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3. METODE

3.2 Testing av CROQ-N

O segundo passo recomendado aos alunos de ser realizado durante a apresentação do artigo diz respeito à definição do seu público-alvo. Considerando o propósito comunicativo da resenha acadêmica, torna-se importante que o seu leitor saiba se a obra avaliada, de fato, será útil para o desenvolvimento das suas pesquisas acadêmicas, ou seja, se ela vai ao encontro, por exemplo, dos objetivos dos trabalhos desenvolvidos pelo leitor.

Por isso, é fundamental que o resenhista aponte claramente o público-alvo do livro ou do artigo que está sendo avaliado, pois, assim, o leitor poderá analisar se ele se enquadra dentro do perfil indicado. Essa informação, portanto, será relevante para o leitor decidir se comprará e/ou se lerá a obra, tendo em vista que, segundo Carvalho (2005), as resenhas podem exercer a função de mostrar ao leitor como o público acadêmico está reagindo diante da relevância da publicação de alguma obra.

29 Talvez o leitor sinta falta de uma representação gráfica capaz de mostrar os dados de uma maneira

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Observamos que apenas 46,88% dos alunos mencionaram tal informação na primeira produção textual. Contudo, houve um aumento significativo desse número na segunda versão, pois 81,25% dos estudantes mencionaram o público-alvo na produção final, ou seja, somente 18,75% não forneceram tal informação ao leitor da resenha. Segundo Bezerra (2002), a estrutura retórica empregada pelos estudantes na produção das resenhas é mais simples porque eles normalmente empregam um número menor de subunidades/passos em cada movimento retórico quando comparados com os escritores proficientes. Os resultados apresentados corroboram essa informação, pois verificamos que seis alunos optaram por não realizar, na segunda versão, a subunidade de indicação do público-alvo sugerida no modelo.

Entretanto, os dados mostram uma grande melhora na realização desse passo na versão final, pois houve um aumento no número de graduandos que mencionou o público-alvo. Percebemos, portanto, uma evolução que, no caso, integra um complexo processo de ensino-aprendizagem através do qual o aluno se tornará um escritor proficiente. Isso ocorreu principalmente em função da conscientização dos estudantes, adquirida depois da entrega da tabela de correção, a respeito da relevância de informar o público-alvo ao leitor da resenha. O excerto abaixo demonstra a maneira como essa informação foi mencionada pelos graduandos:

Portanto, o texto é importante para aqueles que estudam a Linguística Textual, mais para uma discussão e para um maior entendimento deve-se ter um conhecimento prévio sobre a linguística. (...) Este é um texto que contribui para aqueles que estão iniciando os estudos de Linguística textual, pois, este é um texto base para o entendimento do surgimento e quais os estudos que a LT proporciona. (Aluna 20, 2ª versão, grifo nosso).

O excerto mencionado mostra claramente quais leitores podem se interessar pelo artigo de Bentes (2009), lembrando que a resenhista reforça a importância de o leitor ter o mínimo de conhecimento sobre os conceitos de Línguística. Essa informação foi inserida em razão da dificuldade que muitos alunos relataram ter sentido durante a leitura do artigo de Bentes (2009) devido ao amplo uso de termos técnicos e específicos da área de Linguística. Isso demonstra como o contexto de produção textual influencia na seleção das informações a serem apresentadas ao longo da resenha pelo seu escritor.

