7. Experimental test
7.1. Test facility description
O gráfico abaixo demonstra prêmios inexistentes formalizados pelos gestores e deduzidos pelo pesquisador:
Formalmente inexistentes são os listados nas três fontes e que os gestores
prestam algum tipo de informação validando o prêmio como: inativo (há alguém que responda por ele, mas é inconclusivo a respeito, como: “sou o novo diretor, converse com o da gestão passada”, “depende se o novo comitê aprovar”, “a moça que mexia com isso, só ela tem todos os arquivos”, “todas as informações estão no site”), suspenso (há alguém que responda por ele e é conclusivo a respeito, com viés transitório: “não teve edição por problemas estruturais”, “falta de verba”, “a última edição não alcançou os resultados propostos”) e extinto (há alguém que responda por ele e é conclusivo a respeito, com viés terminativo dessa ação promocional: “ah, era pra ser só duas edições mesmo”, “a diretoria não fechou a questão, mas vou te falar que tem uns quatro anos que não mexemos com isso”, “ele nem entra mais no orçamento e no plano de comunicação”)203.
Dedutivamente inexistentes são os que não tivessem condições mínimas204 de contato ou obtenção dos regulamentos. Essa decisão levava em conta a não obtenção de condições mínimas de contato e apuração de informações com os gestores. Há uma classificação para quando há contato, mas ele não tem desfecho: não-formalizados205 (há alguém que responda por ele, mas não formalizam o status: são os e-mails que não têm resposta ou que são retornados206 e os telefonemas não conclusivos que passam de ramal em ramal sem ninguém nomear formalmente o prêmio em caráter transitório ou terminativo). E duas classificações para quando não se obtém o contato: prêmios com
rastros207 e sem rastros na internet. A partir de varreduras em sites de busca208 com os
nomes dos prêmios, entrávamos em contato com os gestores para esclarecer a existência (ou não) de prêmios cujos sites, material gráfico, informativos, não gerassem condições
203 Pode parecer jocoso, mas no caso do Prêmio Caixa Unochapecó de Ambientalismo nem mesmo os funcionários da assessoria de comunicação Caixa Econômica Federal, matriz em Brasília, sabiam da existência deste prêmio na filial do município de Chapecó, em Santa Catarina. O prêmio acontecia como estratégia isolada, não listada na matriz.
204 Condições mínimas de contato com os gestores (e-mail, site, telefone) e posterior atendimento que satisfaça a configuração mínima de análise: a produção de um regulamento ou edital (1), material de divulgação (2), site com informações adicionais sobre outras edições, vencedores, cerimônias de entrega, rol de parceiros, patrocinadores e colaboradores (3) e departamento que prestasse atendimento aos nossos questionamentos sobre a premiação (4).
205 São inexistentes por dedução e não-verificáveis porque sequer tem rastro na net, nas buscas feitas no período de apuração.
206 Os protocolados na internet em webmail com o status de Delivery mailing notification.
207 Chamamos de rastros as carcaças de sites, notícias antigas, comentários e todos os tipos de resultado por meio de sites de busca na internet.
de contato com os gestores para obtenção dos regulamentos para análise. Os resultados de sites e links eram como pistas de sua existência na internet. Por isso, a classificação fala em “rastros”.
Alguns exemplos de premiações que formalmente nos prestaram informação do fim das atividades, ou seja, extintos, foram: o Prêmio SAE Brasil, Prêmio Ethos de
Jornalismo, Prêmio Unisys, Prêmio TCU, Prêmio Docol/MMA. Logo, foram retirados
da amostra de análise.
Interessante sinalizar para o leitor que, no período de apuração, percebemos que alguns gestores dos prêmios não queriam admitir formalmente que os prêmios poderiam estar extintos (caráter terminativo) e preferiram prestar contas com chavões em caráter provisório: “todas as informações estão no site”, “não temos informação sobre isso ainda, mas nos ligue depois”, “a ASCOM não está autorizada a falar sobre algo com custos ainda não aprovados”. Quando este caráter transitório era conclusivo e justificado classificávamos como suspenso. E, quando inconclusivo, como inativo.
