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PARALLEL TRENDS ASSUMPTION

CHAPTER 6. TERRITORIAL DEFORESTATION

O desenvolvimento infantil, como defendido pelos teóricos da Psicologia histórico-cultural, não é movido pela idade cronológica, mas sim pelo meio social, nas relações especificamente humanas, no processo de interação com outras pessoas e o meio social.

Ainda em relação ao desenvolvimento infantil, Vigostski se opõe a compreendê-lo como um processo estereotipado de crescimento e maturação de potências internas dadas por processos evolutivos (PASQUALINI, 2011).

Para Vigotski (1996), citado por Pasqualini (2011), o desenvolvimento infantil se processa por rupturas e saltos qualitativos, dados por alternância de períodos estáveis e críticos, em que se apresentam mudanças bruscas e desvios importantes na personalidade da criança. Esses períodos são fortemente marcados por mudanças nos traços da personalidade da criança. Assim, no período estável,

observam-se as mudanças qualitativamente novas em uma idade e, nos períodos de crise, acentuam-se as mudanças e rupturas bruscas em tempo relativamente curto.

Na perspectiva de Leontiev (2001), o desenvolvimento infantil é dado a partir da existência de momentos críticos, rupturas e mudanças qualitativas. Já para Elkonin (1987), o desenvolvimento infantil não transcorre de maneira evolutiva, progressiva e sim por interrupções da continuidade, pelo surgimento de novas formações. Esse mesmo autor infere que certos períodos ou estágios do desenvolvimento infantil correspondem ao lugar ocupado pela criança na sociedade, dado defendido em sua tese em relação ao jogo protagonizado (jogo de papéis).

Elkonin (1988) demonstra apoiado em estudos antropológicos e etnográficos, que o jogo protagonizado é muito raramente observado em comunidades primitivas e mesmo em sociedades de economia baseada em formas rudimentares de agricultura e pecuária, conclui-se assim, que a origem do jogo está relacionada à mudança do lugar ocupado pela criança na vida das sociedades – fundamentalmente no que se refere a seu afastamento da atividade produtiva (PASQUALINI, 2011, p. 65).

Constata-se, assim, que não é pela idade da criança que se determina o desenvolvimento, e sim pelo conteúdo dos estágios que se alteram com as mudanças nas condições histórico-sociais (LEONTIEV, 1988).

Como defendido por Vigotski, Leontiev e Elkonin, o desenvolvimento infantil, como um fenômeno histórico e dialético, não é determinado por leis naturais universais, e sim por condições objetivas da organização social, compreendendo, assim, saltos qualitativos, involuções e rupturas (PASQUALINI, 2011).

Para a compreensão do desenvolvimento infantil, é preciso analisar o conteúdo da atividade das crianças (LEONTIEV, 1988).

Para Pasqualini (2011), como aponta Elkonin (1987), determinados tipos de atividades se constituem mais importantes em determinados estágios de desenvolvimento, e conhecer qual atividade é a mais importante em cada estágio de desenvolvimento corrobora para uma adequada organização do ensino, contribuindo, assim, para o desenvolvimento da criança.

Vale lembrar que, para as crianças da educação infantil, às quais se dirige este estudo, a atividade se refere às brincadeiras e, mais especificamente, à atividade principal - o jogo de papéis. Essas atividades serão analisadas mais adiante ao se tratar do conceito de atividade principal.

Para que a criança se aproprie dos conhecimentos elaborados pela humanidade, é preciso que eles sejam selecionados e sistematizados; mais e preponderantemente, que sejam organizados de forma adequada para que, ao serem ensinados, coloquem vários processos de desenvolvimento em evidência.

Aprendizagem não é desenvolvimento, mas uma adequada organização da aprendizagem da criança que conduz ao desenvolvimento psíquico, ativando todo um grupo de processos de desenvolvimento que não seriam ativados sem uma adequada aprendizagem.

Neste sentido, a aprendizagem deve se adiantar ao desenvolvimento, pois “o único bom ensino é o que se adianta ao desenvolvimento” (VIGOTSKI, 1988, p. 114).

Portanto, uma adequada aprendizagem pressupõe-se aquela que se encontra na ZDP (Zona de Desenvolvimento Proximal), ou seja, aquilo que a criança é capaz de executar com ajuda de alguém mais experiente; no que diz respeito à educação - o professor.

A partir das análises sobre a relação entre aprendizagem e desenvolvimento é que Vigotski formula o conceito de ZDP (Zona de Desenvolvimento Proximal).

Para se compreender esse conceito, é importante não levar em conta apenas as funções psíquicas já desenvolvidas, mas também aquelas que estão em processo de desenvolvimento. Mas como identificar quais seriam essas funções? Basta avaliar a criança para descobrir o que ele já sabe fazer sozinha?

Não, não basta. O que a criança já consegue fazer sem ajuda compreende o seu desenvolvimento real (efetivo). Assim, para conquistar as novas funções que já se encontram despontando no desenvolvimento infantil, o professor deve oferecer à criança uma tarefa que ela ainda não seja capaz de executar sozinha, mas que, com a mediação do professor, sim.

Assim, quando enfrenta uma tarefa sozinha, a criança se utiliza de suas funções e capacidades psíquicas já formadas, aquilo que já foi conquistado, consolidado em seu psiquismo.

Nas tarefas que ainda não conseguem executar sozinhas, a ajuda do adulto mobiliza funções psíquicas que ainda não estão formadas na criança, mas que começam a despontar, iniciando o seu ciclo de desenvolvimento. Neste sentido, a ação de mediação do professor se dá na zona de desenvolvimento próximo da criança.

É importante destacar que aquilo que a criança não é capaz de resolver, nem mesmo com ajuda, está fora de seu alcance, de suas potencialidades intelectuais. Por isso que não se ensina equações matemáticas para crianças da educação infantil, não se ensina a jogar futebol, basquete, atletismo etc., ao mesmo tempo que não se deve ensinar às crianças conteúdos que elas já dominam. Também não se ensina o que está além de suas capacidades intelectuais.

Este é para o professor um desafio: identificar o que já está formado no psiquismo da criança, as capacidades e funções psíquicas já adquiridas e aquilo que está em vias de formação, ou seja, em vias de ser adquirido.

Destarte, no processo ensino-aprendizagem, o papel do professor é transmitir o conhecimento, mediar por meio de demonstrações, oferecer modelos, questionar com perguntas sugestivas, dar indicações iniciais para a resolução dos problemas; enfim, criar condições para que se efetive a aprendizagem, possibilitando o desenvolvimento de novas funções psíquicas na criança. Assim, o que a criança é capaz de fazer hoje, com ajuda, poderá fazê-lo amanhã sozinha (BAURU, 2015).