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Teoretisk kunnskapsgrunnlag

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Durante o primeiro semestre de 2006, uma das estagiárias havia tido contato com a população estudada, através do estágio que realizou no Centro de Orientação e Aconselhamento Sorológico (COAS), localizado no Centro de Saúde Estadual de Pinheiros, vinculado ao Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo e à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. A estagiária era incumbida de realizar os aconselhamentos pré e pós a testagem de infecção pelo vírus HIV.

Segundo o Ministério da Saúde (2002), o aconselhamento tornou-se uma prática no contexto do diagnóstico sorológico, visando produzir no usuário do serviço uma reflexão sobre o sentido desse teste em sua vida, tornando-o implicado com as possíveis conseqüências de seu resultado. No caso de resultado negativo, pretende-se que o sujeito possa apropriar-se dos riscos presentes em seu cotidiano e, no caso de resultado positivo, que possa identificar condições psíquicas e sociais para se proteger ou lidar com sua soropositividade.

Entre as pessoas que buscavam o serviço de testagem do COAS, havia muitas profissionais do sexo, uma vez que elas têm o direito à realização periódica de testagens sorológicas, bem como ao recebimento mensal de certa quantidade de preservativos. A estagiária notou que, durante as sessões de aconselhamento dessas trabalhadoras, ocorria o levantamento de inúmeros temas ligados ao exercício de sua ocupação.

No segundo semestre, ambas as estagiárias estavam matriculadas no núcleo de “Organização e Trabalho” da Faculdade de Psicologia. Os supervisores desse núcleo abriram a possibilidade de os próprios estagiários planejarem atividades de estágio segundo seu interesse, contanto que voltadas ao tema do trabalho. A estagiária que havia trabalhado no COAS formulou, então, a proposta de realizar uma intervenção com profissionais do sexo, com o objetivo de oferecer um espaço de escuta àquelas trabalhadoras que permitisse aprofundar a discussão dos aspectos de seu cotidiano de trabalho, em relação com seu processo de saúde-doença.

Essa intervenção foi construída com a participação das estagiárias1 e de dois supervisores2. Os objetivos e a metodologia de trabalho foram definidos a partir da

1 Maria Altenfelder Santos e Ana Luíza S. Fanganiello. 2 Renata Paparelli e Fábio de Oliveira.

perspectiva da saúde do trabalhador e serão comentados a seguir, à luz dos pressupostos teóricos da psicodinâmica do trabalho.

O objetivo geral da intervenção foi a promoção de saúde de profissionais do sexo. De acordo com a discussão realizada no capítulo 1, adotou-se a concepção da prostituição como um trabalho. Partindo da perspectiva da saúde do trabalhador, pretendia-se potencializar as profissionais do sexo para o enfrentamento coletivo das dificuldades vivenciadas no cotidiano de trabalho.

Em conformidade com a abordagem dejouriana, buscava-se auxiliar essas trabalhadoras a apropriarem-se das vivências e significados cotidianos, elaborando os aspectos de sofrimento e os mecanismos de defesa construídos, possivelmente levando- as a transformar sua relação com o trabalho.

Ao mesmo tempo, entendia-se essa intervenção como um instrumento para conhecer esse universo de trabalho e, assim, reunir novos elementos para aprimorar as estratégias de promoção de saúde utilizadas, uma vez que, na perspectiva adotada, ação e investigação devem ocorrer concomitantemente.

Porém, ainda que consistissem em dois planos paralelos da intervenção, a diferenciação entre um e outro acabaria mostrando-se fundamental ao longo do processo, como se verá adiante. Isto é, seria revelada a necessidade de insistir-se no caráter interventivo da ação realizada, mais próximo a uma prestação de serviço do que a uma pesquisa propriamente dita. A caracterização da proposta para as profissionais do sexo acabaria dando-se por oposição a um modelo mais tradicional de pesquisa, no qual o pesquisador seria um mero entrevistador ou coletor de dados, idéia que parecia predominar no imaginário das participantes.

