A categoria desenvolvedor, conforme análise das entrevistas, possuí as seguintes subcategorias: conhecimento sobre o tema educação e o processo educacional, conhecimento da legislação de EAD, conhecimento sobre tecnologia hardware de EAD, servidores e banco de dados, conhecimento sobre tecnologia de sistema WEB e a arquitetura do sistema, conhecimento sobre desenvolvimento de sistemas específicos para Internet, conhecimento sobre as formas de disponibilização das informações e conteúdos, desenvolvimento de animações e jogos, adaptação do conteúdo ensinado para o contexto Web, conhecimento sobre o conceito de projeto, experiência de mercado e formação em TI.
O primeiro ponto que merece destaque ao se pensar em um grupo que irá trabalhar com EAD é o conhecimento sobre educação e o processo educacional. Mesmo que seja um profissional de Tecnologia da Informação (TI) é necessário que ele entenda o conceito de educação, sua importância e os aspectos que envolvem esse tema, como a legislação específica para EAD.
[...] Montar um EAD, um grupo de EAD, quem vai entregar EAD para a sociedade aí, como unidade, acho fundamental ter conhecimento em educação, independente da área, independente do humanas, exatas ou biológicas ou qualquer área dentro dessas áreas. Ele precisa entender a educação, ele precisa entender a legislação [...] Entender tanto como funciona o EAD, saber fazer funcionar e aí depende muito do que ele sabe do software e do que ele sabe do hardware. Isso em todos os níveis, tanto de quem vai gerar o conteúdo, como de quem vai coordenar, como de quem vai manipular o conteúdo para o aluno. [...] (Ges1)
[...] ele tem que ter algum tipo de compreensão sobre o processo educacional, especialmente processo educacional em EAD. Pede mais flexibilidade, mais interação. Então, por exemplo, não dá para ser um maníaco de segurança. O aluno EAD pede um pouco mais de navegação solta, digamos assim. Tanto de liberdade de
sites, upload, download. Então tem que criar formas de garantir a segurança sem tolher a liberdade do aluno e do professor. (Esp2)
Ao tratar especificamente do grupo de desenvolvimento de EAD, os conhecimentos estão focados na tecnologia quando se trata do grupo que irá trabalhar na arquitetura do sistema, como conhecer o hardware utilizado na IES, estrutura de servidores, a estrutura de banco de dados, o sistema WEB. Deve conhecer, também, os softwares instalados, suas configurações, como trabalhar nessa ferramenta, seus códigos e configurações. O profissional dessa área deve conhecer a melhor forma de dimensionar a estrutura de hardware e software considerando o volume de usuários que irão utilizar a ferramenta. Em relação a segurança da estrutura de EAD, o profissional desta área deve ter a habilidade de garantir a segurança do sistema, sem tirar a liberdade do professor e do aluno.
[...] Desenvolvedor tem que entender do software e do hardware. [...] (Esp2) [...] Tem a parte tecnológica. Como eu disse, tem o pessoal que vai trabalhar com a parte de infraestrutura. Então, precisa de conhecimento de servidor, de banco de
dados, sistemas web, assim por diante. [...] Você tem as pessoas ligadas à parte de
Tecnologia da Informação. Então, precisa conhecer bem banco de dados, sistemas web, desenvolvimento de sistemas específicos para Internet.[...] (Esp3)
[...] Bom, o primeiro conhecimento é da arquitetura de sistemas, né? quando eu falo arquitetura é desde o desenvolvimento de código, a hospedagem desse produto, aonde que vai ser hospedado, tipo de infraestrutura, como que vai ser. Então a pessoa tem que ter uma noção muito boa de como locar esse tipo de serviço, porque não adianta nada a gente contratar uma usina hidrelétrica se o nosso sistema tá mal configurado, se ele não tá adaptado pra receber uma quantidade grande de usuários. Esse pra mim, é o conceito de arquitetura. [...] (Des)
No grupo de desenvolvimento aparece a atividade do designer instrucional que segundo Moreira (2009) é o profissional com um perfil interdisciplinar, em especial nas áreas de educação, comunicação e tecnologia e acompanha o processo desde o planejamento até a avaliação de um curso ou de uma atividade de EAD. Esse profissional precisa ter a habilidade de mediar a parte pedagógica da produção do material didático com a área de TI e garantir a autonomia do aluno na ferramenta tecnológica.
