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Taktiske aktiviteter

In document Gjenbruk : fra nisje til regime (sider 24-0)

2.3 Flernivåperspektiv

2.4.2 Taktiske aktiviteter

As justificativas dos respondentes do questionário que aparecem nas cinco questões e se enquadram nesta categoria de altruísmo imaginário são apresentadas e discutidas a seguir.

Na questão 1, S3 alega que sua escolha pela resposta “b” se dá porque “sempre estou muito envolvida com as necessidades dos outros. Infelizmente, não muito com as minhas. Sofro da ‘síndrome de pastora’”. Há aí uma dificuldade em reconhecer-se a si mesma, no atendimento ao outro. Do pouco que sabe de si mesma, sujeito que é barrado do acesso ao Inconsciente, S3 reconhece que sofre e até dá um nome ao seu sofrimento: “síndrome de pastora”, que mesmo sendo entendido como patologia, mostra sua tentativa (um tanto quanto

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Como indicado, previamente, os questionários estão numerados para facilitar sua identificação, já que os participantes não o são. “S”é abreviação de “sujeito” e o número a seguir corresponde ao que lhe foi atribuído para tabulação. Quando a identificação do sujeito vem seguida de uma letra entre parênteses, significa que esta foi a escolha de resposta efetuada pelo participante, na questão em discussão.

frustrada) de passar para o registro do Simbólico, lugar da linguagem, dos papéis e das normas.

Por sua vez, S63 argumenta que sua opção “a”, “sempre”, se dá porque “acredito que isso deve ser parte e compõe o que chamamos de amor ao próximo”. Como o próximo e o si mesmo são a mesma coisa, no Inconsciente, no estágio do espelho, próprio do registro do Imaginário, pode-se argumentar que S63 constata o que o faz agir daquela forma. Suas demais respostas apontam congruência com esta primeira, com traços típicos do “discurso da histérica”, na questão 2, em que considera que “atender o telefone é prioridade, o jantar pode ficar para depois”. Apenas na questão 4 sua resposta foge à escolha padronizada como mais altruísta, mas ainda assim permite-se imaginar atendendo e socorrendo à pessoa necessitada.

Já S85 opta pela resposta “b”, (muito provavelmente), declarando que assim o faria “por me colocar-se na posição da pessoa, ou ver nela alguém de minha convivência”. De algum modo, o respondente “imagina-se” no lugar da pessoa que tenta atravessar a rua movimentada. Nota-se aqui também reminiscências do que pode ser entendido como seleção por parentesco, já que “alguém de minha convivência” pode ser um parente próximo. Levantando-se a hipótese de que esse “alguém de minha convivência” seja um parente ou amigo, pode-se também remeter à idéia de reciprocidade direta, pois a ação adotada poderia vir a ser retribuída, no futuro.

A justificativa de S119 para sua opção por “b” expressa algo de altruísmo imaginário misturado com altruísmo simbólico – “ajudo por entender que é meu dever e que gostaria se fizessem por mim”. O dever, próprio do registro do Simbólico, aparece seguido da manifestação da demanda de que é o que gostaria de receber, imaginando-se no outro, seu semelhante, característica do Imaginário.

Se admitirmos com Lacan que, nas manifestações possíveis de altruísmo, o próprio sujeito é inconscientemente o beneficiário de sua ação, propomos aqui que, na categoria específica do altruísmo imaginário, há maior tendência a fixar-se na vulnerabilidade do outro, como se tal vulnerabilidade evidenciasse ainda mais aquela que é própria do indivíduo. Diferentemente da histérica, altruísta simbólica, que está sempre procurando atender ao Outro, o altruísta imaginário se espelha na fraqueza do próximo, criando imagens acerca de sua própria fraqueza. Encontramos estas manifestações, na questão 1, nas respostas dos seguintes participantes: S16 (b): “Manifestar respeito à pessoa e especificamente a uma pessoa que apresenta limitações”; S24 (a) “É sempre importante ajudar aquele que precisa de ajuda, que simboliza fraqueza, cuja vida está em risco”; S68 (a) “Pois os mais fracos precisam

de apoio”; S116 (a) “Sinto-me profundamente sensibilizado em situações nas quais a fragilidade e a vulnerabilidade humanas estão expostas e à mercê do egoísmo de outras pessoas”; S130 (a) “Pois entendo que temos que ajudar sempre aqueles(as) que precisam”.

O reconhecimento de si mesmo no espelho também parece influenciar a resposta de muitos que optaram pelas letras “c” e “d”, na primeira questão, expressões de menor tendência ao altruísmo, como se vê em S1(c): “Temos que ter coerência. Eu não ajudaria entrando na frente dos carros e colocando minha vida em risco”; ou em S84 (c): “Para isso acontecer é necessário que eu também esteja tentando atravessar a mesma rua”; S121 (c): “Eu poderia ser atropelado”; S126: “Eu tentaria ajudá-la. Só não entraria na frente dos carros, mas faria sinal com o braço muito provavelmente”. E ainda em S7 (d) que “não faria porque estaria colocando a sua e a minha vida em perigo...” e S60 (d): “colocaria em risco ela e outras pessoas”.

