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De tradição familiar, o Grupo Toledo atua exclusivamente no ramo sucroalcooleiro. O início de suas atividades ocorreu no Vale do rio Paraíba, no estado de Alagoas, e em 1935 o grupo adquiriu a usina Capricho, no município de Cajueiro (AL), cuja capacidade diária atual de processamento é de 5.500 toneladas. Em 1970, implantou a segunda unidade do grupo no município de Marechal Deodoro (AL), a usina Sumaúma, com capacidade atual de processamento de 6.200 toneladas de cana/dia.

Em 1976, também no estado de Alagoas, o grupo instalou a Usina Paisa no município de Penedo, sendo esta a sua terceira unidade, com capacidade atual de moagem de 5.700 toneladas de cana/dias. Percebendo que no Nordeste esta atividade não estava em seu melhor momento, o grupo decidiu expandir suas atividades e passou a procurar unidades na região Centro-Sul do país, adquirindo, então, a antiga usina Ganthus no ano 2002, no município de Borá (SP), a qual passou a ser chamada de usina Ibéria. Atualmente, essa unidade possui capacidade diária de moagem de 7.000 toneladas de cana-de-açúcar, o que corresponde a 1.600.000t/safra. Interessante destacar que o grupo não adquiriu a antiga usina Ganthus por preferência locacional, mas sim porque a unidade já contava com infraestrutura pronta. Além disso, em entrevista com o diretor da usina Ibéria, Sr. Marcelo Toledo, realizada na própria unidade no dia 13 de julho de 2010, foi constatado que o grupo não se utilizou de qualquer linha de financiamento do governo para esta aquisição, nem municipal, nem relativa ao Proalcool ou oriunda do BNDES.

Na usina Ibéria são produzidos etanol (anidro e hidratado), açúcar VHP (em sacas de 50 kg) e energia termoelétrica para o funcionamento da própria usina, sendo que o processamento acontece geralmente entre o dia cinco do mês de abril e o dia vinte do mês de dezembro, utilizando a cana-de-açúcar proveniente de 24.000 hectares de terras arrendadas e em parceria de aproximadamente 90 contratos distintos, nos municípios de Borá, Herculândia, Lutécia, Pompéia e Tupã. A empresa possui apenas 50 hectares de terra, área na qual está instalado o parque industrial. Cerca de 50% do corte da cana-de-açúcar já está mecanizado e o transporte da cana-de-açúcar das áreas arrendadas à indústria é realizado quase

integralmente por uma empresa terceirizada, a qual é composta por dois donos: o próprio Sr. Marcelo Toledo e outro acionista.

Com relação ao destino da produção, o Sr. Toledo relatou que a comercialização depende diretamente das oportunidades e da dinâmica do mercado. Assim, se o açúcar está mais rentável em determinada safra, a usina se concentra na produção açucareira, a qual se destina ao mercado internacional (tal como na última safra, quando praticamente 100% do açúcar produzido pela unidade contou com esta destinação) ou ao mercado interno, comercializando em sacas de 50 kg para pequenas empresas.

Já o etanol, segundo o diretor da unidade, possui o papel de regulador. Assim, quando a cotação do açúcar está muito baixa, a opção é a produção de etanol. Todavia, explica que nem mesmo o posto localizado em frente ao parque industrial pode adquirir diretamente o combustível produzido pela própria unidade, sendo imprescindível que o produto passe primeiramente por uma distribuidora. Ainda esclarece que para o etanol brasileiro deslanchar no mercado internacional é necessário que outros países passem a produzir e a exportar etanol, para que se crie um mercado para o produto, levando o Brasil a, conseqüentemente, ter destaque nesse mercado, haja vista que possui as mais modernas tecnologias nessa produção e o menor custo de produção.

O meio de transporte utilizado para a comercialização dos produtos depende da natureza do contrato. Segundo Sr. Toledo, quando o produto é destinado à exportação, o transporte geralmente é realizado pela própria usina até o porto, ao passo que, quando o destino é o mercado interno, o contrato geralmente determina que o comprador retire o produto da usina por meios próprios.

Com relação ao número de funcionários da usina Ibéria, o Sr. Toledo esclareceu que a empresa não conta com funcionários temporários. Segundo ele, a colheita acontece ao longo de nove meses do ano e o plantio ocorre em dois meses, sendo que no mês restante para completar um ano os funcionários da parte agrícola (cortadores de cana-de-açúcar, operadores de máquinas agrícolas, etc) recebem as férias.

Ao todo são 1.956 funcionários na usina, sendo que 1.000 são cortadores de cana e o restante está distribuído em áreas administrativa, limpeza, jardinagem, transporte, entre outros. Além do uso de colhedeiras mecânicas, tratores e caminhões próprios, a empresa se utiliza de serviços terceirizados. De acordo com o

diretor da unidade, por determinação do sindicato regional dos cortadores de cana- de-açúcar, cabe à empresa buscar os funcionários em seus municípios de domicílio, por meio de ônibus da empresa, sendo que as horas de trabalho são contadas a partir do momento em que os cortadores entram no ônibus até o momento em que são deixados novamente em seu município de domicílio. As refeições são realizadas nos próprios ônibus e aqueles que trabalham no parque industrial contam com um refeitório terceirizado, sendo que para utilizá-lo os funcionários pagam uma quantia mensal.

Uma preocupação do entrevistado é com relação ao fim do corte manual nas lavouras. Segundo ele, até o ano 2013 a unidade contará com mecanização total do corte de cana-de-açúcar, sendo que nos últimos dois anos, quando a mecanização no corte passou a se intensificar, foram demitidos centenas de cortadores, e destaca que este pessoal não possui qualificação suficiente para se encaixar no mercado de trabalho, pois a principal característica deles é a força física.