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- 1990-tallet

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A análise e interpretação da informação qualitativa, como processos morosos e reflexivos que são, foram sendo aperfeiçoados à medida que obtínhamos mais informação e diversificação de fontes. Tendo presente os nossos objectivos fomos “mobilizando e testando estratégias produtoras de significados relevantes” e “transformando progressivamente os dados em elementos constitutivos de um novo texto” (Afonso, 2005: 118).

Assim, na análise e interpretação da informação procurámos efectuar inferências válidas que pudessem responder às questões do nosso trabalho e permitissem atingir os objectivos a que nos propusemos. A análise crítica efectuada atendeu ao que de facto é dito nos documentos, sem contudo perder de vista as finalidades e intenções dos seus autores.

O cruzamento dos dados obtidos, com a análise e interpretação dos documentos produzidos pela ESL e os dados recolhidos, com as entrevistas, permitiram-nos ainda evidenciar alguns traços da cultura organizacional da ESL e os seus reflexos no PES-ESL.

Os documentos produzidos pela ESL

A análise e interpretação dos dados produzidos na ESL foram precedidas de uma análise aos normativos legais que mais se relacionam com o PES-ESL, nomeadamente o Despacho

Normativo 734/2000, de 19 de Junho e o Ofício-Circular n.º 69, de 20 de Outubro de 2006. Esta análise permitiu-nos decidir a orientação do trabalho a efectuar com os documentos produzidos na ESL.

Foi efectuada uma análise dos documentos orientadores da ESL, nomeadamente o RI, o PEE e os PAA’s, instrumentos de construção da autonomia das escolas(Decreto-Lei n.º 115-A/98, de 4 de Maio, Art. 3º), através dos quais é definida toda a política de escola e entendido o seu modo de funcionamento.

Assim, considerámos importante fazer a análise destes documentos tendo por referência o disposto nos normativos acima referidos e o Projecto de Educação para a Saúde da escola. Foi nosso propósito saber como é que, nos documentos que consagram a orientação educativa da escola e definem o seu modo de funcionamento, se integra o PES-ESL, para conhecermos a sua amplitude, bem como os problemas que o estão a afectar, de modo a propormos as alterações possíveis ao PES-ESL e aos documentos orientadores, com vista à melhoria da eficácia da educação e promoção da saúde.

Quanto aos PAA’s, sendo o documento de planeamento (Decreto-Lei n.º 115-A/98, Art. 3º, alínea c) definidor, em função do PEE, das formas de organização e de programação das actividades, a sua análise atendeu às condicionantes normativas do Programa de Promoção e Educação para a Saúde. Assim, procurámos averiguar quais, e quantas, as actividades/acções propostas nos PAA’s que estavam em sintonia com as exigências dos normativos legais (Despacho Normativo 734/2000, de 19 de Junho, e Ofício-Circular n.º 69, de 20 de Outubro de 2006). De salientar que apenas foram contabilizadas as actividades/acções que não eram da responsabilidade do PES-ESL uma vez que a apreciação dos planos de actividades do PES- -ESL teve uma análise individualizada.

No que diz respeito à Administração e Gestão da ESL, tendo presentes as disposições legais, procurámos perceber, através da documentação produzida, por cada um dos diferentes órgãos, o seu papel na concretização dos objectivos do PES-ESL. Para o efeito, começámos por identificar as competências de cada um destes órgãos que consideramos articularem-se com o PES-ESL. Passámos depois à leitura e análise das actas de reuniões da AE e do CP, de forma a serem encontradas eventuais referências ao PES-ESL ou a matérias que com ele se relacionam. Pretendia-se, assim, perceber a natureza dos processos de planeamento e a racionalidade dos procedimentos desenvolvidos, em ordem à promoção e educação para a saúde. Como tal, foi feita uma leitura das actas da AE disponíveis desde o ano lectivo de 2004/05. De salientar que a ESL esteve sem AE desde Junho de 2005 até final de Fevereiro de 2007. Nesta data constituiu-se uma nova AE a que pertence o autor deste estudo. Este facto permitiu ter um conhecimento do conteúdo das reuniões da AE uma vez que nem todas as

actas se encontravam ainda disponíveis para consulta. Foi igualmente realizada a leitura de todas as actas das reuniões do CP, desde o início do ano lectivo de 2004/05 até à última acta disponível datada de 17 de Outubro de 2007.

