Kapittel 5: Kanalenes vinkling av terror
5.3 Terrordekningens moderne moderasjon
Orígenes inicia o tema no “Tratado sobre os princípios” alegando ser um tema complexo e alerta o leitor sobre prevenção em receber os conceitos que possam parecer heréticos em relação à doutrina da Igreja, passando a advertência, já postula um grande conceito: “Haverá fim e consumação do mundo quando cada um for submetido às penas merecidas pelos seus pecados, mas quando é que cada um vai pagar pelo que merece, só Deus sabe”. (ORÍGENES, 2012, p. 108).
A visão de Orígenes é que Cristo reunirá toda a sua criação em um único final, e em que conduzirá e submeterá até os inimigos a um juízo final. O autor tem a visão clara de um juiz que pode reduzir e submeter os seus inimigos e para isso usa passagens da Sagrada Escritura para fundamentar seus argumentos. Cita Salmos: “O Senhor diz a meu Senhor: senta-te à minha direita até que eu faça dos teus inimigos um assento para
os meus pés” (BÍBLIA, Sl 110:1). Também cita o apóstolo Paulo: “É preciso que Cristo reine até que tenha colocado todos os seus inimigos sob os seus pés” (BÍBLIA, 1Cor:15, 25).
Essa submissão dos inimigos ao juízo e castigo de Deus é um dos argumentos da soteriologia de Orígenes; essa submissão a Cristo é a mesma submetida pelos apóstolos e todos os santos que seguiram o próprio Cristo, ela indica intrinsecamente a salvação que vem do próprio Cristo Senhor. E cita novamente Salmos para justificar sua argumentação: “A minha alma não será submissa a Deus? Pois é dele que vem a minha salvação” (BÍBLIA, Sl 61: 2).
Quando se saberá que é o fim e a consumação de tudo o que existe? Para Orígenes é simples a resposta:
Quando todos os inimigos serão submetidos a Cristo, quando o último inimigo, a morte, for destruído, e quando o reino for entregue a Deus Pai por Cristo, a quem tudo estiver submetido, digo que é deste fim que olhamos para o começo das coisas, assim deve entender que o princípio de tudo é um. (ORÍGENES, 2012, p. 108).
Se o fim e o começo são para todas as coisas, Orígenes entende que esse processo se dará para numerosos seres, ou para todos, e terão bons fins “aqueles que se submeterem a bondade de Deus, pela submissão a Cristo e pela unidade do Espírito Santo” (ORÍGENES, 2012, p. 109). De acordo com ele, todos os seres precisam dar testemunho dessa submissão para serem submetidos a salvação, pois é da submissão que vem a salvação, sejam os seres celestes, terrestres ou os dos infernos, isso compreende e embarca todas as categorias que designam o mundo, o universo.
Uma das maneiras de justificar o porquê de alguns seres estarem em lugares diferentes no universo, é de acordo com a sua ligação à bondade de Deus e no bom uso de sua liberdade em permanecer junto a Ele. Orígenes apresenta novamente o conceito de Trindade como modelo de bondade substancial e divina perfeita:
Aqueles que a partir de um começo único, comportando-se de maneira diferente de acordo com os seus próprios movimentos, foram distribuídos de diversas ordens, conforme seu mérito; a bondade não estava neles de modo substancial como está em Deus, no seu Cristo e no Espírito Santo. Só nessa Trindade, autora de todas as coisas, está a bondade de modo substancial. Todos os outros seres têm uma bondade acidental e que pode decair, portanto, estão na bem-aventurança quando participam da santidade, da sabedoria e da própria divindade. (ORÍGENES, 2012, p. 109).
Essa classificação dos seres em diversas ordens distribuídas segundo a bondade de Deus e a liberdade dos seres vale para anjos, arcanjos e para o próprio gênero humano,
sendo que para este último haverá um momento de se restabelecer a unidade dos homens por meio do momento da consumação final. Orígenes postula diversas passagens das Sagradas Escrituras mostrando como o Senhor Jesus irá restabelecer essa unidade dos filhos com o Pai: “Eu te peço não apenas por eles, mas por todos aqueles que acreditarão em mim pela tua palavra, a fim de que todos sejam um como eu sou um contigo, Pai, e tu em mim, para que eles sejam um em nós” (BÍBLIA, Jo 17:20-21). E continua: “Para que eles sejam um, como nós somos um, eu neles e tu em mim, para que eles se realizem na unidade” (BÍBLIA, Jo 17:22-23). Depois cita o apóstolo Paulo mostrando que esta unidade pode se dar no dia da consumação final, mas também pode ser antecipada, como um céu na terra, ou uma experimentação do Reino de Deus, a partir da nossa relação com a Igreja de Cristo: “A fim de que todos digam as mesmas coisas, e não haja cismas entre vós, para que sejais perfeitos num só e mesmo pensamento, numa só e mesma opinião” (BÍBLIA, 1Cor 1:10).
