Nessa seção, explicitamos a execução da pesquisa de campo para atender os objetivos específicos, deste trabalho: identificar, descrever, interpretar e analisar como acontece o processo de construção de sentidos do texto pelas relações dialógicas constituídas pelos alunos nos e-fóruns/aula de “CC1” do curso “LPPEAD” da UAB/UFPB Virtual.
Para tanto, optamos por realizar uma pesquisa piloto, fase em que pudemos delimitar melhor o tema de pesquisa, selecionar os sujeitos específicos, escolher os instrumentos metodológicos e o próprio locus (campo específico) para a coleta de dados. Essa fase aconteceu entre os meses de fevereiro e outubro do ano de 2011, período, no qual, estivemos acompanhando in loco as atividades de linguagem realizadas em quatro componentes curriculares do referido curso online.
O primeiro passo desse processo foi entrar em contato com a coordenadora do curso, naquela época, para obter autorização para a realização da pesquisa. Esse primeiro contato aconteceu em 28-02-2011, sendo consentida, informalmente, a autorização para a realização da pesquisa no curso mediante a condição de que os professores responsáveis pelas disciplinas aceitassem a presença da pesquisadora em suas salas de aula virtuais.
Selecionamos na grade curricular do curso quatro componentes curriculares a partir de suas ementas, e em seguida, entramos em contato com os professores responsáveis por ministrá-los naquele ano letivo. Tendo conseguido aceitação dos professores procurados, realizamos a solicitação formal para o início da pesquisa por meio de um ofício encaminhado (via email) a coordenação do curso de “LPPEAD” da UAB/UFPB Virtual.
Nesse documento, solicitamos não somente a autorização para a pesquisa de campo, mas também o cadastramento da pesquisadora como professora formadora em quatro salas de aulas virtuais observadas durante o projeto piloto. Nesse período, observamos também uma quinta sala de aula virtual, na qual a pesquisadora atuava como tutora a distância e orientadora de trabalhos monográficos.
Em 23-03-2011, a coordenadora do curso de “LPPEAD” da referida IES autorizou oficialmente a realização de pesquisa de doutorado no referido curso, entretanto, somente em 30-03-2011, finalmente, o suporte técnico da instituição liberou o acesso aos quatro componentes curriculares com a função “professora pesquisadora
visitante”. Com essa função a pesquisadora pode obter informações das ações de linguagem desenvolvidas por alunos e por tutores a distância.
O segundo passo consistiu em acessar essas salas para realizar a primeira observação e o levantamento de informações como saber o número de participantes desses ambientes, mas antes comunicamos aos professores responsáveis pelas disciplinas através de mensagem via Moodle que a pesquisadora estava, oficialmente,
cadastrada em suas salas de aulas como professora pesquisadora visitante, observando as aulas virtuais sem intervir em nenhuma atividade de proposta.
A primeira sala observada foi “CC3”. Esse componente curricular possuía 143 alunos matriculados, 02 tutores a distância e 02 professores formadores cadastrados, mas somente um atuava efetivamente como professor naquele período. Na segunda sala “CC4” havia destaque para os capítulos que os alunos deveriam estudar. Nesse componente havia 165 alunos matriculados, 02 tutores a distância e 01 professor pesquisador/formador. Na disciplina “CC5”, tínhamos 184 alunos matriculados, 02 tutores a distância e 01 professor pesquisador/formador. Enquanto, a disciplina “CC7” possuía 84 alunos matriculados, acompanhados por 01 tutor a distância e 01 professor pesquisador/formador.
Finalmente, a disciplina de “CC8”, na qual a pesquisadora exerceu a função de tutora a distância/orientadora. Nessa disciplina, tínhamos apenas 56 alunos matriculados, porém, como a disciplina era voltada para a elaboração da monografia havia 06 tutores a distância/orientadores e 01 professor pesquisador/formador acompanhando os alunos concluintes do curso.
