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Para realizar uma discussão sobre a formação intelectual de Darcy Ribeiro, com o

respaldo de uma literatura direcionada sobre a origem, função e papel dos intelectuais

teríamos disponível uma larga bibliografia

7

, no entanto, para o prosseguimento deste

5 Ibidem, pp.244-9.

6 BERSTEIN, Serge. A Cultura Política. In: RIOUX, Jean-Pierre; SIRINELLI, Jean-François. Para uma História

Cultural. Lisboa: Estampa, 1998, p.356.

7 BASTOS, Elide Rugai; RÊGO, Walquíria D. Leão. Intelectuais e Política: a moralidade do compromisso. São

trabalho acreditamos que seriam as mais importantes, ou as contribuições mais

significativas, a de Sergio Miceli

8

e a de Daniel Pécault

9

.

Centrando a análise no próprio Darcy Ribeiro, iniciaríamos pela busca das

principais influências intelectuais sobre Darcy Ribeiro no período de sua

profissionalização acadêmica, e intelectual, como cientista social especializado em

etnologia, ao longo de toda a década de 1940, para compreender a base sobre a qual se

ergueriam as múltiplas faces intelectuais de Darcy Ribeiro posteriormente.

Como já visto no primeiro capítulo, em um contexto conturbado na vida Darcy

Ribeiro, pelas diferentes atividades que o ocupavam, seria de extrema valia, não somente

buscar os principais autores, ou professores – que em determinados momentos o próprio

Darcy Ribeiro chega a exaltar como seus “mestres paulistanos” - que lhe serviram de

referência, bem como as influências de contextos e acontecimentos que lhe tocaram desta

mesma maneira.

Nesse sentido, Darcy Ribeiro dizia se orgulhar de pertencer à primeira geração de

cientistas sociais brasileiros profissionalizados e com formação específica para tal

atividade. Os professores a que Darcy Ribeiro mais dá destaque são: Donald Pierson,

Emílio Willems, Herbert Baldus e Sérgio Buarque de Holanda, por meio dos quais pôde

entrar em contato com Lévi-Strauss, Roger Bastide, Radcliffe Brown, entre outros tantos

“sábios norte-americanos, alemães, ingleses, italianos”

10

que eventualmente passavam

pela faculdade de Sociologia e Política de São Paulo, ou pela Faculdade de Filosofia,

Ciências e Letras da USP.

cultura na sociedade contemporânea. São Paulo: Editora UNESP, 1997. GRAMSCI, Antônio. Cadernos do Cárcere. Volume 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. LOPES, Marco Antônio (org.). Grandes Nomes da História Intelectual. São Paulo: Contexto, 2003. PÉCAULT, Daniel. Os intelectuais e a política no Brasil: entre o povo e a nação. São Paulo: Ática, 1990. MICELI, Sérgio. Intelectuais à Brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. SAID, Edward W. Representações do Intelectual: as Conferências de Reith de 1993. São Paulo: Companhia das Letras, 2005.SORJ, Bernardo. A construção intelectual do Brasil contemporâneo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.

8 Principalmente no ponto concernente à relação de dependência dos intelectuais em relação às classes

dirigentes, que com a decadência da oligarquia na República Velha e a necessidade de racionalização burocrática nas décadas de 1930 e 1940, de configurar um novo tipo de dominação, acabou levando intelectuais e elites dirigentes a desenvolver relações baseadas em novo tipo de clientelismo, patronato, dependência e fidelidade de trabalho dos primeiros em ralação aos últimos. Cf. MICELI, Sérgio. Intelectuais à Brasileira. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

9 Consideramos como uma importante analise da trajetória da intelectualidade brasileira entre as décadas de 1920

e 1980. Principalmente por tocar em pontos cruciais para o nosso trabalho: o papel dos intelectuais dos anos 1920 aos de 1940; o surgimento do tema do engajamento político e o papel dos intelectuais da geração de 1954- 64. Cf. PÉCAULT, Daniel. Os intelectuais e a política no Brasil: entre o povo e a nação. São Paulo: Ática, 1990.

