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Table 3: Coding of which covariates are in the models that appear in the maps in Figure 3 d and Figure 4 e. The intercept is in all the models (Model 1 consists of intercept only)

Para este estudo, foram levadas em consideração pesquisas acadêmicas desenvolvidas nos últimos três anos que tiveram como aporte teórico e metodológico a Psicodinâmica do Trabalho e que apresentaram relevância para esta pesquisa. O estado da arte das pesquisas em Psicodinâmica do Trabalho no Brasil mostra um vigoroso crescimento. Porém, seu crescimento não encerra sua importância para o estudo do trabalho, antes, faz-se cada vez mais necessária frente às mudanças na organização do trabalho. Mesmo porque sua metodologia increve-se no modelo da pesquisa-ação (DEJOURS, 2004, p. 89), pois, por sua própria dinâmica, provoca mudanças na situação pesquisada, quando comparada ao estado do objeto de pesquisa antes de iniciada a pesquisa.

Beck (2010) em sua dissertação analisa a dinâmica do prazer/sofrimento dos trabalhadores de enfermagem na Unidade de Emergência (UE) do Hospital Público Cristo Redentor de Porto Alegre (HCR). A pesquisa foi desenvolvida com a participação de trabalhadores convidados aos encontros coletivos, para expressão, análise e interpretação dos efeitos da organização, dos processos e das relações estabelecidas no trabalho em relação à vivência do prazer/sofrimento.

Constatou-se que a realidade do trabalho, em particular o da enfermagem, determina modos de subjetivação, com suas peculiaridades, à medida em que o trabalhador tenta manter sua saúde mental em meio à complexidade de relações e ações específicas no desempenho de suas atribuições. Além da demanda do domínio de tecnologias de atuação nas equipes e atendimento dos usuários, dos trabalhadores também são exigidos novos modos de

participação e condução dos processos num tempo/espaço institucional em que convivem modelos contraditórios de produção da saúde, o modelo antigo e hegemônico, hospitalocêntrico, médico centrado e o modelo proposto pelas diretrizes do SUS, reforçado pela PNH. O conflito entre esse modo de organização do trabalho e a subjetividade do trabalhador é gerador de sofrimento psíquico.

Neste contexto é que, individualmente e em equipe, os trabalhadores refletem os efeitos ou ressentem os impactos sobre a sua saúde mental, provocando dor/sofrimento/doença. Ao identificar os fatores promotores de sofrimento, os trabalhadores constroem estratégias coletivas de defesa, eliminando, camuflando ou mesmo minimizando- os. Tanto enfrentam as adversidades do seu trabalho, opondo-se, quanto fazem subsistir espaços de produção de prazer/saúde. A necessidade de se discorrer sobre saúde/doença e prazer/sofrimento vem assumindo diferentes conotações, acompanhadas e/ou regidas pelas configurações sociais, políticas e econômicas que dão sentido às diversas práticas laborais, desde criativas, engenhosas, prazerosas, quanto sofridas, alienantes, estressantes e adoecedoras. Todas, por sua vez, inscrevem-se na cultura e caracterizam, de alguma forma, o mal-estar contemporâneo.

Castro (2010), cujo estudo teve como objetivo investigar as formas de reconhecimento dos guardas municipais, bem como analisar as estratégias defensivas construídas para o enfrentamento do cotidiano do trabalho, verificou que os guardas municipais percebem-se reconhecidos, mas, para que isso ocorra, investem em seu trabalho e nas formas de manutenção deste, como em uniformes e na diferenciação do grupo e de suas funções. Castro também conseguiu apreender os aspectos subjetivos e objetivos do cotidiano do trabalho dos guardas municipais e as estratégias que constroem para se manterem em uma normalidade sofrente.

Pioli (2010) estudou o trabalho analisando a constituição da identidade do diretor de escola e suas transformações nas interações com a organização do trabalho. O autor adotou os conceitos de reconhecimento e estratégias defensivas da Psicodinâmica do Trabalho, de Dejours, para compreender como esses trabalhadores constroem sua autoimagem frente aos ditames, pressões e relacionamentos estabelecidos na organização do trabalho. O autor estudou o sofrimento psíquico e a importância da psicodinâmica do reconhecimento no sentido da autorrealização.

