Existem vários estudos empíricos cuja finalidade passa por avaliar as atitudes de alunos ditos "normais" em relação a alunos com NEE e nos quais se têm verificado resultados de atitudes favoráveis (Morgado & Félix, 1998; Rego, 1998).
O estudo desenvolvido por Morgado e Félix (1998) com o objectivo de caracterizar as representações sociais de alunos do 3° ciclo do ensino básico face à integração escolar de alunos com deficiência mental recorreu a dois grupos que apresentavam diferentes níveis de contacto escolar (turma integrada vs turma não integrada) com alunos com deficiência mental a frequentar o 7º ano de escolaridade. Para a recolha dos dados utilizaram-se entrevistas semi-directivas, em ambos os grupos, nas quais, e sempre que possível, o termo “dificuldade mental” foi utilizado como substituto do termo “deficiência mental”. A análise dos resultados foi efectuada através de análise de conteúdo às respostas dos alunos durante as entrevistas, através das quais foi elaborada uma grelha de análise com categorias e sub-categorias. Os resultados demonstraram que a atitude face à integração de crianças com aquele tipo de deficiência é significativamente favorável, independentemente dos alunos frequentarem uma turma integrada ou uma turma não integrada.
Também Rego (1998) realizou uma investigação com a finalidade de avaliar as atitudes de alunos face ao síndrome de Down, tendo em conta o tipo de contacto escolar (próximo, moderado ou nulo) e o género dos alunos constituintes dos grupos. Para tal, amostrou trezentas e cinquenta e quatro crianças de 3° e 4° ano do 1° ciclo. Foram utilizados dois tipos de instrumentos: um, composto por uma história e uma fotografia, destinado a suscitar as atitudes perante uma hipotética criança com síndrome de Down e uma escala multidimensional para avaliar essas mesmas atitudes. Após a análise dos resultados verificou-se que as atitudes foram moderadamente favoráveis, parecendo que estas são mais fomentadas pela proximidade do contacto escolar, uma vez que os grupos com contacto moderado e nulo expressaram uma percepção mais negativa. No que diz respeito ao género, foram as raparigas que, no geral, revelaram atitudes mais favoráveis que os rapazes.
Outra pesquisa com o intuito de analisar as representações dos alunos acerca da integração do aluno portador de deficiência mental na escola de ensino regular foi desenvolvida por Gonçalves (1999). Foram amostrados alunos de uma turma integrada (com contacto próximo) do 8° ano e uma turma não integrada duma escola não integrada (com contacto nulo) do 9° ano de escolaridade, com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos. Os resultados daqui decorrentes demonstraram uma atitude globalmente favorável à integração destes alunos deficientes nos dois grupos.
Matos (2000) desenvolveu um estudo para investigar a influência do contacto escolar e género sexual nas atitudes de crianças "normais" face à criança com síndrome de Down, a frequentar o 1° ciclo. Também neste estudo setenta crianças de 3° ano de escolaridade foram distribuídas por dois grupos: trinta e oito pertencentes a uma turma integrada e trinta e duas a uma turma não integrada. Nesta investigação foi utilizada uma fotografia de uma criança com síndrome de Down, do sexo feminino para as raparigas e do sexo masculino para os rapazes. Foi ainda pedido às crianças “normais”que descrevessem o dia-a-dia da criança deficiente integrada na escola de ensino regular. Tal como Rego (1998), também esta autora utilizou uma escala de atitudes multidimensionais. Apesar de se ter observado atitudes globalmente positivas, o grupo com contacto nulo expressou possuir uma atitude mais positiva do que o grupo com contacto próximo. No que respeita ao género, os rapazes revelaram uma atitude mais negativa do que as raparigas.
Desenvolvendo uma pesquisa para averiguar a influência do contacto escolar nas atitudes de crianças "normais'" face à criança com síndrome de Down, Catalão (2002) amostrou alunos de 6° ano de escolaridade divididos por três grupos com diferentes níveis de contacto: nulo, moderado e próximo. No final, verificou-se que o grupo com contacto próximo apresentou atitudes globalmente mais favoráveis do que os grupos com contacto nulo ou moderado.
Também Miranda (2002) realizou uma investigação com quarenta e dois alunos "normais" de 3° e 4° ano de escolaridade, visando concluir sobre as suas atitudes face aos alunos com síndrome de Down. Os alunos participantes foram divididos da seguinte forma: vinte numa turma integrada e vinte e dois numa turma não integrada, concluindo-se que os alunos dos dois grupos relatavam atitudes globalmente positivas face aos alunos portadores com síndrome de Down, se bem que estas tomavam valores mais altos na turma integrada em comparação com a turma não integrada.
Miguel (2002) procurou avaliar as atitudes de 142 alunos do 2º Ciclo do ensino básico face à integração de alunos portadores de deficiência motora no ensino regular concluindo a existência de atitudes positivas ainda que não se tenham verificado diferenças significativas entre os grupos em estudo (com e sem contacto) nem entre os géneros dos alunos.
Morgado, Castro Silva e Pereira (2008) pretenderam estudar as atitudes de 60 alunos do 2º Ciclo do ensino básico, com idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos, face à integração escolar de alunos com Trissomia 21. Os alunos frequentavam uma turma de ensino regular com um aluno com Trissomia 21 integrado (grupo de contacto próximo) e escolas onde não existiam crianças com esta problemática ou com qualquer outra deficiência integrada (grupo de contacto nulo). Os resultados obtidos, apesar de positivos em ambos os grupos, revelaram que os alunos com contacto próximo manifestavam atitudes mais positivas quanto à integração escolar de crianças com Trissomia 21.
Mendes (2009) procurou avaliar as atitudes de 40 alunos, de 3º e 6º anos de escolaridade, face à inclusão de alunos com Trissomia 21 na escola regular. Os alunos foram divididos consoante o nível de contacto, com contacto próximo e com contacto nulo, estabelecido com colegas com esta problemática. O instrumento utilizado para a recolha de dados consistiu numa entrevista semi-directiva e permitiu concluir que, na generalidade, as
atitudes dos alunos se revelaram favoráveis, em especial daqueles que pertenciam a grupos com contacto próximo. No entanto, observou algumas diferenças entre os grupos relativamente ao relacionamento interpessoal, à descrição do colega com Trissomia 21, à percepção das causas das suas dificuldades, do seu futuro e das vantagens e aspectos positivos e negativos acerca da sua inclusão no ensino regular.