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A aprendizagem faz parte de todo processo de desenvolvimento de vida dos seres humanos desde sua forma instintiva e intuitiva até os processos auto didáticos, ou seja, processos planejados e executados conscientemente a partir de necessidades pontuais e pré- estabelecidas, porém dentro de um contexto organizacional deve-se considerar ainda as regras e procedimentos institucionais estabelecidos por toda a entidade.
Para Silva (2009), a aprendizagem ocorre nos níveis individual, de grupo, organizacional e interorganizacionais e institucionaliza novas práticas, processos e sistemas nas organizações.
No que se refere à aprendizagem individual, Garvin (2002, p. 4) afirma que a maioria dos projetos, principalmente entre os adultos “é motivada por uma grande transição na vida, seja no lar ou no trabalho, e concentra-se em problemas específicos, além de ser relacionada a um desejo de auto renovação e crescimento pessoal”, e ratifica que os processos instintivos e intuitivos de aprendizagem prevalecem na infância.
Desta maneira, entende-se que existem processos de aprendizagem que ocorrem de forma tão natural que, muitas vezes, não são percebidos e ou reconhecidos pelo próprio indivíduo ou por outrem e que este, apesar de prevalecer no período da infância, não deixa de fazer parte do desenvolvimento do indivíduo ao longo da vida.
Por outro lado, existem aprendizagens que são nitidamente reveladoras e normalmente ganham mais ênfase pela valorização da aprendizagem formal, geralmente pensada e planejada. Por exemplo: um certo indivíduo resolve cursar Administração de empresas; presume-se que ele estabeleceu um projeto a ser aprendido motivado pelas necessidades de formação profissional, de construção de um universo de oportunidades de trabalho, de ampliar sua rede de relacionamento e, dentre outras, adquirir novos conhecimentos.
A aprendizagem individual dificilmente ficará isolada, pois, dentro de um processo natural, o indivíduo começará a apresentar ações referentes à aquisição e, naturalmente, poderá ocorrer um processo de sua transmissão e retenção por parte de outros indivíduos, onde uma vez retidos e adotados, resulta-se na aprendizagem em grupo, que não garante, por si só, a efetivação da aprendizagem organizacional.
Quanto à aprendizagem em grupo, Silva (2009, p.109 - 110) descreve que:
A passagem do nível individual para o de grupo é essencial para a compreensão do processo de aprendizagem, os grupos não são apenas o elo entre os níveis individual e organizacional, são fundamentais para a aprendizagem nas organizações porque fomentam a criação de uma visão compartilhada, que orienta o comportamento e delimita as ações das pessoas em um sistema social. É no grupo que a visão de mundo das pessoas é compartilhada, mediada e influenciada. Além disso, o grupo pode oferecer apoio emocional à aprendizagem individual.
Percebe-se que a aprendizagem em grupo exerce uma relevante contribuição para o fortalecimento das visões compartilhadas e para ultrapassar as fronteiras das visões individuais. A este respeito, Senge (2013) descreve que a prática da visão compartilhada congrega habilidades para descoberta de panoramas futuros que compartilhados estimulam o compromisso e o envolvimento, em lugar da simples aceitação, pois é difícil pensar em uma organização de excelência sem o compartilhamento efetivo das metas, valores e missões da organização.
Nesse sentido, cabe-nos indagar: - conhecemos a visão, a missão e os valores das entidades nas quais desenvolvemos nossas atividades laborais? Estas são profundamente compartilhadas? E mais, esta retenção pelos indivíduos e grupos passaram a fazer parte da memória organizacional. Estas respostas podem ou não aproximar a organização do que se entende por aprendizagem organizacional, apresentada nos parágrafos seguintes.
No que diz respeito à aprendizagem organizacional, considerada uma relevante mola propulsora para que as entidades possam estabelecer estratégias mais eficientes em seus processos de trabalho, Garvin (2002) entende que o primeiro passo na construção de uma organização que aprende é pessoal, os líderes precisam desenvolver suas próprias habilidades como aprendentes e se libertarem das experiências ultrapassadas e repetitivas, essa postura contribui para estimular os demais indivíduos. Para isso, Garvin (2002, p. 235) apresenta quatro requisitos principais: “1) abertura a novas perspectivas; 2) consciência de vieses pessoais; 3) imersão em dados não-filtrados e 4) crescente sentimento de humildade.”