O autor discutiu os efeitos das mudanças no modelo de gestão nesse processo, especificamente as que foram introduzidas com as reformas educacionais ocorridas no Estado

de São Paulo a partir da década de 1990. Como resultado, apurou que a ausência de uma dinâmica favorável nos processos de reconhecimento tem feito com que os diretores, no registro de sua identidade, absorvam uma autoimagem negativa. A convivência com a impossibilidade de canalizar a energia profissional e de encontrar um sentido de autorrealização no trabalho gera a insatisfação.

Há muita insatisfação e frustração relacionada aos elementos simbólicos do trabalho, ou seja, em relação às expectativas e aos desejos individuais de realizar um trabalho digno em condições favoráveis. O que se constatou, em certa medida, foi a dificuldade desses diretores em canalizar e viabilizar a concretização desse desejo. Os sentimentos de desesperança em relação à carreira, da melhoria das condições de trabalho, enfim, das possibilidades de transformação da organização do trabalho, levam esses trabalhadores ao adoecimento. Tais condições afetam a sua qualidade de vida e o seu trabalho.

Segnini (2010) objetivou, na sua dissertação, analisar a relação entre o trabalhador bailarino e a organização do trabalho em dança, fundamentando-se na teoria da Psicodinâmica do Trabalho. Para tanto, foi realizado um estudo de caso do Balé da Cidade de São Paulo (BCSP), companhia de dança pública, vinculada ao Theatro Municipal de São Paulo. Os procedimentos de pesquisa utilizados foram entrevistas individuais, observação do processo de trabalho e análise documental e bibliográfica. As análises realizadas em Psicodinâmica do Trabalho tiveram como objetivo compreender as implicações da relação trabalho-sujeito para a saúde mental do trabalhador. A teoria referida elaborou categorias analíticas que permitiram a análise da relação dinâmica entre sofrimento e prazer no trabalho. As categorias analíticas da Psicodinâmica do Trabalho relevantes nesta análise foram a inteligência astuciosa no trabalho, as relações de cooperação e confiança no trabalho e as estratégias coletivas de defesa.

Armarolli (2009) conduziu um estudo sobre o processo de construção do coletivo profissional de uma equipe de enfermagem em um hospital psiquiátrico municipal do Rio de Janeiro. A análise recaiu sobre o possível fortalecimento do coletivo de trabalho da equipe de trabalhadores, com o foco nos técnicos e auxiliares de enfermagem e as influências exercidas pelo movimento da Reforma Psiquiátrica no gênero profissional desses trabalhadores. Para a clínica da atividade, o que se chamou de gênero profissional, foram os saberes historicamente construídos e relativamente estabilizados em um grupo homogêneo de atividade, tais como: normas de funcionamento e uma memória impessoal. A proposta de trabalho da clínica da atividade consistiu em deixar claro, através de registros da atividade cotidiana, para o outro e

para si mesmo, as questões que surgiram durante o seu desenvolvimento. Certamente, apesar de toda “infidelidade” do meio, os auxiliares psiquiátricos encontram algum sentido em seu trabalho, porém a invisibilidade de suas capacidades renormativas contribui para a sobrecarga dessa categoria.

Lucena (2009), em seu estudo acerca do Programa Saúde da Família – PSF, implantado no Brasil há mais de uma década, observou que a sua implantação e desenvolvimento nos municípios brasileiros, bem como a sua compreensão por parte dos diversos atores envolvidos (gestores, profissionais e população), têm ocorrido de forma variada. A pesquisa analisou a relação entre a atividade de trabalho e a saúde das enfermeiras da ESF dos distritos sanitários I, III, IV e V, em João Pessoa – PB. O estudo teve como objetivos específicos: investigar as condições e a organização do trabalho; identificar as regulações das atividades desenvolvidas pelas enfermeiras; analisar as vivências de sofrimento e prazer e os processos de adoecimento vinculados a esse tipo de atividade de diferentes distritos sanitários, que aceitaram participar voluntariamente da pesquisa. A análise dos dados produzidos foi a de conteúdo temática.

