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Foto 2Contexto da aula de Língua Portuguesa Fonte: Arquivos da escola

Nesta seção da tese, contextualizo a disciplina de Língua Portuguesa na instituição pesquisada. Para tanto, exponho porque e como acontecem as aulas de Língua Portuguesa na escola ―Mundo dos Surdos‖, sua carga horária, a proposta da instituição para essas aulas e os materiais disponíveis para os professores da disciplina. Posteriormente, descrevo suscintamente o contexto das aulas que ministrei.

Na escola ―Mundo dos Surdos‖, a disciplina de Língua Portuguesa faz parte do currículo comum como disciplina obrigatória, mas na modalidade escrita, conforme Decreto

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5.626/05 (Cap. VI – II do Decreto Nº 5.626 de 22 de dezembro de 2005). Essas aulas acontecem em Libras e são ministradas, geralmente, por professores ouvintes, algumas vezes, se necessário, esses professores são acompanhados de tradutores e intérpretes da Língua de Sinais.

Há cinco aulas de Língua Portuguesa, de 50 minutos para cada uma das turmas, de sexto ao nono ano, de segunda a sexta-feira, no turno matutino.Como proposta para planejamento e desenvolvimento dessas aulas, os professores de Língua Portuguesa da escola ―Mundo dos Surdos‖ orientam-se pelos conteúdos e componentes curriculares organizados na Proposta Pedagógica Curricular, que faz parte do Projeto PolíticoPedagógico do estabelecimento de ensino, elaborados a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais(1998). Por esse motivo, de acordo com meu conhecimento prático-profissional, os professores recebem como sugestão do serviço de coordenação, o ensino da Língua Portuguesa com base em Gêneros textuais que circulam socialmente.

Para desenvolvimento deste trabalho, não há adoção de livro didático. Todo o material a ser utilizado nas aulas de Língua Portuguesa é selecionado pelo próprio professor, disponibilizado junto ao planejamento a ser entregue para a supervisora da área pedagógica, que providencia as cópias dos materiais impressos.

Além desses materiais, os professores podem, ainda, utilizar o laboratório de informática que tem computadores com acesso à Internet, em número suficiente para o trabalho individual dos alunos. Há ainda, Datashow e telão, livros didáticos e paradidáticos disponíveis na biblioteca da escola, quadro, giz, entre outras possibilidades escolhidas conforme as necessidades de cada professor.

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Foto 3Laboratório de Informática Arquivo da escola ―Mundo dos Surdos‖

Também é proporcionada aos professores liberdade para desenvolverem suas aulas fora do espaço escolar, se assim julgarem necessário. Algumas vezes, professores e alunos realizam visitas a estabelecimentos que tenham relação com o tema em estudo, como o sebo da cidade, fábricas, escolas de ouvintes, teatro, por exemplo.

Após finalizar a descrição do contexto da aula de Língua Portuguesa na escola ―Mundo dos Surdos‖, passo a apresentar o contexto da minha aula de Língua Portuguesa.

Minhas aulas de Língua Portuguesa na escola ―Mundo dos Surdos‖ aconteceram em espaços como a sala de aula apresentada na foto compartilhada no início desta seção, na biblioteca da escola, no laboratório de informática, no auditório da escola. Também em visitas que realizei com meus alunos a uma das empresas que emprega surdos em nosso município e, também, à escola que eles frequentariam a partir do primeiro ano do ensino médio.

Como tive liberdade para escolher o material didático, optei por não utilizar o livro disponibilizado na biblioteca da escola para uso em sala de aula. Tratava-se da coleção do Projeto Pintanguá da Editora Moderna, mas era destinado a alunos de primeira a quarta séries:

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Figura 1 Livro didático

Fonte: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-612684234-livro-portugus-1-serie-projeto-pitangua-editora- moderna-_JM

Assim, com a supervisora, considerei que, apesar de o livro didático vir acompanhado do CD com os textos e atividades em Libras, eles não faziam sentido para meus alunos do nono ano. Então, concluímos que ensinar Língua Portuguesa a partir de gêneros textuais seria mais significativo. Por isso, eu selecionava o material a ser impresso e solicitava a cópia dos textos para, posteriormente,disponibilizá-lo aos alunos.

Foi sugerido pela coordenação pedagógica da escola o trabalho com os seguintes gêneros: conto, fábula, lenda, adivinhas, histórias em quadrinhos, poema, relatos, biografias – história de vida, convite, entrevista, bilhete, recado, receitas, carta informal, e-mail, telegrama, notícia, artigo, cartaz, anúncio, folhetos, textos de jornais, revistas, suplementos infantis, títulos, notícias, classificados, propaganda sinalizada e escrita, documentos pessoais. No entanto, trabalhei com os seguintes gêneros: narrativa sinalizada (história de vida), perfil, história fotografada; conto (conto ilustrado), tirinha, documentos pessoais, notícia, reportagem (vídeo e escrita), entrevista, panfleto, legenda e sinopse.

Organizei a maioria das aulas em sequências didáticas, mas algumas não foram programadas, aconteceram por necessidade dos alunos ou para atender à solicitação da escola, como o trabalho com as fotografias, com os documentos pessoais e com panfleto.

Eram disponibilizados para a disciplina de Língua Portuguesa, cinco horários semanais de 50 minutos para cada uma das turmas. Geralmente, havia dois dias de aulas duplas e um dia com uma aula apenas. Durante as aulas, eu trabalhavacom os alunos sentados em círculo, no qual eu também estava, para que pudéssemos ver-noso tempo todo.

Eu utilizava o quadro de giz somente para escrever palavras que os alunos questionavam ou para explicar alguma regra gramatical a partir de exemplos. Os alunos

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também utilizavam o quadro quando precisavam questionar sobre a escrita de alguma palavra ou mesmo sobre alguma dúvida relacionada à gramática.

Em todas as disciplinas havia duas semanas a cada bimestre, destinadas às avaliações escritas que, depois de corrigidas, eram disponibilizadas no portfólio do aluno e compartilhadas ao final de cada bimestre com os pais.

Até aqui, descrevi o contexto em que desenvolvi as aulas de Língua Portuguesa com os alunos surdos. A seguir, descrevo as pessoas que possibilitaram a vivência da experiência e a realização desta pesquisa.

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