[...] designer instrucional, que são pessoas já com experiência de Educação a Distância e que fazem a mediação entre a produção didática do professor, o web designer e empresas especializadas. [...] (Esp2)
[...] Então nós temos que ter um grupo habilitado, por exemplo, para a produção de materiais. É preciso ter um design instrucional, que compreenda que o material do EAD não é o mesmo material do livro didático, por exemplo. Que é um material que precisa ser intuitivo, que o aluno precisa achar a informação, que ele precisa ter a resposta no próprio material. E essa resposta precisa estar à mão. Ele precisa entender, esse design instrucional, que o material tem que ser desenhado justamente para aquilo que a gente falou, para garantir a autonomia, para ensinar o aluno a ter autonomia. Então, um grupo de design institucional, um grupo de técnicos, de designers mesmo, que desenvolvam materiais interativos, que o layout, que o visual desse material seja... Que o aluno tenha uma visualização desse material fácil, rápida. [...] (Ges2)
[...] E por último, que eu acho que é o terceiro item e mais importante hoje me dia, em se tratando de EAD é questão instrucional do ambiente. A questão instrucional, ela não é um privilégio técnico, mas o profissional de tecnologia de EAD, ele precisa ter um pouquinho deste conhecimento. [...] onde vai orientar a questão de
disponibilização das informações, a disponibilização de conteúdos informativos,
inclusive, eu acho que também é onde mais pecam por aí, algumas instituições, é a disponibilização do conteúdo, né? Então você tem que ter um profissional capaz de enxergar pronto pra web, pronto para EAD, pronto pra se adaptar ao seu LMS. [...] (Des)
A equipe de desenvolvedores precisa saber adaptar o conteúdo ensinado para o contexto da WEB, trazendo mais interação com o uso de animações e jogos.
[...] a equipe de designer, de desenvolvedores, de ilustradores para adaptar esse
conteúdo para um contexto web. Tem o pessoal específico em desenho, específico
em animação, específico em desenvolvimento de jogos para formatar esses materiais numa linguagem adequada à Internet. [...] (Esp3)
A equipe de desenvolvimento deve conhecer o conceito de projeto, conforme explicado pelo Desenvolvedor “O conceito de projeto, porque, querendo ou não, isso envolve um começo, meio e fim. Pra nós, desde a carga de usuários, desde a integração de professores, desde como tratar as notas dos alunos, é um ciclo de projeto.”
Os tutores destacaram a necessidade de experiência de mercado e a importância da formação em TI.
[...] Tem que ter experiência de mercado e tem que ter a visão de que essa experiência transformada pro ambiente EAD [...] (Tut2)
[...] É importante ter o curso, eu não sei te falar se é de TI, eu acredito que sim, que tenha esse curso, né? E esses profissionais, eles estão qualificados, pelo menos os daqui da IES, os poucos que eu converso, eles fizeram esse curso. [...] (Tut1)
Categorias Subcategorias Definição
CHT Conhecimento sobre tecnologia hardware de EAD, servidores e banco de dados CHW Conhecimento sobre tecnologia de sistema WEB e a arquitetura do sistema
CHD Conhecimento sobre desenvolvimento de sistemas específicos para Internet CHE Conhecimento sobre o tema educação e o processo educacional CHP Conhecimento sobre o conceito de projeto: a carga de usuários, a integração de
professores, etc.
CHL Conhecimento da legislação de EAD
CHC Conhecimento sobre as formas de disponibilização das informações e conteúdos
DAJ Desenvolvimento de animações e jogos
SAC Adaptação do conteúdo ensinado para o contexto Web.
EED Experiência de mercado
FTI Formação em TI
Quadro 14 : Competências individuais do Desenvolvedor - IES pesquisada Fonte: elaborado pela autora
DESENVOLVEDOR
Na sequência serão abordadas as competências do gestor, que trabalha promovendo a ligação entre a equipe pedagógica, com um foco maior no ensino, e a equipe de desenvolvedores, como um foco maior na tecnologia.