Foi percebido que, nas Unidades de Saúde da Família (USF), as enfermeiras desenvolveram múltiplas atividades no campo da assistência, da gerência e da educação/formação, o que ampliou a sua responsabilidade. Dessa forma, foram inúmeras as ações assumidas, tais como: serem capazes de identificar as necessidades sociais de saúde da população sob a sua responsabilidade; intervirem no processo saúde/doença dos indivíduos, da família e da coletividade; assumirem o papel de mediação entre os diversos membros da equipe de saúde da família, dentre outros. A atividade de trabalho da enfermeira também estabeleceu uma relação de interdependência com atividades de outros profissionais da saúde externos às USF, como as policlínicas e os hospitais. Ressaltou-se que, apesar de um conjunto de procedimentos estarem sob a responsabilidade da enfermagem, muitas vezes lhe era negada autonomia em importantes decisões.

Verificou-se também que essas profissionais estavam submetidas a precárias instalações físicas das USF, e ressentiam-se da falta de capacitação acerca da proposta do Programa, do excesso de demanda por atendimento, das pressões das chefias e dos usuários, da falta de descanso físico e mental. Para dar conta das constantes variabilidades, era necessário que o trabalho fosse conduzido coletivamente, o que muitas vezes não acontecia. Além disso, o excesso da burocracia prejudicava a qualidade do atendimento. Com unanimidade em expressaram sentimento de realização pelo exercício da profissão, o prazer

em fazer o que gostam, manifestaram com frequência sua impotência e frustração por estarem “na linha de frente” da prestação do serviço de atenção à saúde da comunidade, e não terem suas exigências correspondidas, por mais que se esforçassem. As atividades que realizavam traziam as suas dificuldades e pareciam sobrecarregar o cotidiano de trabalho, tornando o trabalho extremamente desgastante.

Bottega (2009) realizou um estudo intitulado: “Loucos ou heróis: um estudo sobre prazer e sofrimento no trabalho dos educadores sociais com adolescentes em situação de rua”. A metodologia utilizada para investigação do prazer e/ou sofrimento no trabalho de educadores sociais foi a Psicodinâmica do Trabalho. Foi verificado nesse estudo que esses profissionais são trabalhadores que tiveram sua formação construída em relação direta às transformações ocorridas, historicamente, nas políticas públicas para a infância e adolescência no país, sendo afetados por elas e transformando seu fazer, a partir da vivência prática no trabalho.

Nesse estudo, constatou-se que há um esvaziamento nos vínculos de confiança e cooperação entre os pares, não possibilitando a construção coletiva de superação das dificuldades encontradas. Para todos, nesse grupo estudado, é muito importante a manutenção de um espaço público de discussão, que possa qualificar o trabalho e construir relações baseadas na confiança e cooperação, como forma de transformar as situações de trabalho, criando novos modos de trabalhar e de promover saúde.

Martins (2009) buscou, em seu estudo, analisar a percepção de docentes de uma Instituição de Ensino Superior privada de Belo Horizonte sobre a vivência de prazer e sofrimento no trabalho, que envolve a Psicodinâmica nesse ambiente. O Inventário de Trabalho e Riscos de Adoecimento (ITRA), utilizado na pesquisa, indicou que a maioria de resultados variou de críticos a graves, com base nos depoimentos colhidos nas entrevistas denotando aspectos pertinentes ao sofrimento associados a elementos de precarização no trabalho. Verificou-se que organização do trabalho causava mais sofrimento para os docentes pesquisados do que as relações socioprofissionais, que, por sua vez, precediam em importância as condições de trabalho propriamente ditas.

Entretanto, essas relações estavam bastante desgastadas entre colegas e perante as chefias. As condições de trabalho revelaram-se precárias. O custo humano do trabalho mais grave refere-se ao cognitivo, pelos constantes desafios intelectuais e pelo esforço mental. Com relação às vivências de prazer e sofrimento no trabalho, constatou-se situação crítica em todos os fatores a elas pertinentes. Boa parte dos indicadores de realização profissional, a

totalidade das questões relacionadas à falta de reconhecimento e aos danos provocados pelo trabalho docente foram percebidas como críticas. Comparando-se os fatores de prazer e sofrimento no trabalho com faixa etária e tempo de magistério, verificou-se que os mais jovens e os recém-chegados sofriam mais pela falta de reconhecimento.

