2. TEORI
2.2. TEORETISKE PERSPEKTIVER PÅ ORGANISASJONSENDRING
As entrevistas foram gravadas em um gravador digital, marca Panasonic, modelo RR-US380, sendo, posteriormente, transcritas em ortografia regular. A transcrição foi feita com o maior detalhamento possível para que qualquer interação sutil, incidência ou circunstância pudesse ser identificada (Iñiguez, 2005).
Após este procedimento, assim como sugere Spink, Lima (2004), a análise se iniciou por meio de leituras sucessivas do material discursivo, ou como explicam as autoras, com uma “imersão no conjunto de informações coletadas, procurando deixar aflorar os sentidos, sem encapsular os dados em categorias, classificações ou tematizações definidas a priori” (p.106). Nesse processo, foi possível confrontar os sentidos construídos no processo de pesquisa e de interpretação e aqueles decorrentes da familiarização prévia com nosso campo de estudo (revisão bibliográfica) e de nossas teorias de base.
A partir de tais leituras, assim como realizado por Nascimento (2002) e Rasera (2004), foi realizada a transcrição temático-seqüencial do texto de cada entrevista por meio da escuta das gravações, verificando-se os temas abordados. Essas transcrições se mostram úteis na análise do processo de produção de sentidos, uma vez que auxiliam a compreensão da dinâmica das entrevistas e os processos dialógicos ali presentes. Um exemplo de como foram realizadas as transcrições temático-seqüenciais encontra-se no Quadro 2.
QUADRO 2. Exemplo de transcrição temático-seqüencial de trecho da entrevista do participante 3.
Interlocutor Transcrição Seqüencial Tema
P Pergunta sobre a perda auditiva Deficiência auditiva P3
Diz ser a surdez, não ouvir o que falam e os barulhos. Usa AAS e por isso percebe que era surdo. Sem ele não ouve nada. Com ele é normal. Antes as pessoas reclamavam porque tinha que repetir e era tudo alto. É difícil e se sentia mal.
Deficiência auditiva / benefícios do AAS/ reações das pessoas e dele / percepção de si como surdo/ sentimento P Pergunta se sentia mal. Sentimentos
P3 Responde que sim porque não escutava. Deficiência auditiva / dificuldades P Pergunta se por não entender. Deficiência auditiva / dificuldades
P3 Diz ser por não entender e ter que perguntar e ver a boca. Deficiência auditiva / dificuldades / reações dele
P Pergunta se via na boca. Reações dele
P3 Refere que tinha que ver na boca. Decidiu procurar médico, mas foi difícil. Dificuldades / Decisão do uso do AAS / sentimento P Pergunta se foi difícil até colocar o AAS. Decisão do uso do AAS P3 Diz que foi difícil, mas hoje esta melhor. Benefícios do AAS Legenda:
P = pesquisador P3 = participante 3
Tanto as diversas leituras do material discursivo quanto a transcrição temático-seqüencial, facilitaram o estabelecimento de categorias temáticas capazes de abranger a totalidade dos discursos dos entrevistados.
Tal categorização, por sua vez, possibilitou a organização do material discursivo em mapas dialógicos, conforme propõem Spink (2004) e Spink, Lima (2004). Nesta etapa, os discursos foram transpostos para tais mapas em sua íntegra, preservando-se a seqüência das falas tanto do pesquisador quanto dos participantes para não descontextualizar os conteúdos e identificar os processos de interanimação dialógica. Segundo Spink (2004), se tirarmos a sentença do enunciado que lhe dá suporte perdemos seu sentido, já que esta só adquire sentido completo no contexto do enunciado.
A construção dos mapas, assim como colocam Spink, Lima (2004), além de visar garantir rigor e visibilidade à pesquisa, objetivou aflorar os sentidos e orientar o processo de análise, permitindo visualizar os sentidos atribuídos por este grupo de idosos à deficiência auditiva e uso de AAS. Segundo Spink, Lima (2004), eles sistematizam “o processo de análise das práticas discursivas em busca dos aspectos formais da construção lingüística, dos repertórios utilizados nessa construção e da dialogia implícita na produção de sentidos” (p.107).
Assim, os discursos dos participantes foram colocados em colunas de acordo com as categorias correspondentes. Na linha horizontal é possível identificar as categorias analíticas estabelecidas pela pesquisadora e, na linha vertical, aparecem os discursos dos participantes e pesquisadora. Para manter a seqüência do que foi dito na entrevista, cada vez que um trecho do discurso pertence à outra categoria ele é colocado na coluna correspondente, uma linha abaixo do trecho anterior, assim como propuseram
Spink, Lima (2004). Foram feitos mapas para cada participante com as seguintes categorias:
• Definições: refere-se ao modo como os participantes definem e/ou explicam tanto a deficiência auditiva quanto o deficiente auditivo, como em “Você vê lá a pessoa falando, falando, falando... Você sabe que tá ouvindo o que ele tá falando. É interessante... Tô ouvindo o que ele fala, mas só que não entendo as palavras que a pessoa diz” (P2) e “Ela é meio complicadinha e tudo... Mas ela tem uma letrinha bonitinha... Aprendeu, assim... Mas muito moderadamente, porque não ouvindo tinha que ter uma escola especial, né?” (P1).
• Causas: nessa categoria estão agrupados os discursos referentes às possíveis causas atribuídas pelos participantes à deficiência auditiva, como por exemplo, “Não eu... a gente... a gente já tá sentindo o que é, né? E não que... com mais idade vai aumentado a perda auditiva, né?” (P1).
• Uso de Aparelho de Amplificação Sonora: refere-se ao que os participantes dizem sobre o uso de AAS, como em: “Acho que isso aqui... Prá mim o aparelho é uma coisa que purifica, talvez, as palavras das pessoas, né?” (P2).
• Social: nessa categoria encontram-se os segmentos discursivos relacionados às reações dos outros frente às dificuldades comunicativas apresentadas pelos participantes; às suas próprias reações frente às dificuldades comunicativas somadas às reações dos outros; e às pressões impostas pelos outros para o uso dos AAS, como em: “Então, ouvia sempre reclamação da família, né? Que tava ouvindo a televisão muito alto” (P3); “Até evitava de ficar conversando dentro de casa também, né? Ficava sempre fora, sozinho.” (P3) e “E foi o patrão que exigiu, porque ele falou que eu não tava ouvindo bem.” (P7).
• Afetividade: essa categoria se articula com as demais, pois nela estão agrupados os segmentos discursivos dos participantes que se referem às emoções que surgiram ao discorrerem sobre a deficiência auditiva, uso de AAS e relacionamento
com as pessoas, como em: “A perda auditiva é uma coisa muito preocupante, né?” (P7).
• Derivações: refere-se às reflexões que permeiam as falas dos participantes, mas que não têm relação com a deficiência auditiva e uso de AAS. Nessa categoria também foram agrupados os questionamentos dos participantes que visavam esclarecer os temas propostos pela pesquisadora. Tais trechos discursivos foram transpostos para os mapas dialógicos em função do respeito ao rigor em pesquisa e para não descontextualizar o discurso do participante.
No Quadro 3 podemos observar um trecho do mapa dialógico do participante 3 no qual foram encontradas quatro categorias.
QUADRO 3. Exemplo de mapa dialógico no qual se observa um trecho do discurso do participante 3.