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In document Photo:OLE BERNT FRØSHAUG (sider 57-60)

Como já foi referido, o atelier de Geuze, West 8, realizou dois projetos para vazios urbanos na cidade de Roterdão na Holanda que se considera serem de grande importância para a temática em estudo. Trata-se da Praça de Binnenrotte, no centro da cidade e Schouwburgplein, a Praça do Teatro. Seguidamente serão apresentados esses dois casos bem como os motivos pelos quais se considera essa abordagem de algum modo semelhante à que se pretende desenvolver.

3.6.1.1 Praça de Binnenrotte Informação técnica95: País: Holanda Cidade: Roterdão Começo da obra: 1991 Finalização da obra: 1994 Área: 45, 000 m2 Custo: 3,922,930 € Autor: West 8

Binnenrotte trata-se de uma das áreas centrais com grande valor histórico de Roterdão. Neste local existe a tradição de se realizar duas vezes por semana um mercado da cidade, que chega a reunir cerca de 70 mil pessoas96.

A área envolvente de Binnenrotte era marcada nos anos 80 por uma linha ferroviária descativada que retirava a beleza e que de certo modo retardava o desenvolvimento deste local97. Esta linha ferroviária dominava o centro da cidade antes da Segunda Guerra Mundial, sendo que nos anos 80 tornava Binnenrotte num local estreito e claustrofóbico (Figura 3.28)98.

95 http://www.publicspace.org/en/works/z010-binnenrotte-square 96

Idem

97BORRET, K. – The “void” as a Productive Concept for Urban Public Space. In The Ghent Urban Studies Team, The Urban Condition: Space, Community and Self in the Contemporary Metropolis, 1999, p. 243

98 http://www.publicspace.org/en/works/z010-binnenrotte-square

Figura 3.27: Praça de Binnenrotte, Roterdão

Fonte:http://www.take-a-trip.eu/

Figura 3.28: Binnenrotte nos anos 80 antes da intervenção

Apesar da envolvente não ser a mais apelativa, Binnenrotte era na altura o único espaço com cariz público no centro da cidade, realizando-se assim mesmo a feira da cidade naquele espaço todas as semanas99.

No final dos anos 80 surge então a oportunidade de remoção da linha ferroviária, o que proporcionaria a possibilidade de criação de um novo centro da cidade, mais amplo e flexível, dando melhores condições de funcionamento à feira100.

Assim sendo o atelier West 8 criou um projeto que tinha como principal objetivo ligar todas as partes integrantes do centro histórico de Roterdão, já muito massacradas pela Segunda Guerra Mundial, de modo a que estas se tornassem num só espaço - o centro da cidade, deixando este por isso mesmo, de se comportar como diversos fragmentos sem ligação entre si101.

O projeto foi bastante simples, sendo a prova de que com pouco, é possível ter um local extremamente produtivo e integrado na cidade (Figura 3.29). Tendo em conta que o símbolo de reconhecimento de Binnenrotte é precisamente a feira que lá se realiza, foi criada uma ampla praça sem obstáculos, de modo a que a feira possa ali ocorrer sem imprevistos102. Através

da colocação de um plinto de 17 centímetros de altura, o trânsito automóvel e estacionamento foi completamente banido daquele local, proporcionando não só a realização da feira, mas também todo o tipo de eventos que se pretenda. O pavimento é de extrema qualidade e resistência, de modo a suportar toda a atividade que lá existe,

99 http://www.publicspace.org/en/works/z010-binnenrotte-square

100 BORRET, K. – The “void” as a Productive Concept for Urban Public Space. In The Ghent Urban Studies Team, The Urban Condition: Space, Community and Self in the Contemporary Metropolis, 1999, p. 243

101 http://www.publicspace.org/en/works/z010-binnenrotte-square

102 BORRET, K. – The “void” as a Productive Concept for Urban Public Space. In The Ghent Urban Studies Team, The Urban Condition: Space, Community and Self in the Contemporary Metropolis, 1999, p. 244

Figura 3.29: Binnenrotte depois da intervenção

sendo que para além de pontos de eletricidade, os únicos objetos que ali se pode encontrar são os pontos de ancoragem em aço usados como banca para a feira103. Para além disso e como é possível ver

em pormenor na Figura 3.30, foi criada uma figura colorida abstrata que se desenvolve no pavimento, apelando à criatividade e dando vida a este espaço.

