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Tema 4: Hvordan inngår praksis hverdagen?

In document Buddhisme og selvutvikling (sider 58-67)

Conforme descrito anteriormente, este trabalho teve como objetivos: caracterizar a amostra quanto aos Hábitos alimentares e Conhecimento nutricional, avaliar o impacto do programa, comparando os resultados dos três momentos de avaliação (Pré-teste, Pós-teste e Follow-up), para as condições experimentais MEF+ML e NUT, e identificar relações entre as variáveis em estudo.

Relativamente à variável Peq_almoço_semana, verificou-se que o valor médio está próximo do máximo, o que indica que os adolescentes tendem, de facto, a tomar o pequeno-almoço durante a semana. Pelo valor médio da variável Peq_almoço_fds, verifica-se que os adolescentes tendem a tomar o pequeno-almoço pelo menos num dos dias. Portanto, na amostra considerada, parece estar enraizado o hábito de tomar o pequeno-almoço.

Na análise do resultados relativos ao consumo semanal médio dos vários tipos de alimentos, há a realçar o facto do valor mais elevado, registado no Pré-teste, em rapazes sujeitos à condição NUT, se referir aos lacticínios. Tal é coerente com a ideia de que este grupo de alimentos, amplamente difundido como saudável, está entre os que os adolescentes consideram mais apetitosos (Bish & Scheule, 2009).

Relativamente à variável EAT_TOTAL, que avalia os comportamentos alimentares perturbados, importa referir que o valor mais alto surge em raparigas. Note-se que os comportamentos alimentares perturbados são preditores de PCA, e estas patologias são, efetivamente, mais comuns em indivíduos do sexo feminino (Cordeiro, 2009). De qualquer forma, e de acordo com o ponto de corte considerado para o teste EAT-26, a leitura da tabela referente aos valores médios mostra que, nem mesmo as raparigas, independentemente da condição experimental ou do momento considerado, apresentam valores preditores da existência de PCA.

57 No que respeita à variável NUT_TOTAL, é de destacar o facto de, tanto em raparigas como em rapazes, os resultados no Pré-teste, independentemente da condição a que são submetidos, serem inferiores aos dos momentos subsequentes. Por outro lado, na condição experimental NUT, contrariamente ao que sucede na MEF+ML, o valor médio desta variável aumenta do Pré-teste para o Pós-teste, e deste para o Follow-up, levando a crer que o programa produziu um efeito positivo a este nível, como é aliás é confirmado pela estatística inferencial.

No que respeita ao impacto do programa nos valores das variáveis em estudo, verificou-se uma alteração ao nível dos comportamentos alimentares perturbados (EAT_TOTAL), em raparigas, na condição experimental MEF+ML. Adicionalmente, na condição experimental NUT, e também em raparigas, registaram-se diferenças no consumo semanal de refrigerantes (Q7_d_refrigerantes) e no conhecimento nutricional (NUT_TOTAL). Estes resultados mostram então, que o aumento do conhecimento nutricional não cursa necessariamente com alterações significativas nos comportamentos alimentares perturbados, o que pode levar a questionar a utilidade do conhecimento nutricional enquanto fator de prevenção desses comportamentos.

Relativamente à variável EAT_TOTAL, e mesmo apesar dos resultados não terem permitido detetar diferenças estatisticamente significativas entre os vários momentos de avaliação, a análise dos valores desta variável, nas raparigas submetidas à condição experimental MEF+ML, mostra que houve uma diminuição dos comportamentos alimentares perturbados do Pré-teste para o Pós-teste, e deste para o Follow-up. Esta observação era expectável, tendo em conta que os módulos associados à condição experimental MEF+ML fomentam a discussão relativa aos ideiais de beleza, e contribuem para uma melhor avaliação e descodificação das mensagens transmitidas pelos media. Desta forma, é posta em causa a ideia de que a magreza na mulher está associada a maior atratividade, ideia essa que costuma

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estar em voga nos países onde as PCA são mais comuns (Rome, et al., 2003, p. e98), e que é constantemente reforçada por revistas, televisões, etc. A aplicação dos módulos MEF+ML vai pois de encontro aos objetivos de promover a aceitação da imagem corporal, o desenvolvimento de interesses que ultrapassem a estética e a potenciação de juízo crítico relativamente à influência dos media e da informação que veiculam.

No que concerne à variável NUT_TOTAL, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre o Pré-teste e o Follow-up, que correspondem a um aumento do conhecimento nutricional entre estes dois momentos. Mais uma vez, os resultados estão de acordo com o que era esperado, na medida em que o módulo associado à condição experimental em causa (NUT) aposta no fornecimento de informação sobre os alimentos e a forma de manter um regime alimentar equilibrado.

Por fim, no que se refere à variável Q7_d_refrigerantes, não foram detetados os momentos entre os quais ocorreu a diferença estatisticamente significativa apontada pelo teste ANOVA de Friedman. Ainda assim, a análise dos valores desta variável nos 3 momentos de avaliação mostra que houve uma diminuição do valor do Pré-teste para o Pós-teste, e a manutenção desse valor entre o Pós-teste e o Follow-up. Importa referir que não é surpreendente a alteração nesta variável ao longo do estudo, na condição NUT, em virtude de, conforme já foi explicado, o conhecimento nutricional favorecer a adoção de escolhas alimentares saudáveis.

