Capítulo 3. PLANTEAMIENTO DE LA INVESTIGACIÓN
3.6. TéCNICAS DE RECOgIDA DE DATOS
O principal objetivo desta pesquisa é analisar a transferência de conhecimento em fusões e aquisições internacionais, entre empresas adquirida e adquirente, e como esse processo resulta em criação de valor. Esta pesquisa de dissertação, como já mencionado, está baseada em dois dos cinco fatores apresentados no modelo de Bresman, Birkinshaw e Nobel (1999) como facilitadores da transferência de conhecimento em aquisições internacionais, a saber: comunicação, visitas e reuniões.
Pesquisa científica é definida como “uma atividade voltada para a solução de problemas teóricos ou práticos para o emprego de processos científicos. A pesquisa parte, pois, de uma dúvida ou problema e, com o uso do método científico, busca uma resposta ou solução” (CERVO; BERVIAN, 2002, p. 63).
Existem diversos tipos de pesquisa e cada uma apresenta uma abordagem diferente, níveis distintos de aprofundamento e “enfoques específicos conforme o objeto de estudo, objetivos visados e a qualificação do pesquisador” (CERVO; BERVIAN, 2002, p. 64). Esses autores ainda afirmam que a pesquisa descritiva “observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los”. Portanto, graças à sua natureza, esta pesquisa é descritiva e foi utilizado o estudo de caso, entendendo-se que esse seria o melhor processo investigativo para esse tipo de abordagem. Assim, analisa-se um caso de aquisição que, por sua natureza ou características, possa revelar aspectos importantes sobre a interseção dos processos de aquisição e de transferência de conhecimento. Sendo assim, a abordagem mais indicada é a de estudo de caso.
A abordagem qualitativa mostrou ser a mais adequada em razão do tipo de problema a ser pesquisado. Para Merrian (2002), o objetivo do estudo qualitativo é “descobrir e compreender um fenômeno, um processo, ou as perspectivas e visão de mundo das pessoas
nele envolvidas”. Na opinião de Bonoma (1985, p. 5), o foco da pesquisa qualitativa está no “comportamento humano” e, por isso, é considerado o principal ou mesmo único tipo de pesquisa que atende aos cientistas que procuram estudar fenômenos humanos e sociais.
Na pesquisa qualitativa, o pesquisador é “o principal instrumento de coleta e análise de dados. Para coletar os dados, são feitas entrevistas, realizadas observações ou analisados documentos” (MERRIAN, 2002). Esses critérios foram utilizados, tendo como referência o que foi aprendido na “literatura especializada a partir das quais o estudo se estruturou” (MERRIAN, 2002). Nesta dissertação, buscaram-se estudos de autores e instituições renomadas, literatura especializada a respeito de aquisições internacionais, criação de valor, conhecimento e transferência de conhecimento. O referencial teórico foi construído com o objetivo de levar à compreensão dos temas discutidos neste trabalho de pesquisa e dar embasamento teórico para a pesquisa de campo.
Na administração, o estudo qualitativo tem se tornado comum, mas é necessário ter o cuidado de trabalhar com rigor e desenvolver um padrão de qualidade (GODOY, 2005). Neste caso, o pesquisador deve acreditar no que realmente está observando ou medindo e questionar: “Os conceitos e postulados gerados, aperfeiçoados ou comprovados são aplicáveis a mais de um grupo?” (GODOY, 2005, p. 88).
A confiabilidade e a replicabilidade são desafios para os pesquisadores de estudos qualitativos. Existe, na pesquisa qualitativa, a dificuldade de o pesquisador obter a replicabilidade perfeita de um estudo anterior, através de um cenário social idêntico ou similar, e a elaboração de construtos idênticos para os mesmos fenômenos (GODOY, 2005). A pesquisa qualitativa no campo dos estudos sociais tem essa característica, o que não acontece com a pesquisa quantitativa. Apesar de passar pelas dificuldades de confiabilidade e replicabilidade, a pesquisa qualitativa não leva desvantagem em relação à sua qualidade da pesquisa. A utilização de técnicas de amostragem estatística não é a única garantia da qualidade da pesquisa. Torna-se relevante destacar que, mesmo sabendo da dificuldade e do desafio que apresenta, se optou pela pesquisa qualitativa via estudo de caso.
O estudo de caso pode ser simples (análise de uma única unidade de pesquisa) ou múltiplo (estudo de mais de uma unidade de pesquisa). Esta pesquisa utilizará o estudo de caso simples, que é definido por Soy (1997) como o método de análise de pesquisa que enfatiza detalhadamente o contexto de análise de um número limitado de eventos ou condições e suas relações.
O estudo de caso é um método que ajuda a compreender a complexidade de situações da vida real. Uma das vantagens desse tipo de pesquisa é o acesso ao público por meio dos
relatos escritos (YIN, 1981; SOY, 1997). Godoy (2005) considera o estudo de caso como um tipo de pesquisa que tem sido largamente utilizado por cientistas quando buscam responder às questões “como” e “por que” determinados fenômenos ocorrem e também quando há pouco controle sobre os eventos investigados. Esse tipo de estudo permite conhecer um tema complexo ou adicionar força a algo que já foi conhecido através de pesquisa anterior (YIN, 1981). O objetivo do estudo de caso é levar à compreensão de um fenômeno (BONOMA, 1985).
Para entender melhor esse método, Yin (1981) compara o estudo de caso com a história e o experimento que não podem utilizar esse método de pesquisa. A história não pode ser um estudo de caso porque muitos dos informantes não estão mais acessíveis para entrevistas, e as observações diretas não podem ser feitas. O experimento também não pode ser usado como metodologia de estudo de caso porque o fenômeno e o contexto estão separados.
A maior crítica ao estudo de caso refere-se à impossibilidade de se fazer generalizações com base em resultados obtidos na pesquisa (BONOMA, 1985). A preocupação do estudo de caso deve ser conhecer e descrever um fenômeno pouco estudado ou desconhecido. O estudo de caso é um método complexo, conforme afirma Soy (1997), uma vez que envolve diversas fontes de informação e produz muitos dados para análise. Muitos pesquisadores “utilizam-se deste método para construir teoria, produzir nova teoria, disputar ou desafiar teoria, explicar situação, prover uma base para aplicar soluções para situações, explorar, ou descrever um objeto ou fenômeno” (SOY, 1997, p. 9).
Então, as escolhas metodológicas que foram consideradas mais adequadas para a análise deste trabalho de pesquisa são: a natureza qualitativa; a definição de que o pesquisador é o instrumento fundamental; o ambiente escolhido é a fonte direta de dados; a pesquisa é descritiva, já que os pesquisadores tentam compreender os fenômenos valendo-se da perspectiva dos participantes; o estudo de um único caso.