Quanto aos tutores presenciais, todos que atuam no curso de “LPPEAD” estavam cadastrados nos componentes curriculares, não deixando claro quem atuava em cada período ou disciplina. Nesse primeiro contato com as salas de aulas virtuais, percebemos que seria necessário estipular um critério que restringisse o número de sujeitos para a aplicação dos questionários devido à grande quantidade de alunos matriculados nas disciplinas.
Nesse sentido, o terceiro passo, executado em 05-04-2011, foi realizar um levantamento do número de alunos matriculados em cada polo nos cinco componentes curriculares com a finalidade de recortar uma população para a aplicação de questionários online.
Esse levantamento do número de alunos matriculados por polo em cada componente curricular resultou no seguinte quadro:
Quadro 6 – População de alunos matriculados nos
componentes curriculares da pesquisa piloto
POLOS/DISCIPLINA CC3 CC4 CC5 CC7 CC8 TOTAL POR POLO (1) ARARUNA 03 04 12 04 04 27 (2) CABACEIRAS 10 02 05 - - 17 (3) CAMPINA GRANDE 11 14 06 01 10 42 (4) CONDE 01 12 09 04 09 35 (5) COREMAS 23 02 11 - - 36 (6) C. MAMANGUAPE 01 08 - 05 - 14 (7) DUAS ESTRADAS 11 01 08 02 04 26 (8) IPOJUCA 05 04 19 02 09 39 (9) ITABAIANA 10 17 04 03 - 34 (10) ITAPORANGA 17 15 25 12 - 69 (11) JOAO PESSOA 10 10 10 04 07 41 (12) LIMOEIRO 08 21 18 21 - 68 (13) LUCENA 05 13 01 07 - 26 (14) MARI 01 11 03 07 - 22 (15) PITIMBU 11 02 03 03 - 19 (17) POMBAL 08 03 17 09 08 45 (18) SÃO BENTO 05 23 13 - - 41 TOTAL POR DISCIPLINA 140 162 164 129 51
Fonte: Dados coletados no AVA Moodle
De acordo com esse quadro 6, podemos verificar que tínhamos ao todo 18 (dezoito) polos, sendo observados na fase piloto, entretanto, apenas 07 (sete) desses polos eram comuns às cinco disciplinas em razão de serem os municípios mais antigos atendidos pelo curso. Partindo disso, optamos por aplicar o questionário de sondagem apenas com os alunos desses 07 (sete) polos (Araruna, Campina Grande, Conde, Duas Estradas, Ipojuca, João Pessoa e Pombal), sendo o link do questionário “Pesquisa com
aprendente” encaminhado via Moodle da IES.
Em 07-04-2011 realizamos o quarto passo do projeto piloto referente à elaboração de 04 (quatro) questionários para aplicarmos com alunos, professores e tutores (presencial e a distância) participantes dos cinco componentes curriculares observados com objetivo de delimitarmos melhor a pesquisa de campo. Nesse período de elaboração dos questionários, a pesquisadora permaneceu observando as aulas virtuais, em particular, aquelas cujo e-fórum era adotado para o estudo de textos (escritos ou em áudio).
Somente em 14-04-2011 a pesquisadora encaminhou para sua orientadora os questionários47 que seriam aplicados na fase piloto, tendo recebido a autorização para aplicá-los os enviou através do AVA Moodle para os alunos participantes de 07 (sete) polos comuns há 04 (quatro) das cinco salas de aula virtuais. Por sua vez, os questionários para os participantes de “CC8” só foram encaminhados em 19-04-2011 para não intervir no período de postagem de atividades dos alunos no ambiente virtual.
No questionário da “Pesquisa com mediador presencial”, foi detectado um problema por um tutor presencial. O problema consistia em um erro de digitação, comprometendo as informações coletadas até o participante de número 14 (quatorze) na questão relacionada ao contato/interação semanal entre os tutores (presencial e a distância). Mas essa falha não acarretou prejuízos para a delimitação do tema de pesquisa, pois os questionários não seriam coletados para a constituição do corpus analisado, mas sim como sondagem das ações dos participantes das salas de aulas virtuais.
