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In document N ORSK L OVTIDEND (sider 95-103)

Sabe-se que, de modo geral, e de acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa, a palavra transição define-se como “acto ou efeito de passar de um lugar, de um estado ou de um assunto para outro; trajecto;” (p.112). Deste modo, subjacente ao conceito está alguma mudança, ou seja, toda e qualquer transição implica uma alteração a qualquer nível. Também o Dicionário Universal Ilustrado de Eduardo Noronha, citado por Morato (2002, p.57) refere-se à palavra transição descrevendo-a como “passagem de um lugar para outro, de um estado para outro. É o ponto de passagem de uma para outra forma, de um para outro modo de ser”. Comumentemente atribuímos sentido à palavra transição quando há produção de uma mudança no nosso quotidiano, quer seja nas nossas rotinas, ou na forma como nos relacionamos com o espaço e/ou com o outro.

Refiro ainda Oliveira (2016) que nos diz que, “transição, para muitos autores, remete-nos para momentos de descontinuidade, no entanto também pode supor momentos de continuidade, se for bem pensada e trabalhada cuidadosamente pelos intervenientes. Independentemente do modo como é pensada e concretizada, a transição implica sempre efetuar uma passagem, atravessar as fronteiras de um ponto para outro, deixar o que é familiar para enfrentar o que é desconhecido e muitas vezes desafiador” (p.120). No que diz respeito a este estudo específico, a palavra refere-se à transição entre ciclos educativos das crianças em idade pré-escolar, tendo em vista que estas são “as “agentes” e autoras dos processos de transição” (Formosinho, et al., 2016, p. 7) e que esta transição “constitui o primeiro passo previsto no ornamento do sistema educativo Português” (Machado (coord.), et al., 2015, p. 330).

34 Muitos estudos são realizados neste campo, mas muito poucos fazem referência à importância das estratégias utilizadas nas transições entre a Creche e o Jardim de Infância, sendo que é dada maior primazia à transição entre a educação pré-escolar e os ciclos seguintes.

Contudo, é verificável que, na maior parte da literatura referente à área das transições, e independentemente do foco dado à investigação no que diz respeito ao ciclo de estudos, há sempre a referência de que este processo vivenciado pelas crianças influencia o seu desenvolvimento e aprendizagem a todos os níveis até porque, “Com diferentes percursos, origens sociais e culturais e com características individuais próprias, as crianças transitam para a educação pré-escolar em condições muito diversas. Os comportamentos de cada criança, quando em presença de um meio relativamente novo e de adultos que, muitas vezes, não conhece, são variáveis e dificilmente previsíveis” (Silva I. , Marques, Mata, & Rosa, 2016, p. 98).

Surge então a necessidade de se fazer referência a uma Perspetiva Teórica, o Modelo Ecológico de Bronfenbrenner2 onde este defende que o contexto onde o sujeito se insere é o que define o seu comportamento social, cultural, económico ou moral, sendo o comportamento um motivo de transição e o meio onde este se insere traz um role de interações que, articuladas entre si, transformam o sujeito.

Bronfenbrenner definiu então cinco níveis para o seu modelo sendo eles o Microssistema, o Macrossistema, o Mesossistema, o Exossistema e o Cronossistema (Papalia & Feldman, 2013, p. 68). Cada um dos níveis apresenta estados de relacionamento entre o sujeito e o meio envolvente desde a relação social com os que lhe são mais próximos até à influência do condicionamento cultural e ético na sua comunidade.

Aqui, a perspetiva ecológica de Bronfenbrenner surge, dada a sua relevância, na consciencialização de que o ambiente educativo é o contexto onde se realizam grande parte das interações na infância e, assim sendo, neste contexto específico, numa abordagem sistémica e ecológica “importa distinguir os sistemas restritos e imediatos, com características físicas e materiais particulares (…) em que há uma interação direta entre atores que aí desempenham diferentes papéis (…) e desenvolvem formas de relação

2 Urie Bronfenbrenner foi um psicólogo que defendia que o comportamento Humano era condicionado pelo ambiente (meio) onde este se insere e que este seria o definidor do seu carácter. Assim, criou a Teoria Ecológica do Desenvolvimento.

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interpessoal, implicando-se em atividades específicas que se realizam em espaços e tempos próprios.” (idem, p. 21)

Assim, o Microssistema fará referência à infância na medida em que neste se inserem os lugares e as pessoas mais próximas e mais significativas para a criança no imediato, ou seja, fazem parte deste as relações diretas que a criança tem com quem a rodeia. De acordo com esta teoria de Bronfenbrenner, e citando Vasconcelos (2007, p.44), “a criança em situação de transição ocupa, pelo menos, três microssistemas ecológicos: o mundo da família, o mundo do jardim-de-infância e o mundo da escola” pois estes três contextos influenciam o ambiente do dia a dia na vida de cada interveniente.

O nível seguinte é o Mesossistema, que neste contexto, está relacionado com a escola como espaço físico e social, e que “promove e envolve as inter-relações entre microssistemas” (Formosinho, et al., 2016, p. 58), ou seja, neste nível existe um “entrelaçamento de vários microssistemas. Poderá incluir vínculos entre o lar e a escola (…) ou entre a família e o grupo de colegas” (Papalia & Feldman, 2013, p. 68)

Os restantes níveis já não se cingem apenas à infância, mas a outros fatores que se influenciam entre si, de forma indireta, através das transformações do meio, que afetam o comportamento e, consequentemente, o desenvolvimento humano, sempre que o sujeito se propõe a realizar uma atividade nova ou interage com novos parceiros sociais.

Percebe-se então que, fazendo paralelismo com o sistema educativo, e referindo Machado ((coord.), et al, 2015) podem-se definir três tipos de transições: as que são marcadas pela passagem do meio familiar para uma instituição, as que “ocorrem dentro do sistema escolar” e as que marcam a saída deste sistema para o “mundo adulto e laboral” (p.325). Cada uma delas terá impreterivelmente uma fase posterior que está relacionada com o processo de adaptação ao espaço para onde se transitou.

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