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Além disso, dissemos aos graduandos que a resenha produzida por eles teria como principal público-alvo os futuros estudantes da disciplina de Linguística Textual do curso de Letras. Essa informação é importante porque sabemos que a situação comunicativa na qual o gênero circulará influencia diretamente na sua elaboração (MARCUSCHI, 2008b; SWALES, 1990). A partir dela, o resenhista escolhe quais informações serão disponibilizadas na superfície textual de acordo com os objetivos específicos do resenhista e com o(s) propósito(s) comunicativo(s) do gênero (SWALES, 1990; BATHIA, 1993 APUD ASKEHAVE; SWALES, 2009). Dessa forma, parece haver uma tentativa dos graduandos em preparar os próximos leitores do texto de Bentes (2009) para possíveis dificuldades que serão encontradas durante a leitura do artigo devido a sua complexidade. Percebemos, então, a manifestação de propósitos particulares ligados a uma situação sócio-retórica na qual os resenhistas escreveram para leitores com características específicas e, portanto, as escolhas linguísticas e discursivas bem como a organização do gênero foram influenciadas pelo contexto no qual ele foi elaborado.

Por outro lado, existem resenhistas que informam o público-alvo de maneira mais geral, ou seja, sem detalhar e sem especificar muito sobre quais pessoas realmente se interessarão pelo artigo de Bentes (2009). Tal particularidade pode ser percebida no excerto abaixo:

O artigo é recomendado para todos interessados em LT e estudos sobre a língua em geral (...) (Aluna 5, 1ª versão, grifo nosso)

O fragmento acima mostra que a estudante não se preocupou em delimitar, de maneira detalhada, qual o público-alvo, ou seja, não disseram se o texto é adequado apenas para especialistas da área ou se o artigo pode ser lido também por um iniciante nos estudos textuais. Assim, a indicação do público-alvo foi feita de forma muito ampla, podendo dificultar que o leitor identifique se o artigo lhe será pertinente ou não de acordo com o seu grau de conhecimento e de envolvimento com a Linguística Textual. Verificamos que a aluna 5 indicou o público-alvo da mesma forma nas duas versões da resenha.

Durante a análise, observamos também que houve variação no momento de apresentar o público-alvo, pois essa informação foi mencionada em três lugares distintos: no início da resenha, junto com a indicação do artigo no final da resenha ou

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junto com a avaliação do artigo. Segundo Pietro e Schneuwly (2006), a observação dessas variações nos textos dos alunos é importante, pois elas estão ligadas com o contexto de produção do gênero. Veja:

Indicação do público alvo30 1ª versão 2ª versão Público-alvo no início da resenha 4 alunos 4 alunos Público-alvo + indicação do artigo 3 alunos 6 alunos Público-alvo + avaliação do artigo 8 alunos 14 alunos Tabela 6: Maneiras através das quais os alunos indicaram o público-alvo

A partir dessa variedade em relação à localização do público alvo na resenha, verificamos o caráter flexível (BEZERRA, 2001) do modelo de Motta-Roth (1995) construído com base em Swales (1990). Acreditávamos que os alunos, especialmente na primeira produção, fossem seguir a ordem sugerida de apresentação dos passos presente no modelo mostrado nas aulas presenciais e, portanto, esperávamos que uma quantidade maior de alunos mencionasse o público-alvo logo no início da resenha. Entretanto, observamos que muitos estudantes apresentaram maturidade na produção do gênero, percebendo que os passos do modelo não precisam obrigatoriamente ser colocados na ordem sugerida, pois a escolha de como organizá-los dependerá especialmente dos objetivos específicos do resenhista no contexto de produção do gênero.

Esse amadurecimento dos estudantes demonstra que eles estão desenvolvendo de forma gradativa e contínua as competências necessárias para a produção da resenha e, consequentemente, se tornarão escritores experientes. Dessa forma, eles poderão atuar efetivamente na comunidade discursiva constituída no ambiente acadêmico que, no caso, apresenta suas próprias particularidades linguísticas e discursivas que precisam ser dominadas pelos graduandos.

Percebemos, então, a melhora dos alunos em função de um maior contato com o gênero ensinado. Segundo Bazerman (2007), quanto mais experiência o aluno for adquirindo com a escrita, mais confiante e corajoso ele se tornará e, consequentemente, ele passará a considerar a escrita como sendo uma atividade interessante que lhe

30 Durante a análise, verificamos que os alunos que mencionaram o público-alvo na primeira versão

utilizaram a mesma estratégia na segunda versão. Além disso, os alunos que não tinha inserido esse passo na primeira versão, mas o fizeram na segunda, optaram por indicar o público-alvo junto com a indicação ou com a avaliação e, portanto, nenhum desses alunos inseriu essa informação no início da resenha.