Igualmente com vista à avaliação do impacto do programa na amostra considerada, verifica-se que, apenas no Follow-up, e para a variável Q7_a_frutas, em raparigas, foram encontradas diferenças, sendo o valor mais elevado na condição experimental NUT do que na MEF+ML. Em termos práticos, tal é equivalente a dizer que os adolescentes sujeitos às diferentes condições experimentais não diferem, em nenhum dos momentos, em termos de conduta alimentar (frequência com que tomam o pequeno almoço durante a semana e fim de

59 semana, consumo semanal dos vários tipos de alimento e comportamentos alimentares perturbados) e conhecimento nutricional. Constituem exceção a esta situação as raparigas que, no Follow-up, diferem entre si, sendo o consumo semanal de frutas mais elevado no grupo sujeito à condição experimental NUT. Poderá deduzir-se que estas diferenças estão associadas a uma exposição às diferentes condições experimentais e que, em particular, o consumo de frutas nas raparigas expostas à condição NUT, está relacionado com os conteúdos do módulo em causa, até porque este resultado foi encontrado no Follow-up.

Relativamente às correlações entre as variáveis consideradas, há a realçar a tendência para as condutas alimentares adequadas, ou inadequadas, estarem correlacionadas, isto é, a aparecerem conjuntamente no mesmo grupo de sujeitos.

De facto, os adolescentes que tomam regularmente o pequeno-almoço tendem a ter consumos elevados de grupos alimentares considerados essenciais para uma alimentação adequada, designadamente frutas e vegetais. A título de exemplo refira-se a correlação (positiva), encontrada no Pré-teste e Follow-up, entre o nº de vezes que as raparigas tomam o pequeno-almoço ao fim de semana e o consumo semanal de vegetais.

Note-se que a perda do hábito de tomar o pequeno-almoço é apontada no artigo de Gidding e colaboradores, de 2006, como uma das grandes mudanças alimentares verificada nos últimos anos, em países industrializados. E como se sabe, não tomar o pequeno-almoço leva a um aumento dos períodos de jejum, o que constitui um importante erro dietético (Cordeiro, 2009).

Em Portugal, apesar de tudo, a maioria dos adolescentes faz esta refeição, conforme menciona o Relatório do Estudo HBSC (Health Behaviour in School-aged Children), de 2010. Os resultados do presente trabalho confirmam este dado, como se pode concluir da análise dos respetivos valores médios.

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Relativamente aos comportamentos alimentares perturbados, encontrou-se, em raparigas, tanto no Pré-teste como no Pós-teste, uma correlação negativa com o nº de vezes que tomam o pequeno-almoço durante a semana. Este resultado pode ser indicativo de uma relação entre a restrição alimentar e os comportamentos alimentares perturbados, o que corrobora as ideias de que as dietas muito restritivas acarretam um risco aumentado de PCA (Koletzko, Girardet, Klish e Tabacco, 2002) e que a privação de alimentos autoinfligida

aumenta as preocupações com comida e alimentação (1996, citado por Ghaderi, 2001, p. 59). Por fim, e ainda relativamente às correlações entre as variáveis analisadas, é de

destacar a correlação negativa encontrada, em raparigas, entre o conhecimento nutricional e o consumo semanal de doces. Esta correlação verificou-se nos 3 momentos de avaliação. O consumo semanal de refrigerantes também surge correlacionado negativamente com o conhecimento nutricional, em raparigas, mas apenas no Pós-teste. Estas correlações não são, à luz do conhecimento atual, surpreendentes. Efetivamente, o conhecimento nutricional é suscetível de influenciar positivamente a alimentação (2009, citado por González, Penelo, Gutiérrez, & Raich, 2011, p. 131), de modo que a educação alimentar representa uma dos mecanismos mais importantes para a promoção de opções dietéticas saudáveis (Sachithananthan, Buzgeia, Awad, Omran, & Faraj, 2012). Portanto, um maior conhecimento nutricional está associado a regimes alimentares mais equilibrados, pelo que é expectável que adolescentes com valores mais elevados na variável NUT_TOTAL tenham consumos mais baixos de doces e refrigerantes, alimentos de elevado valor calórico e pobres do ponto de vista nutricional.

Em termos globais, é de referir que o programa não teve impacto na totalidade das variáveis em estudo, o que poderá, entre outras razões, estar relacionado com sua a curta-duração. De facto, como defendem Sachithananthan e colaboradores (2012), para que uma intervenção tenha um impacto significativo, é necessário que dure pelo menos 6 meses.

61 Ainda assim, pode considerar-se que a ação deste programa é benéfica, e que os resultados alcançados em Portugal reproduzem os obtidos nos vários estudos feitos com adolescentes espanhóis, em que os efeitos mais notórios foram ao nível da conduta alimentar, do conhecimento nutricional e dos comportamentos de risco para desenvolvimento de PCA (exemplo: dietas muito restritivas). De facto, à semelhança do que se verificou em Espanha, no estudo Raich e colaboradores (2008), houve um efeito positivo ao nível do conhecimento nutricional, tendo sido feitas alterações metodológicas com vista à potenciação deste efeito. E em relação à conduta alimentar também se concluiu ser vantajosa a aplicação do programa, o que está em consonância com estudos prévios, realizados em 2010 e 2011 pelas autoras do programa original.

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