Quanto ao fator organização do trabalho, não se observou nenhuma correlação, mas tal situação não se refletiu nos depoimentos dos docentes. O mesmo ocorre com as condições de trabalho propriamente ditas, cujos depoimentos revelaram descontentamento com a liberdade de expressão e com a díade salário/benefícios recebidos no exercício da profissão. Apenas na realização profissional houve unanimidade de docentes, que se posicionaram favoravelmente. Outro aspecto que merece destaque nas vivências de prazer e sofrimento diz respeito às novas formas de avaliação do ensino superior, que acarretaram novas exigências aos professores.

Dessa maneira, por mais que docentes se predisponham favoravelmente para sua atividade diária, antevendo dias prazerosos de convivência com seus alunos, as condições de trabalho inadequadas resultam em desgaste profissional que leva ao sofrimento. A precarização do trabalho parece caminhar a passos largos para destruir a harmonia desejada no ambiente superior da educação, e isso pode trazer consequências indesejáveis à qualidade do ensino.

Facas (2009) perseguiu o objetivo de verificar de quais estratégias os pilotos de metrô do Distrito Federal lançavam mão para mediar o sofrimento no trabalho automatizado, buscando descrever a organização do trabalho a que os pilotos estavam submetidos e os mecanismos de mediação do sofrimento e investigar suas vivências de prazer e sofrimento. A abordagem da Psicodinâmica do Trabalho possibilitou o estudo do prazer e sofrimento como um constructo dialético, sendo o sofrimento definido como vivências de angústia, medo, insegurança, enquanto o prazer derivou do reconhecimento e da liberdade de expressão. O autor percebeu, nesse estudo, que a rigidez na organização do trabalho prescrito, com baixo reconhecimento na capacidade dos trabalhadores em lidarem com a defasagem entre prescrito e real; dificuldade na gestão do trabalho e relações de poder geravam sentimento de inutilidade, indignidade e desqualificação e a forma descrita para mediar o sofrimento foi a construção de um coletivo de regras e estratégias defensivas individuais.

Anjos (2009) investigou o impacto entre o trabalho prescrito e o real nas estratégias de mediação frente ao sofrimento dos jornalistas de um órgão público. Identificou- se que os modos de organização do trabalho predominantes na instituição estudada foram

taylorismo, fordismo e toyotismo, modelos que tendem a aumentar a distância entre o trabalho prescrito e o trabalho real. Os resultados apontaram para uma discrepância entre as prescrições e o real, caracterizando uma organização do trabalho flexível, boa remuneração, alta qualificação dos profissionais, identificação com a profissão de jornalista, estabilidade no emprego e bastante tempo ocioso, contrariando a pressão por produção e o ritmo acelerado do referencial teórico.

Esse estudo demonstrou, ainda, que existe um grave quadro de alienação cultural, liderança deficiente, precarização das condições de trabalho, sentimentos de frustração profissional, descompromisso com a instituição e desamparo pela ausência de diálogo sobre o trabalho com a hierarquia. As vivências de prazer surgem pelo que lhes é oferecido em termos salariais e de estabilidade no emprego, já as de sofrimento porque eles se percebem longe da preparação jornalística que possuem. As mediações utilizadas são: baixo engajamento dos trabalhadores, que se ocupam de outras coisas para se sentirem ativos profissionalmente.

Rego (2009), em sua pesquisa, buscou comparar as organizações de trabalho e vivências de prazer e sofrimento de profissionais de enfermagem em UTI de dois hospitais privados do Distrito Federal, sendo que um hospital possuía certificação de qualidade e o outro não. Os achados científicos remeteram a uma organização de trabalho que exerce pressão para um trabalho mais submisso a orientações institucionais que a orientações éticas da profissão. O processo de certificação foi concebido como uma estratégia perversa da organização do trabalho, em que a função dos certificados busca boa imagem publicitária e fidelidade dos clientes e funcionários.

Além disso, é uma estratégia que impõe prazer e qualidade, mas que, na prática, apresenta contradições e exigências burocráticas que valorizam a produção e impedem que o sofrimento seja enunciado. Percebeu-se melhor estrutura de coletivo de trabalho no hospital que adota a sistematização da assistência da enfermagem em detrimento das sistematizações para ganhar o certificado, pois prescreve orientações que atendem às necessidades dos cuidados de enfermagem, no real de trabalho, permitindo vivência de liberdade e reconhecimento no trabalho.

