• No results found

The Test Facility and the Measurements

As limitações, as vantagens e sugestões a respeito da intervenção em relação à reestruturação cognitiva em nível de crença condicional, que resulta na construção e manutenção de comportamentos saudáveis foram listadas em questionário respondido nas Sessões 6 e de Encerramento. As limitações incluem questões relacionadas aos horários das reuniões, ao tempo da intervenção e algumas dificuldades para a prática das técnicas e para a exposição de questões pessoais.

De um lado, em relação às limitações, algumas verbalizações são apresentadas a seguir: P6: “Os horários dos encontros (horário de trabalho), a leitura extensa do livro, a falta de tempo e de coragem para fazer as tarefas”;

P7: “Às vezes, é difícil aplicar as técnicas e descobrir a emoção envolvida”; P8: “Poderia ser mais tempo”;

P10: “Por ser no horário do trabalho, às vezes, fica difícil sair para as sessões, mas isto também faz parte do meu aprendizado de ter um tempo comigo”;

P14: “O tempo! Deveria ser mais”;

P17: “Por serem aplicadas em ambiente de trabalho e com colegas, limita o aproveitamento da terapia, porque isto produz uma atitude de defesa, pois ninguém quer se expor em um ambiente competitivo”.

Por outro lado, em relação às vantagens em participar do Projeto Pense Saudável, algumas verbalizações assinalam a incorporação dos princípios básicos das técnicas, como citadas a seguir: P1: “Trabalhar um problema, transformando o que vinha afetando a minha vida de forma negativa, de modo que posso afirmar que atravessei uma "lonnnnnnga noite tempestuosa". Hoje estou mais tranquila e harmonizada, consequentemente melhorei em vários níveis e estou vivendo um "dia ensolarado";

P11: “A vantagem principal é aprender a conhecer as emoções e administrar um comportamento mais saudável na vida pessoal e social”;

P14: “São muitas que levarei para a vida toda! Desde controlar sentimentos a mudanças de comportamentos traumáticos na minha vida. Também está me ajudando a entender as mesmas situações, sentimentos e atitudes dos outros”;

P15: “Dar mais segurança para a pessoa que não sabe como controlar seus problemas; ajudar a administrar as emoções; a autoconfiança melhora muito”;

P17: “O fato de as sessões serem realizadas no ambiente de trabalho e não ter a necessidade de compensar as horas. Na verdade, foi um benefício que nós recebemos. Está sendo uma oportunidade valiosa de melhora interior”;

P18: “Pensar saudável a cada dia, por etapas e assim ser feliz!”

Algumas falas sugerem a percepção do limite de tempo e de possibilidade de estender o número de sessões para a manutenção dos resultados alcançados:

P2: “Ter mais sessões para que tenhamos mais temas”; P5: “Não sei! Talvez colocar alguns lembretes na bolsa”; P8: “Mais sessões”;

P12: “Que o grupo possa ter uma continuidade”;

P15: “Acho que o tempo é pouco. Talvez com mais sessões as pessoas possam ficar mais confiantes. O medo é que ao terminar esses exercícios da terapia, no dia-a-dia, os problemas voltem a ser tudo como era. Quando se é acompanhado, a autoconfiança é maior”;

P17: “Não sei se seria possível incluir sessões individuais”;

P18: “Não ser no horário de trabalho (apesar de que é o único momento que tenho)”.

A análise dos dados em questão pode auxiliar no delineamento de pesquisas futuras e também em relação à melhora da intervenção propriamente dita.

As verbalizações de duas participantes confirmam a avaliação positiva sobre a técnica. Elas foram enviadas via e-mail. A primeira delas após a sessão que aborda o registro de comportamentos saudáveis e a segunda ao final da pesquisa.

Como as técnicas de reestruturação cognitiva devem ser praticadas com o registro diário dos comportamentos que cada participante executa, é solicitado que sejam lançados dois ou três comportamentos saudáveis (Beck, 1997). Na Sessão 8 do presente estudo, uma tabela foi preenchida com os comportamentos saudáveis determinados pelas participantes. Todas as participantes receberam um pequeno cofre de barro para reforçar a importância da valorização dos comportamentos saudáveis. Uma das participantes enviou um e-mail após a sessão para relatar que seus familiares haviam se envolvido na tarefa de lançamento de moedas pelos comportamentos alcançados, o que foi compartilhado com os demais participantes durante a sessão seguinte.

P18: “Só para registrar a chegada do cofrinho lá em casa, falei para o meu marido do propósito do porquinho... meu marido sacou três moedas de um real e depositou imediatamente, em seguida as minhas filhas fizeram o mesmo, só depois, emocionada, é que falei que a família pode participar... não dá para explicar o estado de graça em que me encontro, e a noção da importância de um simples gesto...”.

Ao final da pesquisa, P16 enviou um e-mail e se referiu também à opinião e participação de um familiar próximo.

P16: “Estou muito feliz com os resultados alcançados na terapia, até meu esposo se rendeu, não sei se você lembra que eu comentei que ele achava uma bobagem, que nós estávamos servindo de

cobaia, mas ele viu que não é assim, ele está lendo os cartões de enfrentamento e praticando, quem diria...”.

O apoio social pode beneficiar a saúde e os relacionamentos sociais desempenham um papel de proteção contra os efeitos do estresse. As pessoas que recebem apoio social significativo apresentam menor probabilidade de ruminarem quando necessitam enfrentar situações estressantes. Quando ruminam, as pessoas interpretam os eventos de modo mais negativo do que realmente são, o que leva a reavivar lembranças do passado, dificulta na resolução de problemas e compromete o interesse por atividades prazerosas (Straub, 2005).

De acordo com Glanz e cols. (2008), difundir as inovações é o desafio diário para que as novas maneiras, os produtos, os programas e as práticas sociais se espalhem entre as diferentes sociedades. A história das inovações demonstra que em geral um longo período de tempo transcorre entre a comprovação dos conceitos e dos programas e a prática. A difusão de programas efetivos é um desafio para a saúde pública e para a promoção da saúde. Os fatores que podem estar relacionados com a difusão mais rápida ou mais lenta das intervenções são classificados em três categorias, em relação a características (1) da inovação, (2) dos usuários e (3) do contexto ambiental. Dentre as características da inovação são relevantes (1) as vantagens que a nova técnica testada em pesquisas propicia para a comunidade, quando comparada com intervenções já colocadas em prática e (2) quando os benefícios são observados e percebidos de forma clara por outras pessoas, e não somente medidos por escalas validadas.

Pode-se concluir que nesta pesquisa, o Projeto Pense Saudável mostrou-se um instrumento efetivo para promoção da saúde, maximizando os benefícios da Terapia Cognitiva para a aplicação de uma técnica que privilegia a reestruturação cognitiva em nível de crença condicional, para obter um efeito positivo nas emoções e comportamentos associados.