O Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio (SDAI) é o sistema automático de proteção responsável por detectar focos de fogo e alarmar junto a central de incêndio
para auxiliar na evacuação dos locais protegidos. Ele é compreendido pelos equipamentos e sistemas de prevenção, contemplados nos seguintes itens:
• Detectores de fumaça e temperatura; • Acionadores manuais;
• Alarmes (sonoros e audiovisuais); • Centrais supervisoras de incêndio. Os projetos de SDAI devem conter:
• Distribuição dos diversos tipos de detectores, acionadores manuais e alarmes (sonoros e audiovisuais) de incêndio para todas as dependências (exceto escadas e antecâmaras), e centrais de incêndio de todas as edificações;
• Esquemas verticais;
• Folhas de dados, configurações e lista de equipamentos; • Detalhes típicos de montagem;
• Diagramas de blocos do sistema; • Diagramas de interligação;
• Diagramas estimativos de dimensões e quantidades de cabeamentos e fiações;
• Legendas completas, com as informações de especificações de todos os elementos e materiais utilizados no sistema, incluindo seus quantitativos por pranchas;
• ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) junto ao CREA com detalhamento descritivo das atribuições técnicas por profissional, segundo exigências do Corpo de Bombeiros e CREA;
• Memória de cálculo dos sistemas utilizados;
• Memorial descritivo do projeto, caderno de especificações e lista estimativa de materiais.
A Instrução Técnica número 14 (IT-14 - Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio) de CBMMG (2010) estabelece os requisitos mínimos necessários para o dimensionamento dos sistemas de detecção e alarme de incêndio, na segurança e proteção de uma edificação, e deve ser obedecida em projetos deste sistema.
O SDAI pode ser dividido conforme os subitens a seguir. 4.5.1 Detecção Pontual e Alarme Manual de Incêndio
Central de incêndio: Para conexão, configuração, controle e supervisão de todos os dispositivos periféricos de detecção e alarme de incêndio, deve-se instalar um painel de
incêndio endereçável, digital e algorítmico, internamente ao local composto por todos os componentes necessários ao gerenciamento automático do SDACI.
Cartão eletrônico para comunicação de painéis em rede de alta velocidade: Para que os painéis de incêndio sejam interligados em rede. Devem possuir, no mínimo, as seguintes características técnicas:
• Suportar cabo metálico, fibra óptica multimodo, fibra óptica monomodo ou uma combinação destes, como meio físico de comunicação entre cartões;
• Possuir LEDs para facilitar a análise de possíveis falhas;
• Possuir opção de conectores de múltipla interface, ou seja, cartões com RX e TX para meio físico tipo cabo metálico, cartões com RX em cabo metálico e TX em fibra (monomodo ou multimodo, cartões com RX em fibra monomodo e TX em fibra multimodo);
• Devem regenerar e amplificar o sinal de comunicação na saída de cada cartão. Entretanto, podem ser usados repetidores de sinal, para possibilitar o aumento de distâncias entre painéis, ou para mudar de fibra óptica para cabo ou vice-versa;
• Possuir duas portas de rede para permitir a conexão simultânea ao painel de controle de alarme de incêndio e ao computador de programação.
Sensores pontuais de incêndio: Sensores pontuais de fumaça e temperatura endereçáveis, digitais e algorítmicos, de forma a prover adequada cobertura sobre todos os riscos protegidos. Os detectores inteligentes do sistema devem ser capazes de comunicações totalmente digitais, utilizando tanto o protocolo de transmissão quanto o de sondagem. Cada detector deve ser capaz de realizar algoritmos independentes de detecção de incêndio; estes algoritmos medem as dimensões do sinal do sensor, os padrões de tempo e combinam diferentes parâmetros de incêndio para aumentar a confiabilidade e distinguir condições reais de fogo, de alarmes indesejáveis de transtornos ilusórios. Os padrões dos sinais que não são típicos de incêndio devem ser eliminados por filtros digitais, e os dispositivos incapazes de combinar diferentes parâmetros de incêndio ou de empregar filtros não devem ser aceitáveis. Os sensores e detectores devem ser instalados de forma que não haja nenhum ponto da edificação protegida fora do alcance do dispositivo, ou seja, a distância entre dispositivos deve ser projetada de acordo com o modelo do equipamento.
Acionadores manuais: Na porta de acesso ao risco protegido e em localizações projetadas, devem ser instalados acionadores manuais de incêndio (dupla ação), de forma a prover meio de ativação manual do alarme, integrado ao sistema de extinção de incêndio. Os acionadores manuais devem ser locados de modo que nos locais em que haja risco, todas as pessoas percorram um caminho sem obstáculos de no máximo 16m até algum dispositivo acionador, e a distância máxima entre dispositivos seja menor ou igual a 30m, conforme norma NBR ISO 7240-11.
