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T ILDELING OG BUDSJETTFORUTSETNINGER

RESULTATOMRÅDE 11: STABILT KLIMA

4. BUDSJETT OG FULLMAKTER

4.1 T ILDELING OG BUDSJETTFORUTSETNINGER

Louise Spiteri (1998) analisou os complexos conjuntos de regras desenvolvidos inicialmente por Ranganathan e trabalhados posteriormente pelo Classification Research

Group (CRC) sobre como construir sistemas de classificação facetados. O propósito da

autora foi resolver o problema relacionado à complexidade inerente ao texto de Ranganathan no qual ele apresenta 46 cânones, 13 postulados e 22 princípios. Além disso, outro fator que dificultava o entendimento da Teoria da Análise Faceta é que o CRG desenvolveu seus próprios princípios para a análise facetada, que apesar de serem baseados em Ranganathan, em alguns pontos eles contrariam algumas suposições feitas por ele, relacionadas, por exemplo, a escolha das categorias fundamentais e a ordem destas categorias. Os trabalhos desenvolvidos pelo CRG estão espalhados em diversos textos publicados isoladamente ou em conjunto por seus membros. Tendo como base os trabalhos de Ranganathan e do CRG, Spiteri (1998) formulou um conjunto simplificado de regras com o objetivo inicial de servir de ferramenta de ensino para estudantes de biblioteconomia e ciência da informação. No entanto, tal modelo também pode ser utilizado por projetistas de sistemas de classificação facetados e de tesauros, visto que, de outra forma estes profissionais teriam de consultar uma grande variedade de fontes para obter os princípios da análise facetada, necessários para o desenvolvimento de seus trabalhos. Os princípios propostos por Spiteri são bastante completos e claros e serão brevemente explicados a seguir.

Spiteri (1998) seguiu as ideias de Ranganathan no que se refere à divisão do processo de desenvolvimento do sistema de classificação em três partes: “o Plano das Ideias, que envolve o processo de analisar uma área de conhecimento em suas partes componentes; o Plano Verbal, que envolve o processo de escolher uma terminologia apropriada para expressar estas partes componentes; e o Plano Notacional, que envolve o processo de expressar estas partes componentes por meio de um mecanismo notacional”. Partindo do Plano das Ideias para o Verbal e em seguida para o Notacional nos leva da ideia (conceito) para a palavra (termo) e finalmente para o número (notação), ou seja, do conceito geral sobre o qual uma entidade diz respeito para a expressão deste conceito em

um vocabulário controlado e finalmente para uma notação. É importante observar que o Plano Notacional é menos importante que os demais quando se considera o ambiente digital e a Web.

O QUADRO 8, a seguir, apresenta os princípios de Spiteri (1998) para a criação de classificações facetadas.

QUADRO 8 - Princípios para a criação de classificações facetadas Plano das Ideias: Princípios para a escolha das Facetas

a) Diferenciação: ao dividir uma entidade em suas partes componentes, é importante usar características de divisão que possam claramente distinguir entre estas partes componentes. Por exemplo, dividir “humanos” por “sexo”.

b) Relevância: ao escolher as facetas a serem usadas para dividir as entidades, é importante ter certeza de que estas facetas refletem o propósito, a natureza, e o escopo do sistema de classificação. Por exemplo, em um sistema de classificação para a área de “Educação” o critério “Grau Escolar” se mostra relevante.

c) Verificação: é importante escolher facetas que sejam claras e verificáveis, e nunca subjetivas ou que não possam ser comprovadas. Por exemplo, a faceta “raça” para a entidade “cão” se mostra adequada sob este aspecto, na medida em que pode ser verificada e certificada por veterinários e criadores de cães.

d) Permanência: as facetas devem representar qualidades permanentes das entidades sendo divididas. Por exemplo, um “vinho” que foi produzido no “Chile” jamais terá esta característica alterada.

e) Homogeneidade: as facetas devem ser homogêneas, no sentido que devem representar uma única característica de divisão.

f) Exclusividade Mútua: as facetas devem ser mutuamente exclusivas na medida em os termos em uma faceta devem derivar de seu universo imediato uma e somente uma característica. Por exemplo, ao dividir a entidade “cão”, os termos que aparecem na faceta “tamanho” não devem aparecer sob a faceta “cor”, e vice versa. Esta característica faz com que cada termo tenha uma localização única e bem definida no sistema de classificação.

g) Categorias Fundamentais: argumenta que não existem categorias fundamentais válidas para todas as áreas; as categorias devem ser derivadas com base na natureza da área sendo classificada e no propósito do sistema de classificação.

