. Nestes dois primeiros números são publicados dois artigos sobre o ensino da Matemática. Em nenhum destes artigos é referido o autor. Só em 1965 são editados os cadernos nºs 3 e 4, ainda pertencentes ao volume I. Nestes dois números, é apresentado apenas um artigo relacionado com o ensino da Matemática: uma crónica com o título Cursos de iniciação no Método Cuisenaire para

o Ensino da Matemática. Nesta crónica também não há referência ao autor.

Em 1968 é editado o volume II da revista Cadernos de Psicologia e de

Pedagogia, com o caderno nº 5, dedicado especificamente ao ensino da Matemática.

Neste caderno n.º 5, cuja autoria é de João António Nabais, são apresentados dez artigos relacionados com o ensino da Matemática. Nestes dez artigos incluem-se, entre outros, o editorial, a transcrição de uma entrevista concedida por José Sebastião e Silva ao Diário de Notícias em Janeiro de 1968, um artigo sobre a Informática e a Escola, o artigo Tríplice Actualização, o artigo À volta da multiplicação, que inclui um parecer de António Augusto Lopes sobre o artigo e a réplica de João António Nabais. Este número da revista contém ainda dois artigos sobre as metodologias dos materiais Cuisenaire e calculador Multibásico e uma crónica sobre os Cursos de Iniciação no Método

Cuisenaire e de Introdução à Matemática Moderna.

Outra das fontes essenciais, são os livros de metodologia para a utilização dos materiais didácticos, associados ao ensino da Matemática, como os Cubos – Barras de cor, o Calculador Multibásico e os Conjuntos Lógicos. Estes livros de metodologia, que são escritos e publicados por Nabais, e que serviam de referência nas formações de professores orientadas por este pedagogo e utilizados como guias orientadores pelos professores do Colégio, descrevem todo o processo de utilização destes materiais didácticos, com a exploração dos diferentes conteúdos, permitindo perceber como eram trabalhados tanto ao nível dos cursos, como depois em sala de aula. As introduções

47 Neste capítulo, para além de utilizar o itálico para indicar o nome de revistas ou de artigos, também irei utilizar este aspecto gráfico para indicar que a expressão utilizada, é uma expressão de Nabais.

Capítulo VI – João António Nabais e o ensino da Matemática no Colégio Vasco da Gama

155 destas metodologias também contêm algumas indicações sobre a forma como Nabais pensava o ensino da Matemática no Primário.

As diferentes edições do livro O Zeca já pode aprender matemática: guia para o

método dos números em cor, de Caleb Gattegno, também foram utilizadas como fonte

na organização deste capítulo. Embora a autoria deste livro não seja de Nabais, é ele que faz a revisão da tradução portuguesa. Para além disso, uma das edições contém uma série de anotações produzidas pelo próprio Nabais, onde são apresentadas algumas considerações sobre a utilização do material Cuisenaire e a justificação do que levou Nabais a fazer algumas alterações a esse material didáctico e a desenvolver os Cubos - Barras de cor.

Ainda em relação à aplicação e divulgação dos materiais didácticos, analisei os apontamentos dos cursos realizados por Nabais. Esta análise permite compreender como os materiais eram apresentados aos professores, complementando a informação apresentada nas metodologias referidas anteriormente.

Os artigos escritos por Nabais para o Correio da Manhã durante o ano de 1990 constituem também uma fonte para a organização deste capítulo. Num total de quinze artigos, publicados entre o dia dois de Junho e o dia cinco de Julho desse ano, Nabais volta a abordar muitos dos temas que tinha abordado na revista Cadernos de Psicologia

e Pedagogia, como o insucesso escolar, processos de ensino/aprendizagem, os

programas e a actualização de professores. Alguns dos exemplos utilizados por Nabais para ilustrar estes temas nos artigos, estão relacionados com o ensino da Matemática. Apesar destes artigos terem sido escritos após o período em análise, parece-me importante serem considerados, já que permitem esclarecer a evolução do pensamento pedagógico de Nabais.

Para este capítulo do estudo, utilizei também alguns trabalhos já existentes sobre João António Nabais. Desta forma usei uma biografia de Nabais, que faz parte de tese mestrado apresentada no ano de 2007 na Faculdade de Letras do Porto e ainda dois trabalhos de DESE48, que também contêm alguns elementos da história do Colégio e entrevistas com João António Nabais. O Alvará do Colégio também constitui uma fonte essencial nesta parte do capítulo, permitindo aceder ao historial do Colégio.