A estratégia planejada foi a de instaurar um espaço de discussão e reflexão entre as profissionais do sexo sobre os temas relacionados ao trabalho e à saúde. Essa metodologia corresponde à proposta dejouriana apresentada no capítulo 2. Sugeria-se o enquadre grupal para que as profissionais do sexo falassem sobre o seu trabalho, buscando produzir uma intercompreensão entre as trabalhadoras a respeito das vivências cotidianas. Caberia às estagiárias a coordenação do grupo, realizando a função de escuta e interpretação das falas.

O público-alvo, a princípio, seria as profissionais do sexo usuárias do COAS de Pinheiros, a serem convidadas pelas estagiárias na própria instituição. O local onde os encontros seriam realizados não estava definido até esse momento. Porém, quando a proposta da intervenção foi apresentada a uma usuária do COAS, dona de um bordel

localizado na região do Largo da Batata, ela se interessou e levantou a possibilidade de fazer o grupo em seu próprio local de trabalho. As estagiárias concordaram e a intervenção ocorreu nesse bordel.

A proposta de realização dos encontros no local de trabalho vinha justamente ao encontro da concepção dejouriana do espaço de discussão. As questões encontradas ao se colocar em prática esse modelo de intervenção serão discutidas a seguir, em meio à apresentação e análise dos resultados obtidos.

Em torno de três meses, foram realizados dez encontros semanais, de aproximadamente uma hora de duração cada, com as profissionais do sexo no bordel. No início da intervenção, havia 12 trabalhadoras na casa, sendo que oito delas moravam no próprio bordel. O fato de residirem no local de trabalho já diz de uma dificuldade de separação, para a maioria das trabalhadoras, entre o espaço do trabalho e o do não trabalho, sugerindo um grande impacto da ocupação sobre os demais aspectos da vida das profissionais do sexo.

O primeiro encontro realizado no bordel foi destinado a uma conversa prévia com a cafetina, com o objetivo de definir um mínimo contrato para a intervenção. As estagiárias tiveram suas primeiras impressões do local.

A entrada do bordel é por uma pequena porta, que quase passa despercebida por quem anda na calçada. Essa porta dá acesso a uma escada no meio da qual há um portão de grades com cadeado. Desde a entrada, nota-se um forte cheiro de desinfetante e a pouca luminosidade. Ao final da escada, localiza-se o salão, maior ambiente do local, contando com um bar, um pequeno palco, uma mesa de sinuca, um sofá, diversas mesinhas rodeadas de cadeiras, uma máquina caça-níqueis, um jukebox e, fixadas ao alto, duas televisões, freqüentemente transmitindo vídeos pornográficos. Desse salão, um corredor dá acesso a quatro quartos e desemboca numa grande sala sem janelas, iluminada por luz verde, à direita da qual fica a cozinha. Em frente aos quartos, há um pequeno escritório. Nota-se que a decoração do local varia de pôsteres de mulheres nuas a escritos ou imagens religiosas.

Os quartos servem tanto para o trabalho quanto para o descanso, novamente indicando a indiferenciação entre esses espaços. As divisórias entre os quartos são vazadas ao alto, caracterizando uma preocupação com a segurança, em detrimento da privacidade. Um mesmo quarto é utilizado para inúmeros programas numa mesma

noite, o que aponta para as precárias condições de higiene do local, ainda que não tenha sido explicitada a freqüência com que os lençóis são trocados.

A presença concomitante do sexo, produto a ser vendido, com a moral religiosa, aparecerá em diversos momentos da intervenção, caracterizando um dos aspectos sob os quais a ambigüidade se faz presente, marcando fortemente o exercício dessa profissão.

Nesse encontro, foi feito um relato, por parte da cafetina, de uma situação que havia ocorrido no bordel alguns anos antes e que voltaria a ser citada outras vezes: uma equipe de pesquisadores realizou entrevistas com todas as trabalhadoras do local, ofertando um valor em dinheiro em troca da adesão das entrevistadas. A equipe comprometeu-se a voltar ao local para compartilhar os resultados obtidos, no entanto, jamais retornou.

