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A CDHU foi selecionada para a coleta de dados desta pesquisa, pois a Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo possui, em andamento, um programa de construção de habitações populares voltadas para o atendimento de idosos sem amparo familiar e financeiro. O programa, concebido e gerenciado pela CDHU, é chamado de “Programa Vila Dignidade” e consiste na construção de pequenas vilas, em cidades do interior do estado de São Paulo, compostas por casas concebidas e produzidas com base no sistema construtivo

LSF. Esta iniciativa do governo paulista já se encontra em execução e a primeira vila foi

concluída na cidade de Avaré, sendo que outras estão em processo de construção, como na cidade de Araraquara e Caraguatatuba, ou estão em processo de aprovação da Secretaria de Habitação.

O profissional entrevistado é arquiteto, sendo responsável pela gerência e desenvolvimento do processo de projeto dos empreendimentos, a partir das exigências propostas pela CDHU quanto ao projeto das edificações em LSF.

O programa “Vila Dignidade”, como afirmado anteriormente, é uma iniciativa da Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo em parceria com a Secretaria de

uma área externa reservada para práticas de jardinagem ou para horta. Nas casas também haverá itens de segurança e acessibilidade como barras de apoio, pias e aparelhos sanitários com altura adequada, portas e corredores mais largos, rampas e pisos antiderrapantes. A Figura 61 mostra a planta tipo das residências que compõem o programa.

Figura 61: Planta tipo das residências que formam a Vila Dignidade (cortesia CDHU) Durante a entrevista, o profissional da CDHU informou que o projeto da unidade habitacional que compõe as vilas, foi concebido pela própria CDHU a partir do conceito de desenho universal com a colaboração de uma empresa do setor privado (projeto de arquitetura da residência, projeto elétrico, fundação etc.), de maneira que os detalhes

construtivos e os demais projetos executivos ficam a cargo da construtora responsável pela obra.

No que diz respeito à produção de edificações em LSF, o profissional considera que tal sistema construtivo é bastante receptivo com relação ao uso da Lean Construction, por ser um sistema pré-fabricado com reduzidos índices de desperdício e alta produtividade. Porém, ficou claro que essa questão é muito particular por parte de cada construtora, variando com o sistema de gestão de cada empresa.

Com relação à equipe de trabalho nas obras, o entrevistado alegou que se trata de uma mão de obra especializada. Porém, cada empresa construtora organiza-se de maneira muito particular com relação à equipe de produção (de certa forma há a presença constante da figura do “montador” no canteiro de obras). As particularidades estendem-se também para o processo de projeto.

Segundo o entrevistado, algumas empresas possuem soluções particulares de projeto com relação a algumas interfaces entre elementos do LSF, de maneira que tais soluções podem variar de acordo com a cultura de desenvolvimento do projeto de cada empresa. O profissional alegou também que várias empresas patentearam tais soluções. Também ficou claro que o uso de teorias e ferramentas como o Lean Design e a ES dependem e variam conforme a empresa de projeto, visto que isto não é um pré-requisito de trabalho exigido pela CDHU.

O profissional entrevistado também informou que a CDHU, com o intuito de garantir a qualidade da edificação, exige uma série de certificações e diretrizes para que uma empresa construtora possa produzir as habitações em LSF. O principal meio que a CDHU dispõe para maiores garantias de qualidade, fica por conta do Programa da Qualidade da Construção Habitacional do Estado de São Paulo (QUALIHAB).

Basicamente, o QUALIHAB foi criado com o intuito de garantir a qualidade das habitações de baixa renda produzidas pelo estado de São Paulo, de maneira que a CDHU, a partir de parcerias feitas com empresas atuantes no mercado, passa a ter garantias de que a empresa contratada e os produtos utilizados são da qualidade esperada pela CDHU.

Com as casas da “Vila Dignidade” não é diferente. Na entrevista, o profissional mostrou que todos os materiais, bem como os sistemas e subsistemas utilizados na edificação passam por testes rigorosos, alguns realizados pelo próprio IPT, de maneira que se forem identificadas falhas que comprometam a qualidade da edificação, a empresa em questão deverá adequar-se às condições necessárias. Com relação exclusivamente ao processo de projeto, o profissional afirmou que a CDHU possui algumas exigências mínimas para que a empresa possa executar as obras e que estão listadas a seguir (cedida pela CDHU):

Z275 para atmosferas rurais e urbanas, e Z350 para atmosferas marinhas;

c) Distância entre perfis – configuração estrutural dos quadros metálicos (espaçamento entre montantes, distância de fitas, bloqueadores, barras diagonais etc.);

d) Detalhe de apoio do banzo inferior das tesouras, o qual deve coincidir com os perfis tipo montante dos quadros estruturais de paredes;

e) Detalhe de fixação da guia inferior, incluindo especificação e distância de parafusos de alinhamento e chumbadores;

f) Detalhe de fixação entre perfis e especificação de parafusos, bem como do revestimento de proteção contra corrosão dos parafusos;

g) Detalhe de aberturas (portas e janelas), incluindo o posicionamento de montantes nas extremidades dos vãos e perfis de reforço na região de vergas e contra-vergas;

h) Detalhes de reforços para fixação de peças suspensas, como armários e barras de apoio. Além dos detalhes é necessário especificar qual a carga máxima de serviço com o respectivo reforço. Item bastante importante nos empreendimentos das Vilas Dignidade; i) Detalhes de interface entre base de parede e piso externo/calçada;

j) Detalhe de interface entre base de parede e piso interno sujeito a água de uso e lavagem;

k) Detalhe da base de coluna/perfis que suportam projeção dos telhados;

l) Detalhe dos tipos de fechamento internos e externos dos quadros estruturais metálicos, incluindo especificação das chapas de fechamento;

m) Detalhe/modulação das chapas de fechamento interno e externo, observando que as juntas das chapas internas e externas não devem ser coincidentes;

n) Detalhe das juntas entre chapas de fechamento interno e externo. Para as juntas entre chapas externas, recomenda-se também solicitar procedimento de execução;

o) Detalhe de fixação de janelas e portas, com especificação de parafusos e barreiras isolantes, caso o material dos caixilhos seja metálico, com potencial eletromagnético diferente do perfil de aço zincado da parede, o que pode gerar problemas futuros de corrosão galvânica, exemplo: contato zinco-alumínio;

p) Plano de qualidade da obra, onde deve constar: procedimentos e critérios de recebimento de materiais; procedimentos e regras para armazenamento de materiais; procedimentos de execução e critérios e tolerâncias de aceitação de serviços.

As exigências listadas tratam das informações que devem constar nos projetos executivos elaborados pelas empresas construtoras e englobam o sistema de paredes e coberturas das residências. No entanto, apesar de ser uma lista muito bem detalhada, nota- se que tais requisitos prezam pela característica de determinado produto ou serviço e não pelo modo como devem ser feitos, exemplo: nos projetos das construtoras exige-se o detalhe de fixação entre perfis. Mas como essa fixação deve ser executada? Quais as ferramentas que devem ser utilizadas? Qual a melhor sequência para a fixação?

A questão aqui é que muitas decisões executivas ficam a cargos da obra, quando já deveriam estar previstas no projeto, ainda mais quando se trata de sistemas pré-fabricados, de maneira que várias manifestações patológicas têm sido detectadas nas edificações em

LSF justamente pela falta de informação.