Entre 1942 e 1944, Nabais publica uma série de artigos no jornal Correio

Elvense, que foram posteriormente compilados pelo mesmo na obra Asas Cortadas,

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Capítulo VI – João António Nabais e o ensino da Matemática no Colégio Vasco da Gama

publicada em 1990. Esta obra serve essencialmente como fonte de dados biográficos, embora também tenha alguns dados ao nível da formação de professores e realização de cursos de Matemática.

No que se refere ao desenvolvimento dos Programas Próprios, uma fonte essencial foi um documento produzido por João António Nabais em 1987, onde este apresenta o Projecto de Programas Próprios para o Ensino Primário. Neste documento, para além dos objectivos gerais, são apresentados os conteúdos a abordar.

Na construção deste capítulo utilizei também os testemunhos orais como fontes. Estes elementos ajudaram à construção da história, ou pelo menos, à construção de uma versão da história, aquela que foi vivida, ou sentida por aqueles que prestaram os depoimentos. Nesse sentido, o depoimento oral foi muito importante nesta investigação, já que, para além de indicar caminhos de pesquisa de outras fontes documentais, permitiu-me recolher informação que foi posteriormente cruzada com outras fontes.

Após uma primeira análise das fontes, que permitiu identificar aquelas que abordavam o tema do ensino da Matemática, procedi a uma análise descritiva de cada uma delas. A partir desta análise foram identificados alguns temas, dentro do tema central, dos quais destaquei os seguintes: os programas, os métodos no ensino da Matemática e o processo de ensino/aprendizagem, a formação e actualização de professores, a divulgação das metodologias associadas ao material Cuisenaire, o papel do professor e do aluno, o insucesso e a avaliação na disciplina de Matemática e uma polémica sobre o ensino da multiplicação. Esta análise deu origem às quatro partes que formam este capítulo, e que foram expostas anteriormente: o desenvolvimento das ideias pedagógicas de Nabais relativamente ao ensino da Matemática no Primário e as influências que são explicitadas no seu trabalho, a divulgação e desenvolvimento de materiais didácticos, o desenvolvimento de Programas Próprios no Colégio Vasco da Gama e uma controvérsia sobre o ensino da multiplicação, que este autor teve com António Augusto Lopes em 1968.

Apesar desta definição de critérios de análise ser, de acordo com Bloch (1976), uma necessidade de qualquer investigação histórica, sem a qual o investigador andará perdido, deverá, segundo o mesmo autor, apresentar uma certa flexibilidade para que a investigação possa ser enriquecida ao longo do seu decurso.

Durante a análise dos temas nas diversas fontes, verifiquei que nem todos são abordados com a mesma profundidade, e que nem todas as fontes fornecem elementos sobre todos os temas. Este desequilíbrio é evidente, por exemplo, na revista dos

Capítulo VI – João António Nabais e o ensino da Matemática no Colégio Vasco da Gama

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Cadernos de Psicologia e Pedagogia, porque os quatro primeiros números, compilados

em dois números duplos, têm apenas três artigos sobre o ensino da Matemática e o caderno número 5 é inteiramente dedicado a esta temática. Por vezes não foi possível compensar esses desequilíbrios, com o recurso a outras fontes. O facto de existir este desequilíbrio na distribuição cronológica das informações encontradas não fez com que eu deixasse de referir um determinado tema.

Em relação ao tema do pensamento pedagógico de João António Nabais sobre o Ensino da Matemática nos primeiros anos de escolaridade, optei por utilizar três artigos da revista Cadernos de Psicologia e Pedagogia, cujos autores não estão identificados:

Será a Matemática a disciplina em que os alunos dos liceus dão menos rendimento? e a

análise sucinta do trabalho de pesquisa, Recherche Psychopédagogique sur la Solution

des Problèmes d`Arithmetique, de Ana Maria de Moraes, publicados na revista de 1958

e a crónica sobre os Cursos de iniciação no Método Cuisenaire para o Ensino da

Matemática, publicada na revista de 1965. Esta opção deve-se ao facto de estes artigos

terem sido publicados numa revista onde João António Nabais assumia um papel preponderante, já que era o editor, director e proprietário da mesma, e dos temas tratados nesses artigos terem reflexo nos artigos escritos e publicados por Nabais no volume II, caderno n.º 5, editado em 1968.

Notas biográficas sobre João António Nabais e o historial do Colégio Vasco da Gama

João António Nabais nasce na Aldeia do Bispo, concelho do Sabugal, em 1915, e realiza os primeiros estudos escolares em Forcalhos, no mesmo concelho. Filho de um guarda-fiscal e de uma dona de casa, passa a sua infância entre estas duas aldeias (Delgado, 2007; Nóvoa, 2003).

