2. Teori
2.3 Oppstartsfasens betydning for teamprestasjoner
2.3.3 Teamkontrakt
“O trono cai. Viva a República! Abaixo o nome desse burgo Chamado de ‘Curral Del Rei’! à falta de melhor batismo Já no Clube Republicano vai José Carlos Vaz de Melo propor e expor alternativa Mas o nome predestinado Ocorre a mestre Luiz Daniel E o que decreta João Pinheiro (calendário doze de abril). mil oitocentos e noventa)
nos enternece por decreto de devoção amor orgulho e tudo mais: Belo Horizonte”
Henriqueta Lisboa
A idéia de mudar a capital de Minas Gerais de Ouro Preto para outro local não era nova. Mas foi somente na última década do século XIX que houve um consenso nas classes dominantes quanto à necessidade de mudar a capital para um local que fosse condizente com a nova fase republicanista e progressista em que o país estava vivendo. Le Ven (1977, p. 19) explica essa situação:
“Solidificando o modo de produção capitalista no campo, principalmente pela abolição da mão de obra escrava, e dadas as novas condições de relativa autonomia dos Estados depois da proclamação da República, que ao nível jurídico-político tanto carecia a ex-província, é criado o clima necessário para a concretização da idéia de mudar a Capital para Belo Horizonte ...”
Julião (1996), confirma a citação acima, ao afirmar que Belo Horizonte figurou como obra simbólica de maior envergadura da República em Minas Gerais. Embora a idéia de mudança da capital fosse antiga, o advento do novo regime constituiu um momento propício para que as elites mineiras concretizassem o projeto.
“A atmosfera de incerteza política e de efervescência ideológica dos primeiros anos da República, em meio à necessidade de legitimar, sem dúvida, delineou um horizonte favorável ao gesto de construção de uma nova cidade-capital.” (Julião, 1996, p. 49)
Novas forças econômicas, representadas pelas zonas cafeicultoras das Zonas da Mata e do Sul, emergiram com República. Os grupos representativos dessas forças iniciaram uma luta para obtenção do Poder Político, contra a zona de mineração, tradicional centro político.
Viveu-se, então, um período agitado no qual lutas traduziam as diversas posições das elites dominantes de diferentes regiões de Minas. O Grupo do Norte, representado por
Afonso Penna, então Senador da República, propunha que sua zona, localizada no Vale do Rio Doce, deveria ligar-se a algum centro econômico próspero do Espírito Santo, através da criação de um centro agro-exportador similar ao da Mata e do Sul ligados respectivamente ao Rio e São Paulo. Entretanto, o Presidente do Estado, Augusto de Lima, defendia a mudança da capital para Belo Horizonte.
Os grupos do Sul e da Mata eram inimigos da localização do centro do poder em Ouro Preto, apresentando como argumentos contrários as dificuldades que a topografia da cidade acarretava; a incapacidade do Município em arcar com as despesas da capital; a improdutividade dos solos das áreas vizinhas; o desvio dos recursos do Estado para custeamento das obras da capital; as dificuldades e as elevadas despesas em transformar o local em centro do sistema viário estadual. Ouro Preto representava a velha ordem econômica e política, fruto de um governo opressor e centralizador e, portanto, deveria ser substituída por uma nova ordem representada pelas Regiões da Mata e do Sul, que se destacavam como importantes regiões econômicas do Estado. A cidade de Juiz de Fora, centro econômico e político da Zona da Mata, representava essas novas forças econômicas com ideais republicanos.
No entanto, as zonas da Mata e do Sul não possuíam a maioria dos votos no Congresso Mineiro, e poderia acontecer ou a separação do Estado de Minas Gerais ou a transferência da capital para um lugar mais próximo aos interesses imediatos dessas zonas. Elas acabaram por indicar, como novo local para a capital, a Várzea do Marçal ou suas proximidades.
Barreto (1996) apontou que o senador José Pedro Drummond pronunciou discurso favorável a Belo Horizonte no Congresso Mineiro em Barbacena, através de uma argumentação lógica não apenas firmada em conhecimentos e observações próprias,
como também nos pareceres da comissão técnica. O senador alegou que o local possuía, em função da disposição de seu terreno, altitude média, clima temperado, abundância e qualidade física das águas, facilidades de esgoto e riquezas naturais, condições que propiciavam a construção da nova cidade. Segundo Mourão (1970, p. 20), dentre as três localidades estudadas para a futura capital - Várzea do Marçal, Paraúna e Belo Horizonte, a comissão encarregada dos estudos sobre elas, chefiada por Aarão Reis, escolhera a primeira. Mas a proposta do Dr. José Pedro Drumond ao Congresso Mineiro favoreceu a escolha de Belo Horizonte.