Posteriormente, as estagiárias viriam a questionar-se sobre o sentido da repetição desse relato. Que mensagem buscava-se transmitir? Diante da nítida falta de ética por parte dos “pesquisadores” citados no relato, a cafetina parecia conferir se as estagiárias não viriam para reproduzir esse modelo de intervenção. E aumentava o desafio sugerindo que elas deveriam estar preparadas para a possibilidade de serem confundidas com prostitutas ao serem vistas saindo do bordel. As profissionais do sexo pareciam duvidar da possibilidade de um interesse genuíno das estagiárias por aquela realidade, questionando até que ponto seriam capazes de sustentar esse contato.

A dificuldade de encaixar um horário naquela rotina de trabalho para a realização do grupo chamou a atenção das estagiárias. A cafetina apontou que as profissionais do sexo iniciavam sua jornada de trabalho às 18 horas e encerravam com o último cliente, geralmente após as 4 horas da madrugada. Considerando que se seguia o período de sono, restava-lhes pouco tempo a partir da hora em que acordavam para se arrumarem e iniciarem um novo dia de trabalho. Assim, o grupo poderia ocorrer apenas nesse intervalo, no final da tarde. Ou seja, além da jornada no período noturno, o que implica em diversas adaptações das trabalhadoras a um fuso-horário contrário ao da maioria da população, nota-se a ausência de tempo ocioso.

Propondo a duração mínima de uma hora para os encontros, as estagiárias experimentariam pequenas variações no enquadre ao longo da intervenção, buscando adequar-se àquele contexto. Os dois encontros seguintes ocorreram às sextas-feiras, às 16 horas. O dia e o horário foram ofertados pelas estagiárias no intuito de abarcar as restritas opções das trabalhadoras e evitar que a reunião adentrasse o período de trabalho.

O segundo encontro contou com a presença da cafetina e de três profissionais do sexo, as quais serão chamadas de Cláudia, Luzia e Priscila. Outra profissional do sexo, Márcia, não quis participar do grupo, disse que estava “de ressaca”.

Ao chegarem, as estagiárias entregaram à cafetina uma cópia do projeto de intervenção que haviam escrito. A cafetina comentou que, após o contato no COAS, duvidou que a estagiária fosse de fato levar o projeto adiante, mas agora tinha sentido “firmeza” e estava “gostando de ver”. Novamente, explicitava-se a desconfiança em relação à intenção e à disponibilidade das estagiárias de dedicarem-se às profissionais do sexo. Inclusive, o episódio da equipe de pesquisadores que pagou para entrevistar as profissionais do sexo seria novamente citado durante esse encontro.

Percebeu-se que a compreensão imediata das profissionais do sexo a respeito da intervenção dava-se pela associação com o universo acadêmico, isto é, a pesquisa. Ou seja, embora as estagiárias provavelmente não aparentassem estar motivadas por uma mera curiosidade sobre a dimensão exótica daquele universo, ainda assim sua presença parecia ser entendida como uma busca por informações. Ao longo da intervenção, foi muito difícil romper com esse estereótipo em torno da imagem do pesquisador, bem como esclarecer que o principal intuito das estagiárias era oferecer uma escuta às profissionais do sexo, apostando numa construção conjunta entre coordenadoras e participantes do grupo.

Alguns encontros depois, seria possível analisar que a intervenção proposta tratava-se de algo totalmente novo para elas. Num contexto onde todas as relações são de caráter comercial, era razoável que houvesse estranhamento diante de uma oferta cujo benefício para as profissionais do sexo não fosse o dinheiro. A tendência ali era, portanto, a reprodução do padrão das relações mantidas com o cliente.

O grupo foi, então, formado ao redor de uma das mesinhas do salão, o que se repetiria nos encontros seguintes.

Logo de início, foi dito pelas trabalhadoras que o termo ali utilizado para denominá-las era “garota de programa”. Uma delas complementa a explicação com o seguinte comentário: “profissionais do sexo você deixa para seus professores”. Já o local de trabalho é chamado por elas de “boate” ou “casa”.