No ano lectivo de 1927/1928 ingressa no Seminário de Évora, após terminar a escola primária, o que surge como uma oportunidade para o prosseguimento de estudos (Delgado, 2007; Nóvoa, 2003). Deste modo, João Nabais frequenta, com aproveitamento, em Évora, os dez anos do curso do Seminário arquidiocesano, tendo concluído com rara distinção e aproveitamento, o curso de Teologia, no ano lectivo de 1936/37, aos vinte e dois anos de idade. Ainda em 1937, é enviado para a Bélgica, por indicação do Arcebispo D. Manuel Mendes da Conceição Santos, para ingressar no curso de Psicologia e Pedagogia, na Universidade de Lovaina (Delgado, 2007).

Capítulo VI – João António Nabais e o ensino da Matemática no Colégio Vasco da Gama

Em 1938, no final do ano lectivo, volta a Portugal e é ordenado sacerdote no dia 24 de Agosto. Em Outubro, regressa a Lovaina, para prosseguimento dos estudos em Ciências Filosóficas e Sociais (Delgado, 2007).

Em 1939, Nabais regressa a Portugal, devido a problemas de segurança que surgem como consequência do início da Segunda Guerra Mundial. Após este regresso, inicia funções docentes no Seminário Menor de Vila Viçosa. No final desse ano é nomeado sacerdote em Elvas. Nesta primeira estadia em Elvas, para além da função de pároco, assume também a docência no Colégio Luso-Britânico49 e é assistente eclesiástico da Acção Católica50 (Delgado, 2007).

Entre 1939 e 1945 exerce as funções de pároco em Elvas, na freguesia de S. Pedro, com um breve intervalo, correspondente ao ano lectivo de 1940/1941, quando vai para Évora leccionar as disciplinas de Português e Francês, no Seminário Maior. Para além das funções como pároco, durante a sua estadia em Elvas exerce também as funções de assistente eclesiástico da Acção Católica Portuguesa e da Mocidade Portuguesa naquela cidade. Neste âmbito, funda a Liga dos Homens da Acção Católica de Elvas51, integrando na Juventude Católica, núcleos de jovens de ambos os sexos, já que até aquele momento existia em Elvas apenas a Juventude Católica Feminina. Desenvolve também actividades no âmbito do jornalismo, publicando diversos artigos no Correio Elvense e ainda actividades de apoio a crianças do Ensino Primário, com a organização do Colmeal de S. Pedro52. Nestes anos está ainda envolvido em actividades do foro cultural e social e também lecciona no Colégio Luso-Britânico e no Colégio Elvense (Delgado, 2007).

Em 1945, e após o final da Segunda Guerra Mundial, regressa a Lovaina, onde conclui em 1948 a licenciatura em Psicologia e Pedagogia. Nesse mesmo ano, regressa a Portugal e assume o cargo de Vice-Reitor do Seminário Maior de Évora, onde procede a uma série de melhoramentos ao nível das instalações e de restauração do edifício. No

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O Colégio Luso Britânico, fundado em 1925, era um colégio destinado à educação de meninas (Delgado, 2007).

50

O movimento da Acção Católica surge em Portugal no início dos anos 1930, sob a tutela da Igreja e é definida nos seus estatutos como «a união das organizações do laicado católico português, que, em colaboração estreita com o apostolado hierárquico se propõe a difusão, a actuação e a defesa dos princípios católicos na vida individual, familiar e social” (Brito, J. M. B. & Rosas, F., 1996, p. 12).

51 Na Acção Católica Portuguesa os “núcleos básicos ou organizações agrupavam os associados segundo a idade, o sexo e o estado civil; a Liga Católica e a Liga Católica Feminina, para filiados com mais de 30 anos, casados ou com um curso superior; a Juventude Católica e a Juventude Católica Feminina, agrupando os jovens com menos de 30 anos” (Brito, J. M. B. & Rosas, F., 1996, p. 13).

52 O Colmeal de S. Pedro é uma obra que corresponderia hoje a um centro de Actividades de Tempos Livres, destinado a crianças do Ensino Primário de meios sócio económicos desfavorecidos (Delgado, 2007; Nabais, 1990).

Capítulo VI – João António Nabais e o ensino da Matemática no Colégio Vasco da Gama

159 que diz respeito à docência, Nabais passa a leccionar a disciplina de Psicologia. No âmbito da Escola do Magistério, Nabais vai para além da Didáctica do Ensino da Moral e Doutrina Cristã e promove diversos cursos de aperfeiçoamento e actualização de professores do Magistério Primário (Delgado, 2007).

