4 Hvilken identitet?
5.4 Teoretiske og empiriske implikasjoner
O relevo a ser caracterizado no domínio de pesquisa não pode ser confundido com as definições clássicas dos relevos da Região Cárstica de Lagoa Santa, terminologia esta amplamente utilizada na literatura para descrever o cenário morfológico (senso lato) de uma vasta região constituída pelas rochas calcárias sob uma paisagem cárstica.
Conforme comentado anteriormente, deve-se ressaltar que essa porção estudada representa uma parte distinta dentre as demais, pois abriga um trecho constituído por um substrato rochoso heterogêneo, tanto do ponto de vista litológico como estratigráfico, dadas as conseqüências do envolvimento maior dessa área com as frentes de deformação provenientes de leste, e seu posicionamento geotectônico de borda de bacia. Além disso, abrange porções encobertas por espesso manto de intemperismo, refletindo em muito, as diferenciações decorrentes do balanço entre a pedogênse e a morfogênese.
Considerando-se que toda a porção denominada como Região Cárstica de Lagoa Santa situa- se na margem esquerda do rio das Velhas, o domínio de estudo localiza-se na porção mais afetada tectonicamente, por situar-se exatamente no extremo leste de seu domínio, como será detalhado adiante. Sugere-se, assim, que o termo Carste coberto de Lagoa Santa, adotado neste trabalho, seja então mantido e compreendido para designar essa tipologia específica do carste, diante da terminologia clássica adotada em nível regional.
A associação das formas observadas através das fotointepretações e fotoanálises, com as evidências dos registros da deformação em campo, e nas sondagens, possibilitaram a separação desse domínio em quatro compartimentos morfoestruturais, tendo-se que recorrer ao Capítulo 6 para sua compreensão. Os elementos disponíveis no mapa da Figura 6.10 refletem a delimitação dos domínios do de Carste Coberto, Exposto e Intraestratal, os quais foram descritos através da fotointepretação dos principais atributos texturais de drenagem e relevo, segundo Soares e Fiori (1976).
Contudo, as abordagens existentes sobre as formas e macroformas de relevo e suas relações com a paisagem são várias, podendo citar de forma específica, os estudos de Tricart (1956), Kohler et al. (1976) e Coutard et al. (1978), Silva et al. (1987), Kohler (1989), Auler (1994) e mais recentemente, Piló (1998) que apresentou uma densa coletânea de informações sobre a evolução dos conhecimentos sobre a geomorfologia cárstica, essencialmente com respeito à região cárstica de Lagoa Santa.
Em termos regionais, as primeiras interpretações sobre a dinâmica e a gênese do carste da região de Lagoa Santa foram apresentadas no trabalho de Tricart (1956), marcando assim o primeiro estudo específico de geomorfologia cárstica, através de uma descrição detalhada da morfologia do relevo. Segundo este autor, as formas calcárias típicas são esporádicas e isoladas, não constituindo um conjunto representativo de regiões tipicamente cársticas.
Este autor considera que a diferenciação erosiva foi marcante na elaboração das formas de relevo, tendo sido a responsável pela existência de relevos desnudados, aos quais os calcários mostram-se expostos, em detrimento de locais onde estes estão encobertos. Os fatores relacionados a esta erosão diferencial estão baseados na ocorrência de alterações paleoclimáticas e da existência de distintos tipos de rocha. Nesse contexto, as escarpas de linha de falha estariam associadas ao contato dos calcários com materiais metamorfisados, cujo traçado retilíneo das formas de relevo teria se desenvolvido e se materializado ao longo dos referidos contatos.
Em suas considerações sobre o relevo da região de Lagoa Santa, Barbosa (1961) identifica um modelado constituído predominantemente por colinas côncavo-convexas, embora aponte que o calcário exposto ocupe apenas uma faixa estreita dentre o referido modelado. Admite ainda, que as hipóteses levantadas por Tricart (1956), acerca dos escarpamentos de linhas de falhas e dos processos diferenciados de erosão, como gênese do relevo regional, sejam inteiramente corretas. Mais adiante serão também, neste estudo, discutidas as referidas assertivas.
A primeira carta comentada da geomorfologia cárstica da região de Lagoa Santa foi elaborada por Kohler et al. (1976) e Coutard et al. (1978), tendo sido destacadas, principalmente, as formas superficiais do relevo, em três tipos distintos, quais sejam; formas côncavas do tipo dolinas; lapiás; e, formas lineares do tipo paredão.
Diante dos estudos realizados por Kohler (1989) a região cárstica de Lagoa Santa foi dividida em quatro unidades fisiográficas, a partir da serra dos Ferradores, em direção ao rio das Velhas, tendo sido denominadas de: Desfiladeiros e Abismos com Altos Paredões; Cinturão de Ouvalas; Planalto de Dolinas; e, as Planícies Cársticas (poljés).
Os domínios geomorfológicos definidos por Auler (1994) estão apoiados nas principais associações entre formas e materiais, cujas feições fisiográficas regionais são caracterizadas por: Superfícies Filíticas; Depressão de Mocambeiro; Superfícies de Carste Coberto; Planalto Cárstico; Domínio Ígneo; e; Metamórfico e Planícies Fluviais.
Com relação aos aspectos da cobertura vegetal, a região está abrangida predominantemente pelos cerrados e, em seguida, pela mata atlântica. Segundo Spix e Martius (1824) a vegetação encontrada na região de Lagoa Santa foi reconhecida pelas informações noticiadas através dos estudos de Eugenius Warming, um botânico dinamarquês que acompanhou Peter Lund em suas descobertas, tendo elaborado o primeiro tratado sobre ecologia vegetal através de um inventário de mais de 700 espécies do cerrado.
Os estudos de E. Warming apontaram a existência de dois tipos de vegetação, as quais foram divididas em primitiva e secundária. A vegetação primitiva corresponderia à vegetação natural amparada pelas condições do meio, sendo subdividida em matas, campos, brejos e vegetação aquática. A mata secundária seria representada pelos tipos introduzidos pelo homem, como as pastagens e culturas.
Os solos da região foram estudados recentemente pela Cia. de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM, 1994), tendo sido dividida uma vasta área ao redor de Lagoa Santa, em compartimentos distintos, de acordo com seus constituintes principais. As variações de cor da cobertura vão do vermelho vivo nos topos, progressivamente a bruno vivo e ao amarelo, em profundidade. Caracterizam-se como latossolos álicos e distróficos (relevo plano, suavemente ondulado e ondulado), seguido dos podzólicos álicos e distróficos (relevo suave a fortemente ondulado), terras roxas álicas e cambissolos.
Os estudos sobre as características mineralógicas dos solos, realizados em uma pequena faixa do relevo cárstico situado ao norte da área de pesquisa, na região de Matozinhos, foram suficientes para revelar, segundo Piló (1998), a inexistência de mantos de alteração originários de calcários calcíticos, tendo sido comprovada a origem dos solos existentes em nível regional, como provenientes dos materiais intemperizados das rochas metapelíticas sobrepostas aos carbonatos, essencialmente.