Portanto, percebe-se que a aprendizagem individual, ao ser detectada em seus líderes, pode promover nos indivíduos uma potencial motivação para este tipo de aprendizagem.
Destaca-se, ainda, que a aprendizagem organizacional não é definida de maneira uniforme entre os teóricos que a estuda. Estas definições apresentam convergências e divergências. O Quadro 10 apresenta algumas dessas definições:
Quadro 10 – Definições de aprendizagem organizacional
AUTORES DEFINIÇÕES
FIOL e LYLES (1985, p.803)
Significa um processo de aprimoramento das ações por meio de melhor conhecimento e compreensão.
KIM (1993, p.43) É o aumento da capacidade de uma organização realizar ações eficazes.
HUBER (1991, p.89) Uma entidade aprende se, através de seu processamento de informações, a gama de comportamentos potenciais é ampliada.
ARGYRIS (1977, p.116)
É um processo de detecção e correção de erros. DAFT e WEICK
(1984, p.286)
É definida como um processo pelo qual se desenvolve o conhecimento das relações ação-resultado entre a organização e o ambiente.
LEVITT e MARCH (1991, p.319)
Considera-se que as organizações aprendem quando codificam inferências da história em rotinas orientem o comportamento.
STATA (1989, p.64) Aprendizagem organizacional ocorre através de insights compartilhados, conhecimento e modelos mentais...[e] se baseia no conhecimento e experiências passados – ou seja, na memória.
Fonte: Adaptado de Garvin (2002, p.11).
Por meio do Quadro 10, visualiza-se que nas diversas definições há ênfases: na mudança comportamental, em novas formas de pensamento, no processamento de informações, nos
insights compartilhados, nas rotinas organizacionais e na memória organizacional como
mecanismos pelos quais ocorrem o fenômeno da aprendizagem organizacional (GARVIN, 2002).
Na visão de Nevis et al e Crossan et al (1995 apud Silva 2009, p.97) o processo de aprendizagem organizacional
Se inicia no nível individual e passa pelo grupo até o nível da organização, institucionalizado por novas práticas, sistemas ou processos. Mas esse aprendizado organizacional não ocorre de forma linear. Existe uma multidirecionalidade, e isso implica em gerar aprendizado por meio do nível da organização, passando pelo nível de grupo até o nível individual.
Por intermédio dessa afirmativa, entende-se que a multidirecionalidade representa a possibilidade da aprendizagem ocorrer por caminhos diferentes, ou seja, as organizações
aprenderem a partir do indivíduo, bem como o indivíduo aprender por meio dos processos de aprendizagens já institucionalizados.
De acordo com Garvin (2002, p. 12), uma organização que aprende é definida como “uma organização hábil na criação, aquisição, interpretação, transferência e retenção de conhecimento, e também na modificação deliberada de seu comportamento para refletir novos conhecimentos e insights”. Isto é, uma organização capaz de criar, absorver e difundir conhecimentos transformando comportamentos é considerada de fato uma organização que aprende.
Nesse sentido, o surgimento de novas ideias, a aquisição de novos conhecimentos para viabilizá-las, a capacidade para interpretá-los e o compartilhamento com os indivíduos, representam as atividades que proporcionam os fundamentos da organização que aprende. No entanto, apenas quando as novas ideias, passam a estarem embutidas na “memória” organizacional, estruturadas por políticas, procedimentos e normas, de forma que lhe assegurem ao longo do tempo, é que se entende que ocorreu um processo de aprendizagem organizacional (GARVIN, 2002). O Quadro 11, apresenta os níveis de aprendizagem organizacional e suas características principais:
Quadro 11 – Níveis da aprendizagem organizacional
NÍVEL CARACTERÍSTICA
Individual Ocorre o processo de geração da aprendizagem, que envolve a aquisição de conhecimento por meio da busca de informações que subsidiarão a atribuição de significados. A geração da aprendizagem pode ocorrer por meio de imagens, metáforas ou ideias, e pode ser associada a um processo de educação e treinamento. A aprendizagem, neste nível, representa um processo que não envolve apenas a cognição, mas é influenciada pelos comportamentos e pelo contexto social em que ocorre. As experiências vividas pelas pessoas servem de background no processo de aquisição e contribuem para a atribuição de significados.
