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4. Innsamling av data

4.4. Tema fra intervju 2

5.2.1 Origem do bipedalismo

Na busca pela reconstrução da história evolutiva da espécie humana, o que se procura, basicamente, são fósseis que permitam reconstruir o afastamento de nossos ancestrais da linha evolutiva seguida pelos antropóides. Os caçadores de fósseis ficam particularmente orgulhosos quando acreditam poder anunciar ter encontrado os primeiros sinais de divergência do padrão anatômico antropóide. E este primeiro sinal, invariavelmente, é o andar bípede.

Existem basicamente duas hipóteses sobre como se locomoviam nossos ancestrais antes de adotarem o bipedalismo. Uma vez que nossos parentes mais próximos — gorilas, chimpanzés e bonobos — quando no chão, predominantemente, andam se apoiando nos nós dos dedos das mãos, uma primeira hipótese é de que nossos ancestrais também eram quadrúpedes:

As the forest dwindled, food resources in woodland habitats, such as fruit trees, would have become too dispersed to be efficiently exploitable by conventional apes. According to this hypothesis, the first bipedal apes were humans only in their mode of locomotion. Their hands, jaws, and teeth would have remained apelike, because their diet had not changed, only their manner of procuring it. (LEAKEY, 1994, p. 18).

Por outro lado, alguns autores argumentam que não é fácil um animal passar do quadru- pedalismo ao bipedalismo e que somos descendentes de antropóides que estavam basicamente adaptados à vida nas árvores. Gibões e orangotangos, por exemplo, quase nunca descem ao

chão, mas quando o fazem andam sobre os dois pés (ou, melhor, sobre as mãos dos membros inferiores). Animais que se locomovem por braquiação passam a maior parte do tempo em posição vertical, e desenvolvem uma anatomia mais apropriada para o andar bípede do que os que andam sobre os nós dos dedos (SCHMITT, 2003, p. 1443).

Ao adotar o bipedalismo, nossos ancestrais estavam também fazendo escolhas energéticas. O bipedalismo humano é menos eficiente do que o quadrupedalismo de cães, cavalos e gatos, mas é mais eficiente do que o quadrupedalismo dos chimpanzés (LEAKEY, 1994, p. 19). Um chimpanzé corre mais rápido do que um ser humano, mas um ser humano gasta menos energia ao andar:

It has been well established that, at maximum running speed, human bipedalism is twice as expensive energetically than estimated for a quadrupedal mammal of the same body mass and that human walking is energetically much more efficient that [sic] human running. At the average walking speed of 4.5 km

h-1, human bipedalism is slightly more efficient than is quadrupedalism in

the average mammal. Both bipedalism and quadrupedalism are equally as expensive in chimpanzees, and at average walking speeds the chimpanzee

consumes 150% more energy (g-1km-1) than does a similarly sized quadruped.

(AIELLO; WELLS, 2002, p. 332).

Possivelmente, o bipedalismo criou condições favoráveis para o surgimento da linguagem. O filhote de um antropóide é carregado por sua mãe de um modo que ela não consegue saber para o quê ele está olhando, e isso dificulta a comunicação entre os dois:

Infants who cling underneath their mother’s ventrum have little opportunity to monitor their mother’s direction gaze, leading to an inevitable lack of joint regard. By contrast, whatever the parent sees and talks about is immediately obvious to any infant being carried bipedally. (SAVAGE-RUMBAUGH, 1994, p. 30).

Como o bipedalismo surgiu muito antes da expansão do cérebro, ele deve ter favorecido uma maior comunicação que, posteriormente, evoluiu para a linguagem falada.

Revisaremos nas próximas sub-seções algumas espécies que viveram antes dos australopite- cos.

5.2.2 Sahelanthropus

Brunet et al. (2002) descrevem um fóssil de 6–7 ma (milhões de anos), por eles denominado Sahelanthropus tchadensis. A descoberta foi feita no Chade, no centro da África, implicando

numa diversidade, distribuição espacial e antigüidade dos hominídeos maiores do que o pensado até então:

According to one model of human origins, put forth in the 1980s by Yves Coppens of the College of France, East Africa was the birthplace of humankind. Coppens, noting that the oldest human fossils came from East Africa, proposed that the continent’s Rift Valley—a gash that runs from north to south—split a single ancestral ape species into two populations. The one in the east gave rise to humans; the one in the west spawned today’s apes [see ‘East Side Story: The Origin of Humankind,’ by Yves Coppens; Scientific American, May 1994]. Scholars have recognized for some time that the apparent geographic separation might instead be an artifact of the scant fossil record. The discovery of a seven-millionyears-old hominid in Chad, some 2,500 kilometers west of the Rift Valley, would deal the theory a fatal blow. (WONG, 2003, p. 11).

O fóssil consiste de um crânio quase completo e de fragmentos do maxilar inferior. O crânio sofreu deformações durante o longo período em que ficou enterrado, mas estima-se que abrigou um cérebro de 320–380 cm3 (BRUNET et al., 2002, p. 146), ou seja, ligeiramente inferior

ao dos chimpanzés atuais, cujos cérebros pesam em média 395 g (MCHENRY; COFFING, 2000, p. 127). O fóssil não é completo o suficiente para permitir dizer se o animal era ou não bípede, mas Brunet et al. (2002, p. 151) chamam atenção para o fato de a base e a face do crânio apresentarem semelhanças com hominídeos mais recentes que, com certeza, eram bípedes (p. 150–1). Segundo Wood (2002, p. 134), a face do Sahelanthropus tchadensis se assemelha a de um Australopithecus de 1,75 ma. Outra característica do S. tchadensis que o aproxima dos humanos são seus caninos menores do que os dos antropóides:

In all modern and fossil apes, and therefore presumably in the last common ancestor of chimps and humans, the large upper canines are honed against the first lower premolars, producing a sharp edge along the back of the canines. This so called honing canine-premolar complex is pronounced in males, who use their canines to compete with one another for females. Humans lost these fighting teeth, evolving smaller, more incisor like canines that occlude tip to tip, an arrangement that creates a distinctive wear pattern over time. In their size, shape and wear, the Sahelanthropus canines are modified in the human direction, Brunet asserts. (WONG, 2003, p. 10).

