4. CHAPTER FOUR: DATA PRESENTATION AND ANALYSIS
4.3 T EACHERS ’ OPINIONS
Assinala-se a necessidade de desenvolver suportes instrumentais de servi ços e produtos de RSE especialmente direccionados para PME . Existem actualmente algumas estruturas que visam desenvolver e associar PME em torno do tema190, mas relativamente poucas pretendem uma integração das vertentes social e ambiental nas suas actividades e decisões; o que só se torna exeq uível com o envolvimento de toda s as
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Exemplo disso é por hipótese o suporte e aconselhamento dado em casos de certificação em que as grandes companhias tutelam determinadas parceiras PME, para mais desenvolvimentos no tema vide Blanco H. (2003) How can large companies contribute to environmental im provments in SME suppliers
and contractors? The caso of ISSO 14001 certification of five suppliers to Escondida mining company in Chile, Case Study for UN Global Compact.
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Para maiores desenvolvimentos e comparações entre casos Vide Burh K. e A. Hermanson (2004)
Governmental Support for Social Responsability in SME – a comparative study of Sweden and the UK.
partes interessadas e se considerarmos o campo de desenvolvimento de PME no âmbito da RSE.
Assim, qualquer medida pública ou acordo privado – directrizes, recomendações, programas de execução, protocolos, apoio a projectos próprios e à investigação e ao desenvolvimento – desde que tomadas em consideração as especificidades e os requisitos para uma implementação com sucesso podem surtir efeit os muito positivos neste contexto.
Outra questão relacionada prende -se com a coordenação e representação das PME nos fóruns e associações que visam promover e implantar políticas de RSE e ainda o papel desempenhado por estas organizações focadas nos benefícios da RSE para grandes grupos empresariais.
Se estes fóruns não tiverem em consideração as especificidades destas organizações empresariais de dimensão reduzida, podem não surtir grandes melhorias pelo desfasamento entre a teorização cr ítica e a aplicação à realidade concreta.
A consideração da vulnerabilidade destas organizações é preponderante, pois desencoraja a aplicação grandes medidas, fundadas em investimentos consideráveis, pois ao contrário das emp resas de maior dimensão, as PME carecem de capacidade financeira para investir em sistemas de eco-auditoria ou de políticas sociais internas.
No entanto, melhor política é a de enfrentar com sensibilidade as mutações decorrentes do inexorável decorrer do tempo e analisar a RSE de forma realista em termos do binómio custo-benefício e da necessi dade de escolha de instrumentos e mecanismos organizacionais adequados não só ao nível da decisão, mas também ao nível da sua aplicação191. Neste sentido, a criação de cooperativas ou estruturas idênticas que permitam a estreita colaboração entre PME demonstram vantagens indesmentíveis para maximização de tecnologia e amortização de investimentos.
Até hoje a agenda da RSE tem oferecido poucos incen tivos e facilidades para as PME devido à abordagem que tem sido adoptada, do topo para a base, unidireccion al, a partir das instituições públicas e focada nas multinacionais e grandes empresas e posteriormente destas para as PME , o que determinou uma discriminação das mesmas.
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Por exemplo no caso de certificação de RSE normalmente recai sobre grupos empresariais, releg ando na estrutura da empresa a coordenação e o controlo interno dos sistemas.
Este caminho deverá ser invertido para que se criem suportes e mecanismos de aconselhamento que levem os pequenos negócios a aderir a standards adequados, caso contrário estes parâmetros correm o risco de continuar a funcionar como barreiras de mercado armadilhando o funcionamento e o desenvolvimento dos pequenos negócios que são a base das economias, incluindo das economias europeias, já que representam uma fatia significativa do tecido empresarial europeu.
Talvez as formas e os processos propostos se traduzam num pequeno passo inicial particularmente em políticas de gestão de impactos, r ecursos humanos e tecnologias ecológicas. É com pequenos passos sustentados que se alcançam possíveis melhorias, já que os impactos sociais e ambientais cu mulativos da actividade das PME produzem efeitos mais gravosos do que aqueles que decorrem do funcion amento de um grande grupo empresarial, onde os factores são geridos centralmente e numa perspectiva global.
A emergência de contactos de negócios, fortemente incentivada no domínio da RSE, pode tutelar as expectativas das PME face à necessidade de auxílio e aconselhamento nas vertentes tecnológicas emergentes, deve ser bem vinda e sublinhada, não sendo suficiente, a agenda da RSE deve entender as PME como actores independentes e não em função da actividade que desempenham, instrumentais ao funcionamento de grandes empresas que fornecem ou de quem são beneficiários192.
Nesta óptica a reforma da agenda da RSE deve ser abordada como um desafio e uma oportunidade de integrar as PME e fortalecer a sua participação, mas fundamentalmente de criação de oportunidade s para que estas adiram às políticas sociais e ambientais propostas.
Em suma, no que se prende com a sua dimensão, volume de negócios, número de trabalhadores, impacto da actividade (individualmente considerado) e modelo de propriedade do negócio, as PME são estruturalmente diferentes das grandes empresas e multinacionais. Ora, estas características, conjuntamente com as condicionantes de acesso à informação e aos mais avançados métodos de gestão, por motivos já analisados, dificultam o estabelecimento de contactos de negócio e subsequentemente o
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E não podem ser olhados como os actores atrás dos quais se escondem ou se ignoram práticas de responsabilidade corporativa.
acesso aos mercados. Logo, a sua perspectiva de partida para a adopção de práticas de RSE pauta-se por interesses diversos (por comparação com as empresas de maior dimensão).
Se a imagem da PME não é genericamente visível, os modelos seguidos pelas grandes empresas não são suficientemente aliciante s, valem apenas na medida em que as mesmas estejam sujeitas a obrigações de índole ambiental e social enquanto fornecedoras e parceiras de grandes empresas.
A aposta em instrumentos como os descritos anteriormente, apoiados em novos modelos de investimento e no estabelecimento de parcerias, é de molde a corrigir e a moldar a abordagem da RSE às PME.