Através da retirada da linha de caminho-de-ferro e com a criação desta ampla área, o centro da cidade

de Roterdão tornou-se num espaço bastante mais amplo e desimpedido, o que proporciona uma circulação livre por parte da população. Foram assim criados de dois ambientes completamente diferentes no mesmo espaço.

Por um lado a enorme movimentação de pessoas e bens quando ali se instala a feira, que preenche por completo o local (Figura 3.31). Por outro lado, uma praça desimpedida e livre que apela definitivamente à criatividade e vontade de cada um, podendo ser utilizada das mais variáveis maneiras.

103 http://www.publicspace.org/en/works/z010-binnenrotte-square

Figura 3.31: Binnenrotte durante a feira da cidade

Fonte: http://nl.wikipedia.org/wiki/Bestand:Mart_Binnenrotte.jpg

Figura 3.30: Pormenor do pavimento de Binnenrotte

Apesar do contexto deste projecto ser totalmente diferente do verificado no espaço que se pretende intervir, o caso de Binnenrotte é bastante interessante de analisar, pois é a prova de que um projeto para uma área degradada não precisa de ser demasiado lotado de formas e volumes para obter sucesso. Neste caso em particular, bastou um projeto bastante simples, apelando à essência do local, para que fosse extremamente bem aceite pela população. É bastante interessante perceber que um projeto que à primeira vista parece vazio a todos os níveis é no entanto cheio de sentido, integrando-se perfeitamente na dinâmica da cidade. A liberdade que este local confere à população é extremamente importante, pois permite que esta o utilize mais variadíssimas maneiras, sem restrição de usos ou funções. Tal como Borret afirma, este é um exemplo de projeto que encara um vazio urbano como algo positivo e produtivo, sendo precisamente isso que se pretende para a área em estudo104.

3.6.1.2 Schouwburgplein – Praça do Teatro (1990-1997)

Informação técnica105: País: Holanda Cidade: Roterdão Começo da obra: 1990 Finalização da obra: 1997 Área: 12,250 m2 Autor: West 8

Schouwburgplein é uma área bastante bem localizada da cidade de Roterdão. Localiza- se entre o teatro de Roterdão (sendo por isso chamada de Praça do Teatro) e Doelen Concert Hall. Encontra-se rodeado de cafés e restaurantes e a uma curta distância da

104

BORRET, K. – The “void” as a Productive Concept for Urban Public Space. In The Ghent Urban Studies Team, The Urban Condition: Space, Community and Self in the Contemporary Metropolis, 1999, p. 243 105 http://www.architectuurinrotterdam.nl/building.php?buildingid=75&lang=en&PHPSESSID=228f4fae 13d7250ef550110c6208b879 Figura 3.32: Schouwburgplein Fonte: http://netzspannung.org/

estação central de comboios. Apesar desta excelente localização antes da intervenção de West 8, Schouwburgplein era um local praticamente morto, sem uso, triste e degradado (Figura 3.33 e 3.34)106.

Figura 3.33 e 3.34: Schouwburgplein antes da intervenção

Fonte: http://courses.umass.edu/latour/Netherlands/schneider/index.html

Como Borret refere em The Urban Condition: Space,

Community and Self in the Contemporary Metropolis,

Geuze acredita que esta praça necessita de ser encarada como mais que uma etapa, deve ser usada de forma flexível, tendo uma postura ativa na cidade. É precisamente com base nesta ideia que Geuze e o seu gabinete West 8 intervêm no espaço, de modo a torna-lo novamente funcional e um poço de criatividade para quem o utiliza107.

Em 1990 surge então o projeto de West 8 que promete a revitalização deste espaço. Tendo como principal incitador a iluminação e os usos pretendidos para o espaço, são criadas três áreas funcionais amplas e flexíveis. Estas áreas são delimitadas por diferentes pavimentos, sendo apenas isso que as distingue entre si (Figura 3.35 e 3.36). A praça é por isso pressentida como um espaço só, apesar desta aparente divisão108.