Em 1950, Nabais propõe implementar alterações nas condições de admissão ao Seminário, aplicando aos candidatos testes para selecção dos seminaristas. Apesar de este tema fazer parte da sua tese de licenciatura, só nesse ano é que os referidos testes são aplicados, no Seminário de Évora, pela primeira vez. Por se tratar de uma experiência inovadora e que vem alterar as condições de admissão ao seminário, provoca algumas reacções de resistência dentro de uma ala mais tradicional da igreja. Apesar desta reacção, a experiência passa a ser divulgada em todo o país, surgindo congressos para a discussão do tema. Apesar de alguma polémica provocada pela experiência, continua a ascensão na carreira eclesiástica, sendo elevado a cónego em 1951 (Delgado, 2007).

De acordo com Delgado (2007) as tensões provocadas pelas reacções de alguns sectores da igreja mais conservadores, à experiência realizada por Nabais, levam a que este adoeça e seja internado em Lisboa, no final de 1951. Ao regressar à cidade de Évora, sai do seminário, mas continua a exercer as suas funções de docente nas escolas onde leccionava anteriormente e continua também com a sua função de redactor do Jornal A Defesa, cujos artigos não assina. No início do ano lectivo de 1952/1953, já não assume o cargo de Vice-Reitor do Seminário de Évora. Afasta-se então da cidade e vai para Lisboa, iniciando também um processo de afastamento da igreja (Delgado, 2007).

É nesta fase de mudança que, em 1952, alista-se como padre capelão do barco Gil Eanes, que acompanha e apoia a campanha bacalhoeira. Esta campanha leva-o ao Canadá, onde, durante as paragens, entra em contacto com algumas inovações pedagógicas, nomeadamente ao nível da pedagogia construtivista. No ano seguinte, quando regressa a Lisboa, inicia um processo de afastamento gradual da Igreja, traduzido num primeiro momento pelo abandono da celebração, solicitando mais tarde o abandono do sacerdócio53 (Delgado, 2007; Nóvoa, 2003).

Ainda em 1953, Nabais publica a sua tese de licenciatura A Vocação à luz da

Psicologia Moderna, que foi traduzida em italiano (2 edições 1955 e 1957), em

espanhol (1959) e em francês na Revista da Universidade de Ottawa, 1956, Canadá.

53 João António Nabais abandona a celebração e de seguida solicita o abandono do sacerdócio. A autorização papal é-lhe concedida em 1971 (Nóvoa, 2003).

Capítulo VI – João António Nabais e o ensino da Matemática no Colégio Vasco da Gama

Em 1954, Nabais fixa-se definitivamente em Lisboa onde, durante cinco anos, é professor no Instituto de Orientação Profissional e funda também, um Gabinete de Psicologia privado a que dá o nome de Centro de Psicologia Aplicada à Educação, sedeado na Rua Actor Isidoro, 7º - r / c Esq (Delgado, 2007; Nabais, 1990b). Além disso, trabalha também como professor na Escola de Ciências Criminais (Nóvoa, 2003).

É no âmbito do trabalho realizado no Centro de Psicologia e Pedagogia Aplicada à Educação, que recebe quatro alunos com dificuldades de integração no ensino regular e se compromete a prepará-los para os exames nacionais de admissão ao Liceu. Este momento é uma marca na sua carreira enquanto pedagogo (Delgado, 2007).

Em 1958, Nabais edita os números 1 e 2, do volume 1, dos Cadernos de

Psicologia e de Pedagogia: Revista de Ciências da Educação, um boletim do Instituto

de Orientação Profissional. Esta revista, que tem João António Nabais como director, editor e proprietário, pretendia, segundo intenções expressas no número 1, despertar as fontes de uma pedagogia portuguesa. A falta de um trabalho editorial continuado, não permitiu a concretização do projecto inicial (Nóvoa, 1993).

No dia 4 de Outubro de 1959, João António Nabais inaugura o Colégio Vasco da Gama, no Solar das Tílias, em Meleças, no concelho de Sintra, onde irá desenvolver grande parte da sua obra pedagógica. Inicialmente esse Colégio esteve para receber o nome de Colégio Alexandre Herculano, mas, por já existir outro colégio com o mesmo nome, recebe o nome do navegador português Vasco da Gama (Projecto Educativo, 2006). O Colégio é edificado numa quinta a 30 km de Lisboa, onde Nabais pensa poder criar as condições pedagógicas, materiais e humanas que levem à satisfação das

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