4 MÚSICOS AFECTADOS
5. RECONDUCCIÓN EMOCIONAL
7.2 Rehabilitación en casa
7.2.2 Tabla de ejercicios para la embocadura
PRODUTIVA
Os professores sofrem, assim como toda a classe trabalhadora, os rebatimentos da precarização do trabalho e da deteriorização das suas condições de trabalho no interior dos estabelecimentos de ensino. Essas transformações tem relação com a implantação do ajuste neoliberal que é parte das estratégias
utilizados pelo capital no intuito de restabelecer-se da crise estrutural vivenciada a partir dos anos 1970. Antunes (2000), destaca seis características dessa crise:
1. Forte redução das taxas de lucro, em virtude da elevação do preço da força de trabalho (custo salarial), conquista obtida no período do Welfare State;
2. Esgotamento do padrão de acumulação taylorista/fordista de produção;
3. Hipertrofia da esfera financeira;
4. Aumento da concentração de capitais (fusões e aquisições), o que tende a aumentar a pressão sobre a taxa de lucro;
5. Crise do Welfare State e, em específico, crise fiscal do Estado; 6. Privatizações, desregulamentação e flexibilização dos processos produtivos e dos mercados (ANTUNES, 2000, p. 29-30)
A partir da década de 1970, vivencia-se um quadro de crise estrutural do sistema capilista, o que leva o capital a tomar medidas que sejam capazes de reestruturá-lo e, um desses mecanismos foi a substituição do taylorista/fordista pelo regime de acumulação flexível (HARVEY, 2005).
A resposta do capital a essa crise, que vai caracterizar o novo cenário do capitalismo mundial, é marcado pela ofensiva do capital destinada a “reestruturar o padrão produtivo estruturado sobre o binômio taylorismo e fordismo, procurando, desse modo, repor os patamares de acumulação existentes no período anterior, especialmente no pós-45, utilizando-se de novos e velhos mecanismos de acumulação” (ANTUNES, 2000, p. 36).
É importante destacar que o processo de acumulação de capital se dá em ciclos de prosperidade e decadência. Esta contradição faz parte da dinâmica dialética presente no movimento do processo de acumulação de capital (CARCANHOLA, 2010). Segundo Carcanholo:
Não há movimento na história do capitalismo em que fases de crescimento, mais ou menos sustentadas, não tenham sido sucedidas por fases de crise, mais ou menos profundas, e em que estas conformem novos períodos de crescimento. É de natureza do capitalismo funcionar em ciclos, e isto por uma razão relativamente simples. Os processos de acumulação do capital desenvolvem as contradições do capitalismo a um ponto tal que as crises são a forma que esse mesmo modo de produção encontra para, ao mesmo tempo, manifestar o momento de irrupção dessas contradições e o restabelecimento da unidade entre a produção e a apropriação do valor (CARCANHOLO, 2010, p. 1).
A crise que se abateu sobre a economia capitalista mundial, que vinha apresentando acelerado crescimento desde o fim da Segunda Guerra Mundial,
num período que Hobsbawm (1995), denominou de a “era de ouro” do capitalismo, ao referir-se ao período compreendido entre o fim da Segunda Guerra Mundial até o ano de 1970, exigiu forte reação do capital materializado na redefinição do papel do Estado imposto pela necessidade de superação da crise do capital. Com isso, expandiu-se, principalmente na década de 1990, o modelo neoliberal, trazendo sérios problemas para a organização e luta dos trabalhadores.
No mesmo período, as transformações vivenciadas pela “crise do socialismo real” (MONTAÑO; DURIGUETTO, 2011, p. 188 ) vão contribuir para o desgaste da esquerda mundial.
Por seu turno, a crise do bloco socialista não vai desencadear mudanças no “campo socialista”, mas praticamente sua extinção como experiência concreta. Longe de promover um processo de reformas e melhorias nesse campo, a “crise do socialismo real” (ampliada pela “crise do capitalismo democrático”) vai golpear profundamente as esquerdas no mundo inteiro, favorecendo largamente o capital e o projeto neoliberal (MONTAÑO; DURIGUETTO, 2011, p. 188)
Diante desse contexto, o mundo do trabalho será ameaçado pela onda neoliberal e pelo desgaste da esquerda mundial, que deixará de servir como referência para a maioria dos movimentos contestatórios do capital mundo afora. Segundo Chesnais:
O triunfo da ‘mercadorização’, isto é, daquilo que Marx chamava de ‘fetichismo da mercadoria’, é total, mais completo do que jamais foi em qualquer momento do passado. O trabalho humano é, mais do que nunca, uma mercadoria, a qual ainda por cima teve seu valor venal desvalorizado pelo ‘progresso técnico’ e assistiu à capacidade de negociação de seus detentores diminuir cada vez mais diante das empresas ou dos indivíduos abastados, suscetíveis de comprar o seu uso. As legislações em torno do emprego do trabalho assalariado, que haviam sido estabelecidas graças às grandes lutas sociais e às ameaças de revolução social, voaram pelos ares, e as ideologias neoliberais se impacientam de que ainda restem alguns cacos delas (CHESNAIS, 1996, p. 42).
