Como parte fundamental desta investigação, tomamos uma escola de Ensino Fundamental do Município de Fortaleza - CE para realizar um estudo de caso. É um estabelecimento de responsabilidade do Governo do Estado do Ceará, localizado no bairro Benfica. Para resguardar a identificação dessa unidade de ensino, utilizamos o nome Escola (com letra inicial maiúscula) sempre que nos referirmos à unidade educacional investigada.
A escolha decorre da curiosidade de conhecer de perto o trabalho de um professor de Geografia, sempre enaltecido pelos estagiários que passaram pela referida Escola, pois, apesar de toda a problemática relacionada à escassez de materiais didáticos, espaços limitados para o desenvolvimento das práticas, este professor se mobiliza, trabalhando com um ensino de Geografia mais contextualizado com seus alunos.
A investigação é de natureza qualitativa, na perspectiva caracterizada por Bogdan e Biklen (1994, p.16), ou seja,
Os dados recolhidos são designados por qualitativos, o que significa ricos em pormenores descritivos relativamente a pessoas, locais e conversas, e de complexo tratamento estatístico. As questões a investigar não se estabelecem mediante a operacionalização de variáveis, sendo, outrossim, formuladas com o objectivo de investigar os fenômenos em toda a sua complexidade e em contexto natural.
A pesquisa qualitativa tem como fonte de dados o ambiente natural, mediante visitas, recolhimento de dados em conversas, observação do comportamento dos sujeitos, análise do meio físico escolar, exame do contexto onde ocorrem o ensino e a aprendizagem, entre outras. Stake (2011, p.39,40) compreende que
Os fenômenos que são estudados pelos pesquisadores qualitativos geralmente são longos, casuais e envolventes. Normalmente, demora muito tempo até se entender o que está acontecendo, como tudo funciona. A pesquisa requer muito trabalho, e os custos são altos. Para muitos estudos, isso é um trabalho de amor mais do que de ciência.
A pesquisa é de natureza descritiva, porque exprime a existência de associações entre alguns elementos do currículo escolar, a saber: a relação entre a organização da atividade docente, a disponibilidade e o uso dos tempos e espaços escolares e, as possibilidades para o ensino de Geografia. A preocupação central era, mediante o trabalho de campo, realizar um registro escrito e sistemático de tudo o que foi observado na Escola, o que poderia elucidar questões relacionadas a estes assuntos. Portanto, este estudo se caracteriza como estudo de caso.
Por que um estudo de caso?
Não existe fórmula, mas a escolha depende em grande parte de sua questão de pesquisa. Quanto mais suas questões procuram explicar alguma circunstância presente (por exemplo, “como” ou “por que” algum fenômeno social funciona), mais o método do estudo de caso será relevante. O método também é relevante quando suas questões exigirem uma descrição ampla e “profunda” de algum fenômeno social. (YIN, 2010, p.24, grifo nosso).
Dessa maneira, a opção se justifica pela oportunidade de esse método possibilitar
“um estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir o seu conhecimento amplo e detalhado”. (GIL, 2010, p.57,58). Os estudos de caso, na perspectiva
uma série de informações sobre o que se deseja pesquisar. [...] O estudo descritivo pretende
descrever ‘com exatidão’ os fatos e fenômenos de determinada realidade”.
Essa unidade de ensino representa boa parte da realidade das escolas públicas de Fortaleza, pois se trata de uma Escola pequena com limitações de espaços para o desenvolvimento das práticas de ensino mais contextualizadas, contudo o que nos chama a atenção é a capacidade de os professores lidarem com os obstáculos e superá-los, quer sejam dificuldades de ordem espacial ou temporal.
A escolha da proposta metodológica incide diretamente nos questionamentos que tencionamos responder. Como ensina Yin,
O estudo de caso é preferido no exame dos eventos contemporâneos, mas quando os comportamentos relevantes não podem ser manipulados. O estudo de caso conta com muitas das mesmas técnicas que a pesquisa histórica, mas adiciona duas fontes de evidência geralmente não incluídas no repertório do historiador: observação direta dos eventos sendo estudados e entrevistas das pessoas envolvidas nos eventos. [...] a força exclusiva do estudo de caso é sua capacidade de lidar com uma ampla variedade de evidências – documentos, artefatos, entrevistas e observações – além do que pode estar disponível em um estudo histórico convencional. (2010, p.32).
Nossa atenção, portanto, ficou centrada na análise dos rituais dentro da sala de aula e em outros espaços de convivência e aprendizagem da Escola; exame da estrutura física/arquitetônica e dos materiais didáticos, em especial, caracterização dos aspectos físicos, desvelando a maneira como a organização espacial contribui ou não para efetivamente se praticar o que está prescrito nas diretrizes e parâmetros curriculares, nos manuais didáticos e textos científicos que discutem sobre ensino de Geografia, para essa etapa de escolarização. Minayo (1994, p.21, 22) assegura que a pesquisa qualitativa tem uma preocupação
[...] com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significado, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.
Portanto, a convivência com a unidade escolar, por meio da pesquisa de campo, fez-se necessária para apreender, observar esses rituais e colher dados que pudessem elucidar as reais condições em que ocorrem o ensino e a aprendizagem de Geografia e responder às indagações que havíamos suscitado.Para Yin9,
[...] o método do estudo de caso permite que os investigadores retenham as características holísticas e significativas dos eventos da vida real – como os ciclos individuais da vida, o comportamento dos pequenos grupos, os processos
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organizacionais e administrativos, a mudança de vizinhança, o desempenho escolar, as relações internacionais e a maturação das indústrias.
Na intenção de entender um fenômeno contemporâneo, que é compreender o ensino de Geografia e a docência em face dos desafios impostos pelas novas demandas sociais, escolhemos o estudo de caso como o caminho metodológico apropriado para a análise das condições concretas em que sucedem o ensino e a aprendizagem dessa disciplina.