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Temporal hydrographic variability in the central Greenland Sea

À primeira vista os dados de composição petrográfica de gnaisses tonalíticos e granodiorití- cos, associados aos resultados da litoquímica de elementos maiores, traços e ETRs indicariam tra- tar-se de rochas de trend calci alcalinas normal, com padrões de curvas ETR fracionados e spi- dergramas com proeminentes anomalias de Nb, P e Ti formadas a partir de processos de subducção.

Esta interpretação seguiria seu curso natural se outras características não fossem ressaltadas como os altos teores em Na2O, baixo peso molecular de MgO, baixa razão K2O/Na2O, altas con- centrações de (Sr>550 ppm) e La (> 36 ppm), falta de anomalia de Eu, baixas concentrações de Y (<15ppm), Yb (<1.2 ppm) e HFSE. Todas estas peculiaridades são típicas e apontam para uma ten- dência adakítica das rochas estudadas.

Condie (2005) compara os adakitos na Cordilheira dos Andes, em sua porção extrema sul, com os adakitos formados na posição central dos Andes. Os adakitos do sul dos Andes relacionam- se a formação de adakitos clássicos em zonas de subducção derivados de fusão de uma crosta jovem e quente e apresentam valores altos de Sr, #Mg, Ni e Cr. Na posição central vulcânica dos Andes ocorre o inverso, com a formação de adakitos com baixo teores de #Mg, Sr, Ni e Cr. A diferença envolve a geração do magma que na posição central dos Andes esta relacionada a uma crosta espes- sada, sob forte encurtamento tectônico e envolve processos de delaminação litosférica.

O gráfico #Mg vs SiO2 ,(Fig.6.12A) indica condições similares aos produtos de delaminação litosférica, com geração de magmas na base da crosta deixando como resíduo composição eclogíti- cas. Estes magmas formados são similares às fusões experimentais de rochas máficas hidratadas e explicam os baixos valores encontrados em #Mg, Cr, Ni e com valores semelhantes às amostras estudadas.

Outro motivo são os baixos valores em #Mg que se devem pela baixa concentração de MgO<3% em peso na razão, confirmada pelos valores baixos de Cr e Ni, mas ainda anômalos para rochas adakiticas. Na Fig.6.12A é possível ver a propensão ao campo adakitico, principalmente para as rochas neoproterozoicas, do grupo II (losangos vermelhos) em relação às do grupo I, com coefi- ciente de assimilação e cristalização fracionada abaixo de 5% e com fusão primária não derivada do manto peridotítico conforme proposto por Castillo (2006).

No gráfico Nb/Ta vs Zr/Sm, (Foley et al., 2002, Fig.6.12B) observa-se a tendência das ro- chas adakiticas a se agruparem em valores altos da razão Nb/Ta, na maioria >15 e < 22 e a se loca- lizarem em proporções próximas à linha do manto primitivo. O gráfico apresenta os campos de fu- são de rutilo eclogito e anfibolito e hornblenda eclogito. Ambos os gráficos mostram de forma pre- liminar o baixo coeficiente de fusão e o tipo de crosta envolvido na geração destas rochas.

Os gráficos da figura 6.13 caracterizam e corroboram a gênese das rochas. A figura 6.13(A) apresenta o diagrama para as rochas adakiticas (La/Yb)n vs. Ybn, (Martin, 1987, 1999), modificado,

Karsli et al, (2011) observam o campo adakitico ocupado pelas amostras entre curvas de fusão (li- nhas azuis), com a tendência das amostras em acompanhar as linhas em torno de 3% de melt ou pouco acima em direção ao campo granada-anfibolito, coerente com os dados apresentados na fig. 6.12(A) e (B).

Fig. 6.12 – (A) - Gráfico #Mg vs SiO2 (Condie, 2005), comparando os adakitos Grupo II (losangos

vermelhos) posicionados no arco com os intrusivos em áreas do embasamento Grupo I(quadrados verdes), Campo dos líquidos experimentais de Rapp et al., (1991) e Winter (1996). AFC - Trajetó- ria assimilation and fractional crystallization de Stern e Kilian (1996), com os percentuais de ro- chas ultramáficas assimiladas. (B) – gráfico Nb/Ta vs Zr/Sm, (Foley et al., 2002) para adakitos da porção setentrional do Orógeno Brasília, arco e embasamento.

O diagrama da fig. 6.13(B) (Sr/Y vs. La/Yb, (Moyen 2009) mostra os modelos de fusão e interações do manto, para rochas adakiticas. Os plots, tanto do arco jovem (losangos vermelhos), como os intrusivos no embasamento (quadrados verdes) sobrepõem a área de mistura manto-adakito (MAM) utilizado no modelo, bem com os campos dos adakitos arqueanos (AA) e dos adakitos de alta sílica (HSA). As rochas seguem a linha de fusão em alta pressão dos adakitos tipo HSA (alta sílica) deixando no resíduo anfibólio-granada. O resultado é idêntico ou semelhante aos demais dia- gramas e indicam profundidades superiores a 40km.

O diagrama da figura 6.13(C) de Moyen (2009) é uma variante do gráfico Sr/Y determinan- tes dos campos de classificação e fontes de geração. Neste gráfico as amostras todas estão no campo dos TTGs, e localizadas dentro ou em torno do campo dos HSA, para razões superiores de Sr/Y>40, conforme calculado para amostras (em média superiores a 50) e ainda indicativas de fusão de ro- chas máficas sob alta pressão com Cpx+Anf+Grd no resíduo e baixas taxas de fusão, inferiores a 5%.

Em todos os gráficos o modelo proposto de fonte para os adakitos neoproterozóicos do gru- po II é mais consistente, pela quantidade e agrupamento dos pontos, a fusões em base de crosta. Os adakitos do grupo I mostram-se mais espalhados sugerindo que tenham origem e fusões distintas.

Fig. 6.13 – (A) Diagrama índice de La/Yb vs. Yb normalizado ao condrito. Campos de adakite e TTG de rochas calci-alcalinas de arco, Martin (1999), Karsli et al. (2011). A amostra de gabro G518 (Dokuz et al., 2006) foi utilizada como fonte ETR para modelagem nas condições de equilí- brio entre anfibolito e eclogito, com diferentes conteúdos de granada e respectivos coeficientes de partição propostos por (Irving e Frey 1978; Fujimaki et al., 1984 e Sisson, 1994). (B) Diagrama de

Moyen (2009) Sr/Y vs. La/Yb: Adakitos Alta SiO2 HSA (preto), Adakitos Baixa SiO2 (LSA cinza),

Adakites Arqueano (AA), TTG e granitos normais ("S e I"). MORB representa a extremidade “Ca- minho do manto", (PRIM) indica a composição do manto primitivo, (CH) condrito; (DMM) manto empobrecido CC e UCC são as composições da massa e crosta continental superior, respectiva- mente (Taylor e McLennan, 1985). MAM é o mix do manto-adakite utilizado nos modelos de intera-

ção manto. Curva de fusão "Máficas baixo P" = baixa pressão (10 kbar) fusão de anfibolito com residuum granada-plagioclase;"Máfica alta P "= 20 kbar fusão de fonte semelhante, gerando HSA. (C) gráfico Sr/Y com modelos de fusão e de interações com o manto. Símbolos e abreviações como na Fig. 6.13(B).