4.2 TED vs DMSP
4.2.4 TED vs DMSP electron flux spectra
A drenagem de uma bacia hidrográfica é constituída pelo canal principal de escoamento e respetivos afluentes (Figura 4). A quantidade de água depende da sua capacidade de alcançar os cursos de água existentes. Podem assim variar em função do tipo de uso e ocupação dos solos, da precipitação total em determinada zona e ainda devido às diversas perdas devido a infiltrações, evapotranspiração e retenção superficial (Lança et al, 2001).
10 Figura 4 – Rede de drenagem de uma bacia hidrográfica
Fonte: FEAM, 2006
O estudo das características e funcionamento de uma bacia hidrográfica e o cálculo de caudais afluentes a uma determinada estrutura de drenagem implica conhecer a porção de precipitação que resulta em escoamento superficial. De acordo com Chow et al. (1988), os fatores que influênciam o escoamento superficial numa bacia hidrográfica, podem ser agrupados em dois grupos: climáticos e fisiográficos conforme ilustra a tabela 1.
11 Tabela 1 - Fatores condicionantes do escoamento superficial
Grupo Tipo Fatores
Climáticos
Precipitação
Modalidade (chuva, neve, granizo, orvalho, neblina ou geada), distribuição no tempo e no espaço, frequência de ocorrência, direção dominante das tempestades, precipitação precedente e humidade do solo.
Evaporação Temperatura, vento, pressão atmosférica, natureza e
superfície de evaporação.
Transpiração Temperatura, radiação solar, vento, humidade do ar,
humidade do solo e tipo de vegetação.
Fisiográficos
Características da bacia
Geométricas – forma, tamanho, declive, orientação e elevação.
Físicas – cobertura e utilização do solo, tipo do solo, infiltração, permeabilidade, topografia e capacidade de formar lenços freáticos.
Caraterísticas dos cursos de água
Capacidade de escoamento: dimensão da secção transversal, forma da secção transversal, declive, rugosidade, caraterísticas da rede hidrográfica e comprimento do curso de água.
Capacidade de armazenamento. Fonte: Chow et al.,1988 (adaptado)
A quantidade de água , usualmente denominada precipitação útil ou efetiva , é o resultado da diferença entre a quantidade de água precipitada e as perdas para o escoamento superficial por Interceção, Retenção, Infiltração e Evapotranspiração.
Interceção: parte da água que, durante uma determinada chuvada, não chega a atingir o solo porque é intercetada pela vegetação e/ou construções existentes; Retenção: parte da precipitação que atinge o solo e que fica retida nas várias
12 Infiltração: a água que se infiltra e que escoa até atingir a camada não saturada do solo, ou percola verticalmente até atingir a camada saturada do solo, reforça as reservas subterrâneas e constitui as perdas por infiltração que representam a maior perda para o escoamento superficial.
Evapotranspiração: forma pela qual a água da superfície terrestre passa para a atmosfera no estado gasoso. Este processo envolve a evaporação de água de superfícies de água, tais como os rios, lagos, ocenanos, dos solos, da vegetação e a transpiração das plantas.
Quando a água se escoa superficialmente ao longo das encostas da bacia, convergindo para pequenas linhas de água que, por sua vez, se vão unindo e formando linhas de água cada vez maiores, constitui a rede de drenagem da bacia hidrográfica. Este fenómeno acontece quando a capacidade de interceção, retenção e infiltração do solo é ultrapassada (assumindo que o efeito da evapotranspiração é pouco significativo durante os períodos de precipitação).
Os cursos de água podem ser classificados, recorrendo à constância de escoamento, que permite a classificação em perenes, intermitentes e efémeros (Lencastre et al., 1992):
Cursos de água perenes: existe um escoamento em todo o ano, nunca descendo o nível freático abaixo do nível do leito do curso de água.
Cursos de água intermitentes: regra geral escoam nas estações mais húmidas, pois o nível freático mantem-se acima do leito do curso de água (na época seca, verifica- se o abaixamento do nível freático, descendo para níveis mais baixos que o curso de água, cessando assim o escoamento ou ocorrendo o mesmo durante ou imediatamente após precipitação mais intensa).
Cursos de água efémeros: existe apenas durante ou após períodos de precipitação, mantendo apenas o escoamento superficial, uma vez que o nível freático se situa sempre a um nível inferior ao leito do curso de água.
O sistema de drenagem de uma bacia hidrográfica pode ser descrito de forma qualitativa através do padrão de drenagem e de forma quantitativa através dos parâmetros: número de ordem e densidade de drenagem (Shaw, 1994).
13 As drenagens possuem padrões diferentes, sendo classificadas do seguinte modo (Summerfield, 1991):
Drenagem dendrítica: apresenta um desenvolvimento semelhante à configuração dos ramos de uma árvore, onde os rios confluem em braços agudos, formando várias ramificações. Este padrão desenvolve-se tipicamente sobre rochas de resistência uniforme tais como as sedimentares com acamamento horizontal e rochas ígneas ou metamórficas sem orientações preferenciais e nem foliações.
Drenagem em treliça: os rios principais consequentes correm paralelamente e recebem rios subsequentes, que fluem transversalmente aos primeiros. Por sua vez, subsequentes, recebem afluentes obsequentes e ressequentes.
Drenagem retangular: constitui uma variedade da drenagem em treliça, caracterizada pelo aspecto ortogonal devido às bruscas mudanças em ângulo reto nos cursos fluviais, tanto nos principais, como nos tributários. Este padrão é consequência da influência exercida por falhas ou pelos sistemas de diaclasamentos que propiciam uma rede de cursos em moldes geométricos que convergem em ângulos quase retos.
Drenagem radial: formada por correntes fluviais que se apresentam como raios de uma roda em relação a um ponto central. Esta pode ser do tipo centrífuga, quando os rios divergem a partir de um centro mais elevado irradiando-se por várias direções, e do tipo centrípeto, quando os rios convergem para um ponto central mais baixo.
O número de ordem dos cursos de água permite-nos demonstrar o grau de ramificação ou bifurcação existente dentro de uma bacia hidrográfica. Serão considerados de primeira ordem, os cursos de água que não possuem afluentes. De segunda ordem, os que resultam da união de dois cursos de água de primeira ordem, e assim sucessivamente (Wanielista 1990).
Por sua vez a densidade de drenagem exprime a relação entre o comprimento total dos cursos de água e a área total da bacia. É um parâmetro que varia diretamente com a extensão do escoamento superficial e indica a eficiência da drenagem natural da bacia (Lança et al, 2001).
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