Orígenes coloca uma questão em relação à possibilidade de mudar de ordem, uma vez que o juízo particular já tiver acontecido, isto é, que uma alma que esteja no estágio inferior, entregue ao domínio do diabo, se ela pode voltar ao estado de bondade e mudar de ordem, indo, por exemplo, para o céu:
Nos mundos das realidades visíveis e temporais, como no das realidades invisíveis e eternas, todos são dispostos numa ordem segundo sua racionalidade e o grau e dignidade dos seus méritos. Assim é que uns nos primeiros tempos e outros nos segundos e alguns até nos últimos, passando pelos tormentos maiores e mais graves, e mesmo contínuos, suportados por assim dizer durante muitos séculos, são reformados pelos castigos mais duros e restabelecidos, sendo instruídos primeiro pelos Anjos e depois também pelos poderes dos graus superiores, desse modo são levados de degrau a degrau às realidades superiores e chegam àquelas que são invisíveis e eternas, exercendo de certo modo cada uma das funções dos poderes celestes como numa espécie de instrução. Daqui, me parece, decorre uma consequência: cada natureza racional pode, passando de certa ordem a outra, chegar a todas através de cada uma, e a cada uma através de todas, uma vez que cada ser, por causa da faculdade do livre arbítrio, é capaz de vários tipos de progresso ou de recuo, conforme suas ações e esforços. (ORÍGENES, 2012. p. 112).
Orígenes fundamenta sua ideia de consumação final e de como as realidades visíveis e temporais passarão para uma outra realidade, sem que haja transformação ou corrupção de substância, embasando-se em algumas passagens para mostrar sua visão. Desse modo, cita o apóstolo Paulo, o livro dos Salmos e o profeta Isaías para dar
notoriedade e clareza no seu pensamento. Diz o apóstolo Paulo, em relação a não alteração de substância: “A forma exterior do mundo passará” (BÍBLIA, 1Cor 7:31). Já o livro dos Salmos complementa: “Os céus perecerão, mas tu, permanecerás” (BÍBLIA, Sl 101: 27). Por sua vez, Isaías parece completar o raciocínio: “Que haverá um novo céu e uma nova terra” (BÍBLIA, Is 65:17). Essa renovação do céu e da terra, a mudança da forma exterior do mundo visível para um mundo invisível será para todos aqueles que caminharem com o bom uso da sua liberdade para a bondade de Deus, se dirigindo para a Ilha dos Bem-Aventurados e submetidos no fim a Deus, pois “Ele será tudo em todas as coisas” (BÍBLIA, 1Cor 15: 28).
O movimento é de consumação e criação, criação e destruição. É preciso entender que ao mesmo tempo em que não se saiba como a consumação se dará, e nem que natureza terá no escatón, uma vez que não se conhece bem a natureza do Pai, Orígenes recorda que o apóstolo João, mesmo afirmando no prólogo do seu evangelho “Deus mesmo, ninguém nunca viu” (Jo 1, 19), quando pensa na natureza humana com Deus, diz: “Não sabemos ainda o que seremos, quando isso nos for revelado, seremos semelhantes a ele” (BÍBLIA, 1Jo 3:2), referenciando à ideia de que fomos criados a imagem e semelhança de Deus, sob pedido do próprio Deus ao seu Pai, quando ele diz: “Pai, quero que lá onde eu estiver eles também estejam comigo” (Jo 17, 24) e “como eu e tu somos um, que eles sejam um conosco” (BÍBLIA, Jo 17: 21).
Orígenes conclui: “Parece aqui que, de semelhante, se fará um, porque, sem dúvida, na consumação ou fim, Deus será tudo em todos”. (ORÍGENES, 2012, p. 275). Ora, é importante que se postule que a ideia de que Deus será tudo em todos tem a ver com processo de consumação e salvação e não simplesmente que adotará as substâncias e particularidades de todas as suas criaturas; a ideia de que Deus está em todo lugar e em todas as coisas, isto é, no sentido de que nada pode estar vazio de Deus, e não que em Deus esteja presente e, portanto, possua as particularidades de todas as coisas. Afirma Orígenes: “Não se diz somente que Deus está em tudo, mas que ele é tudo”. (ORÍGENES, 2012, p. 275).