As estagiárias apresentaram-se ao grupo como estudantes de psicologia, da área de saúde do trabalhador, acrescentando que uma delas trabalhava no COAS da região, sendo reconhecida por algumas “garotas” que freqüentavam o serviço. As estagiárias apontaram que a proposta da intervenção era a realização de encontros em grupo para

conversar sobre o dia-a-dia de trabalho no bordel, com o objetivo de contribuir para que as participantes pudessem lidar com esse trabalho de uma maneira saudável. Acrescentaram que, embora pudessem vir a produzir conhecimentos na faculdade a partir da intervenção, não se tratava exatamente de uma pesquisa, pois sua intenção não era a de simplesmente obter informações e sim criar um momento de conversa e de troca de experiências. As estagiárias ressaltaram que a participação no grupo deveria ser voluntária.

Em seguida, sugeriram uma rodada de apresentações. As “garotas” começaram esclarecendo que não falariam seus nomes verdadeiros, pois ali utilizavam um nome fictício, na intenção de protegerem sua identidade, seja porque não revelavam sua profissão a qualquer um ou porque se sentiam ameaçadas. Como exemplo, contam de uma estratégia que utilizam quando chega alguém ao bordel procurando por uma “garota” que, por sua vez, não quer ser encontrada por aquela pessoa. Nesse caso, se a pessoa vem atrás de “fulana”, elas dizem que “fulana” está, mas levam outra “garota” no lugar, fazendo com que a pessoa acredite que aquela a quem procura não está lá.

Nesse relato, é possível identificar a importância do anonimato na profissão, algo que se refere não apenas à vivência do preconceito, mas também à necessidade de desenvolver estratégias de auto-proteção diante de uma constante sensação de ameaça, tema que será retomado mais adiante.

Priscila conta que tem 20 anos de idade e faz faculdade de enfermagem. Reside com sua família, para a qual não revela o fato de trabalhar como prostituta, o que esconde também do namorado. Diz que isso representaria uma grande decepção para a família que, assim como o namorado, jamais aceitaria. Por conta disso, freqüenta a boate com bastante irregularidade.

Cláudia diz ter 19 anos de idade. Está morando e trabalhando na casa há seis meses, mas, segundo ela, adaptou-se rapidamente, sentindo-se como se estivesse lá há anos.

Luzia relata que, embora sendo a mais velha do grupo, com 40 anos de idade, é a mais nova no ramo, tendo iniciado suas atividades como prostituta há apenas algumas semanas.

A cafetina não revela sua idade, mas aparenta ter em torno de 40 anos. Ela conta que foi prostituta por muitos anos, mas deixou de exercer oficialmente a atividade desde a abertura da casa há mais ou menos dez anos. Diz que, atualmente, realiza apenas alguns programas “especiais”.

As estagiárias propuseram, então, que cada uma delas dissesse o que considerava como sendo a melhor e a pior coisa nesse trabalho.

A autonomia financeira que a atividade lhes proporciona foi ressaltada pelas três “garotas” como o fator que mais as agradava. Disseram que a quantia de dinheiro arrecadada é muito maior do que em qualquer outro emprego que já trabalharam ou que consideram como uma possibilidade de trabalho. Elas comparam que, em uma noite de muito trabalho, podem ganhar o valor correspondente a um mês atuando como empregada doméstica ou atendente de lanchonete. O preço do programa básico é de 30 reais por meia hora, sendo que um terço desse valor é repassado à cafetina. Elas dizem que dez programas é o número máximo que uma “garota” consegue fazer em uma única noite, o que lhe permitiria, portanto, somar a quantia de duzentos reais. No quarto encontro, foi citada uma possibilidade de aumentar esse valor.

Dizem, ainda que “uma vez na noite, sempre noite”, ou seja, por mais que às vezes pensem em abandonar a profissão ou até cheguem a deixar de exercê-la por um período, essa será sempre uma alternativa a que poderão recorrer a qualquer momento, uma “carta na manga”.