Darcy Ribeiro acreditava que o mais importante que lhe tinha sido passado nesse

contexto de “invenção” das ciências sociais no Brasil era a postura de questionamento

para a composição de uma nova leitura de todo e qualquer aspecto da realidade brasileira

de um ponto de vista original. Nem que para isso fosse necessária a conjunção de

diferentes leituras de diferenciados matizes e áreas do conhecimento sobre um mesmo

objeto. Assim, pesquisas, junto a uma vasta bibliografia de interpretação literária,

ensaística, histórica, sociológica, econômica e antropológica sobre o Brasil, serviriam

como fonte para a elaboração de seus primeiros trabalhos e estudos.

Foi então que li a sério os romances e os estudos brasileiros que possivelmente me fizeram mais bem que todo o curso. Enquanto as aulas de ciências sociais me arrastavam para fora em esplêndidas construções teóricas, aquela bibliografia me puxava para dentro do Brasil e das brasilianidades, me dando matéria concreta para nos pensar, como povo e como História11.

Darcy Ribeiro confere também bastante relevância a alguns nomes como o de

Roquete Pinto, o do alemão Curt Niemandaju, Artur Ramos, Manuel Bonfim, Capistrano

de Abreu, Josué de Castro e Gilberto Freyre.

Como já demonstrado no primeiro capítulo, Darcy Ribeiro não se ocupava em São

Paulo somente do curso de Ciências Sociais, mas militava, também, na década de 1940,

pelo partido comunista. Dizia se dividir ente “o estudante atento e o militante tarefeito”, se

doando às duas atividades “sem quaisquer limitações”

12

. Assim, Darcy Ribeiro teria

recebido influências importantíssimas de personalidades que militavam, assim como ele,

no Partido Comunista em São Paulo, especialmente: Jorge Amado, identificado como um

dos principais nomes do partido em São Paulo, mas de quem Darcy Ribeiro sabia muito

pouco na época; Caio Prado Jr., para quem Darcy Ribeiro fez uma campanha eleitoral, na

condição de assessor; o romancista Oswald de Andrade; Monteiro Lobato; Artur Neves; e

muitos outros: “Através deles também conheci muitos outros intelectuais paulistas de

esquerda”

13

. Dentro desse “habitus” intelectual poderíamos encontrar a origem do

pensamento comunista, ou de esquerda, presente de maneira bastante significativa em

alguns momentos da vida de Darcy Ribeiro, ou em alguns pontos específicos de suas

obras.

11 RIBEIRO, Darcy. Confissões. São Paulo: Companhia das Letras, 1997a, p.125. 12 Ibidem, p.127.

Mas logo que formado, procurando uma maneira de sobreviver com a sua

profissão, por um sentimento de rejeição por parte do Partido Comunista a funções de

destaque e direção no partido, decide viver por quase dez anos entre indígenas, realizando

pesquisas etnográficas, de 1947 a 1956. Mas com a mudança para o Rio de Janeiro, e com

a atividade de Professor das Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil, Darcy

Ribeiro retomou as vivências entre intelectuais que discutiam temas de fundamental

importância, já na década de 1950. Principalmente com o núcleo de amigos, professores

da mesma faculdade em que neste momento trabalhava, quando professor de Etnologia

Brasileira e Língua Tupi:

Língua tupi nunca ensinei. Sou ruim para línguas (...). Minha etnografia era, de fato, uma introdução à antropologia teórica, que eu recheava com exemplificações tiradas da etnologia indígena. (...) Minha vida de professor na FNFI foi gratificante. Conheci lá grandes professores, que se tornaram amigos meus. Nosso convívio na faculdade era escasso, mas nos freqüentávamos em casa. Entre eles recordo com gosto Josué de Castro, Anísio Teixeira, Arthur Ramos, Álvaro Vieira Pinto, Maria Yedda Linhares e outros14.

Muitos desses professores estavam, neste momento, participando do Instituto

Superior de Estudos Brasileiros, o ISEB, criado em 1955, e que funcionou como centro de

referência de discussão intelectual sobre o nacionalismo e o desenvolvimentismo, e o

papel do estado frente a esses temas a durante todo mandato presidentcial de Juscelino

Kubitschek, e que perdurou até sua extinção pelo regime militar quando do golpe de 1964.

