4. CONCLUSION
4.2 T HE CHARACTERISTIC FEATURES OF A HRBA TO POVERTY REDUCTION
Foram obtidos inicialmente 340 protocolos, dos quais 40 foram excluídos para efeitos de investigação atendendo a quatro critérios, a saber:
- um protocolo por se ter observado no momento de aplicação que a participante respondeu ao acaso (ritmo de resposta rápido e automático, sem evidenciar leitura do conteúdo dos itens);
- 6 protocolos porque os participantes, embora formandos, tinham 15 anos de idade no momento de resposta aos Inventários (não atingindo a idade legal mínima prevista para trabalhar);
- 5 protocolos pelo facto de os participantes terem realizado um número de omissões e/ou duplas marcações de resposta superior ao critério definido pelos elementos do grupo de trabalho;
- 28 protocolos porque os participantes, embora estando em formação, indicaram estar empregados (empregos em part-time não formalizados).
Desta triagem resultaram 300 protocolos que constituem a amostra em estudo. Estes participantes encontravam-se em situação de desemprego e frequentavam, na altura em que responderam aos instrumentos, formações patrocinadas pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional para obtenção do então nível III de qualificação (12.º ano de escolaridade).
Mais especificamente, a amostra é composta por desempregados formandos dos 1.º ao 3.º anos de 11 cursos profissionais, cursos esses pertencentes a três modalidades de formação: cursos de Aprendizagem, cursos de Educação e Formação de Jovens e cursos de Educação e Formação de Adultos (Quadro 4.8). No caso desta amostra, os cursos frequentados incidem em domínios de conhecimento diversos, tais como os serviços, as artes e a informática.
Quadro 4.8 – Cursos frequentados pelos participantes, por modalidade de formação Aprendizagem Educação e Formação de
Jovens
Educação e Formação de Adultos
- Animação Sociocultural - Instalação e Reparação de Computadores B3
- Instalação e Reparação de Computadores B3
- Técnico de Desenho Gráfico - Recepcionista de Hotel NS - Recepcionista de Hotel NS - Técnico de Multimédia - Técnico Administrativo NS - Técnico Administrativo NS - Serviços Pessoais e Apoio à
Comunidade
- Técnico de Desenho Gráfico NS
- Técnico de Desenho Gráfico NS
- Técnico de Seguros - Técnico de Multimédia NS - Técnico de Multimédia NS -Técnico de Vitrinismo
A distribuição por sexos é relativamente equitativa: 53% dos participantes é do sexo masculino (n = 159) e 47% do sexo feminino (n = 141). As idades variam entre os 16 e os 63 anos, situando-se a idade média nos 22.75 anos (o desvio-padrão é de 8.70 e a mediana corresponde a 20 anos de idade), o que sugere tratar-se de uma amostra genericamente mais jovem (Quadro 4.9).
Quadro 4.9 – Caracterização das sub-amostras masculina e feminina por Idade (N = 300) Média Desvio-padrão Mediana Amplitude
Amostra masculina 21.89 7.74 19.00 16 - 54
Amostra feminina 23.71 9.61 20.00 16 - 63
Amostra total 22.75 8.70 20.00 16 - 63
Relativamente às idades nas sub-amostras masculina e feminina verifica-se que a média na amostra feminina é de 23.71 anos e o desvio-padrão corresponde a 9.61, ambos os valores cerca de 2 anos mais elevados do que na amostra masculina (M = 21.89 anos e DP = 7.74). A amplitude das idades é superior na amostra feminina (16 a 63 anos) comparativamente à masculina (16 a 54 anos), tal como acontece para a mediana. No seu conjunto, são dados que evidenciam a juventude da amostra, quer no grupo masculino, quer no grupo feminino, já que 85.% da amostra tem até 30 anos de idade.
Atendendo ao estado civil (Quadro 4.10), a maioria dos participantes encontra- se solteira (84% da amostra) e 9.7% estão comprometidos, vivendo ou em união de facto (5%) ou casados (4.7%). Para além de 1.7% que não indica o estado civil, os restantes participantes distribuem-se da seguinte forma: 2.3% são separados, 2% divorciados e 0.3% viúvos.
Quadro 4.10 – Caracterização por Estado civil (N = 300) n % Solteiro(a) 252 84.0 União de facto 15 5.0 Casado(a) 14 4.7 Separado(a) 7 2.3 Divorciado(a) 6 2.0 Viúvo(a) 1 0.3 Não indica 5 1.7 Total 300 100.0
Relativamente à nacionalidade (Quadro 4.11), 73.0% dos participantes são de nacionalidade portuguesa, 23.5% são outra nacionalidade (sobretudo antigas colónias portuguesas em África, por ex., Cabo Verde – 8%, Angola – 5.7%, Guiné-Bissau – 4% e São Tomé e Príncipe – 2.3%). Há 4.9% de participantes que não indicam a nacionalidade, ou têm residência permanente em Portugal ou referem ter outra nacionalidade sem especificarem qual.