Este tipo de informação não é algo que apareça expresso em e-mails que trocamos com as assessorias, todos registrados. Mas fruto de interação informal, via telefone, sem gravação, no atendimento das assessorias. Para nós, no âmbito da pesquisa, conota que os gestores não gostam de admitir que suas estratégias não tenham obtido o sucesso planejado. E esta nuance do processo de apuração é um dos fatores que justifica falarmos em terceira pessoa, pois é algo que não tem registro no papel, no e- mail, mas foi um obstáculo na pesquisa209.
Em vista disso, o atendimento das ASCOM e esta percepção das informações inconclusivas sobre o status dos prêmios foram argumentos que nos levaram a considerar outro limite da nossa pesquisa: não temos como comprovar se os prêmios realmente prosseguem porque alcançam (ou não) seus objetivos. E tal fato imputa que, por mais que classifiquemos os dados como existentes (válidos: amostra analítica) e inexistentes (inválidos: inativo, suspenso ou extinto), organizando o conhecimento, não podemos comprovar porque esses dados se apresentam desta maneira. Os regulamentos nos prestam apenas um saldo de dados sobre o que os prêmios falam sobre si. E não o que os premiadores (patrocinador, parceiro, apoio) falam sobre eles nos bastidores. Neste sentido, a pesquisa mostrou totalmente dependente do atendimento dos gestores (ASCOM, departamentos, escritórios).
Os motivos pelos quais muitos prêmios foram encerrados é um mistério. Nenhuma assessoria ou departamento que nos atendeu justificou (apesar de haver justificativas quando em caráter transitório). Como esforço de pesquisa, sentimos uma série de dificuldades em relação a isso e ao fato de não termos mecanismos de como provar o status de um prêmio, efetivamente, mas somente de indicá-lo a partir da informação dos gestores. E a situação ficava mais grave quando o prêmio era terceirizado.
O Prêmio Docol/MMA, por exemplo, é do Ministério do Meio Ambiente (MMA). E ninguém que nos atendeu no MMA conseguiu dizer se o prêmio ainda existia ou não. Neste caso, depois de vários contatos, uma assessora nos passou o número de telefone da empresa prestadora de serviços. Ela tinha achado o telefone dentro de um contrato administrativo já encerrado, depois de ter checado os arquivos de uma licitação já encerrada, tendo feito a pesquisa na Biblioteca no setor de Licitações. Somente depois de achada a licitação e o contrato, a assessora pôde confirmar a informação de existência (ou não) do prêmio. Neste processo, gastamos quase três semanas para apurar apenas esta premiação210.
Percebemos nos atendimentos que os gestores se esquivavam de prestar uma informação não chancelada pela diretoria; além da tentativa de não passar uma imagem negativa: falta de dinheiro, desorganização, disputas internas de poder entre uma gestão e outra, medo de conotar o prêmio como um mau procedimento ou estratégia fracassada, receio em prestar esclarecimentos sobre o alcance (ou não) de resultados promocionais e no noticiário, dentre outros211.
Outra limitação é que a pesquisa não tem como disciplinar os resultados dos mecanismos de buscas pela internet. A cada dia podem ser compilados registros diferentes a partir do nome de um prêmio. Pensar a categoria de prêmios inexistentes por dedução foi uma boa solução metodológica para superar um obstáculo na pesquisa. Os subgrupos com rastros e sem rastros servem para organizar o conhecimento, mas reconhecemos que sejam dados frágeis devido a serem circunstanciados.
210 O que validou como altamente adequada a questão de limitar o estudo ao Brasil. A pesquisa tem base em Brasília e as ligações eram feitas dentro da mesma cidade. O custo de apuração de apenas um prêmio em outras situações que demandassem interurbanos ou ligações internacionais poderia ser alto, ainda mais em vista de 114 prêmios.
211 Percebi os assessores muito curiosos e com dúvidas sobre a minha real abordagem. Não sabia se eu estava querendo desvendar alguma coisa opaca e oculta da instituição (Jornalismo Investigativo), se eu estava contestando alguma edição de algum prêmio (processo judicial) ou se era mero levantamento de dados para pesquisa de doutorado (investigação científica). Isso tudo mesmo com a apresentação formal do meu DRT e matrícula pós-graduação UnB.