Plano das Ideias: Princípios para a Ordem de Citação de Facetas e Termos

Estes princípios coordenam a organização das facetas e dos termos dentro das respectivas facetas. a) Sucessão Relevante: a ordem de citação das facetas (e dos termos) deve ser relevante de

acordo com a natureza, propósito, e escopo do sistema de classificação.

b) Sucessão Consistente: a partir do momento em que uma ordenação tenha sido estabelecida para um sistema de classificação, ela não deve ser modificada, a menos que ocorra uma mudança na natureza, propósito ou escopo do sistema.

Plano Verbal

a) Contexto: o significado de um termo individual é dado pelo seu contexto com base na sua posição no sistema de classificação.

b) Uso Corrente: a terminologia usada no sistema de classificação deve refletir o uso corrente na área. Isto significa que o sistema de classificação requer revisões regulares.

Plano Notacional

a) Sinônimos: cada assunto pode ser representado somente por um único número de classe. b) Homônimos: cada número de classe pode representar somente um único assunto.

c) Hospitalidade: a notação deve permitir a adição de novos assuntos, facetas, e termos em qualquer ponto do sistema de classificação.

d) Ordem de fichamento: um sistema de classificação deve refletir a ordem de classificação dos assuntos. Este tipo de notação deve refletir a ordem de citação na qual o sistema de classificação se baseia.

Fonte: Adaptado a partir de Spiteri (1998)

O modelo simplificado de Spiteri, apesar de ser derivado tanto das ideias de Ranganathan, quanto das ideias desenvolvidas pelo CRG, apresenta traços mais fortes do CRG na medida em que abre mão das categorias fundamentais fixas propostas por Ranganathan. A autora argumenta que tal decisão se baseou na análise de diversos sistemas de classificação e tesauros facetados, que revelou a popularidade da abordagem proposta pelo CRG, devido em parte a flexibilidade que esta abordagem apresenta. Além disso, Ranganathan não definiu claramente como as categorias fundamentais (PMEST) poderiam ser aplicadas a todas as áreas de conhecimento. A abordagem do CRG, por outro lado, permite aos projetistas construir sistemas de classificação e tesauros facetados mais adaptados às necessidades dos usuários e as especificidades de uma determinada área do conhecimento.

O principal resultado dos estudos do CRG foi a construção da Bliss Bibliographic

Classification, um esquema de classificação que incorpora os princípios da Teoria da

Classificação Facetada desenvolvidos pelo grupo. Broughton (2008) apresenta de forma resumida uma metodologia para construção de uma classificação facetada de acordo com o

modelo utilizado na segunda edição da Bliss Bibliographic Classification (BC2). A metodologia proposta pela autora será brevemente apresentada a seguir:

• Os conceitos de um dado domínio são identificados e organizados em grupos ou facetas, que correspondem ás categorias fundamentais propostas pelo CRG (thing,

kind, part, property, material, process, operation, agent, patient, product, by-product, space, e time), ou identificadas no domínio específico (como, por exemplo, forma e gênero no domínio das artes).

As facetas formadas são então subdivididas em sequencias (arrays), ou seja, grupos de conceitos com características comuns. Por exemplo, uma faceta “pessoas” pode ser organizada em sequencias: por idade (criança, adolescente, adulto); por sexo (masculino, feminino); por estado civil (solteiro, casado, divorciado); por ocupação (gerencial, administrativo, operacional).

• Os relacionamentos hierárquicos são identificados dentro de cada faceta e são apresentados a partir de classes e subclasses representadas através da identação no esquema.

• A ordem de combinação entre termos de diferentes facetas é estabelecida. Na maioria dos casos esta ordem será a ordem padrão de citação, baseada na sequencia das categorias fundamentais conforme listadas acima.

• Todos os termos usados para descrever um determinado conceito (sinônimos ou quase sinônimos) são apresentados juntos na identificação do conceito.

O processo descrito acima, aplicado no desenvolvimento da BC2, gerou um sistema classificatório altamente estruturado e lógico. Regras para a combinação de assuntos também foram definidas e explicitadas, permitindo que assuntos complexos pudessem ser representados e precisamente localizados no sistema. Apesar de uma classificação facetada teoricamente consistir apenas de assuntos elementares (como “inflamação” ou “articulação”), na BC2 ocorre certo grau de pré-coordenação ou combinação de assuntos visando apresentar assuntos compostos (como “artrite”), que seriam provavelmente utilizados pelos indexadores e pelos usuários nas buscas. Estes conceitos são adequadamente localizados no esquema e aparecem no índice alfabético.

Na próxima seção será discutida uma possível abordagem visando a utilização de uma classificação facetada para descrever o conteúdo temático de documentos e a sua representação por meio do padrão de metadados Dublin Core.