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Propagation to the ground

4.1 Model algorithm

4.2.3 Test 2: Sinusoidal phase change

Discutidos todos esses conceitos, passo à apresentação do conceito que adotei como tipo ideal para essa pequisa, o de Civic media (mídia cívica):

any use of any technology for the purposes of increasing civic engagement and public participation, enabling the exchange of meaningful information, fostering social connectivity, constructing critical perspectives, insuring transparency and accountability, or strengthening citizen agency. (informação verbal10)

O conceito, de Henry Jenkins, foi adotado pelo Center for Civic Media do Massachusetts Institute of Technology (MIT), o qual informa em seu site11 que o termo foi preferido ao de jornalismo cidadão porque se refere a qualquer forma de comunicação que fortalece os vínculos sociais em uma comunidade ou cria um forte senso de engajamento cívico entre seus integrantes. Mídia cívica vai além do reunir informações e reportar. Há uma variedade de novas técnicas de mídia cívica, das tecnologias para protestos e desobediência civil a sistemas de envio de mensagens por celular que permitem atividades cotidianas instantâneas e mais sofisticadas.

Para os pesquisadores, envolvidos em desenvolver tecnologias para comunidades, transformar conhecimento cívico em ação cívica é essencial para a democracia. Eles acreditam que, se as pessoas têm as habilidades necessárias para processar, avaliar e agir com

10 Conceito obtido no programa da disciplina COMM 620 – Special Topics: Civic Media and Participatory Politics, ministrada por Henry Jenkins na Annenberg School for Communication and Journalism da University of Southern California, na primavera de 2013.

o conhecimento em circulação, a mídia cívica garante a diversidade de entradas e respeito mútuo necessário para a deliberação democrática. Parte disso, para eles, parece o bom jornalismo tradicional, enquanto outra parte vai a novas e radicais direções.

Adoto esse conceito para a pesquisa empírica, considerando as dimensões analíticas que ele carrega, para compreender como jovens de países de diferentes culturas usam a internet com o fim de engajamento cívico e participação pública nos movimentos sociais da atualidade.

4 AS CULTURAS DE BRASIL E ESTADOS UNIDOS

Cultura “são os valores, as atitudes, as crenças, as orientações e pressupostos subjacentes que predominam entre os membros de uma sociedade.” (HARRISON; HUNTINGTON, 2002, p. 13) Max Weber é um dos seus maiores teóricos, e a questão da cultura em seu pensamento perpassa conceito, teoria e método. Aqui, interessa-me o conceito:

O conceito de cultura é um conceito de valor. A realidade empírica é “cultura” para nós porque e na medida em que a relacionamos a idéias de valor. Ela abrange aqueles e somente aqueles componentes da realidade que através desta relação tornam-se significativos para nós. (COHN, 2008, p. 92)

Cohn (2008) destaca que a significação cultural de um fenômeno, para Weber, pode consistir no fato dele se manifestar como fenômeno de massa, elemento fundamental da civilização contemporânea. É o fato histórico de desempenhar esse papel que constitui o que deverá ser compreendido sob o ponto de vista da sua significação cultural e explicado causalmente sob a perspectiva da sua origem histórica. Além disso, um segmento da realidade individual possui interesse e significado para um estudo porque ele se “encontra em relação com as idéias de valor culturais com que abordamos a realidade.” (COHN, 2008, p. 94)

Os valores são os conceitos que os indivíduos utilizam para fazer escolhas, decidir cursos de ação, explicar e justificar comportamentos, julgar; são modos de organização de conduta, princípios que guiam a ação humana, como explica Baker (2005). Valores morais, que são os valores fundamentais sobre certo e errado, bom e mau, nobre e vulgar, estão nas mentes e incorporados nas instituições e sua violação costuma provocar sanções da sociedade, como censura, ostracismo, condenação e punição.

Ragin (2007) afirma que o conceito de sociedade pode ser usado como referência a todos a todos os habitantes de um estado-nação, como a todas as pessoas que vivem no Brasil ou nos Estados Unidos. Assim, quando falamos de sociedade estamos fazendo afirmações sobre a totalidade de um país. “Realizar la investigación social de esta manera es ver a los países como una unidad fundamental del conocimiento sociocientífico.” (RAGIN, 2007, p. 36)

A solidariedade de um estado-nação, na maioria das sociedades, para Baker (2005), é fundada em ancestralidade, na língua, na religião, na história, nos costumes, nas tradições e em territórios comuns. A ausência de um patrimônio cultural comum dificulta a formação de um estado-nação unificado. “Indeed, nation-ness is the most universally legitimate value in the political life of our time.” (ANDERSON, 2006, p. 3)

Inglehart (2009) afirma que teóricos culturais sustentam que os valores culturais exercem influência duradoura e autônoma na sociedade, ao mesmo tempo em que teóricos da modernização argumentam que o desenvolvimento socioeconômico produz mudanças culturais universais. Para ele, ambas as escolas estão corretas, mudança cultural maciça e persistência de tradições culturais podem ocorrer ao mesmo tempo.

Como estudo aqui duas sociedades contidas em nações, Brasil e Estados Unidos, acredito que é válido citar o conceito de nação de Anderson (2006). Em seu estudo sobre as origens do nacionalismo, ele diz que nação, antropologicamente falando, é uma comunidade política imaginária, imaginária como limitada e como soberana. É imaginária porque, mesmo nas menores, seus membros nunca conhecerão, encontrarão ou sequer ouvirão todos os seus conterrâneos, mas, em suas mentes, cada um vive a imagem de sua comunhão. Todas as comunidades maiores do que suas vilas originárias, onde o contato era face a face, são imaginárias, e elas se distinguem umas das outras pela forma como são imaginadas.

A nação é imaginada como limitada porque mesmo a maior delas, com bilhões de pessoas, tem limites a partir de onde começam outras comunidades. É imaginada soberana porque o conceito nasceu no período do Iluminismo, quando a legitimidade da ordem divina e dinástica foi destruída. E ainda imaginada como comunidade porque é concebida em uma camaradagem profunda e horizontal.

Neste capítulo, não faço uma pesquisa comparativa entre as culturas das duas nações em foco, isso está fora do escopo da minha pesquisa. Reúno apenas os principais conceitos que explicam os valores e as atitudes dos dois povos e as origens desse conjunto de características. Busco esses conceitos na literatura de alguns autores que são referências para que possamos compreender, mesmo que sem rigor metodológico, as principais bases culturais dos países ondem vivem os meus objetos de estudo.