Magnus (2009) realizou seu estudo no Hospital Psiquiátrico São Pedro com profissionais de saúde mental, onde buscou compreender a dinâmica do trabalho e suas implicações em relação ao sofrimento e ao prazer. Os objetivos específicos foram: analisar a organização do trabalho; identificar a relação de sofrimento e prazer; e conhecer as estratégias coletivas de defesa e de saúde, produzidas por estes trabalhadores. Percebeu-se que estes

trabalhadores se encontravam em um espaço do “entre”, ou seja, em um espaço de transição, que traz implicações no processo de trabalho e de saúde. Constatou-se que eles utilizavam estratégias coletivas de defesa, tais como: afastamento, endurecimento e reclamação; e estratégias coletivas de saúde, manifestadas através de trocas e ajuda, oxigenação e mudanças possíveis.

Essas estratégias, no entanto, operavam de forma conservadora, pois não alteravam o modo como o trabalho estava organizado. Elas permitiam, por outro lado, minimizar o sofrimento e obter algum prazer. O estudo constatou a existência de ‘grilhões’, que exacerbavam o sofrimento no trabalho: o peso da loucura; os atravessamentos políticos; o sucateamento dos recursos; as condições e a forma de organização do trabalho, em que a precariedade dos vínculos relacionais com os colegas foi apontado como a maior carga. Outro aspecto ressaltado na pesquisa foi o fato de que as políticas públicas existentes, voltadas ao trabalhador, não davam conta, na prática, da demanda interna, pois eram ações que atuavam, em sua maioria, no sentido de fiscalizar as instituições. Ficou evidenciada a importância de se constituir, no Hospital Psiquiátrico São Pedro, um espaço de discussão legítimo, que possibilitasse instigar a força coletiva do grupo. Assim, acredita-se ser possível fomentar o reconhecimento e a construção de um significado para o trabalho, que proporcione mais prazer aos trabalhadores e que viabilize saúde a quem trata da saúde.

Silva Sá (2009) objetivou, em sua pesquisa sobre as repercussões psicofísicas no trabalhador de enfermagem decorrentes da atuação em ressuscitações cardiopulmonares em enfermarias de clínica médica, identificar os fatores facilitadores e dificultadores enfrentados pelos trabalhadores de enfermagem na atuação em ressuscitação cardiopulmonar, discutir os sentimentos que emergem desses trabalhadores nessa atuação e analisar as repercussões psicofísicas na saúde desses trabalhadores decorrentes da atuação em ressuscitação cardiopulmonar. O estudo foi desenvolvido em quatro enfermarias de clínica médica de um hospital universitário da rede pública do município do Rio de Janeiro, tendo como sujeitos cinco enfermeiros e doze auxiliares de enfermagem.

Da análise surgiram três categorias: a organização do trabalho e seus reflexos sobre a atuação dos trabalhadores de Enfermagem em ressuscitação cardiopulmonar, vivências referentes a esta atuação e implicações na saúde desses trabalhadores. Os resultados apontaram para um significativo distanciamento entre o trabalho prescrito e o real. Esse distanciamento gerava nos sujeitos uma percepção marcadamente de dificuldades, as quais conduziram a relatos de muito mais sofrimento do que de prazer. Verificou-se que o

sentimento de prazer emergia quando os sujeitos aludiam à recuperação do cliente, à sensação do dever cumprido e quando eles conseguiam vencer as dificuldades que perpassavam o atendimento.

Tubino (2009) conduziu uma pesquisa cujo objetivo foi apreender as relações entre as condições de saúde e trabalho a partir do ponto de vista da atividade, levando em conta a complexidade aí existente e a experiência prática de mulheres que trabalhavam nas linhas de produção em massa de uma empresa calçadista em Santa Rita – PB. Foram realizadas inicialmente entrevistas-dialógicas com três operárias de uma empresa calçadista do município. Constatou-se, em primeiro lugar, como se dava a inserção e a formação profissional dessas mulheres numa determinada empresa de calçados.

No que tange às condições de trabalho, observou-se que estas são inadequadas para o desenvolvimento do trabalho, já que elementos como o barulho das máquinas e o uso constante de agentes químicos, como a cola, muitas vezes são as causas dos seus adoecimentos. Com relação à realização da atividade nas linhas de produção de calçados,