Além disso, nosso interesse maior eram as informações coletadas no questionário “Pesquisa com Aprendentes” em razão da leitura/interação ser praticada pelos alunos, sendo os outros questionários aplicados apenas como uma ação complementar à sondagem do processo de mediação do conhecimento em sala de aula virtual.
A sondagem com a aplicação dos questionários aos alunos permitiu que verificássemos algumas informações relevantes para o estudo como: a) a motivação para o trabalho com a prática de leitura na aula virtual; b) a importância da interação entre os participantes da aula virtual para a compreensão dos textos e das atividades propostas; c) e conhecimento das dificuldades dos alunos, na aula virtual, com respeito à compreensão, a interação e ao envio de atividades.
Vejamos essas informações, nos quadros abaixo, apresentados segundo o período cursado pelos alunos48:
47 Os questionários aplicados para a sondagem durante a fase piloto estão disponíveis no Anexo II. 48 Para compreensão dos dois primeiros quadros é necessário entender as atribuições das às letras A, M e
B. Essas letras significam a relevância numérica da resposta dada pelo aluno a questão acerca de Motivação e Interação no questionário. Partindo disso, temos as seguintes atribuições para as letras: A (9 a 10), M (6 a 8) e B (1 a 5), ou seja, relevância alta, média e baixa.
Quadro 7 – Resultados da aplicação do questionário “Pesquisa com aprendente” Motivação para a leitura 3º 4º 5º 6º 7º 8º MOTIVAÇÃO PARA A LEITURA A M B A M B A M B A M B A M B A M B 4 3 2 1 6 2 6 7 6 - - 1 1 2 - 12 7 1
Fonte: Questionários aplicados nas salas de aula virtuais
Quadro 8 – Resultados da aplicação do questionário “Pesquisa com aprendente” Relevância da
Interação 3º 4º 5º 6º 7º 8º INTERAÇÃO COMO RELEVÂNCI A A M B A M B A M B A M B A M B A M B 5 3 1 2 4 3 9 5 5 - - 1 2 1 - 1 1 8 1
Fonte: Questionários aplicados nas salas de aula virtuais
Quadro 9 – Resultados da aplicação do questionário “Pesquisa com aprendente” Dificuldade de
Compreensão 3º 4º 5º 6º 7º 8º COMPREENSÃO COMO DIFICULDADE 4 1 12 1 - 8
Fonte: Questionários aplicados nas salas de aula virtuais
Quadro 10– Resultados da aplicação do questionário “Pesquisa com aprendente” Dificuldade
de Interação
3º 4º 5º 6º 7º 8º
INTERAÇÃO COMO DIFICULDADE
- 1 1 - 1 2
Fonte: Questionários aplicados nas salas de aula virtuais
Quadro 11 – Resultados da aplicação do questionário “Pesquisa com aprendente” Outras
dificuldades
3º 4º 5º 6º 7º 8º
OUTRAS DIFICULDADES
5 7 6 - 2 10
Fonte: Questionários aplicados nas salas de aula virtuais
Podemos verificar que 61 (sessenta e um) alunos responderam ao questionário “Pesquisa com Aprendente”. Partindo dessas informações, constatamos o quão é relevante à interação para esses alunos construírem o conhecimento em sala de aula, visto que 29 (vinte nove) deles, ou 48 % (quarenta e oito por cento), e 25 (vinte e cinco), ou 41 % (quarenta e um por cento), daqueles que responderam ao questionário
atribuíram uma grande importância à interação verbal entre os participantes da aula virtual para a compreensão dos textos e das atividades propostas pelo professor.
A sondagem apontou que 26 (vinte e seis) alunos, ou 43 % (quarenta e três por cento) daqueles que responderam o questionário afirmaram ter dificuldades em compreender o que lhes foi solicitado, seja a atividade, ou a correção dela através de feedbacks. Também verificamos que 9 % (nove por cento) dos alunos apontam a dificuldade de interação como um problema para realização das atividades. Com isso, a interação entre os participantes da aula virtual é essencial para a 54 % (cinquenta e quatro por cento) dos alunos e a compreensão de enunciados (textos e/ou atividades) é uma das principais dificuldades para 43 % (quarenta e três por cento) desses alunos.
