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2.5 A RTIFICIAL N EURAL N ETWORKS

2.5.5 T RAINING

ClimAdaPT

Para o cálculo das emissões de GEE e acidificantes referentes ao conforto térmico do setor doméstico foi necessário apurar dados da energia final utilizada para aquecimento e arrefecimento

35 ao nível da freguesia. Tendo em conta as várias fontes de energia que em Portugal são utilizadas para conforto térmico, considerou-se as que implicam emissões, incluindo indiretas, de GEE e acidificantes, nomeadamente, eletricidade, lenha, gás natural, butano, propano e gasóleo. Não foi assim considerado para este estudo a energia final referente a energias renováveis. Na Figura 3.2 escreve-se o processo metodológico utilizado para obter dados relativos ao consumo de energia final para conforto térmico residencial.

Foram consultadas várias fontes bibliográficas para determinar os consumos em aquecimento e arrefecimento ambiente, tais como, dissertações, investigações e inquéritos. Relativamente ao ICESD, as informações mais relevantes são as seguintes:

 O uso de lenha para aquecimento ambiente em relação ao uso total doméstico corresponde para o Continente, RAA e RAM a 52 %, 34 % e 1 %, respetivamente;

 O uso de gás natural para aquecimento ambiente em relação ao uso total doméstico equivale a 3 % em Portugal Continental;

 O uso de gás propano para aquecimento ambiente em relação ao uso total doméstico iguala 0,4 % em Portugal Continental;

 O uso de gás butano para aquecimento ambiente em relação ao uso total doméstico corresponde para o Continente e RAA a 3 % e 0,35 %, respetivamente;

 O uso de gasóleo para aquecimento ambiente em relação ao uso total doméstico atinge 61 % em Portugal Continental;

 O uso de eletricidade para arrefecimento ambiente em relação ao uso total doméstico equivale para o Continente, RAA e RAM a 2 %, 0,3 % e 0,5 %, respetivamente;

 O uso de eletricidade para aquecimento ambiente em relação ao uso total doméstico atinge para a RAA e RAM, 1,1 % e 0,6 %, respetivamente.

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3.2.1 Energia elétrica para conforto térmico nas habitações

A DGEG publica valores do consumo total de energia elétrica no setor residencial, ao nível dos municípios mas não especifica o fim a que se destina esse consumo. Representa-se na Figura 3.3 a metodologia aplicada, sob a forma de árvore de decisão, para a obtenção do consumo de eletricidade para aquecimento ambiente.

Figura 3.3 – Árvore de decisão relativa à metodologia do consumo de energia final da eletricidade para aquecimento ambiente.

Os dados provenientes do ICESD permitem calcular, ao nível de NUTS I, quanta da eletricidade é consumida para aquecimento ambiente por alojamento. Por isso, no município do Funchal (pertencente à RAM) e de Vila Franca do Campo (RAA) foram adotados estes valores por alojamento, dando seguimento a uma lógica dedutiva; sabendo-se o valor de energia final por alojamento calcula-se a energia elétrica usada para aquecimento ambiente por município. Para a obtenção da energia final para arrefecimento aplicou-se o mesmo raciocínio para os municípios das Regiões Autónomas.

Loulé, Odemira, Ferreira do Alentejo e Évora atingem na árvore de decisão a etapa “Adotar percentagem de aquecimento de outro município localizado no mesmo zonamento climático”. Contudo, dado que os municípios mais próximos com a mesma classificação REH pertencem à AML, adotou-se um consumo obtido pela média de energia final elétrica por alojamento, para aquecimento ambiente, de Portugal Continental. Assim, considerou-se um consumo abaixo da média de eletricidade para aquecimento ambiente por alojamento (aplicou-se o valor 0,015 tep/alojamento, dado que o valor médio é de 0,02 tep/alojamento (INE & DGEG, 2010)).

37 Para o arrefecimento ambiente apenas os municípios de Almada e Cascais possuem matrizes energéticas que referem a energia elétrica consumida para arrefecimento. Esta informação também não se encontrava disponível em dissertações ou outros documentos para os restantes municípios. Contudo, o ICESD permite calcular ao nível de NUTS I a energia elétrica consumida para arrefecimento ambiente por alojamento. Por isso, determinaram-se para Portugal Continental três consumos representativos para as zonas V1, V2 e V3 (0,002 tep/alojamento, 0,003 tep/alojamento e 0,004 tep/alojamento, respetivamente), tendo sido atribuídos aos municípios que se localizam nas zonas climáticas referidas.

3.2.2 Consumo de lenha para aquecimento ambiente nas habitações

Nos municípios pertencentes às Regiões Autónomas, Funchal e Vila Franca do Campo, o consumo de lenha para aquecimento ambiente foi apurado através dos resultados do ICESD. Em Portugal Continental, relativamente ao consumo de lenha para aquecimento ambiente dos alojamentos, considerou-se os resultados obtidos do estudo de Gonçalves et al., 2012, que apurou diferentes consumos anuais de lenha por família para os 18 distritos, tal como apresentado na Tabela 3.2. Assumiu-se que os consumos de lenha por alojamento dos municípios ClimAdaPT integrados em Portugal Continental correspondem aos dos distritos que pertencem. Considerou- se que 85 % do consumo total anual de lenha por família são para aquecimento ambiente, enquanto os outros 15 % podem ter outra aplicação (e.g. aquecimento de águas, confeção de alimentos). Com este pressuposto e para analisar o impacto de incerteza associada ao consumo de lenha, elaborou-se uma análise de sensibilidade disponível na secção 4.

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3.2.3 Consumo de gasóleo, gás natural, butano e propano para

aquecimento ambiente

A DGEG publica valores de venda dos produtos de petróleo no mercado interno por setores de atividade ao nível municipal. Recorreu-se aos dados do ICESD que permitem calcular as percentagens, por tipo de combustível, para aquecimento ambiente face aos usos totais, ao nível de NUTS I. Assim, utilizaram-se as percentagens obtidas ao nível de Portugal Continental e das Regiões Autónomas para os respetivos municípios. Não se considerou interessante fazer ponderações para estes combustíveis visto não possuírem, de modo quantitativo uma importância elevada para o aquecimento ambiente. Acrescenta-se que não há atualmente matrizes energéticas que revelem esta informação. Por outro lado, a dissertação de Ferreira, 2012, dispõe de resultados relativos a vários consumos na cidade de Bragança para aquecimento ambiente, incluindo os destes combustíveis. Assim, considerou-se para os municípios pertencentes às zonas I3 (Seia, Montalegre e Bragança) as percentagens obtidas para aquecimento ambiente do estudo de Bragança.

3.3 Estimativa de emissões atmosféricas geradas para conforto