“A escolha de Belo Horizonte foi portanto uma solução de compromisso. Para não ser o Vale do Rio Doce, nem a Várzea do Marçal, uma terceira solução seria vencedora. O resultado da luta entre zonas decadentes e zonas prósperas do Estado destinou Belo Horizonte a ser a nova capital do Estado.” (Le Ven, 1977, p. 23)
Os defensores de Belo Horizonte afirmaram que a nova capital seria sinal de um novo tempo, como centro de desenvolvimento intelectual e de novas formas de riqueza e poder. Em conseqüência, seria foco de irradiação da civilização e do progresso, um lugar moderno, higiênico e elegante, capaz de consolidar um poder vigoroso e assegurar a unidade política do Estado. (Julião, 1996, p. 50)
Por meio de votação, Belo Horizonte venceu por dois votos sobre a Várzea do Marçal. Assim, representou uma terceira solução, resultado da luta entre zonas decadentes e zonas prósperas do Estado.
“Foi realmente destruída a velha ordem política ligada à mineração. As forças dinâmicas ascendentes vão saber se reagrupar na nova cidade; são elementos do Sul e da Mata, comerciantes de Ouro Preto, todos ligados a uma perspectiva modernizante, com base economicamente agrária e politicamente republicana.” (Le Ven, 1977, p. 29)
Teve início assim, em 1893, a construção da primeira cidade planejada do Brasil: Belo Horizonte, que na época era uma localidade conhecida como Curral d’el Rey. O
Presidente do Estado contratou uma Comissão Construtora encarregada de planejar e executar a construção da cidade - na época foi denominada como Cidade de Minas - sob a direção do engenheiro Aarão Reis.
“Aarão Reis era um engenheiro que já havia estado em outras cidades do mundo, principalmente em Paris, estudando as inovações urbanísticas mais modernas e avançadas da época. Aliado a isto, o engenheiro era um positivista de posições firmes chegando mesmo a elaborar vários textos onde discutia o papel do Estado, a sociedade, questões políticas e econômicas ...” (Silva, 1991, p. 11)
Belo Horizonte, então, foi construída sob uma forte influência positivista. O positivismo era uma corrente forte do século XIX, e assumiu no Brasil uma idéia ligada à ordem e ao progresso. O ideal de progresso era representado pela modernização da sociedade, através da elaboração de novas técnicas, do desenvolvimento da indústria e das comunicações. A cidade, então, deveria ser moderna, desenvolvida e civilizada, no sentido de não apresentar conflitos sociais, como descreve Silva (1991, p.12):
“Um plano estava sendo proposto a partir de uma realidade exterior ao espaço onde seria implantado, com uma concepção de que a sociedade se moldaria ao espaço já estruturado, e o Poder Público o executaria como uma estratégia de ação político-administrativa. A forma da cidade, neste caso, não estava se conformando como uma testemunha do passado mas, sim, como criadora de um futuro que se queria.”
A Cidade de Minas, segundo seus planejadores, seria dividida em uma parte central denominada “urbana” e outra que a contornaria, cujo nome seria “suburbana”. A primeira compreenderia o centro administrativo e político, além de ser uma região comercial; a segunda, por sua vez, formaria os bairros, e seria envolvida pela zona “rural”, reservada aos sítios destinados à pequena lavoura. Essa zona seria responsável pelo abastecimento da cidade.
Segundo o plano inicial da construção da cidade:
“Dentro da zona urbana existirão muitas praças de tamanhos e formas diversas, cortando ruas e avenidas dando amplidão para o efeito
arquitetônico dos edifícios públicos, verdadeiros palácios esplendidamente situados. O Palácio do Governo será erguido no centro da Praça da Liberdade para onde deverão convergir cinco das principais avenidas da cidade. Os Palácios da Administração e do Congresso ficarão frente a frente na Praça da Lei, que será circular e ponto de ligação de seis avenidas. Será criada uma praça triangular onde ficarão o Palácio da Municipalidade, a Biblioteca e o Museu.” (Silva, 1991, p. 12–13)
Antes da cidade começar a ser construída, existia um arraial, o Curral d’ El Rei, cuja atividade econômica se restringia a algumas fábricas de farinha, de aguardentes e aos curtumes. Com o anúncio da construção da nova capital, os moradores locais, que eram republicanos, acreditavam que ela seria completamente diferente de Ouro Preto, sem monarquia e escravidão, mas tão boa quanto a república. O espaço urbano, conforme Julião (1996, p. 51), era descoberto como horizonte dessa nova ordem, e a tarefa de organizá-lo chegava mesmo a se confundir com o projeto de modernização. A Cidade de Minas foi idealizada como o retrato da nova experiência política pela qual o Brasil estava passando: a de um país republicano. Assim, a cidade foi planejada e construída, conforme Silva (1991), como um labirinto em xadrez, ordenado, rigidamente traçado, que poderia se desenvolver em um crescimento geométrico, rumo aos novos desígnios da nação. Esse labirinto da “ordem e progresso” foi inaugurado em 12 de dezembro de 1897.