As iniciativas neolierais tem como intencionalidade primordial a retomada da lucratividade do capital, nessa contexto, o capital e o trabalho assumem novas funções relacionadas ao processo produtivo. No cao das organizações sindicais, estas, segundo Harvey (1995), foram “convencidas” a agir em conformidade com os interesses do capital. Segundo este autor:
[...] as organizações sindicais burocratizadas foram sendo acuadas (às vezes através do exercício do poder estatal repressivo) para trocar ganhos reais de salário pela cooperação na disciplinação dos trabalhadores de acordo com o sistema fordista de produção. (HARVEY, 2005, p. 129)
Esse processo de mudanças gerou impactos significativos no mundo do trabalho, segundo Costa (2003):
[...] a flexibilização dos regimes de trabalho (jornadas, salários, mobilidade funcional, etc.) e a flexibilização/desaregulamentação do sistema legislativo nacional de proteção ao trabalho, da CLT. Medidas provisórias como as que regularizavam o banco de horas, o contrato por tempo determinado, a suspensão temporária do contrato de trabalho por motivos econômicos, acenavam com a legitimidade institucional para a concretização daquela flexibilização, abrindo caminho para iniciativas de reformas pontuais importantes naquele ordenamento jurídico do trabalho (COSTA, 2003, p. 3).
Diante desse contexto, os trabalhadores em educação da mesma forma que os demais trabalhadores, enfrentaram intensas mudanças nas condições de trabalho que, no caso dos professores, significou a “intensificação do trabalho docente, ampliação do seu raio de ação e, consequentemente, em maiores desgastes e insatisfação por parte desses trabalhadores” (OLIVEIRA, 2004, p. 1).
Os trabalhadores em educação, com destaque aos professores, são, portanto, intensamente atingidos pelas medidas neoliberais elaboradas para atender as demandas do capital, em detrimento dos trabalhadores.
François Chesnais (1996) traz grandes contribuições acerca das complexas conexões existente entre produção, financeirização e mundialização do capital, enfatizando que a esfera financeira nutre-se da riqueza gerada pelo investimento e da exploração da força do trabalho dotada de múltiplas qualificações e amplitude global. Portanto, esta característica que molda o capitalismo contemporâneo, onde o capital fictício exerce grande preponderância, é um dos pilares da atual crise financeira de 2008-2009. Nessa direção, Carcanholo (2010), nos adverte que:
Na crise atual por que passa o capitalismo, o capital sobreacumulado se concentrava na forma de capital fictício, títulos finaceiros (direitos sobre apropriação futura de valor), sem correspondência maior com a massa real de valor produzido pelo capital produtivo. Assim, a reversão cíclica – para que uma nova faze sustentável de acumulação de capital fosse possível – deveria levar a essa desvalorização, o que, na prática, redundaria em quebra maciça de bancos, fundos de investimento, fundos de pensão, etc. Antes que isso se alastrasse, os governos da grande
naioria dos países se anteciparam para criar condições de monetizar (dar maior liquidez) para esse capital fictício, com a desculpa de garantir a sustentabilidade do sistema monetário-financeiro que, em última instância, seria a sustentabilidade de todas as economias. Como se fez isso? Basicamente com a expansão da dívida pública, já extremamente elevada, muito em razão da base de valorização que se criou para todo o capital fictício epandido desde os anos 70 do século passado, e a despeito da ideologia neoliberal de “Estado mínimo” (CARCANHOLO, 2010, p. 9).
A crise atual do capitalismo se dá principalmente nos países centrais e tem como principal característica o capital fictício, ou seja, o capital especulativo, que, como salienta Carcanholo, não tem sustentação no processo produtivo. Nessa acepção, os recursos públicos estatais são frequentemente recorridos pelo capital, sob a retórica da garantia da estabilidade econômica mundial.
Carcanholo (2010) chama a atenção para os impactos dessa nova crise para a classe trabalhadora. Segundo o autor, a classe sofrerá todos os impactos da ofensiva do capital na tentativa de elevar suas taxas de lucro, o que já é sinalizado pelo aprofundamento das reformas neoliberais em previdência e nos campos trabalhista e sindical. O autor assevera, ainda, que todo o ajuste das contas públicas – vociferado pelo pensamento conservador como única forma de sanear a atual fase da crise do capitalismo:
[...] significará a redução das escassas políticas públicas ainda praticaddas, arrocho salarial e das condições trabalhistas no setor público, pressão por novas privatizações, redução de gastos e investimentos públicos, que, no limite, significam recessão e, portanto, desemprego, etc. (CARCANHOLO, 2010, p. 9)
Diante dessas condições, o século XXI iniciou-se num contexto de lutas e conflitos em várias partes do mundo , em virtude da “insatisfação vivenciada pela sociedade com respeito às políticas negativas impulsionadas pelas reformas neoliberais, que haviam contribuído para o aumento das desigualdades sociais.” (RODRIGUEZ; FERNANDES, 2012, p. 159).
1.5 AS POLÍTICAS DE VALORIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE NO