Sirene de alarme: Devem ser instaladas sirenes de alarme de incêndio junto aos acionadores manuais, de forma a prover alerta sonoro para evacuação de todos ocupantes do risco protegido, assim como indicar que o sistema de extinção entrará em funcionamento.
Indicadores visuais: Junto aos acessos das edificações e pontos específicos, devem ser instalados indicadores visuais, de forma a prover alerta visual para evacuação dos ocupantes de todo risco protegido, assim como indicar que o sistema de extinção entrará em funcionamento.
Infraestrutura elétrica: A conexão física entre os dispositivos de campo e o painel de incêndio deve ser executada por cabeamento elétrico antichama de baixa tensão, com isolação mínima de 600V, o qual deve ser protegido e conduzido por conduítes (eletrodutos e/ou Seal Tubes na cor vermelha), fixados de forma aparente e/ou embutidas nos elementos construtivos e/ou estruturas do risco protegido (como paredes, piso e vigas).
4.5.2 Detecção de Fumaça por Aspiração de Alta Sensibilidade
O sistema de detecção por aspiração é um sistema ativo de alta sensibilidade para detecção de fumaça, que toma permanentemente amostras do ar de uma área protegida e monitora e analisa as amostras para determinar o grau de partículas de fumaça existentes.
São detectores que através de um duto estrategicamente instalado, fazem uma constante aspiração do ar ambiente do local e analisam a quantidade de partículas de fumaça na atmosfera.
Os dutos usados para o Sistema de Detecção por Aspiração, bem como os filtros devem ter vida útil de no mínimo 5 (cinco) anos para trabalhar nas condições de edificações onde a presença de partículas finas de minério de ferro em suspensão é muito alta.
A detecção por aspiração deve ser aplicada para áreas maiores que 150 m², em média, para ser viável tecnicamente e economicamente. Nestes casos, considera-se a instalação de Sistema de Detecção de Fumaça por Aspiração, aplicado às salas e porões de cabos, composto de detector, central com cartão processador com display digital, cartão terminal, aspirador de alto desempenho, filtro de duplo estágio, câmara de leitura a laser e demais acessórios de instalação do sistema.
Detector de fumaça por aspiração: Para aspiração e análise de amostras de ar e consequentes ações de alarme de incêndio para níveis muito baixos de fumaça (mínimo 0,005% obscurecimento/metro), devem ser instalados detectores de alta sensibilidade, com no mínimo 4 (quatro) redes, com identificação de todas as redes separadamente, e compostos por todos os componentes necessários à detecção precoce de incêndio. Redes de amostragem: devem ser distribuídas nas áreas de risco (entre piso / ambiente), redes de tubos de aspiração em CPVC com furos calibrados para amostragem do ar interno ao risco. As redes devem ser calculadas através de softwares de cálculo de fluxo e devem atender às exigências de tempos de respostas e balanceamento da NFPA 2001 (ECOSAFETY, 2013).
Infraestrutura elétrica: A conexão física entre o detector de fumaça por aspiração e os demais subsistemas do SDACI (central de incêndio, sistema de combate por agente limpo gasoso ou aerossol) deve ser executada por cabeamento elétrico de baixa tensão, o qual é protegido e conduzido por conduítes (eletrodutos e/ou Seal Tubes na cor vermelha), fixados de forma aparente e/ou embutidas nos elementos construtivos e/ou estruturas do risco protegido (como paredes, piso e vigas).
4.5.3 Detecção Linear de Temperatura
Detector linear de temperatura: Deve ser aplicado onde existe necessidade de detecção de temperatura fixa, o cabo sensor é revestido para condições ambientais severas e apropriado para aplicações onde o acesso do pessoal de manutenção é difícil e/ou perigoso. Possui dois condutores metálicos isolados individualmente com um polímero sensível ao calor que derrete e fecha o curto-circuito entre os condutores no ponto em que há aumento de temperatura. As principais aplicações são em bandejas de cabos, eletrocalhas, interior de painéis, transformadores, entre outros. O detector linear de temperatura possui rastreabilidade para indicação do ponto de detecção no cabo.
Infraestrutura elétrica: A conexão física entre a central do detector linear de temperatura e os demais subsistemas do SDACI (central de incêndio, sistema de combate por agente limpo gasoso ou aerossol) se dá através de contato seco, e deve ser executada por cabeamento elétrico de baixa tensão, o qual é protegido e conduzido por eletrodutos e/ou Seal Tubes, fixados de forma aparente e/ou embutidas nos elementos construtivos e/ou estruturais do risco protegido (como paredes, piso e vigas).