Os dados reforçam a importância de realizarmos um estudo das relações dialógicas em aulas virtuais, pois a interação verbal é apontada pelos alunos como relevante para a compreensão dos enunciados (textos e atividades) propostos (ou postados) pelo professor. Confirmando aquilo que defende Bakhtin e o Círculo: o “eu” se constrói pelo diálogo com “outro”. Portanto, o estudo do processo de leitura/interação para a compreensão da construção de sentidos dos enunciados discentes se faz pertinente para o ensino e a aprendizagem de língua portuguesa no ensino a distância online.
No período de 26-04-2011 a 29-04-2011, continuamos observando as salas de aula com a finalidade de caracterizá-las acerca das atividades de linguagem aplicadas com os alunos, identificando os tipos de e-fóruns utilizados pelos professores para as práticas linguagem, em particular, a compreensão e a produção textual. Inicialmente, verificamos que as cinco salas de aula possuíam alguns links comuns como a “Agenda do Curso”, o “Fórum de Notícias”, a “Equipe” e o “Calendário do Curso”. Todas as disciplinas do curso de “LPPEAD” adotavam um material impresso (Trilhas do Aprendente) e um material digital (CD com o “Trilhas do Aprendente” e os textos complementares) como recursos para o desenvolvimento do processo de ensino- aprendizagem no Moodle.
Destacamos que descrição se fez necessária em virtude da pesquisa (n)etnográfica exigir o delineamento do locus. É necessário também esclarecer que a aula na EaD apresenta aspectos distintos, sendo compreendida como: 1) o próprio espaço físico, no qual são postadas as atividades e acontecem as interações; 2) o objeto de aprendizagem, no qual orienta-se aquilo que dever ser realizado durante a semana;
3) e a aula propriamente dita realizada por meio do e-fórum, chat, ou ainda, videoconferência. Explicitadas essas observações, caracterizamos cada componente curricular da fase piloto, considerando a visualização do “Aluno” no AVA Moodle:
1) Em 26-04-201, a sala de aula de “CC3” foi observada. Nessa sala, o aluno visualizava inicialmente três fóruns: 1) “Abrindo o livro para o início da conversa” onde os participantes se apresentavam ao grupo; 2) “Pay It Forward” (espaço de socialização para compartilhamento de vídeos e de informações diferentes dos conteúdos da disciplina); 3) “Fórum de Notícias” onde o professor e tutores a distância colocam avisos e orientações para os alunos. Abaixo desses fóruns tínhamos o arquivo do “Objeto de Aprendizagem” (Aula 3), onde o professor disponibilizava as orientações para a realização das atividades da semana. Por fim, o “Desafio da semana” que consistia em uma proposta de atividade avaliativa referente à aula estudada. Ressaltamos que o professor separava os é-fóruns por polo para o debate do conteúdo da aula, logo, os alunos interagiam apenas com os colegas de polo. Os e-fóruns de discussão eram construídos a partir de perguntas voltadas para a compreensão das aulas permanecendo abertos durante todo o período letivo. Os tutores a distancia eram responsáveis pela avaliação desses e-fóruns, sendo, portanto, eles que interagirem com os alunos mediando à construção do conhecimento na aula virtual;
2) Em 26-04-2011, a sala observada foi “CC4”. Nessa sala, o aluno visualiza respectivamente: o link da “Avaliação ATTLS49”; o “Fórum de Notícias”
com avisos e orientações para os alunos; “Apresentação do Componente Curricular”; “Fórum de Apresentação da Turma”; e o “Glossário”. Destacamos que o professor disponibilizava para os alunos TODOS os “Objetivos de Aprendizagem” com suas respectivas atividades, indicações de leitura e “Vídeos Aulas”. O professor abriu um único e-fórum denominado “Filme a Pipa” para a discussão de um vídeo. Nesse e-fórum, verificamos que não havia diálogos estabelecidos entre os alunos apenas postagens isoladas direcionadas ao professor. Ressalvamos que esse e-fórum não era
49 Avaliação ATTLS consiste na aplicação de um questionário que funciona como instrumento media os
modos de saber relacionado à proporção em que um indivíduo permanece conectado no ambiente virtual (PAULINO FILHO, 2010).
