3.4.1. Medições
As visitas às empresas realizaram-se entre o mês de Março e Julho do presente ano desta dissertação, sendo que as medições eram efetuadas desde o período da manhã até ao fim da tarde, obtendo-se assim registos dos vários parâmetros pretendidos durante um dia normal de trabalho.
Os trabalhadores foram sujeitos, quando possível, à medição da frequência cardíaca em condições neutras tanto termicamente como de atividade física, sendo que eram realizadas medições no intervalo de pausa que estes utilizam a meio da manhã, e outras realizadas antes de iniciarem o dia de trabalho.
Este intervalo de pausa é normalmente feito numa sala que possui condições termicamente neutras (cerca de 19 °C e 58% de HR em um dos casos e cerca de 20 °C e 65 % de HR para o outro caso) e permite aos trabalhadores relaxarem durante uns minutos através de mobiliário existente nesta, nomeadamente cadeiras e sofás.
Segundo a norma ISO 11079, 2007, para determinação do IREQ para cada trabalhador é necessário valores relativos ao metabolismo de cada um destes.
Deste modo, para determinação do nível de metabolismo individual de cada trabalhador, segundo a norma ISO 8996, 2004, é necessária a medição da frequência cardíaca em condições diferentes, uma medição da frequência em condições neutras, e outra em condições normais de trabalho em que estão sujeitos a ambientes caraterizados como frios. Deste modo, o local de lazer dos trabalhadores acabou por ser o local ideal para este fim no que diz respeito às condições neutras referidas.
Nos casos em que as medições da frequência cardíaca são realizadas antes do início do dia trabalho, estas são feitas nos corredores da empresa, sendo este também um local termicamente adequado tendo em conta as condições neutras exigidas pela norma ISO 8996, 2004.
Relativamente às medições da frequência cardíaca em regime normal de trabalho, sujeitos a condições de frio, foram realizadas sempre após um período mínimo de quinze minutos de exposição ao frio exigidos pela norma, de forma a que o organismo de cada um se adaptasse às condições de frio existentes.
Ambas as medições foram realizadas com o mesmo equipamento, sendo este o tensiómetro Beurer BC16.
próprio equipamento. As temperaturas registadas de um modo geral, contabilizando ambas as empresas avaliadas variaram entre os -24 e os 16 °C. Por motivos técnicos do equipamento, na medição das condições ambientais em câmaras de congelação foram utilizados data loggers EasyLog da Lascar.
Para mensurar as condições ambientais a que os trabalhadores estavam sujeitos, para além de ser utilizado o equipamento e respetivas sondas mencionadas acima, tentou- se também seguir as orientações indicadas pela norma ISO 7726, 1998. Esta norma refere que para uma maior precisão nos resultados, medições da mesma variável devem ser feitas em simultâneo a diferentes cotas, altura do tornozelo (0,1 m), altura do abdómen (1,1 m), e altura da cabeça (1,7 m), sendo que todos estes casos são referentes a atividades que são realizadas em pé.
Na prática, não foi possível realizar as medições em simultâneo das diferentes variáveis ambientais, dada a inexistência de sondas em número suficiente para mensurar cada variável simultaneamente a diferentes cotas. Deste modo, o equipamento e as respetivas sondas tiveram que ser mantidos durante as medições sempre à mesma cota (1,1 m), acabando por não seguir estritamente as orientações indicadas pela norma.
Todos os registos feitos pelo equipamento foram realizados a intervalos de um minuto de forma a obter variações que ocorram ocasionalmente, como por exemplo no caso da velocidade do ar (va), podendo deste modo contabilizar todas estas mínimas
variações.
Após a realização do inquérito aos trabalhadores, juntamente com as medições realizadas a estes, foi necessário calcular certos parâmetros individuais para analisar e verificar a adequabilidade das condições a que estão sujeitos durante a jornada de trabalho.