Outro ponto positivo aparece na fala de Cláudia, que diz poder dançar e se divertir nesse trabalho e eventualmente até sentir prazer em algum programa. As garotas comentam que a maioria dos homens as trata bem, muitas vezes “como uma princesa”, melhor até do que fazem seus parceiros fixos.

Essas falas indicam a presença de benefícios obtidos, tais como o rendimento financeiro, as vivências prazerosas e de auto-estima no cotidiano de trabalho. Contrastam, porém, com a fala de Luzia, que demonstra sentir-se bastante culpada quando realiza um programa: “toda vez que um homem sai de cima de mim eu rezo”. A religião aparece nas falas como uma fonte de culpa pelo exercício da atividade, considerada como pecado. As participantes comentam que um dos dez mandamentos diz: “não se prostituirás”. Ao mesmo tempo, na religião reside a possibilidade de redenção e, portanto, de desculpabilização.

As “garotas” apontam o preconceito como o principal ponto negativo do trabalho. Dizem que há homens que as tratam bem na boate, mas que na rua as xingam. E afirmam que muitas pessoas não imaginam que elas são mulheres honestas, que trabalham para seu sustento e, principalmente, para o de seus filhos. Dizem que não são putas e descrevem a “puta de paredão”, termo que utilizam para se referir à mulher que

se relaciona com vários homens numa mesma noite por mera diversão, enquanto elas o fazem apenas a trabalho.

Diversos pontos tornam-se explícitos a partir dessas afirmações: o preconceito, por parte das próprias “garotas”, a respeito da mulher que mantém relações sexuais com diversos parceiros; a culpa que sentem por praticarem diariamente um ato supostamente imoral e pecaminoso; e a justificativa baseada na necessidade financeira, que as diferencia da suposta puta “de verdade”. Essa questão remete a um dos aspectos considerados no primeiro capítulo deste estudo, revelando a complexidade da formulação construída pelas profissionais do sexo para lidar com a discriminação em torno de sua atividade, imposta por uma sociedade da qual elas também fazem parte, compartilhando das mesmas noções e valores.

A cafetina, por sua vez, ressalta que esse é um trabalho diferente de todos os outros, pois “ser penetrada por uma pessoa que você não conhece é muito difícil”. A frase parece ir além dos preconceitos, apontando para um impacto subjetivo bastante profundo da constância de relações corporais tão íntimas em meio a vínculos afetivos tão precários.

A cafetina comenta que sua atividade diferencia-se muito da de uma garota de programa, trazendo outros tipos de afazeres e de preocupações cotidianas, ligados à administração do negócio. Cita como exemplo ter que cuidar da relação com a polícia local, para quem “paga o pau”, isto é, fornece uma quantia mensal em dinheiro, estipulada pela polícia como condição para a manutenção do estabelecimento. Conforme discutido no capítulo 1, a ambigüidade na relação com a lei e a autoridade é uma marca constante dessa atividade, que é tolerada, apesar de ser insistentemente mantida no âmbito da marginalidade.

Outra condição imposta pela polícia é de que as casas não se tornem pontos de tráfico, algo que, segundo a cafetina, certamente lhe traria problemas. Além de as drogas ilícitas não serem toleradas pela polícia local, há ainda a eventual possibilidade de ocorrer uma “batida” de policiais de fora da região. No caso de serem encontradas drogas, trabalhadoras menores de dezoito anos de idade ou sinais de ocorrências de violência, a cafetina afirma que apenas ela seria responsabilizada e provavelmente presa, pelo fato de ser a proprietária do estabelecimento. Lembrando que apenas o agenciamento da prostituição é ilegal no Brasil e não o exercício da ocupação por maiores de idade.

A cafetina afirma que prefere ser presa por causa de uma “garota” que esteja usando um documento falso para ocultar sua idade, do que por culpa daquela que esteja “passando droga”, pois a primeira o faz em função da necessidade de trabalho. Nota-se uma diferenciação quanto ao caráter das atitudes da profissional do sexo, sendo que

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