Apesar de não compor oficialmente os quadros do ISEB, é possível encontrar entre

as idéias e conceitos elaborados por Darcy Ribeiro, muito do que já havia sido produzido

pelos participantes do ISEB como Roland Corbisier, Hélio Jaguaribe, Álvaro Vieira Pinto,

Cândido Mendes, Celso Furtado e Nelson Werneck Sodré.

Como alguns exemplos, podemos tomar as obras de Hélio Jaguaribe,

principalmente quando tratam dos conceitos de “fase” e “estrutura tipo”

15

, que

encontrariam correspondentes, respectivamente, na forma de “etapas da evolução

sociocultural” e “formações socioculturais” na obra de Darcy Ribeiro. Ou ainda temas

como “Estado Cartorial” e “condições institucionais do desenvolvimento”, que encontram

apropriações correspondentes, na obra O Dilema da América Latina de Darcy Ribeiro. O

tratamento que Hélio Jaguaribe daria ao tema das “condições de superação da

14 Ibidem, p.201.

dependência”

16

também apresenta semelhanças com o tema da “revolução necessária” de

Darcy Ribeiro, na obra Os Brasileiros. Assim como a idéia de “desenvolvimento

autônomo como projeto”

17

.

Quanto ás elaborações de Álvaro Vieira Pinto

18

, destacamos o conceito de

“ideologia do desenvolvimento nacional”, aproximado à idéia de Darcy Ribeiro de que a

ideologia congregaria diferentes setores sociais no sentido do desenvolvimento e da

“revolução necessária”

19

. Idéia presente em quase todos os autores ligados ao ISEB.

Na obra de Cândido Antônio Mendes de Almeida, encontramos como principal

aproximação, nos trabalhos de Darcy Ribeiro, o raciocínio que parte da condição de

subdesenvolvimento dos países latino-americanos como uma característica comum, e

portanto, articuladora da necessidade de sua união, como a perspectiva mais viável de

emergência e superação de tal condição, no sentido do “protagonismo latino-americano”

em âmbito internacional

20

. Assim como a idéia de “nacionalismo latino-americano” como

base ideológica para a superação da condição periférica

21

.

O tema do nacionalismo aparece, também, em publicações de Hélio Jaguaribe

22

,

Caio Prado Jr.

23

e Nelson Werneck Sodré

24

. Todos possuem uma série de contribuições à

composição da interpretação de Darcy Ribeiro sobre a América Latina, contudo,

gostaríamos de destacar as análises do último dos autores sobre as “classes sociais no

Brasil”

25

, sem dúvida alguma como uma importante contribuição para a elaboração de

Darcy Ribeiro sobre a “estratificação social” e as “estruturas de poder” latino-

americanas

26

.

Como elemento importante da trajetória de Darcy Ribeiro não se pode esquecer

que por volta de 1954, com o suicídio de Getúlio Vargas, se inicia a passagem declarada

de filiação de Darcy Ribeiro da causa comunista para cada vez mais se achegar aos

trabalhistas. A continuidade do trabalho teria de contar, então, com a compreensão desta

16 Idem. Problemas do desenvolvimento latino-americano: estudos de política. Rio de Janeiro: Civilização

Brasileira, 1967.

17 Idem. Desenvolvimento econômico e desenvolvimento político. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1969. 18 PINTO, Álvaro Vieira. Ideologia e desenvolvimento nacional. Rio de Janeiro: ISEB, 1960.

19 RIBEIRO, Darcy. O Dilema da América Latina: estruturas de poder e forças insurgentes. Petrópolis: Vozes,

1979a.

20 ALMEIDA, Cândido Antonio Mendes de. Perspectiva atual da América Latina. Rio de Janeiro: ISEB, 1960. 21 Idem. Nacionalismo e desenvolvimento. Rio de Janeiro: IBEAA, 1963.

22 JAGUARIBE, Hélio. O Nacionalismo na atualidade Brasileira. Rio de Janeiro: ISEB, 1958b. 23 PRADO JR, Caio. A revolução Brasileira. Rio de Janeiro: Brasiliense, 1966.