É curioso que a recorrência à aversão ao risco é também utilizada por pessoas que assinalaram “b”, como é o caso de S5: “...Sou uma pessoa consciente das necessidades das pessoas à minha volta. Entretanto, tenho pânico com relação a trânsito, velocidade ou qualquer tipo de perigo. Não consigo visualizar minha reação neste caso”; S42: “Precisamos auxiliar os outros, porém dando e tomando os cuidados necessários. De alguma maneira, auxiliaria o meu próximo, sem correr riscos neste caso específico”; S66: “Tentaria, sem risco para minha vida e a vida da pessoa, possibilitar a travessia...”; S77: “... tentaria alternativas para realizar com cuidado”; S108: “Havendo segurança para mim, certamente auxiliaria a pessoa idosa da melhor maneira possível”; S114: “eu a ajudaria a esperar um momento de menor risco”; S117: “... No caso de não haver essa possibilidade [mais segura, para não correr tanto risco] eu seria capaz de tentar parar o trânsito”; e S118: “Faria, porém verificaria o ambiente para que tanto eu como a pessoa não corresse riscos”.

Não foram verificadas respostas que pudessem ser categorizadas como de Altruísmo Imaginário, na questão 2.

Na questão 3, algumas justificativas sugerem certa ansiedade para agir conforme a resposta “a”, já que ao comportar-se assim, o participante parece estar imaginando-se em situação de necessidade. O reconhecimento de certa urgência na solicitação da pessoa ao/à pastor/a ocorre com S24 e S124, para quem a pessoa precisa desabafar e não dá para adiar. Para S36, S52, S59, S71, S74, S77, S84, S96, S97, S99, S110, S119, S126, a pessoa está no limite das forças, como o próprio sujeito provavelmente já se sentiu, em algumas ocasiões.

Ao invocar “sensibilidade” para com a necessidade de seus paroquianos S32, S41, S72 e S104 valem-se do afeto mais do que da razão para assinalarem “a”, na questão 3, isto é, não parecem recorrer ao ensinado ou convencionado como sendo o melhor comportamento a ser adotado.

Ainda na questão 3, S88 é um tanto quanto direto em sua justificativa para a resposta “a”: “preciso cuidar de minha imagem”. Ora, o outro alcançado é o si mesmo, que além disso ajuda a promover a reputação de que o pastor é atencioso, altruísta. Tal reputação aumentaria a probabilidade de que o sujeito venha a auferir benefícios de diferentes naturezas, no futuro, o que permite que tal justificativa também se enquadre entre aquelas próprias do altruísmo por reciprocidade indireta.

Na questão 4, S123 escolhe a letra “d” e alega que: “Não me sentiria de bem comigo, se não agisse assim, pois só quem já viveu isso sabe como é”, numa evidente identificação com o ciclista ferido. Pode ser que S123 nunca tenha se envolvido em acidente especificamente com bicicleta, mas já experimentou a necessidade de ser socorrido e levado a um hospital, vendo-se como em um espelho na situação. Portanto, sua justificativa demonstra reação característica de altruísmo imaginário, conforme conceito aqui proposto.

Reconhecer-se no outro parece ser o que move S39 e S67, na questão 4, opção “d”, cujas respostas seguem respectivamente: “é um ser humano que merece cuidados e amor” e “por uma questão humana, presto-lhe socorro”.

Na questão 5, há uma dificuldade em se categorizar o que seria próprio do Imaginário e do Simbólico, pois respeito a horários é coisa do universo das regras, das normas, das convenções, isto é, do registro do Simbólico. Por outro lado, não se pode negar alguns aspectos do Imaginário presentes em algumas justificativas, principalmente quando se nota que certo espelhamento no outro está subjacente nelas, o que é próprio do Imaginário. Por isso, quando nas justificativas aparece algum vestígio do estágio do espelho, optou-se por categorizar tal resposta como “altruísmo imaginário”. Verifica-se isto, por exemplo, na escolha S1 pela resposta “a”: “porque precisamos respeitar os horários dos.d.as demais componentes da reunião. Todos(as) têm compromissos”. O “todos” compreende o “eu, inclusive”. O mesmo parece acontecer com S7(a): “isto é uma questão de responsabilidade e respeito”, e S8(a): “chego sempre adiantado porque eu tenho muito respeito com o próximo”. S20 escolheu a letra “a” e tem a quem responsabilizar por eventuais atrasos. Porém, sua ação em prol do outro procura, inconscientemente, beneficiar a si mesmo: “dentro dos impedimentos hoje do trânsito, às vezes não conseguimos chegar no horário. Mas procuro

chegar sempre no horário, para também sair no horário marcado”. S25 opta pela resposta “b”: “não gosto de esperar, nem deixo ninguém esperando”. É significativo o número de participantes que recorreram ao argumento do respeito, nesta questão, para justificar sua resposta, sem que fique explícito que o respeito aí mencionado é dirigido ao outro. Com isto, pode-se supor que, ao colocar ênfase no respeito como o que se busca ao agir, aparentemente em favor do outro, os participantes que recorreram àquele argumento dão a entender que querem dizer “eu respeito a mim mesmo no outro”. O argumento do respeito é utilizado por S21 (a), S43 (a), S59 (a). Para S56, que escolheu “b”, “respeito é bom e eu gosto”.”. S65 escolheu a resposta “b” e parece até confundir-se o si mesmo e o outro, ao argumentar: “meu tempo não é mais meu quando marco com o outro”. Ao optar pela resposta “a”, S106 argumenta: “acho uma atitude respeitosa a de chegar antes, tranqüilizando as pessoas com quem temos compromisso”. Ora, S106 imagina que o outro ficará tranqüilo, mas é que ele se vê inconscientemente no outro e, com isso, a tranqüilidade emerge como uma espécie de recompensa por sua pontualidade e por seu altruísmo.

In document Gjenbruk : fra nisje til regime (sider 24-0)