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Terminaler for SBLR

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6 TEKNISKE LØSNINGER

6.3 Terminaler for SBLR

A incognocibilidade das Hénadas as revela como superiores ao ser e cabe-nos discorrer sobre as características a elas atribuídas. Elas são o que primeiro procede do Uno, o fazendo por semelhança. É justamente por serem semelhantes ao Primeiro Princípio que elas resolvem o problema da participação dos seres, i. é, da multiplicidade em sua complexidade, no Uno absolutamente simples. As Hénadas possibilitam a participação no imparticipado na medida em que elas são passíveis de participação e, ao mesmo tempo, estão no mesmo nível do

Uno, ou seja, na hipóstase divina283. Por estarem no mesmo nível, apresentam características

semelhantes, de modo que são fundamentais para o processo de conversão, que tem por exigência a possibilidade de participação.

Por meio das Hénadas o Uno torna-se participável para os seres, não por sua natureza (na realidade, permanece sempre transcendente), mas porque elas difundem a essência em forma de luz, e se afirmam sob o modo de energia. Sua semelhança com o Uno atrai para elas a multiplicidade dos seres e explica, por isso mesmo, as causas íntimas do mecanismo que rege o processo de conversão.284

Neste sentido, as Hénadas permitem a participação no Uno por, ao mesmo tempo, serem semelhantes a ele e aos efeitos delas próprias. Ocorre que elas são causa da determinação dos seres, ainda que as características que são manifestas por seus efeitos não se revelem nelas mesmas, de maneira que não se distingue uma Hénada da outra. Dodds, em seu comentário à proposição 118, afirma que todas as características preexistem de modo unitário, defendendo que as Hénadas não se diferenciam internamente. Segundo o estudioso, é justamente a indiferenciação o predicado essencial das Hénadas, que deveriam ser chamadas de unidade e

bondade285. Como ocorre com o Uno, a unidade e bondade das Hénadas são deduzidas a partir

da análise que toma como ponto de referência seus efeitos.

O caráter unitário das Hénadas se deve ao grau de semelhança que elas têm em relação ao Uno. Ademais, bem como sua causa que é Uno, Bem e Deus, as Hénadas são unidades, bondades e divindades. Pela extrema semelhança, as Hénadas compõem o mesmo nível que o Uno, ainda que ele esteja separado. Mas, se o Uno está separado, como postular

283 A estrutura das Hénadas, no sistema de processão horizontal, pode ser vista no anexo A.

284 “A travers les hénades l’Un devient participable aux êtres non par sa nature (en réalité, il demeure toujours

transcendant), mais parce qu’elles en diffusent l’essence sous forme de lumière, et s’affirment sous forme d’énergies. Leur ressemblance avec l’Un attire vers elles la multitude des êtres et explique, par là même, les causes intimes du mécanisme qui régit le processus de la conversion ». MOUTSOPOULOS, Evanghélos A. L’idée de multiplicité croissante dans la Théologie platonicienne de Proclus. In: Néoplatonisme et philosophie médiévale. Édité par Linos G. Benakis. Belgique: BREPOLS, 1997. pp. 59-65. p. 60)

estes elementos como estando também na hipóstase divina? Sobre isso, duas hipóteses são possíveis: a primeira é de o próprio Uno estar acima na hipóstase divina e; segundo, a ideia de que não se trata de uma organização vertical, como se dá na processão dos seres, mas de uma processão horizontal. Charles-Saget parece sintetizar estas duas possibilidades ao afirmar que “Assim, as Hénadas (que participam horizontalmente do Uno) são por seu caráter divino e seu

papel principal, sem relação com as séries que elas governam.”286

Ao passo que Charles-Saget afirma uma participação horizontal das Hénadas no Uno, ela não postula um deslocamento do Uno para uma realidade acima da divina e salvaguarda a transcendência do primeiro em relação a seus próprios derivados. Isto ocorre porque o caráter divino se dá não por uma predicação específica, mas por uma função que

exerce em relação aos posteriores e sua posição287 em relação a eles. Ao afirmar que o caráter

divino se dá por função e não por uma característica essencial, se está a atribuir o caráter divino ao movimento de processão. Ocorre que, pelo proceder, os seres são vistos como unidade; pela conversão, as mônadas originárias são postas como bem e; pela permanência, há a sustentação através da participação. Foi sob estes pontos que se fala da identidade entre Uno e Bem, quando se fala de uma perspectiva de processão e conversão. O caráter divino também está ligado à processão, de modo que ele diz respeito à permanência dos seres na causa.

A afirmação do caráter divino das Hénadas, bem como do Uno, está associada ao momento da permanência dos seres em sua causa, mas exige algumas explicações. É dito, sobre a identificação entre Uno, Bem e Deus: “É evidente que a série divina tem caráter de unidade, se o Uno é Deus. E, que o Uno é Deus se segue da sua identidade com o Bem: porquanto o Bem é idêntico a Deus (já que aquele que está além de todas as coisas e a que todas aspiram é Deus:

e aquele pelo qual procedem todas as coisas é o Bem).”288 Nesta proposição é estabelecida uma

identidade tripla: Uno, Bem, Deus; de maneira que Deus é caracterizado pela transcendência e por seu objeto, ou seja, ele é um intermediário por reunir duas predicações: unidade e bondade. É justamente este indício de intermediação que leva a pensar na característica divina como correspondente ao momento de permanência do movimento de Processão.

286 CHARLES-SAGET, Op. cit., 1982, p. 287. (Tradução nossa).

287 Cf. PROCLO, Elementos de Teologia, prop. 115. Todo deus transcende o Ser, Vida e Intelecto. Isto ocorreria

porque enquanto os membros da hipóstase do Noûs são resultado de unificação, aquilo que é divino deve possuir por si mesmo a unidade.