106 http://courses.umass.edu/latour/Netherlands/schneider/index.html

107 BORRET, K. – The “void” as a Productive Concept for Urban Public Space. In The Ghent Urban Studies Team, The Urban Condition: Space, Community and Self in the Contemporary Metropolis, 1999, p. 245

Figura 3.35 e 3.36: Diferentes pavimentos utilizados no

projecto

A área mais próxima ao teatro, onde existe uma entrada para o parque subterrâneo foi revestida a um pavimento de epoxy, sendo que a área associada aos negócios é revestida a placas metálicas. Por fim, tem-se a área de estadia, onde existem bancos personalizados de maneira e colunas de iluminação hidráulicas, elementos que chamam imediatamente a atenção de quem visita o espaço (figura 3.37). De modo a tornar o espaço ainda mais versátil e apelativo à criatividade, foi criada no centro da praça uma área sobrelevada 35 cm de deck de madeira, como se de um palco se tratasse. Ali os mais diversos eventos podem acontecer, tudo depende da imaginação de cada um. Para além disso, existe também uma pequena área de fontes (Figura 3.38), que faz as delícias dos

utilizados principalmente à noite, quando estas se iluminam num espetáculo de luzes e cor109.

A iluminação tem de facto um papel proponente nesta praça. Sendo esta tão ampla e dedicada à criatividade, não é de todo um espaço estático, sendo que a iluminação auxilia nas alterações da praça quer ao longo do dia, quer ao longo das estações do ano110. Durante a noite as colunas hidráulicas de iluminação, bem como as luzes provenientes do parque de estacionamento subterrâneo, banham o espaço num

108http://www.architectuurinrotterdam.nl/building.php?buildingid=75&lang=en&PHPSESSID=228f4fae 13d7250ef550110c6208b879 109 http://courses.umass.edu/latour/Netherlands/schneider/index.html 110 http://www.west8.nl/projects/schouwburgplein/

Figura 3.37: Colunas de iluminação hidráulica

Fonte: http://www.hs-owl.de/

Figura 3.38: Área de fontes em Schouwburgplein

espetáculo de cores e formas. Em conjunto estas três colunas formam um relógio digital, algo que fascina os utilizadores e que claramente auxilia esta praça a ser tão única111. Outro dos aspetos únicos desta praça e que faz com que os seus utilizadores consigam usufruir e explorar ao máximo as suas utilidades, é o fato de ser possível comandar a iluminação proveniente das três colunas. Estas estão equipadas com um mecanismo de movimento como o dos guindastes, sendo que os utilizadores através da colocação de uma moeda podem decidir a posição da iluminação112.

Apesar da originalidade deste projeto as opiniões sobre ele não foram unânimes. Através da análise realizada foi possível compreender que o facto deste espaço público não usufruir do uso de vegetação e não ter usos claramente implícitos, faz com que vários autores o considerem como um projeto mal sucedido. Como se tem vindo a perceber ao longo deste relatório, ainda não foi possível conquistar uma opinião unânime de arquitetos, arquitetos paisagistas e urbanistas, relativamente a este tipo de projetos mais despojados, embora seja notório que essa mentalidade mais fechada tem vindo a mudar. Na verdade Schouwburgplein acaba por ser um excelente exemplo de como um espaço sem obrigatoriedade de usos pode ser um sucesso, uma vez que este é vastamente utilizado pela população, sendo assim considerado como um verdadeiro sucesso. Considera-se que o objetivo de Adriaan Geuze para este local foi conseguido, já que de um local vazio de sentido e usos, extremamente degradado, foi possível criar um local que se integra perfeitamente na dinâmica da cidade.

Apesar de mais uma vez se tratar de um espaço bastante dissemelhante da área em estudo, existem por outro lado aspetos que os interligam. Tal como neste caso a área em estudo encontra-se bem localizada numa área bastante movimentada, embora o espaço em si se encontre degradado e sem uso. A análise do projeto de Schouwburgplein foi uma mais-valia, pois só demonstra como é possível criar uma intervenção de certo modo minimalista para um espaço com estas características, sendo esta ainda assim um sucesso.

111 http://courses.umass.edu/latour/Netherlands/schneider/index.html

112BORRET, K. – The “void” as a Productive Concept for Urban Public Space. In The Ghent Urban Studies Team, The Urban Condition: Space, Community and Self in the Contemporary Metropolis, 1999, p. 245

In document Photo:OLE BERNT FRØSHAUG (sider 57-60)