Muitos fósseis de datação mais recente e considerados representativos de ancestrais dos humanos apresentam características faciais mais semelhantes às dos antropóides do que o S. tchadensis, o que pode ter importantes implicações para a reconstrução da evolução humana:

[. . . ] if it is accepted as a stem hominid, under the tidy model the principle of parsimony dictates that all creatures with more primitive faces (and that is a very long list) would, perforce, have to be excluded from the ancestry of modern humans. (WOOD, 2002, p. 134).

A interpretação do S. tchadensis como ancestral humano pode ser incompatível com a estimativa de ∼6 ma para a idade do último ancestral comum entre humanos e chimpanzés (BRUNET et al., 2002, p. 151). Por um lado, o S. tchadensis tem semelhanças tanto com humanos quanto com chimpanzés, o que é de se esperar de um ancestral comum. Por outro lado, a face achatada do ser humano é demasiadamente diferente da face de todos os antropóides atualmente existentes e é considerada uma característica derivada e recente. Ou seja, esperava-se que o ancestral que compartilhamos com os chimpanzés fosse facialmente mais parecido com eles do que conosco. Com o S. tchadensis muitas teorias precisariam ser repensadas.

Alternativamente, pode-se considerar, mais simplesmente, que o fóssil encontrado por Brunet et al.não representa um ancestral humano. Pode-se, por exemplo, especular que sua face com características humanas é apenas um indício de que há 6–7 ma já havia pressões evolutivas que, no futuro, levariam ao surgimento dos hominídeos, mas a linha evolutiva iniciada com o S. tchadensisse extinguiu, voltando a surgir espécies semelhantes somente centenas de milhares ou mesmo milhões de anos depois. Evidência em favor desta interpretação alternativa são os supercílios proeminentes do S. tchadensis, o que é uma característica dos antropóides; Além disso, caninos somente costumam ser grandes em antropóide do sexo masculino, e o fóssil encontrado no Chade pode ter sido uma fêmea (WONG, 2003, p. 11).

5.2.3 Orrorin

Um fóssil um pouco menos antigo do que o do S. tchadensis é o do Orrorin tugenensis, encontrado no Quênia. As peças mais importantes são fragmentos de fêmur com idade entre 6,04 e 5,83 ma (PICKFORD et al., 2002, p. 194). Ao contrário do S. tchadensis, o O. tugenensis apresenta sinais mais claros de bipedalismo. O fêmur do O. tugenensis é mais semelhante ao do homem do que ao do chimpanzé. Pickford et al. (2002) consideram até mesmo que o O. tugenensis, mais do que os Australopithecus, possui um fêmur semelhante ao dos humanos, o que, se confirmado, implicaria que os Australopithecus provavelmente não seriam nossos ancestrais:

In conclusion, from a systematic point of view Orrorin is a hominid sensu stricto, and in numerous features it is not chimp-like. In several features,

Orrorinis closer to humans than australopithecines are which suggests that

it may be more closely related to Homo than it is to Australopithecus and/or Paranthropus. If we are correct, then Australopithecus may represent a side branch in hominid evolution that became extinct without giving rise to Homo. . . . (PICKFORD et al., 2002, p. 202).

5.2.4 Ardipithecus

Halle-Selassie (2001) apresenta fósseis encontrados na Etiópia e com datação entre 5,2 e 5,8 ma. Os fragmentos representam de 5 a 11 indivíduos de uma subespécie de Ardipithecus. A fauna e a flora encontradas fossilizadas no mesmo estrato geológico dos hominídeos evidenciam um ambiente arborizado, e não uma savana (HALLE-SELASSIE, 2001, p. 178). Algumas pesquisas indicam inclusive que somente ∼1 ma mais tarde os hominídeos começaram a viver em savanas:

[. . . ] paleoecological analyses indicate that Orrorin and Ardipithecus dwelled in forested habitats, alongside monkeys and other typically woodland crea- tures. In fact, Giday WoldeGabriel of Los Alamos National Laboratory and his colleagues, who studied the soil chemistry and animal remains at the A. r.

kadabba[Ardipithecus ramidus] site, have noted that early hominids may not

have ventured beyond these relatively wet and wooded settings until after 4.4 million years ago. If so, climate change may not have played as important a role in driving our ancestors from four legs to two as has been thought. (WONG, 2003, p. 10).

Segundo Halle-Selassie, os dentes e outras partes dos fósseis apresentam algumas caracterís- ticas típicas dos hominídeos, o que indicaria que o Ardipithecus foi um de nossos ancestrais:

The Middle Awash fossils described above share some dental characters exclu- sively with later hominids, and do so to the exclusion of all fossil and extant apes. These characters include lower canines with developed distal tubercles and expressed mesial marginal ridges. In addition, the proximal foot phalanx from Amba, dated at 5.2 Myr, is derived relative to all known apes and is consistent with an early form of terrestrial bipedality. Because of this combi- nation of characters, the Middle Awash fossils described here are classified as cladistically hominid. (HALLE-SELASSIE, 2001, p. 180).