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Technical minutes from the Review Group for OSPAR

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Bibliotecas, etimologicamente, são espaços onde se guardam livros. Os mais antigos lembram, com certeza, de que cada casa (eram casas, não apartamentos os locais de residência das pessoas, antigamente) tinha uma biblioteca que, por sua vez, seguramente, era o lugar mais imponente da habitação. Os livros que a compunham eram manuseados, talvez uma vez ou duas por mês, pela faxineira, que se dedicava a espaná-los, um a um, tirando o pó que teimava em se assentar sobre eles.

Bibliotecas também são locais cheios de regras, onde se perpetram castigos (- se não se comportar, vai já para a biblioteca), e se cultiva a inamovibilidade dos livros e a importância do silêncio opressor em suas dependências: só se ouvem sussurros e pisados em pontas de pés em seus corredores. As horas não passam quando se está lá.

De diversos formatos, austeras, pesadas, amedrontadoras, sombrias, frias, intimidatórias, as bibliotecas de outrora costumavam ser umas salas enormes, estilo convento, que se escondiam por detrás de portas impenetráveis e que qualquer tipo de comunicação oral entre as pessoas era proibido; o silêncio era tão denso que quase podia ser visível a olhos nus. Assim, destituídas de vidas, seguiam, impassíveis, quer fossem públicas, escolares ou privadas, ocupando espaços, devorando recursos e o tempo de seus cuidadores, sem que nenhum benefício pudesse advir desses “elefantes brancos” do saber estático. Imperava o paradigma da conservação e preservação como fins em si mesmos.

A pós-modernidade, com a velocidade e o dinamismo que impôs à vida humana, com as exigências tanto de conhecimento, quanto de informação, coadunados com todos os problemas e crises educacionais, sociais e econômicas que caracterizam o cotidiano atual, não comporta mais esse tipo de instituição decorativa, destituída de uma funcionalidade que atenda às demandas atuais.

Assim, novas e revolucionárias concepções e idéias foram se formando ao redor de uma biblioteca, subvertendo toda a sua história: passou-se a pensar os livros como instrumentos a serviço das pessoas, e não o contrário; a biblioteca assumiu o status de local em que, juntamente com os livros, moram também os sonhos, os desejos e expectativas de cada leitor, em potencial que busca nesse ambiente saciar sua sede de saber, de curiosidade e de lazer.

A biblioteca escolar, mesmo atualmente, quando há todo um contexto predisponente a encarar esse espaço como de extrema importância para a realização de sua função educativa, ainda é um local em que costumam imperar algumas das práticas arcaicas de suas congêneres de então.

Servidores readaptados (com problemas de saúde e de difícil convívio), em fim de carreira ou com problemas de saúde que as impedem de estar em sala de aula, que não conseguem se adaptar em nenhum outro local, costumam ser a essência dos “bibliotecários”, principalmente nas escolas públicas. Fato este que tem dificultado a implementação de mudanças de atitudes, como, por exemplo, a simples manutenção da biblioteca aberta em horários que não coincidam com o horário de aulas dos alunos.

Vale mencionar que não se pretende, neste estudo, descer a detalhes e entrar no mérito da questão da adequação ou não dos profissionais que estão à frente desses espaços na atualidade, principalmente por se tratar de questão que transcende a competência da pesquisadora. A referência a essas questões é necessária, porquanto, além de conhecidas e objeto de inúmeras pesquisas no meio científico, realmente interferem em qualquer trabalho que se deseje empreender tomando a biblioteca como ponto de partida, entendimento já pacificado e conhecido.

Dizem que ler é mais importante para a aprendizagem do que propriamente estudar, opinião partilhada por esta pesquisadora. E que o relacionamento dos leitores com os livros – ou destes com os leitores, como observa Ribeiro (2001, p. 33) depende, em parte, “[...] da trajetória que o livro faz até nós ou que nós fazemos até ele [...]”. Isso porque, para o referido autor (Id. Ibid.), “se vai haver entrosamento, vínculos, amor à primeira leitura, nós só saberemos manuseando-o, descortinando o conteúdo de suas páginas”.

Pesquisa realizada em Denver, nos Estados Unidos, revela que “[...] estudantes de escolas que mantêm bons programas de bibliotecas aprendem mais e obtêm melhores

resultados em testes padronizados do que alunos de escolas com bibliotecas deficientes”. (ANDRADE, 2005, p. 13).

Justifica-se mencionar essa pesquisa pelo fato de que, como bem observa Kuhlthau (2004), são muitas as crianças, em especial as brasileiras, que chegam às escolas sem que tenham tido sequer uma experiência agradável, ou não, com livros e bibliotecas.

Em sendo a biblioteca escolar, na maioria das vezes, um mero depósito de livros, cabe unir esforços em torno da remodelagem desse espaço, para dotá-lo de vida e cooptá-lo como cúmplice no processo de formação dos leitores, facilitando, dessa forma, a construção de um trajeto livre, indo e vindo, que permita e incentive encontros e mais encontros entre educandos e livros, posto que, como afirma Borges7 apud Ribeiro (2001, p. 34), livros se

alimentam de livros, e “[...] um livro remete a um outro livro e este faz alusão a um terceiro, que nos faz desembocar num outro livro totalmente diferente, numa cadeia interminável de ligações e de referências”.

Sob essa óptica, é analisar cada detalhe que compõe esse espaço, ressignificando- o e, por seu intermédio, construindo um novo em que a formação de leitores e o despertar do gosto pela leitura passe a ser a tônica de sua existência: a organização e adequação dos espaços e do acervo, de modo a atender os seus diversos públicos, o atendimento em si, que deve dar conta da criança, do jovem e do adulto que a procuram, a mediação leitora, como um meio e não um fim, contemplando as especificidades de formação de quem vai realizar o trabalho estratégico de uma biblioteca.

O espaço que se deseja cúmplice é aquele que se disponibilize e a seus recursos para a conquista primeira de construção e reconstrução de sentidos, mediante a acolhida, quer dos arroubos literários, quer dos primeiros passos timidamente ensaiados, de potenciais que queiram partilhar de suas experiências, consigo próprios ou com terceiros, em suas dependências.

O espaço que se pretende cúmplice é, também, aquele que conquista, que atrai os educandos tanto para si, como o epicentro, o coração da escola, como para a leitura, que deve deixar o seu aspecto didático e se transformar no supra-sumo do prazer; um espaço que interaja com salas de aula, professores e gestores, e que se indague o tempo inteiro acerca da responsabilidade que lhe compete, de sua aptidão para lidar adequadamente com os seus

7 BORGES, Jorge Luís. A biblioteca de Babel, GHARBONNIER, Georges (Org.). Entrevistas com Jorge Luís

usuários, com o acervo que a integra, com a teia de relações com seus diversos públicos, formando uma malha de compartilhamento, integração e interdependência.

No entanto, nada disso será possível se a escola não atender a algumas condições consideradas essenciais para a transformação e recriação da biblioteca como espaço de leitura e de formação leitora, por excelência, crucial para o que Campello (2005, p. 11) denomina de experiências criativas de uso da informação:

Diversidade de gêneros e materiais de consulta nas diversas áreas do conhecimento, inclusive para empréstimo; presença de livros variados também nas salas de aula, como um “cantinho da leitura”; momentos de leitura livre; e, sobretudo, adotar a formação leitora como filosofia de toda a escola, que ocorre em cada contato com o aluno com qualquer educador da escola, não só o professor de português.

2.3 Critérios indicativos e norteadores da seleção dos textos que irão instruir a contação

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