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T OWARDS S USTAINABLE B UILDING C RAFTS

12. ARTICLE 4: CRAFTSMANSHIP IN THE MACHINE: SUSTAINABILITY THROUGH

12.4 T OWARDS S USTAINABLE B UILDING C RAFTS

Os autores Nonaka e Takeuchi (ops. cit.) enfatizaram em suas reflexões que a criação do conhecimento “está ancorada no pressuposto crítico de que o conhecimento humano é criado e expandido através da interação social entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito”, chamam essa interação de “conversão do conhecimento”, esse processo, segundo eles é eminentemente social, acontece entre indivíduos, e não apenas com um único indivíduo.

Sendo assim, apresentam quatro modos diferentes de conversão do conhecimento: a) Do tácito para o tácito (socialização) – processo de compartilhamento de experiências individuais e coletivas, o que propiciará a criação do conhecimento tácito. Como exemplo pode-se citar as “sessões de brainstorming” (reuniões formais para discussões detalhadas destinadas a resolver problemas difíceis nos projetos de desenvolvimento); compartilhamento de experiências e modelos mentais via trabalho em equipe; maior interação entre os responsáveis pelo desenvolvimento do produto e os clientes;

b) Do tácito para o explícito (externalização) – processo de articulação do conhecimento tácito em conceitos explícitos. É um processo de criação do conhecimento perfeito, na medida em que o conhecimento tácito se torna explícito

por meio de representações simbólicas, expresso na forma de metáforas, analogias, conceitos, hipóteses ou modelos, geralmente por meio da combinação dos métodos de indução/dedução. Para exemplificar, pode-se citar a descrição de parte do conhecimento tácito, por meio de planilhas, textos, imagens, figuras; relatos orais e filmes (gravação de relatos orais e imagens de ocorrências/ações) entre outros; c) Do explícito para o explícito (combinação) – processo de sistematização de

conceitos em um sistema de conhecimento. Esse modo de conversão do conhecimento envolve a combinação de conjuntos diferentes de conhecimento explícito. Os indivíduos trocam e combinam conhecimentos através de meios como documentos, reuniões, conversas ao telefone ou redes de comunicação computadorizadas;

d) Do explícito para o tácito (internalização) – processo de incorporação do conhecimento explícito no conhecimento tácito. È intimamente relacionada ao “aprender fazendo”. Quando são internalizadas nas bases do conhecimento tácito dos indivíduos sob a forma de modelos mentais ou know-how técnico compartilhado, as experiências através da socialização, externalização e combinação tornam-se ativos valiosos. Geralmente acontece por meio da leitura/visualização e estudo individual de documentos de diferentes formatos/tipos (textos, imagens etc.), prática individual (learning by doing) e reinterpretação.

Afirmam que três desses quatro modos de conversão do conhecimento – socialização, combinação e internalização – já foram abordados sob varias perspectivas na teoria organizacional. Por exemplo, a socialização liga-se as teorias do processo de grupo e da cultura organizacional; a combinação tem suas raízes no processamento de informações e a internalização está intimamente relacionada com o aprendizado organizacional. Entretanto, a externalização tem sido um pouco negligenciada e, é justamente onde reside nosso foco de pesquisa, que pretende compreender como as incubadoras mantidas por universidades transferem conhecimento ou tecnologia para as empresas incubadas visando sua capacitação tecnológica.

O núcleo da teoria de Nonaka e Takeuchi (1997) está na descrição do surgimento da “espiral do conhecimento” a partir do processo de interação entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito conforme pode ser visualizado na figura 24:

Figura 24: Conteúdo do conhecimento criado pelos quatro modos de conversão

Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, p. 69, 80 e 81) adaptado por Costa (2007, p. 120).

Essa interação, segundo eles, é moldada pelas mudanças entre diferentes modos de conversão do conhecimento que, podem ser induzidos por vários fatores, como por exemplo a cultura organizacional. Essa espiral mostra que o conhecimento tácito deve ser articulado e então internalizado para tornar-se parte da base de conhecimento de cada indivíduo dentro da organização.

Assim, o processo de socialização gera o que pode ser chamado de conhecimento compartilhado, como modelos mentais ou habilidades técnicas compartilhadas. O modo da socialização inicia-se através do desenvolvimento de um “campo de interação” que facilita o compartilhamento de experiências e modelos mentais dos membros envolvidos. A externalização gera o conhecimento conceitual. Esse modo de conversão do conhecimento é provocado “pelo diálogo ou pela reflexão coletiva” significativos, nos quais o emprego de uma metáfora ou analogia significativa ajuda os membros da equipe a articularem o conhecimento tácito oculto que, de outra forma, seria difícil de ser comunicado. Esse

“conhecimento conceitual” gera o que se constitui no conceito de produtos, design, valor de marca, dentre outros (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).

Já a combinação dá origem ao “conhecimento sistêmico”. Normalmente, o “conhecimento sistêmico” resultante da combinação do conhecimento recém-criado e do conhecimento já existente em outra seção da organização acontece por meio do agrupamento (classificação, sumarização) e processamento de diferentes registros de conhecimentos que passarão a constar em manuais, documentos, especificações, protótipo, projeto pilotos, novas tecnologias, patentes, licenças, dentre outros. E a internalização produz o “conhecimento operacional”, ou o “aprender fazendo”, que gera novos conhecimentos sobre gerenciamento de projetos, processo de produção, uso de novos produtos e implementação de políticas (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).

A espiral sempre começa novamente depois de ter sido completada, porém em patamares cada vez mais elevados, ampliando assim a aplicação do conhecimento em outras áreas da organização. Quando acontece essa interação entre o conhecimento explícito e conhecimento tácito, surge então a inovação. (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).

Assim sendo, a espiral do conhecimento se caracteriza como um processo dinâmico e contínuo que proporciona o aumento da base de conhecimento individual e a formação do conhecimento coletivo, caracterizando uma empresa criadora de conhecimento (NONAKA; TAKEUCHI, 1997). Para eles, através do processo de “conversão social”, o conhecimento tácito e o conhecimento explícito se expandem tanto em termos de qualidade quanto de quantidade.

Assim, a criação do conhecimento organizacional é um processo em espiral, que começa no nível individual e vai subindo, ampliando comunidades de interação que cruzam fronteiras entre as seções, departamentos, divisões e organizações, transforma-e em um conhecimento inter-organizacional que, para os autores, representa um nível de conhecimento mais completo, profundo e significativo, ilustrado pela figura 25:

Figura 25: Espiral de Criação do Conhecimento

Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, p. 82)

No entanto, os autores afirmam que a função da organização no processo de criação do conhecimento é o de fornecer um ambiente apropriado para a facilitação das atividades coletivas e para a criação e acúmulo de conhecimento em nível individual.

Neste estudo, tais condições tornam-se extremamente relevantes na criação e transferência do conhecimento inter-organizacional, pois as ações coletivas em uma rede produtiva só serão implementadas e consolidadas se, anteriormente, foram discutidas intensamente com todos os atores envolvidos.

Portanto, as cinco condições capacitadoras para a promoção da espiral do conhecimento em nível organizacional, propostas por Nonaka e Takeuchi (1997), são amplamente aplicáveis ao nível inter-organizacional, no caso da pesquisa, em arranjos produtivos, denominados de incubadoras de empresas. São elas:

1) Intenção – as organizações devem estimular o compromisso coletivo,