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2. TEORETISK RAMMEVERK

2.1 Kunnskapsformer og kunnskapsforståelser

2.1.3 Taus og eksplisitt kunnskap

Chegou-se às áreas de competências individuais dos catadores após a conclusão sobre aquelas das cooperativas e as das três equipes de trabalho – as coletivas.

Segundo Mello, Souza Leão e Paiva Júnior (2006) uma área de competência refere-se a “atributos geradores de respostas de valor na interação com grupos internos e externos da organização.” Foram definidas cinco áreas que são caracterizadas a seguir.

14.5.1 Gestão do Empreendimento

Área relacionada às duas dimensões das cooperativas de reciclagem de resíduos sólidos – a dimensão empreendedora e a dimensão solidária, de acordo com os indicadores de desempenho de empreendimentos solidários de Gaiger (2007). Diz respeito a uma atuação que considera a missão, valores, objetivos da cooperativa e não os perde de vista, há uma constância de propósitos, uma visão sistêmica e uma compreensão das relações entre processos, decisões, resultados da cooperativa. São comportamentos que persistem ao longo do tempo para realização do trabalho, convencimento dos outros cooperados, busca de solução para problemas, tanto internamente como com parceiros externos para problemas.

Esses comportamentos devem promover, ao longo do tempo, uma melhoria nas formas de comercialização, geração de sobras líquidas, a independência financeira, a remuneração e vínculo regulares dos sócios, o investimento em formação das pessoas que trabalham na cooperativa, além de férias e descanso remunerados.

Essa foi uma competência rapidamente detectada em alguns membros das duas cooperativas, especificamente os mais antigos, aqueles que fundaram as cooperativas, embora nem todos os resultados esperados a partir de sua existência tenham sido constatados, podendo-se citar a não geração de sobras líquidas ou independência financeira. Por outro lado, os sócios possuíam um vínculo estável com a cooperativa e sua remuneração era regular, embora existissem diferentes remunerações, conforme constatado ao analisar-se o perfil demográfico e socioeconômico dos catadores.

Também foi observado se existiam, nessa área, comportamentos relacionados à gestão do empreendimento, à autogestão como o incentivo às atividades coletivas; participação em assembleias ou reuniões do coletivo de sócios. Expressões do conhecimento sobre os mecanismos de participação dos sócios nas decisões raramente foram observados tanto nas reuniões, como em entrevistas ou leitura de registros da cooperativa.

Entretanto, comportamentos tais como a participação em movimentos sociais e populares; participação e desenvolvimento de ação social ou comunitária; iniciativas visando à qualidade de vida dos empreendedores (GAIGER, 2007) foram constatados várias vezes.

14.5.2 Gestão da Fabricação

A área Gestão da Fabricação é essencialmente relacionada ao principal processo de trabalho das cooperativas de catadores. Ela é uma condição para que o processo se viabilize. Esta área de competência relaciona-se ao domínio do processo de transformação do resíduo sólido em material para ser comercializado com outras empresas. Implica em conhecimento dos diferentes tipos de resíduos sólidos, habilidade para separar uns dos outros, habilidade para organizar o material separado e compactá-lo quando necessário. Refere-se a ter facilidade para treinar e orientar novos cooperados que ainda não conhecem o processo de trabalho e realizar as tarefas com facilidade, no menor tempo possível.

Com relação a tal área, a análise dos dados coletados revelou que as pessoas mais antigas na cooperativa conheciam bastante o processo de fabricação, relatavam diversos tipos de problemas que conseguiam resolver com relação ao trabalho e executavam as tarefas do

processo de fabricação sem dificuldades, sentindo-se responsável por ele e treinando os novos cooperados.

14.5.3 Construção de relacionamentos

A respeito da área Construção de Relacionamentos, os aspectos considerados foram o nível de conhecimento e confiança entre os participantes do grupo; o exercício da liderança entre eles; o processo de comunicação. Se havia apoio mútuo em situações de insegurança, dificuldades. A existência de conflitos no grupo e como resolviam esses conflitos. Se as relações de trabalho eram mais cooperativas que competitivas. Vários comportamentos relacionados a essa competências foram observados entre os trabalhadores das duas cooperativas.

14.5.4 Inovação

Com relação à área de inovação, os aperfeiçoamentos no processo de trabalho e nos produtos gerados, bem como nos equipamentos utilizados foram considerados aspectos de inovação. Essa competência não foi observada em nenhum momento, nas entrevistas, ou nos momentos de observação participante e nem em registros ou documentos do empreendimento. Por outro lado, os fundadores das cooperativas tiveram a iniciativa de agregar um grupo de catadores em torno dessa oportunidade e atuaram de forma a sustentar esses empreendimentos por mais de uma década. Esse fato pode ser compreendido como uma expressão da capacidade de inovação social. Empreendedores sociais possuem uma capacidade de inovação social na medida em que percebem oportunidades que geram atividades sustentáveis cujo resultado é um valor social para um grupo (FISCHER, 2011).

14.5.5 Gestão Financeira

Essa área relaciona-se ao controle econômico financeiro do empreendimento, à capacidade de comercialização dos produtos que gera e de precificação desses produtos de forma correta. Refere-se também à elaboração de controles financeiros que possibilitem transparência na gestão financeira do empreendimento. Essa competência é praticamente inexistente. Eles não possuem controles mais organizados, apenas registros em um caderno velho, ou papeis pendurados nas paredes, referentes às vendas realizadas.

As áreas de competências individuais são apresentadas na figura a seguir.

ÁREA DE COMPETÊNCIA DEFINIÇÃO

GESTÃO DO EMPREENDIMENTO Atuação de forma coerente com as estratégias da organização. Parcerias externas que sejam positivas ao empreendimento e aos catadores. Sustentação do empreendimento e de retiradas financeiras regulares a todos os cooperados. Constância de propósitos.

GESTÃO DA FABRICAÇÃO

Domínio do processo de coleta e tratamento dos resíduos em todas as suas fases.

CONSTRUÇÃO DE RELACIONAMENTOS Interação cooperativa, construindo relacionamentos sólidos e de confiança. Processo de comunicação transparente. Lideranças informais não reprimidas.

INOVAÇÃO Proposição de novas formas de realização do trabalho e melhorias nos produtos gerados pelo processo de trabalho.

GESTÃO FINANCEIRA Controle coletivo por meio de assembleias das despesas, das retiradas e dividendos, promovendo o equilíbrio e sustentação financeira do empreendimento. Comercialização dos produtos.

Figura 13 – Áreas de competências individuais