Ser tudo em todas as coisas também pode ser entendido que Deus será tudo em tudo, mas também em cada ser particular, presente na sua natureza racional para que o homem possa
[...] sentir Deus, pensar Deus, ver Deus, estar com Deus, Deus será todos os seus movimentos, e assim é que Deus será tudo para ela. Não haverá mais discernimento do bem e do mal, pois que Deus é tudo para ela, e nele o mal não existe e aquele para quem Deus é tudo e está
sempre no bem não mais desejará comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. Portanto, se o fim reconduzido à condição inicial, e a consumação das coisas retornada ao seu princípio, restaurarão o estado que tinha então a natureza racional quando ela não tinha necessidade de comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, depois de ter afastado todo sentimento de maldade, de o ter retirado para chegar à integridade e à pureza, aquele que é único Deus bom será só para ela e nela será tudo, não somente em alguns, nem em muitos, mas em todos, quando já não haverá mais morte e não mais aguilhão da morte, e absolutamente mal nenhum, então Deus será verdade em todas as coisas. (ORÍGENES, 2012, p. 276).
Quando se fala que “o último inimigo a ser destruído é a morte” (BÍBLIA, 1Cor 15:26), o que de fato se quer dizer? Ora, mesmo que o último inimigo chamado morte seja destruído, de tal maneira que não haverá mais nada funesto onde a morte já não existirá mais, nem diferente, porque não haverá mais inimigo, é preciso compreender essa destruição da morte, não como algo substancial, isto é, de que a substância feita por Deus, a morte, perecerá, ao contrário, está se dizendo que tudo o que não provem de Deus, tudo isso será destruído, “não para que não exista, mas para que não seja mais inimigo nem morte”. (ORÍGENES, 2012, p. 278).
A morte precisa ser vencida, simplesmente, porque os seres que foram criados por Deus para existir e durar não podem receber uma morte que os atinja na sua substância. Orígenes postula algo fundamental acerca dessa ideia de vencer a morte. Diz ele:
Nós que acreditamos na ressurreição, compreendemos que aí a morte apenas produz mudança, pois estamos certos de que a sua substância permanece e que, em determinado momento, quando quiser O Criador, será de novo restaurada para viver e passará por outra mudança, de fato, o que antes era carne terrestre, vinda da terra, depois dissolvida pela morte e outra vez feita cinzas e terra – “tu és terra e voltarás para a terra” (Gn 18:27) –, ressuscitará da terra e daí em diante progredirá até a glória do corpo espiritual, conforme o requererem os méritos da alma que a habita. (ORÍGENES, 2012, p. 278-279).
Há um questionamento recorrente de como será o novo corpo ressurreto das almas que alcançaram a salvação e que são chamadas a habitar o Campos Elísios, o lugar das Bem-Aventuranças. Alguns insistem em dizer que o corpo ressurreto é feito de um material completamente diferente dos quatro elementos que compõem o corpo do ser humano, talvez fazendo alusão ao elemento éter, que permeia as demais partículas do vazio do cosmos. Chegam até mesmo a afirmar que na ressurreição serão dados, aos que ressuscitarem, novos corpos. Orígenes não concorda com essas afirmações e é bem categórico ao dizer: “Os corpos que serão dados aos que ressuscitaram dos mortos não
são novos, mas receberão os mesmos corpos que tinham nessa vida, transformados do pior para o melhor”. (ORÍGENES, 2012, p. 280).
Orígenes fundamenta seus argumentos na visão do apóstolo Paulo, que diz: “Um corpo animal é semeado, um corpo espiritual ressuscitará” e “semeado na corrupção, ressuscitará na incorrupção, semeado na fraqueza, ressuscitará na força, semeado na obscuridade, ressuscitará na glória” (BÍBLIA, 1Cor 15:42-44). Tudo isso é confirmado pela visão do profeta, que diz: “Deus, fez todas as coisas e as transforma” (BÍBLIA, Am 5:8).
Ora, “deve-se pensar que, na consumação e restauração de todas as coisas, progredindo pouco a pouco, e ascendendo com ordem moderada, chegarão de início a essa terra a instrução que nela é dada, onde serão preparados para regras melhores, às quais nada pode ser acrescentado”. (ORÍGENES, 2012, p. 282). Deus reinará sobre todos e submeterá todos ao Pai, que ele submeteu todas as coisas, isto é, quando tiverem sido feitos capazes de receber Deus, Deus será neles tudo em todos.
Todas essas coisas parecem lógicas e fundamentadas, mas como diz o próprio autor: “O mais certo é que só Deus, e aquele que são seus íntimos por Cristo e pelo Espírito Santo, sabe como tais coisas acontecerão”. (ORÍGENES, 2012, p. 113).