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promove a participação social. Por isso, consideramos que os alunos, à medida que forem adquirindo mais habilidade com a escrita da resenha, irão se tornando mais confiantes para realizar estratégias cada vez mais complexas até atingirem o nível de escritores experientes.

Nesse caso, é importante ressaltar que mencionamos aos alunos que essa resenha seria publicada em um blog destinado, inclusive, aos futuros graduandos que cursarão a disciplina de Linguística Textual. Em função dessa informação, verificamos uma preocupação dos estudantes em alertarem os futuros leitores sobre as dificuldades do artigo de Bentes (2009) vivenciadas pelos próprios alunos-resenhistas durante a sua leitura.

Essas observações são importantes, pois, segundo Marcuschi (2005), os gêneros precisam ser analisados não apenas com base em aspectos formais, mas também com base, por exemplo, no meio em que circula e nos sujeitos envolvidos na produção do gênero. Assim sendo, ao avaliarem principalmente a linguagem, considerada muito técnica por alguns resenhistas, verificamos que vários alunos aproveitaram esse comentário avaliativo para mencionar que tipo de leitor poderia encontrar dificuldades no entendimento do artigo devido a essa sua particularidade. Essa postura dos estudantes nos leva a concordar com Bezerra (2001) em relação ao fato de que eles distribuem e selecionam as informações no texto não só de acordo com o propósito comunicativo do gênero, mas também de acordo com o seu público.

Os números mostram que a maioria dos graduandos, nas duas resenhas, inseriu o público-alvo junto com a avaliação. Essa escolha mostra preocupação em realizar esse passo do movimento 1 de forma associada à avaliação do artigo, principal característica do gênero, ao invés de simplesmente mencionar, de forma solta, essa informação. Tal estratégia demonstra habilidade na produção da resenha, pois eles não se limitaram a seguir rigidamente o modelo, já que promoveram modificações de acordo com o seu contexto de produção e sempre de maneira aliada ao principal objetivo do gênero.

Os alunos que optaram por utilizar tal estratégia, na maior parte das vezes, sugeriram o público-alvo do artigo ao abordar a complexidade da obra, aproveitando esse momento para destacar que tal particularidade exige do leitor um conhecimento básico em relação ao assunto que será discutido por Bentes (2009) e, por isso, eles destacaram que os calouros podem encontrar dificuldades na compreensão do texto. Acreditamos que essa preocupação em alertar o leitor da resenha sobre essas questões

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justifica-se porque os resenhistas sabem que seus leitores virtuais são estudantes de Letras de diversos níveis da graduação, já que o blog é público. Por isso, consideram necessário “prevenir” principalmente os próximos alunos da disciplina de LT, pois eles provavelmente realizarão a leitura do artigo de Bentes (2009) e certamente não apresentarão muito conhecimento sobre as teorias de Linguística Textual. Por fim, mostraremos o exemplo de uma aluna que mencionou o público-alvo do artigo junto com a recomendação do texto:

Este é um texto que contribui para aqueles que estão iniciando os estudos de Linguística textual, pois, este é um texto base para o entendimento do surgimento e quais os estudos que a LT proporciona. (Aluno 22, 2ª versão, grifo nosso)

O fragmento mostra que o resenhista optou por mencionar o público-alvo, no final da resenha, juntamente com a recomendação do artigo, reforçando a importância da leitura para os iniciantes nos estudos das teorias de Linguística Textual. Consideramos que, ao usar essa estratégia, o resenhista também não se limita a seguir o modelo rigidamente e, portanto, demonstra ter competência para moldá-lo de acordo com seus objetivos comunicativos durante a produção do gênero.