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Teknologi – selvstendig eller kontrollert av mennesker?

5. Hvordan forstå svarene fra elevene? – analyse og diskusjon

5.2 Teknologi – selvstendig eller kontrollert av mennesker?

No início do mês de julho de 2008, depois de algumas explicações sobre o que se tratava a minha pesquisa etnográfica, os artistas plásticos do Morro da Conceição permitiram que eu participasse de uma de suas reuniões. Naquela circunstância, alguns representantes da Banda da Conceição também estavam presentes. Envolvidos com a organização do Projeto Mauá, os artistas discutiam também sobre mobilizações maiores pelas quais passava a zona portuária, onde estava localizado o morro, e que até aquele momento não me eram claras. A necessidade de divulgação daquele circuito artístico os inseria no contexto dessas outras mobilizações, o que estimulava o debate sobre o que se podia esperar do Projeto Mauá daquele ano.

Assim, os artistas dividiam-se entre questões de ordem prática – como as articulações necessárias para que o evento pudesse ser realizado, o público que se pretendia atingir, o lugar que um projeto como aquele começava a ocupar no cenário mais amplo dos eventos artísticos da cidade – assim como também se preocupavam com as negociações que deveriam acontecer internamente ao morro, no contato com os moradores64. Em meio às acaloradas discussões sobre o contato entre os artistas

plásticos e os demais moradores, as opiniões eram muito divergentes. Especificamente, existiam três pontos na pauta daquela reunião que geravam muitos comentários: a data

64 O Projeto Mauá lotava as ruas do morro com visitantes vindos de toda parte e isso, eventualmente, interferia na vida dos moradores locais que se incomodavam com o número de pessoas.

58 em que aconteceria o evento, o uso da palavra “morro” na divulgação do circuito artístico e as mobilizações da zona portuária.

Na tentativa de não causar muitas indisposições com os outros moradores, alguns artistas sugeriram que o Projeto Mauá fosse realizado na mesma data da Festa de Nossa Senhora da Conceição, momento em que grande parte do morro já estava preparada para receber um público visitante. Desde o ano de 2007, essa havia sido a “estratégia” encontrada para diminuir os comentários de censura dos demais moradores. E ainda, na ocasião, os artistas propuseram uma parceria com o grupo de mulheres

Eterna Juventude, para que elas viessem a se juntar ao evento com o bazar que costumeiramente organizavam para o dia da procissão em homenagem à padroeira. Tendo em vista o sucesso do ano anterior, para o evento de 2008 os artistas decidiram convidar também a Banda da Conceição para compor o programa de atividades.

Contudo, a concentração de eventos tão distintos em uma mesma data causava desentendimentos entre os próprios integrantes do grupo de artistas, assim como não agradava a muitos moradores. Na visão de algumas pessoas, por se tratar de uma tradição religiosa, as comemorações de Nossa Senhora da Conceição tinham um caráter

sagrado que não deveria ser violado por visitantes que estavam ali apenas por

especulações turísticas e comerciais65.

No que dizia respeito à divulgação do evento, alguns artistas acreditavam que anunciar que o Projeto Mauá acontecia no Morro da Conceição poderia gerar muitas

críticas e obstáculos. A recorrência da associação entre a palavra “morro” e a idéia de

favela poderia afastar o público prejudicando a realização do circuito artístico. Nesse sentido, alguns artistas sugeriam que a divulgação fosse feita usando o nome Alto da

65 O bazar do grupo de mulheres não cabia nesse tipo de avaliação e comentário porque era algo que acontecia tradicionalmente na intenção de se arrecadar dinheiro para as procissões dos anos seguintes, de tal maneira que, antes da união dos eventos, a maioria dos artesanatos era vendida mais para os moradores locais, como forma de ajuda à festa da padroeira, do que para os visitantes.

59 Conceição, em vez de morro, e outros pensavam em levar essa proposta adiante para

que efetivamente o nome do local fosse mudado. Não se vence um preconceito com

outro preconceito, dizia irritado o artista plástico Guenther Leyen. Em adição à fala de Guenther, outros artistas diziam que uma ação como aquele demonstrava apenas um

profundo desconhecimento da lógica local. Frigi, representando a Banda da Conceição, aproveitou o momento para questionar o que os artistas pretendiam com um evento daquele tamanho, com tanta abertura e exposição do morro. Como resposta aos seus questionamentos ouviu de alguns participantes do Projeto Mauá que a comunidade do Morro da Conceição precisava ser mais flexível para receber um evento como aquele que não só “proporcionaria lazer aos próprios moradores como também faria do morro

um lugar mais conhecido pelos próprios cariocas”.

Frigi completou dizendo que a população local necessitava mesmo de momentos de lazer, por isso ele liderava o “movimento de recuperação” da banda, todavia isso não significava nem que a população fosse carente, nem que o morro precisava ser aberto a um evento tão enorme para incorporar toda a zona portuária e mais todos os outros visitantes, por tais motivos ele não entendia a necessidade de se trocar o nome do lugar para Alto da Conceição. Na continuação das discussões, o artista plástico Marcelo Frazão falou sobre as propostas de “revitalização” da zona portuária:

“Já de saída não concordo com este termo “revitalização”, só se revitaliza o que está morto e a zona portuária está viva, muito viva!”

Exatamente por não ser claro o que se escondia por trás do termo “revitalização”, os participantes daquela reunião entendiam que era preciso acompanhar as propostas de recuperação daquela área e isso deveria ser do interesse de todos os integrantes do Projeto Mauá, para frisar a existência de tal evento artístico-cultural na região, assim como deveria ser preocupação de todos os moradores do Morro da

60 Conceição, pois o posicionamento claro frente às políticas de reforma permitiria uma maior participação no processo.

Por mais divergentes que fossem os entendimentos entre os artistas plásticos e os outros moradores acerca da “abertura e exposição” do morro, havia um interesse comum no que se referia às propostas de revitalização da zona portuária. Era preciso marcar a posição e a existência do morro naquele contexto de reformas, assim como também era necessário assinalar o pertencimento ao local. Mais do que isso, era preciso avaliar quais seriam os limites daquelas intervenções de modo a reduzir os impactos para os moradores. Entretanto, apesar das opiniões serem convergentes nesse ponto, as ações de exposição do morro a partir do Projeto Mauá criavam conflitos. E como este evento tocava em questões mais “profundas” das tradições locais, como a Festa de Nossa Senhora da Conceição, e atingia uma rede maior de atores (participantes da banda, grupo de mulheres) os conflitos reverberavam de forma mais explícita.

Assumindo um formato público, esses conflitos colocavam-se como divisa das relações entre os diversos agrupamentos que surgiam pelo Morro da Conceição e também serviam para classificar e refletir sobre os próprios atores. As sociabilidades serviam como pano de fundo para o surgimento de conflitos desse tipo porque possuíam uma dinâmica que realçava as tensões.

Os conflitos externos