Grupo A compreensão e disseminação da aprendizagem são processos em que as pessoas iniciam a interpretação e integração de ideias na busca de uma percepção partilhada. Nesse momento, a discussão e a geração de ideias são essenciais para que a compreensão dos significados seja compartilhada por todos, e isso contribui para o estabelecimento do pensamento sistêmico e dos objetivos comuns. Logicamente, isso não significa que todos pensem da mesma forma, mas existir orientações comuns que foram discutidas e partilhadas por meio da geração da aprendizagem. A disseminação ocorre quando o grupo passa a integrar o resultado do processo no nível organizacional, o que contribui para a institucionalização de novos processos, procedimentos e comportamentos que influenciarão as ações de todos os agentes envolvidos direta e indiretamente com o processo de aprendizagem.
Fonte: Adaptado de Silva (2009, p.126 a 128).
Sendo assim, diversos modelos de aprendizagem organizacional foram propostos ao longo de décadas de estudos focados nesta área. Para saber se a organização aprende, Garvin (2002) propôs um teste, que apesar de não assegurar esta condição, demonstra que a ausência dessas características pode levantar sérias suspeitas de que não há a aprendizagem organizacional. Vejamos algumas indagações em relação à empresa: 1) Possui uma meta definida de aprendizagem? 2) É receptiva a informações discordantes? 3) Evita erros repetitivos? 4) Perde conhecimentos críticos toda vez que perde uma pessoa chave? Age com base naquilo que sabe?
Considerando o problema de pesquisa proposto para este trabalho: Que estratégias de gestão educacional são articuladas pela equipe gestora do PRONATEC no Campus João Pessoa do IFPB a partir dos processos de aprendizagem organizacional relacionados às questões da evasão e da permanência no âmbito dos cursos de formação inicial e continuada?, será necessário compreender a gestão dos processos de aprendizagem organizacional relacionados à permanência, à evasão e suas implicações para a gestão do Programa no Campus João Pessoa do IFPB. Neste aspecto, utilizaremos a estrutura proposta Silva (2009) em sua obra “Como os Gerentes Aprendem”, o qual propõe que as organizações para serem consideradas aprendentes devem considerar aspectos individual, de grupo, organizacional e intraorganizacional evidenciando-se, respectivamente: aquisição de conhecimento (experiência pessoal e ambiente institucional), discussão e compreensão, Organizacional Ocorre o processo de institucionalização da aprendizagem, que é a sistematização do
resultado da aprendizagem coletiva no ambiente organizacional. Nesse nível, a aprendizagem resulta em mudanças nos processos operacionais e gerenciais, na tecnologia, e também pode implicar em ajustes na estratégia ou até na cultura, sobretudo nos artefatos e valores.
Interorganizacional Ocorre por meio de parcerias entre organizações visando compartilhar práticas de trabalho, processos produtivos e inovação tecnológica. Nesse nível de aprendizagem, os processos de geração, compreensão, disseminação e institucionalização ocorrem entre agentes de várias organizações. A maneira como os relacionamentos entre os agentes são estabelecidos, assim como os processos de comunicação interorganizacional, assume papel determinante na criação de uma visão compartilhada, capaz de integrar elementos do sistema organizacional em busca de uma competência essencial de que cada empresa sozinha não dispõe. A combinação de conhecimentos, comportamentos e ações de várias organizações contribui para a geração de conhecimentos, comportamentos e ações similares em várias organizações, e isso indica que o processo de aprendizagem interorganizacional foi efetivado.
disseminação e institucionalização e o compartilhamento de práticas. Esta estrutura fará parte da elaboração de perguntas que comporão a entrevista.
Após o alcance da compreensão dessas aprendizagens, pretende-se levantar as estratégias de gestão educacional que são articuladas pelo Campus João Pessoa do IFPB e promover as análises correspondentes.
Neste contexto, a gestão educacional assume um papel relevante no processo de aprendizagem organizacional e na articulação de estratégias para potencializar a permanência e combater o fenômeno da evasão no PRONATEC.