3.4.1.1. Determinação do nível de metabolismo
Para determinar o nível de metabolismo de cada trabalhador foi utilizada uma das metodologias referidas na norma ISO 8996, 2004. Nesta norma, são referidos quatro níveis de avaliação sendo que quanto maior o nível utilizado menor o erro associado. A metodologia de análise utilizada foi a número 3, em que correlaciona a frequência cardíaca com o nível de metabolismo do indivíduo. Para tal foi utilizado o tensiómetro referido anteriormente, para mensurar a frequência cardíaca de cada trabalhador sobre as condições já referidas sendo posteriormente utilizadas para cálculo do metabolismo de cada um.
3.4.1.2. Nível de Vestuário
Para contabilizar todo o vestuário utilizado pelos trabalhadores durante o desenvolver da sua atividade, foi seguida a norma ISO 9920, 2007. Nesta mesma norma estão presentes os valores referentes ao isolamento da grande maioria do vestuário que normalmente é utilizado.
A norma possui várias tabelas, das quais dispõe de conjuntos de várias peças de vestuário, em que é fornecido o somatório do mesmo conjunto. No caso deste estudo foi optado por utilizar valores para cada peça de vestuário, e não para um conjunto, pois existiam sempre ou peças a mais, ou mesmo peças em falta, sendo deste modo um método mais rigoroso. Para cada peça existe um valor correspondente de isolamento básico do vestuário (Icl),expresso em unidades de “clo” ou em m2.K.W-1.
Posteriormente é então associado o valor de isolamento de cada peça do vestuário utilizado, de forma a obter o nível de isolamento utilizado por parte do trabalhador.
Após serem obtidas e mensuradas todas as variáveis de índole ambiental e individual, estas são então utilizadas para calcular o índice IREQ.
Para cada trabalhador é então calculado este índice para dois níveis, já referidos anteriormente, o IREQmin e o IREQneutro. Estes níveis definem condições de isolamento
distintas sendo que deste modo a sua determinação possui relevante importância.
Após o cálculo deste índice é necessário determinar o isolamento resultante (Icl,r)
que corresponde ao isolamento efetivamente necessário, nível de isolamento corrigido, pois contabiliza os efeitos do vento, do movimento do corpo e da permeabilidade do ar da camada exterior do vestuário.
Para cada empresa avaliada, o método de análise acaba por se tornar de certa forma diferente, isto devido ao tipo de exposição ao frio a que os trabalhadores estão sujeitos. Independentemente deste tipo de exposição, para todos os trabalhadores avaliados, caso o nível de isolamento do vestuário efetivamente utilizado pelo trabalhador seja insuficiente para as condições ambientais em que está inserido, tendo em conta o valor do índice IREQ calculado, é determinado o tempo limite a que o trabalhador pode estar exposto sob estas condições ambientais.
Nos casos em que se registem tempos em que o trabalhador permanece sob certas condições ambientais, superiores ao tempo limite calculado, é necessário calcular o tempo de recuperação, tempo este que deve ser utilizado pelo trabalhador de forma reestabelecer o próprio equilíbrio térmico.
3.5. Nota conclusiva
Como foi possível verificar ao longo deste capítulo, são seguidas algumas normas para analisar as condições de conforto térmico a que os trabalhadores estão sujeitos, é necessário ter em conta variadíssimas variáveis e determinar outras, de forma a ser possível caraterizar através de determinados índices, como é o caso do IREQ, as condições a que os trabalhadores estão sujeitos. Na presença de determinadas condições é necessário intervir quer de uma forma mais preventiva ou de uma forma mais condicionada, através de utilização de um nível de vestuário mais adequado perante determinadas condições, ou através da limitação do tempo a que o trabalhador está sujeito às mesmas.
Sempre com intuito de melhorar as condições de conforto dos trabalhadores, todos os parâmetros avaliados, possibilitam inserir melhorias no dia-a-dia, durante a jornada de trabalho, influenciando diretamente o desempenho do próprio trabalhador, acabando por tornar a empresa mais competitiva.
No capítulo seguinte é possível verificar todos os dados relativos ao estudo bem como a sua análise e discussão.