6.5 Implikasjoner: Utfordringer og muligheter for kommunene
6.5.4 Teoretisk forklaring på medvirkning i omdømmeprosesser
Na pesquisa que estamos realizando, a busca por um referencial dialético aproximou-nos de trabalhos como os realizados por Vygotsky, Luria, Leont’ev e Engestrom. No entanto, ao procurarmos observar a atividade de crianças tão pequenas, inseridas em instituições educativas, nos deparamos com a participação dos pequenos nas diversas situações que ocorrem no cotidiano da educação infantil. E assim, a participação seria, então, a categoria por nós utilizada para observar, descrever e analisar a atividade das crianças pequenas.
Participação é um conceito que nos ajuda a compreender a aprendizagem situada em atividades da prática social. Portanto, quando descrevemos e analisamos o envolvimento do indivíduo em atividades práticas no mundo, estamos analisando o
envolvimento dele em processos de aprendizagem. Essa forma de ver a aprendizagem foi explorada por Lave e Wenger (1991, LAVE, 1997, LAVE, 1993/2003) especialmente em situações fora do contexto da escola. Para teorizar formas de participação, esses dois pesquisadores desenvolveram a noção de “Participação Periférica Legitimada” (Legitimate Peripheral Participation – LPP) na qual a noção de aprendizagem vai além da aquisição racional do conhecimento. Ao contrário, esta idéia apresenta aprendizagem, pensamento e conhecimento como relações que surgem em um mundo estruturado social e culturalmente, entre pessoas, em uma atividade, em uma comunidade concreta. De certa forma, a noção de participação dissolve a dicotomia entre atividade cerebral e encarnada, entre contemplação e envolvimento, entre abstração e experiência. Pessoas, ações e o mundo são envolvidos em discurso, conhecimento e aprendizagem, localizados histórica e culturalmente, de forma interessada, conflitante e significativa.
Esse descritor, usado para se pensar a aprendizagem como integralmente engajada na prática social, diz respeito ao estar localizado no mundo social. A mudança de lugar e de perspectiva é parte da trajetória dos atores, desenvolvendo identidade deles e suas formas de ser membro da comunidade (LAVE; WENGER, 1991).
A idéia de aprendizagem na prática propõe a troca do termo aprendizagem
por compreensão e participação em uma atividade que se encontra em andamento. A compreensão pretende ser um processo parcial e aberto, enquanto, ao mesmo tempo, há uma estrutura de aprendizagem no mundo. A idéia de uma estrutura aberta e indeterminada da compreensão não é vista como infinita ou ao acaso. O conhecimento e a aprendizagem são distribuídos por meio de estruturas complexas que envolvem pessoas, ações e lugares.
Em uma forma convencional de se estudar o fenômeno da aprendizagem, os pesquisadores usualmente colocam o foco na transmissão e apropriação do conhecimento existente enquanto silenciam sobre a invenção de conhecimentos. As idéias de transmissão, transferência, internalização são elementos que descrevem a circulação do conhecimento na sociedade partindo do princípio de que há uma uniformidade em relação a ele. Isso implica que o ser humano se envolve melhor na reprodução do conhecimento dado do que na produção do entendimento como um processo flexível de engajamento no mundo. Segundo Lave (1993/2003) estudos como o de Engestrom (1987) mostram como a zona de desenvolvimento proximal é
coletiva ao invés de individual e que o novo é uma invenção coletiva que surge dos dilemas e contradições que impedem a atividade de prosseguir e impelem o movimento de mudança. Fazer e conhecer são processos inventivos e abertos de improvisação com o mundo social, material e recursos experenciais que estão à mão.
A proposta desses pesquisadores é tomar a natureza coletiva e social tão seriamente de tal forma seja colocada em primeiro plano (LAVE, 1997). O conhecimento, então, passa a ser produzido no processo, pensado como meio para se fazer coisas e não como acúmulo de informações. Passa também a ser analisado como uma relação complexa que envolve participação em atividades e geração de identidades tornando-se parte de uma prática que se faz no dia-a-dia. Assim, aprender na participação ultrapassa o mental; abrange o corpo, a mente, os sentimentos e a identidade das pessoas envolvidas. Tanto os indivíduos quanto a coletividade transformam-se nessa experiência.
Embora a idéia de “participação periférica legitimada” (LPP) tenha sido criada preservando seu caráter dialético, vários pesquisadores, que tomaram o conceito como suporte para suas pesquisas, fizeram-no de forma dualística. Assim, estudos propuseram formas legítimas e ilegítimas de participação ou, ainda, uma participação que inicialmente é periférica e subsequentemente se transforma em central (ENGESTROM, 1999). Tentamos evitar essa armadilha trabalhando com uma relação dialética explícita em que o conceito de participação se torna central e é visto por meio da metáfora margem⏐centro.
As idéias de Vygotsky, Leont’ev, o modelo da Teoria da Atividade desenvolvido por Engestrom e o conceito de participação elaborado por Lave e Wenger são exemplos de trabalhos que se pautam pelo esforço de tomar o fenômeno da aprendizagem em sua visão dialética. Compartilhando esse esforço, iremos procurar desenvolver uma leitura do material empírico tendo em vista o movimento empreendido pelas crianças e suas professoras quando exploram o mundo físico por meio de atividades programadas. Na próxima seção faremos uma rápida revisão bibliográfica das pesquisas que utilizam o referencial dialético como inspiração para suas investigações, ressaltando pontos que possam servir de referência para nosso trabalho.
II.
Ser humano em atividade: fundamentos para a
investigação
A segunda parte deste capítulo apresenta uma leitura da aprendizagem em diversos contextos sociais concretos. O conceito de aprendizagem veiculado nessa revisão bibliográfica inspira-se na idéia de ser humano em atividade para analisar a realidade empírica.
A primeira seção trata de uma revisão bibliográfica realizada em periódicos internacionais a exemplo de “Mind, Culture, and Activity”; “Teaching and Teacher Education”; “Learning and Instruction”; “Journal of Curriculm Studies”; “Curriculum Inquiry”; “Early Childhood Education Journal”; “Science Education”, e livros que se apóiam nos princípios apresentados. De uma vasta bibliografia, escolhemos aqueles artigos ou capítulos de livros que apresentaram o esforço por se fazer uma leitura dialética dos dados coletados nas investigações. Nessa revisão, procuramos observar a forma como os pesquisadores lidam com seus dados de maneira a captar o processo que se encontra em andamento.
Na segunda seção apresentamos uma síntese que nos auxiliará na operacionalização da análise dos dados que estamos investigando.