Quadro 4.11 – Caracterização por Nacionalidade (N = 300)
n % Portuguesa 219 73.0 Cabo-verdiana 24 8.0 Angolana 17 5.7 Guineense 12 4.0 Santomense 7 2.3 Brasileira 4 1.3 Holandesa 1 0.3 Italiana 1 0.3 Residência permanente 1 0.3
Refere ter outra nacionalidade mas não indica qual 4 1.3
Não indica 10 3.3
Total 300 ~100.0
De salientar o facto de cerca de um quarto dos participantes nesta investigação não serem de nacionalidade portuguesa, o que reflecte e sugere a heterogeneidade dos países de origem dos indivíduos inscritos nos Centros de Emprego para obtenção e melhoria de habilitações escolares e de qualificações profissionais.
Antes do ingresso na actual formação (Quadro 4.12) cerca de 77% dos participantes tinha níveis de habilitação entre o 6.º e o 9.º ano de escolaridade e 20.7% refere ter o ensino secundário incompleto. Apenas 1% completou o 12.º ano de escolaridade ou frequentou o ensino superior, não havendo indicação do nível de habilitação para 1.7% dos participantes.
Quadro 4.12 – Caracterização por Habilitações literárias antes da entrada em Formação/Curso (N = 300)
n % %ac
Entre os 6.º e 8.º anos de escolaridade 95 31.6 31.6 9.º ano de escolaridade (antigo 5.º ano) 135 45.0 76.6
Ensino secundário incompleto 62 20.7 97.3
Ensino secundário completo (12.º ano) 1 0.3 97.6
Ensino superior incompleto 2 0.7 98.3
Não indica 5 1.7 100.0
Total 300 100.0 -
O número de anos de interregno nos estudos antes do ingresso na actual formação (Quadro 4.13) foi indicado por 261 participantes e varia entre zero e 30 anos, com uma média de 3.05 anos de afastamento dos estudos (DP = 5.96). Para simplificar a apresentação dos anos indicados pelos participantes, foram definidos a posteriori intervalos com uma amplitude de cinco anos.
Quadro 4.13 – Caracterização por Anos de interregno do estudo antes da entrada em Formação/Curso (N = 300) n % %ac 0.00 anos 72 24.0 24.0 0.08 a 5 anos 149 49.7 73.7 6 a 10 anos 21 7.0 80.7 11 a 15 anos 6 2.0 82.7 16 a 20 anos 3 1.0 83.7 21 a 25 anos 1 0.3 84.0 26 a 30 anos 9 3.0 87.0 Não indica 39 13.0 100.0 Total 300 100.0 -
De destacar que 24% dos participantes não chegou a experienciar o interregno nos estudos (sendo de considerar que provavelmente abandonaram outras vias de prosseguimento de estudos para ingresso numa via mais profissionalizante) e que cerca de metade dos participantes não estuda há cinco ou menos anos (49.7%). Por outro lado, 13.3% refere um interregno de 6 a 30 anos nos estudos.
Finalmente, no que se reporta à situação profissional e como já referido, todos os participantes encontram-se em situação de desemprego. Para 70.3%, esta é a primeira vez que se encontram desempregados, ao passo que para 20% constitui já a 2.ª ou 3.ª situação de desemprego. De referir ainda que 9.7% dos participantes não indica se se encontra no desemprego pela primeira vez ou em situação repetida de desemprego (Quadro 4.14).
Quadro 4.14 – Caracterização quanto à Situação de desemprego (N = 300)
n %
Primeira situação de desemprego 211 70.3
Situação repetida de desemprego 60 20.0
Não indica 29 9.7
Total 300 100.0
O Quadro 4.15 caracteriza os participantes relativamente ao número de desempregos experienciados.
Quadro 4.15 – Caracterização quanto à frequência de desempregos (n = 60)
n % 2 vezes 25 41.6 3 vezes 10 16.7 10 vezes 1 1.7 Não indica 24 40.0 Total 60 100.0
Considerando apenas os sessenta participantes que indicam estar em nova situação de desemprego, 41.6% encontra-se em situação de desemprego pela segunda vez e 16.7% pela terceira vez. Para uma pessoa (1.7%) esta é a sua décima situação de desemprego. Contudo, de notar que cerca de 40% dos participantes não indica concretamente quantas situações de desemprego vivenciou.
Globalmente, trata-se de uma amostra com um índice de escolarização concluído baixo ou médio e, até à entrada em formação, pouco diferenciado. A maioria dos participantes é de nacionalidade portuguesa ou nasceu numa antiga colónia portuguesa. A amostra é equilibrada no que se refere à distribuição por sexos; no que se refere à distribuição das idades, embora haja grande amplitude, a média das idades sugere tratar-se de uma amostra jovem, quer no grupo de mulheres, quer no grupo de homens. Talvez esta mesma juventude seja um dos factores que explica o facto de a maior parte se encontrar solteira e de o interregno nos estudos antes da entrada na formação frequentada ser nulo ou breve. Quanto à situação profissional, e de acordo com a definição do IEFP, grande parte dos participantes encontra-se ocupada num programa especial de formação e para um quinto dos participantes (n = 60), constitui uma situação de desemprego repetido.