24 SODRÉ, Nelson Werneck. Raízes históricas do nacionalismo brasileiro. Rio de Janeiro: ISEB, 1960. 25 Idem. As Classes sociais no Brasil. Rio de Janeiro: ISEB, 1957.

trânsição do pensamento comunista de Darcy Ribeiro para a sua adesão ao trabalhismo, ao

nacionalismo, ao desenvolvimentismo e, por fim, ao reformismo marcantes nas décadas

de 1950 e 1960. Trabalho que exige uma boa compreensão do significado de cada um

desses temas para a história do Brasil, e do período em questão.

Longe de tentar, proceder a uma revisão desses temas, seria suficiente apenas

localizar Darcy Ribeiro, e suas concepções, sobre, e frente, aos mesmos. Para tal fim,

poderiam ser utilizados como referência alguns autores e pesquisas tomados como

clássicos, eleitos como principais para cada um destes temas mas, sempre acompanhados

de uma bibliografia de apoio e contextualização. Como exemplificação, listamos alguns

autores fundamentais: Sobre o tema do trabalhismo como uma perspectiva de constituição

da classe trabalhadora no Brasil, com a construção do conceito de cidadania e da extensão

desta aos setores populares, seria de fundamental importância o trabalho de Ângela de

Castro Gomes

27

. Para uma análise que pudesse relacionar o trabalhismo com os vícios

políticos que envolviam e dificultavam o seu processo de formação e consolidação,

elementos seriam encontrados no trabalho de Maria Celina D’Araújo

28

para conhecer as

suas bases, o sindicalismo e suas contradições, suas necessidades práticas frente ao poder.

Outro trabalho importante tomado como referência, com os olhos retirados da política

carioca, e com vistas direcionadas para o sindicalismo paulista, é o trabalho de Maria

Victoria de Mesquita Neves Benevides

29

.

Uma outra abordagem ao tema do trabalhismo giraria em torno do tema do

“populismo latino-americano”, levando-se em conta autores como: Francisco Corrêa

Weffort

30

, Octavio Ianni

31

, Jorge Ferreira

32

, César Ricardo de Andrade

33

, entre outros.

Para a compreensão da identificação de Darcy Ribeiro com o Nacional-

Desenvolvimentismo, compreendendo suas motivações de engajamento, far-se-ia

necessário compreender a trajetória que parte das pesquisas educacionais do governo de

27 GOMES, Ângela de Castro (org.). A invenção do Trabalhismo. São Paulo: Vértice (Ed Revista dos Tribunais);

Rio de Janeiro: Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, 1988.

28 D’ARAÚJO, Maria Celina. Sindicatos, Carisma & Poder: o PTB de 1945-65. Rio de Janeiro: Fundação

Getúlio Vargas, 1996.

29 BENEVIDES, Maria Victoria. O PTB e o Trabalhismo: partido e sindicato em São Paulo(1945-1964). São

Paulo: Brasiliense/CEDEC, 1989.

30 WEFFORT, Francisco Corrêa. O populismo na política Brasileira. Rio de janeiro: Paz e Terra, 2003.

31 IANNI, Octavio. A Formação do Estado Populista na América latina. São Paulo: Ática, 1989. E: IANNI,

Octavio. O colapso do populismo no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

32 FERREIRA, Jorge (org.). O populismo e sua história: debate e crítica. Rio de janeiro: Civilização Brasileira,

2001.

33ANDRADE, César Ricardo. O conceito de populismo nas ciências sociais latino-americanas: história,

Juscelino Kubitscheck, passando pela elaboração do projeto de estruturação da

Universidade de Brasília, a sua reitorias, até abandoná-la para chegar ao Ministério da

Educação do governo de João Goulart, e posteriormente a Chefia da casa Civil do mesmo

governo. Em cada um destes contextos Darcy Ribeiro carregava projetos explícitos de

reforma; e em torno de todos eles se envolvia em intensos debates.

Em 1956, Darcy Ribeiro foi convidado por Anísio Teixeira, diretor do Instituto

Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), para compor o programa que fazia

parte do projeto de reelaboração das diretrizes da educação no Brasil para o governo de

Juscelino Kubitschek. As pesquisas realizadas pelo programa, em cada uma das regiões do

Brasil, seriam de fundamental importância para a composição posterior das obras de

Darcy Ribeiro que se propõem a interpretar e compreender o Brasil.

