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System Description

8.5 System Integration and Bin Picking

As estratégias para efetivação da comunicação envolvem ações voltadas à Proposta Pedagógica da sala de aula, que devem ser centradas nas necessidades educacionais especiais dos alunos e considerar a ausência de interações, comunicação e linguagem, além das alterações de atenção e comportamento (BRASIL, 2002a). Compreendem, também, adaptações, com o objetivo de potencializar as situações de comunicação ocorridas no ambiente escolar de forma direta e/ou com dicas verbais, e as instruções são passadas de forma clara, sem repetições exageradas e indicando o “passo a passo” de cada ação. Neste âmbito, é fundamental a identificação das funções fragilizadas, dos canais de comunicação receptivos, bem como de seus interesses e potencialidades (SUPLINO, 2010).

Segundo Blin e Deulofeu (2005, p. 15), a “Comunicação com alguém é melhor quando duas pessoas pensam no mesmo universo simbólico e possuem os mesmos referenciais (filtragem das mensagens por sistemas de valores)”. Isso significa pensar que o receptor atribui interesses próprios à mensagem, de acordo com o sentimento pelo locutor. Em âmbito escolar, essa relação se dá nas interpelações verbais emitidas pelo professor, que podem ser interpretadas pelos alunos como agressões ou falta de respeito, dependendo da relação estabelecida entre as partes. Dessa forma, segundo os autores “A maneira de dizer é, em geral, mais determinante para os alunos do que o próprio dizer” (BLIN; DEULOFEU, 2005, p. 16).

Ainda na perspectiva desses mesmos autores, muitos alunos apresentam uma perda no plano das competências essenciais que viabilizam a interação com os demais nos diferentes contextos sociais e acabam por reagirem com violência nas situações conflituosas. É dessa

48 forma que “as capacidades linguageiras” são indispensáveis a eles, com o intuito de permitirem a expressão de suas necessidades, emoções, frustrações e males.

Blin e Deulofeu (2005) partem do princípio de que a classe é um lugar de aprendizagem dos saberes escolares, onde os alunos estabelecem relações e aprendem a integrar-se numa coletividade, ou seja, socializam-se e vivenciam situações de integração. Neste sentido, estabelecer uma relação positiva entre professor e aluno é o primeiro passo para a aprendizagem, possibilitando ao aluno desenvolver seu potencial criativo. Dessa forma, os autores apontam que o olhar positivo para os alunos pode influenciar na motivação deles e sugerem, ainda, que é aconselhável:

[...] emitir mensagens positivas:

x emitir regularmente mensagens positivas, de encorajamento à turma, a fim de confortar sua imagem e ranquilizá-la.

x ter atenção com a desmotivação coletiva resultante de mensagens negativas e de comparações com outras turmas;

x informar os pais sobre a melhora do comportamento ou do trabalho de seu filho. (BLIN; DEULOFEU, 2005, p. 113).

Para Cowley (2006), é vital que o professor aprenda a dar instruções de forma efetiva e entre outras estratégias, sugere a “regra de três” e o “uso de indicadores de tempo”. A primeira se pauta na noção de que três é a quantidade máxima de informações que as crianças podem processar funcionalmente. A segunda propõe que, para evitar instruções confusas, se esclareça a ordem e o tempo de trabalho, por exemplo “primeiro, eu quero que vocês façam...” deixando até um tempo de referência registrado no quadro da sala.

O documento do MEC (BRASIL, 2002a) aponta como proposta de adaptação organizativa oferecer aos alunos oportunidades de se comunicar de diferentes maneiras de acordo com suas necessidades, cabendo ao professor identificar a forma mais adequada de comunicação para cada aluno, no sentido de incentivar a compreensão, o prazer e a autonomia.

Os estudos de Stainback e Stainback (1999) e Blin e Deulofeu (2005) sugerem que a eficácia das atribuições de sala de aula pode ser alcançada quando o professor passa as instruções de forma que os alunos saibam exatamente o que se espera deles, evitando a ambiguidade das informações e oportunizando situações em que os alunos obtenham sucesso. Se necessário, o professor poderá, ainda, usar instruções por sinais e apoio escrito nas instruções verbais como opções que podem facilitar o acesso dos alunos à aprendizagem.

As dicas verbais são sugeridas por Lewis e Doolag (1991 apud BRASIL, 2002a), como procedimentos interessantes para promover atenção e concentração nas atividades de estudo.

49 Sinalizadores como “Escutem! Prontos? Está na hora de começar!” devem ser emitidos antes de se apresentar uma informação. Além disso, os alunos devem sempre receber motivação e/ou aprovação nas suas realizações, além do elogio após o alcance das metas estabelecidas o reconhecimento explícito quando o aluno substituir as respostas agressivas por comportamentos desejáveis configuram-se como ações de programas saudáveis de interação social.

Estudos realizados por Bolsoni-Silva (2003), Del Prette e Del Prette (2001) e Suplino (2010) apontam inúmeras estratégias que visam facilitar o processo de comunicação necessário entre aluno e professor, entre outras destacam o fazer e recusar pedidos, deixando de forma clara o que se espera do aluno e quando é necessário dizer “não”, principalmente nas situações em que os comportamentos podem causar algum risco à saúde dos alunos. Se houve cumprimento do que foi solicitado, deve-se tecer elogios e agradecimentos, caso contrário, pode-se repetir a solicitação ou negociar a situação (BOLSONI-SILVA, 2003).

Há, ainda, algumas estratégias que são funcionais para a comunicação, tais como: lidar com críticas de forma a ouvir e analisar, manifestando uma resposta de aceitação, rejeição ou até mesmo desconsideração e admitir erros, por meio do pedido de desculpas (BOLSONI-SILVA, 2003).

Del Prette e Del Prette (2001) propõem como estratégia de crítica adequada, a “técnica do sanduíche”, que consiste em iniciar uma conversa por algo positivo e, em seguida, referir-se a algo negativo, finalizando sempre com uma nova referência positiva.

Suplino (2010, p. 3) propõe:

x Parear o aluno retraído com um parceiro mediador, de forma que este possa lhe oferecer modelos adequados de participação, e que o aluno possa ser positivamente beneficiado quando apresentar comportamento semelhante.

x Agrupar os alunos em formato de semicírculo, ou de U, para favorecer que todos possam manter contato visual com o professor.

x Usar a proximidade física para encorajar a atenção dos alunos.

x Reduzir a previsibilidade de suas ações, variando a forma de apresentação das lições.

x Apresentar orientações para as tarefas tanto verbalmente, como por escrito. x Iniciar o ensino da organização do trabalho, com orientação de poucos passos.

Aumentá-los gradativamente.

x Apresentar modelos aos alunos sobre como se organizar no trabalho. x Encorajar os alunos impulsivos a “pensar” antes de falar ou fazer. Para finalizar, destacamos algumas dicas propostas por Suplino (2010):