A análise dos Planos e dos Relatórios de Actividades do PES-ESL dos três anos lectivos em estudo, 2005/06, 2006/07 e 2007/08, foi efectuada atendendo às determinações constantes nos normativos legais em vigor em cada um dos anos (no primeiro ano o Despacho Normativo 734/2000, de 19 de Junho, e, nos anos seguintes, o Ofício-Circular n.º 69, de 20 de Outubro de 2006). Procurou-se ainda averiguar sobre a incorporação de possíveis indicações feitas nos relatórios de actividades nos planos dos anos seguintes. Assim, foi igualmente analisado o Relatório de Actividades do ano lectivo de 2004/05.

As entrevistas

A análise efectuada, aos documentos produzidos na ESL, foi, como já mencionamos, tida em consideração na construção do guião das entrevistas2 procurando, assim, possíveis respostas às questões com que nos tínhamos deparado. Tivemos igual preocupação no que diz respeito às exigências dos normativos legais, nomeadamente nas áreas e temáticas de intervenção prioritárias, na articulação com o Centro de Saúde e na participação dos pais e encarregados de educação bem como as orientações constantes de alguma bibliografia, nomeadamente no que se refere ao método de trabalho referido por Sampaio (2007) e já explicitado no item A

educação para a saúde - a prática (Capítulo I).

Outra das preocupações do nosso trabalho é encontrar caminhos mais eficazes para efectivar a(s) articulação(ões) escola/família/instituições exteriores bem como formas de agregar em torno do PES-ESL os diversos interesses existentes na ESL. Assim, solicitámos aos entrevistados uma reflexão sobre as alterações consideradas necessárias para que o PES-ESL cumpra, de maneira mais eficiente, os objectivos da promoção e educação para a saúde. Desta forma pretendemos encontrar pontos de convergência para a (re)construção do PES-ESL. No que concerne à entrevista ao presidente do CE, procurámos também perceber o tipo de liderança exercida e os seus efeitos sobre a eficácia do PES-ESL. Assim, na definição de categorias, subcategorias e aspectos a abordar na entrevista tivemos em atenção as tarefas que o presidente do CE de uma escola secundária deve praticar segundo o enunciado por Anne Jones (1998) e por Morgan, Hall e Mackay (1983) (in Barroso, 2005: 148 a 149). De salientar que apenas foram abordadas as tarefas que nos pareceram mais importantes e significativas

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Ver anexos 1 e 8 – guiões das entrevistas ao presidente do CE e às coordenadoras do PES-ESL, respectivamente.

para o nosso trabalho, nomeadamente as que os autores categorizam nos campos da liderança e da gestão. Assim, pretendemos perceber não só como são executadas essas tarefas mas também as razões da sua execução.

Com a entrevista ao presidente do CE quisemos também comparar as suas descrições com a percepção das coordenadoras do PES-ESL. Desta forma ambicionámos inferir sobre a natureza dos processos de organização e a avaliação do apoio da gestão à promoção e educação para a saúde. Por esta razão e, também, por considerarmos que o presidente do CE será o que maior influência terá em toda a organização escolar, o guião desta entrevista só foi elaborado após a realização e análise das entrevistas às coordenadoras do PES-ESL.

Após a transcrição integral de cada entrevista3, foi efectuada uma primeira leitura de forma a obtermos uma ideia global do seu conteúdo e percepcionar os temas em torno dos quais os entrevistados articularam o seu discurso. Uma segunda leitura permitiu-nos sistematizar a informação e dividir o texto em unidades de sentido, utilizando para tal o critério temático considerando os segmentos do texto relativos à mesma ideia. Tendo presente Ghiglione e Matalon (2005: 190), foram construídas “categorias de análise em conformidade com o

background teórico” que já antes fora utilizado na construção das entrevistas, como

anteriormente explicitámos.

Assim, no presente estudo procurámos seguir uma metodologia de trabalho de campo analítica, a mais rigorosa e transparente possível, privilegiando, como técnica de tratamento de dados qualitativos, a análise de conteúdo. Esta técnica implicou uma maior reflexão até porque “constrói-se e consolida-se à medida que os dados vão sendo organizados e trabalhados” (Afonso, 2005: 118). E, ainda segundo o mesmo autor, tivemos o cuidado de não “esconder o essencial entre o acessório” o que implicou trabalhar a informação disponível em função da sua relevância.

De acordo com o exposto, utilizámos um “procedimento fechado”, como referem Ghiglione e Matalon (2005: 197), em que as categorias de análise foram definidas previamente à análise a partir dos objectivos do nosso trabalho. Como tal, a nossa análise está “associada a um quadro categorial empírico e/ou teórico que a sustém e ao qual se refere” (Ghiglione e Matalon, 2005: 197).

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