A experiência na construção da Universidade de Brasília, a partir de 1959,

conferiria a Darcy Ribeiro renome internacional pelas características que ele e Anísio

Teixeira nela imprimiram em função de ser uma universidade com preocupação de

corresponder às necessidades dos países subdesenvolvidos e atrasados. Sob os mesmos

moldes, Darcy Ribeiro seria convidado, durante seu período de exílio, para promover

reformas universitárias por toda a América Latina e até fora dela – Universidade de

Brasília, Universidade da República Oriental do Uruguai, Universidade Central de

Venezuela, Universidade do Chile, Universidade da Argélia, Universidade do México e

Universidade do Peru.

Mas ainda no período de 1954 a 1963, este se constituiu na fase em que Darcy

Ribeiro foi chamado a participar dos órgãos de decisão do poder, que tinha toda

vinculação à idéia do reformismo da doutrina do Nacional Desenvolvimentismo, e à

atuação de parte do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Sobre o tema do desenvolvimento, gostaríamos de destacar a obra de Miriam

Limoeiro Cardoso

34

, principalmente sobre o destaque e a importância que a autora atribui

para o caráter ideológico do desenvolvimento enquanto projeto político. Este conceito de

“ideologia do desenvolvimento” veio a ser, posteriormente, um dos pontos de

fundamentação das teses elaboradas pelo Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB)

e do próprio Darcy Ribeiro.

34 CARDOSO, Miriam Limoeiro. Ideologia do desenvolvimento: Brasil JK-JQ. Rio de Janeiro: Paz e Terra,

Sobre a questão do reformismo e do nacionalismo, no período, contamos como

referências principais com as obras de: Caio Prado Júnior

35

, Cândido Antônio Mendes de

Almeida

36

, Celso Furtado

37

, Hélio Jaguaribe

38

e Nelson Werneck Sodré

39

.

Com relação à experiência de Darcy Ribeiro no poder, na Chefia da casa Civil do

Governo João Goulart, sendo responsável pela coordenação dos dois projetos que ele

próprio considerava os mais importantes daquele governo, e que no seu entender foram as

causas fundamentais da sua derrubada pelo golpe militar em abril de 1964: as Reformas

de Base, cujos pontos principais eram a reforma agrária, com a desapropriação dos

latifúndios improdutivos, a continuidade da reforma educacional, uma reforma tributária e

outras mais; e a regulamentação da lei que impunha controles sobre o capital estrangeiro

no Brasil, em outras palavras, restringia a remessa de lucros de empresas estrangeiras para

o exterior. Na bibliografia do trabalho encontram-se referências bibliográficas que

acreditamos que seriam apropriadas para a contemplação da proposta de compreensão

desse contexto, destacando a importância dos acontecimentos do período, no Brasil, e no

continente latino-americano, e sua influência na elaboração das obras de Darcy Ribeiro.

O mais importante seria não perder de vista que, ainda quando no Ministério da

Educação, do qual Darcy Ribeiro era Ministro, estava sua responsabilidade o já mencionado

Instituto Superior de Estúdios Brasileiros, o ISEB. Nesse momento responsável por cursos de

treinamento em problemas de desenvolvimento econômico e social, por influência da

Comissão de Estudos e Planejamento para a América Latina, a CEPAL, congregando áreas

como economia, sociologia, filosofia, história, pedagogia e ciência política. É possível

encontrar entre os autores e as principais idéias da CEPAL, influências de grande significado

na composição das idéias de Darcy Ribeiro sobre a América Latina, principalmente quanto às

suas perspectivas de desenvolvimento.

35 PRADO JÚNIOR, Caio. A revolução Brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1966.

36 ALMEIDA, Cândido Antônio Mendes de. Nacionalismo e desenvolvimento. Rio de Janeiro: ISEB, 1960. 37 FURTADO, Celso. Um projeto para o Brasil. Rio de Janeiro: Saga, 1968 b.

38 JAGUARIBE, Hélio. Crises e alternativas na América Latina. São Paulo: Perspectiva, 1976. E: JAGUARIBE,

Hélio. O nacionalismo na atualidade Brasileira. Rio de Jane iro: ISEB, 1958b.

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