avaliativo, nem havia intervenção dos tutores a distância durante a participação dos alunos. Esses profissionais interagiam apenas nos e-fóruns de elaboração do projeto de pesquisa já que isso consistia no principal objetivo da disciplina;
3) Em 29-04-2011, a sala de aula observada foi “CC8”. Também eram disponibilizados para os alunos TODOS os “Objetivos de Aprendizagem” com seus respectivos desafios postados em razão da necessidade dos alunos visualizarem as etapas para a escrita de suas monografias. Havia nessa sala apenas um e-fórum de discussão intitulado “Contribuições para o Curso” onde o professor orientava os alunos a exporem suas opiniões sobre o desenvolvimento das atividades realizadas na disciplina para serem encaminhadas à coordenação do curso. Os alunos também possuíam acesso na página dessa disciplina ao link “Biblioteca” onde o professor disponibilizava textos diversos para auxiliar na construção das monografias; 4) Ao acessar observar a sala de “CC5”, em 04-05-2011, foi possível averiguar
que o aluno visualizava as orientações acerca das leituras da semana, em particular, a leitura do “Objeto de Aprendizagem”. Nesse objeto constavam os procedimentos adotados na avaliação, o prazo que a atividade permaneceria disponível e também um convite para os alunos participarem de uma webconferência com o professor. Em “links interessantes”, o professor disponibilizava uma lista de sites e de blogs aos alunos como um complemento as leituras sugeridas no “Objeto de Aprendizagem”. No link “Biblioteca Virtual”, o professor eram disponibilizava arquivos para a leitura complementar como artigos, livros, material da aula, material do curso e projetos pedagógicos (modelos de partes desse gênero discursivo). O professor utilizava o Chat como um recurso tira dúvidas para os alunos, sendo esse aberto pelo menos uma vez por semana. Embora TODOS os “Objetivos de Aprendizagem” estivessem postado na página da disciplina apenas o desafio da semana (atividade) fica disponível para os alunos durante todo o tempo em razão de: 1) os alunos e tutores a distância terem acesso às avaliações; e 2) não poluir a página da disciplina com excesso de informação. Também era disponibilizado para os alunos o “Livro do Moodle” como recurso didático para a leitura de textos. Nos e-fóruns
temáticos o professor orientava os alunos sobre como interagir naquela ambiente virtual. No geral, os e-fóruns eram voltados para a discussão da aula da semana que, normalmente, tratava sobre conceitos e métodos relacionados ao uso das TICs na área de educação. Esses e-fóruns, igualmente, ao Chat eram atividades complementarem que preparavam o aluno para a avaliação final. Salientamos que o professor era o único profissional a participar das discussões realizadas nos e-fóruns e chats, sendo, portanto, a função dos tutores a distância restrita à avaliação dos desafios da semana, ou seja, as postagens de trabalhos offline;
5) Em 11-05-2011, a sala de “CC7” foi observada. Nessa sala havia um “Espaço tira-dúvidas!” onde os alunos poderiam colocar suas dificuldades acerca dos conteúdos estudos para o tutor a distância. Também havia uma “Biblioteca Virtual” onde estavam disponibilizados arquivos referentes às aulas, a leitura complementar e a calendário pedagógico. O professor indicava a leitura de autores para os alunos, que por sua vez, discutiam assuntos diversos acerca de um mesmo autor em vários e-fóruns. Além disso, esses e-fóruns podiam ser abertos pelos próprios alunos, que criavam novos tópicos de acordo com polo onde estudavam. Em vista disso, não havia uma grande interação entre os participantes nessa sala, mas sim “discussões” isoladas e repetidas em torno de um mesmo autor/texto. O e- fórum “A música e a nossa aula” aberto pelo “Suporte Técnico” para estimular a reflexão foi um dos mais produtivos, entretanto, não fazia parte das aulas propriamente ditas, sendo apenas uma forma de entretenimento entre os participantes da disciplina.