288 δῆλον δὴ ὅτι καὶ ὁ θεῖος ἀριτμὸς ἑνιαῖός ἐστιν, εἴπερ τὸ ἕν θεός· τοῦτο δέ, εἴπερ τἀγαθὸν καὶ θεὸς ταὐτόν [οὖ

γὰρ μηδέν ἐστιν ἐπέκεινα καὶ οὖ πάντα ἐφίεται, θεὸς τοῦτο· καὶ ἀφ'οὗ τὰ πάντα καὶ πρὸς ὅ, τοῦτο δὲ τἀγαθόν]. PROCLO, Elementos de Teologia, prop. 113. (Tradução nossa).

A principal característica divina é a providência que, segundo Proclo “é a atividade de deus de satisfazer todas as coisas com bem. Esta comunicação e satisfação tem lugar em

virtude de uma união entre as coisas que foram satisfeitas e seus primeiros princípios.”289

Quando o Diadoco define a providência como algo que parte do deus e afeta àquilo que lhe é posterior, ele põe em evidência o aspecto comunicativo da providência, de maneira a, posteriormente, explicar como se dá o caráter comunicativo. A afetação e comunicação

providencial se dão pela união (ἕνωσιν) entre aquele que é satisfeito e a sua causa, o que

corrobora com a tese de que esta atividade corresponde ao momento de permanência, sendo por ela que ocorre a sustentação de tudo o que vem em seguida.

As proposições 120-122 são particularmente interessantes para a interpretação do Uno, Bem e Deus se referindo a um mesmo ser e correspondendo aos diferentes momentos do

movimento de processão290. As três proposições apontam a participação como elemento basilar

da providência, sendo graças a uma potência, de caráter unitário, que torna o Primeiro Princípio capaz de dominar todos os objetos. Assim, os deuses têm a capacidade de tornar todos os seres

repletos de bem291. Comunicar os bens é atividade própria da providência e os deuses são

repletos de bens292, que só podem ser comunicados se houver participação, pois é pela

participação que há contato entre a causa e o efeito. É preciso, então, que o causado permaneça na causa. E, só pela participação, sob a ótica da permanência, há comunicação entre os deuses e seus derivados, de maneira que a transcendência desses deuses não seja rompida.

Tudo o que é divino exerce providência sobre coisas secundárias e transcende sobre os seres os quais é providente; essa providência não envolve nem remissão da pura e unitária transcendência, nem que essa unidade separada anule sua providência. Porque permanecendo em sua unidade e existência, os deuses encheram todas as coisas de sua própria potência. E tudo o que tem capacidade de participar dos deuses goza de bens que podem receber até o limite de sua hipóstase.293

As características atribuídas às Hénadas correspondem aos momentos do movimento de processão, de maneira a dizerem respeito mais aos seus efeitos do que a elas

próprias. Isto porque as Hénadas também estão acima do ser294, de maneira que, não obstante

289τοῦ δὲ θεοῦ [...] καὶ ἀγαθῶν πάντα πληροῦν. ἡ δὲ μετάδοσις αὕτη καὶ ἡ πλήρωσις δι'ἕνωσιν γίνεται τῶν

πληρουμένων πηὸς τὰ πρὸ αὐτῶν· PROCLO, Elementos de Teologia, prop. 134. (Tradução nossa).

290 Sobre o Uno como correspondendo à processão e o Bem, à conversão, já foi discorrido no primeiro tópico. 291 Cf. Ibidem, prop.121. 292 Cf. Ibidem, prop. 120. 293 Πᾶν τὸ θεῖον καὶ προνοεῖ τῶν δευτέρων καὶ ἐξῄρηται τῶν προνοουμένων, μήτε τῆς προνοίας χαλώσης τὴν ἄμικτον αὐτοῦ καὶ ἑνιαίαν ὑπεροχὴν μήτε τῆς χωριστῆς ἑνώσεως τὴν πρόνοιαν ἀφανιζούσης. μένοντες γὰρ ἐν τῷ ἑνιαίῳ τῷ ἑαυτῶν καὶ ἐν τῇ ὑπάρξει τὰ πάντα πεπληρώκασι τῆς ἑαυτῶν δυνάμεως· καὶ πᾶν τὸ δυνάμενον αὐτῶν μεταλαγχάνειν ἀπολαύει τῶν ἀγαθῶν ὧν δέχεσθαι δύναται κατὰ τὰ μέτρα τῆς οἰκείας ὑποστάσεως. Ibidem, prop. 122. (Tradução nossa). 294 Cf. Ibidem, prop. 115.

sejam princípios de determinação295, delas nenhum predicado é identificado, já que todos estão

nelas pré-existencialmente296. Diante destes fatos, tem-se que as Hénadas não podem advir do

Uno como as outras coisas, porque existem no mesmo nível que ele, i. é, seguem uma processão horizontal que possibilita tanto serem pensadas como imparticipadas quanto como participadas, porque são o meio pelo qual os seres participam do Uno. É somente quando se pensa as Hénadas como resultado de um proceder horizontal que se pode conceber o Uno como completamente imparticipado e, ao mesmo tempo, como ponto de sustentação de todas as coisas.

Do Uno tem origem as Hénadas, que são causa de todas as determinações. Porém, ao mesmo tempo em que elas são causa das características, elas mesmas não apresentam nenhuma predicação específica. Este fato leva a algumas dificuldades, na medida em que põe em evidência que todas as coisas que existem a partir do Uno são um composto de limite e

ilimitado, sendo a mistura destes princípios o ser verdadeiramente ser297.

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