Ressaltamos que o período de observação das interações entre os participantes dessas cinco salas de aulas virtuais continuou até 26-10-2013 com o objetivo de coletar informações que favorecessem a pesquisa acerca do processo de construção do sentido nos e-fóruns de discussão. Entretanto, como nessas cinco disciplinas não havia e-fóruns com o propósito de desenvolver a compreensão e a produção de textos, no período 2011.2, optamos por retonar à sala de “CC1”, na qual a pesquisadora atuou como professora e tutora a distância, durante o ano anterior (2010), para constituímos o
corpus de análise, visto que todas as postagens ainda estavam disponíveis para a
pesquisadora.
A observação dessas disciplinas, na pesquisa piloto, permitiu repensarmos o
locus e os objetivos da pesquisa, pois as disciplinas observadas se mostraram pouco
propícias para o estudo das relações dialógicas, focando a construção de enunciados discentes por meio das atividades realizadas em e-fóruns devido à maioria dessas atividades serem centradas em questionários, ou ainda, em desafios semanais (atividades individuais postadas offline), em consequência disso, os e-fóruns não atenderem ao propósito de nossa investigação.
Em suma, a imersão da pesquisadora em outras salas de aulas virtuais como professora visitante foi essencial para a delimitação do objeto de pesquisa, evidenciando a relevância das relações dialógicas constituídas pelos alunos determinam a construção do sentido dos textos.
Salientamos que há sim uma grande interação entre os professores formadores, tutores a distância e alunos nas aulas virtuais observadas no projeto piloto, porém, a comunicação consistia em sanar dúvidas, corrigir atividades propostas, ou ainda, auxiliar na elaboração de projetos e de monografias desenvolvidas pelo alunado. Por outro lado, a interação com o propósito de debater textos, ou ainda, estimular a discussão em torno de uma temática ocorria, principalmente, entre os alunos sem qualquer intervenção de professores-tutores, seja para colocar a questão, mediá-la, ou mesmo, avaliá-la. Desse modo, a maioria das discussões eram livres sem objetivos pedagógicos, claramente, definidos pelos docentes.
Nesse aspecto, a sala de aula de “CC1” tornou-se a disciplina mais favorável para a realização do estudo devido ao processo de leitura/interação em e-fóruns ser recorrente entre as atividades propostas contribuindo para a construção do enunciado discente (compreensão responsiva), como também em razão de esses e-fóruns apresentarem características relevantes para a nossa pesquisa: 1) são abertos pelo professor que orienta a discussão temática; 2) são gerais, quer dizer, todos os alunos dialogam em um mesmo e-fórum, independentemente, do polo, no qual estivessem matriculados; 3) são e-fóruns avaliativos, havendo um maior número de alunos participantes devido à avaliação final da disciplina; 4) e as atividades de linguagem ser realizadas pela leitura/interação com o propósito de compreender e de produzir textos.
Também o projeto piloto beneficiou a escolha do sujeito de pesquisa, no caso, o aluno participante do e-fórum/aula, pois a maioria das ações responsivas ocorria entre alunos como averiguamos pela observação direta das salas de aulas. Retornamos às salas de aula de “CC1” de 2010 com o objeto de estudo, o contexto e o sujeito de pesquisa definidos, considerando aquilo que observamos durante a fase do piloto.
5.2.2 A sala de aula de “CC1”: caracterização do locus da pesquisa
Nesta seção, caracterizamos as 02 (duas) salas de aulas virtuais da disciplina “CC1” do curso de “LPPEAD” da uma IES pública paraibana, onde coletamos os