4 Sysselsettingssystem og rekruttering i Lebesby før og nå
4.1 Sysselsettingssystemet i Lebesby før 1990
Baseando-se nos objetivos propostos, os resultados foram discutidos, sendo apresentados inicialmente o perfil sociodemográfico dos idosos institucionalizados no asilo “Lar dos Velhinhos” e de suas respectivas famílias, e, posteriormente, as percepções do idoso e de sua família acerca da condição da institucionalização asilar, bem como as perspectivas e expectativas do idoso e seu sentimento de pertencimento e identificação ou negação em relação à vida no asilo.
4.1 Caracterização dos idosos e de suas famílias
Depois de os dados terem sido transcritos, categorizados e analisados, foi possível caracterizar o perfil sociodemográficol8 e familiar dos idosos institucionalizados no asilo “Lar dos Velhinhos. O perfil foi traçado com base em dados coletados pela análise dos registros documentais dos idosos da instituição e por meio de entrevista com os idosos. Para caracterização sociodemográfica dos idosos foram utilizadas as seguintes variáveis: sexo, idade, estado civil, nível de escolaridade, procedência (rural, urbana), número de filhos, condições de saúde ao ingressar no asilo,
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Para manter o anonimato dos entrevistados, no lugar dos nomes virão letras do alfabeto para identificação dos idosos e de suas respectivas famílias, sendo o idoso denominado “A” corresponde à família “A”.
ocupação anterior à institucionalização asilar e atividades exercidas pelo mesmo, bem como a identificação do responsável pelo recebimento da renda e sua administração (Tabela 3).
Tabela 3 – Perfil sociodemográfico do idoso institucionalizado no “Lar dos Velhinhos”, Viçosa-MG, 2006
Idoso Idade
(anos) Sexo Estado civil
No de Filhos Condições de saúde anterior à institucionali-zação Valor do benefício (R$) Procedência
A 77 Feminino Viúva 3 Sem histórico médico 350,00 Urbano
B 81 Feminino Viúva 0 Deficiente física 350,00 Rural
C 88 Feminino Viúva 0 saúde normais Condições de 350,00 Urbano
D 69 Feminino Solteira 0 Diabetes, labirintite 350,00 Rural
E 70 Masculino Casado 4
Seqüela de acidente vascular
cerebral (AVC)
350,00 Urbano
F 77 Masculino Viúvo 4 Cirrose 350,00 Rural
G 70 Feminino Solteira 0 Condições normais
de saúde 350,00 Rural
H 60 Masculino Solteiro 0 Seqüela de AVC 350,00 Urbano
I 67 Masculino Casado 2 Hipertensão,
vitiligo, depressão 350,00 Rural
J 83 Feminino Viúva 3 Sem histórico
médico 1.279,00 Rural
L 75 Masculino Casado 0 Sem histórico
médico 350,00 rural
Fonte: dados da pesquisa.
Obs.: o valor do salário mínimo na época da coleta dos dados (2006) era de R$ 350,00.
Na análise da variável sexo, dos 11 idosos, seis eram mulheres (54,54%) e cinco homens (45,45%), ou seja, uma maioria feminina, que é a tendência observada em todo o País. O fato evidenciado neste estudo pode ser confirmado por Motta (1999), que afirma que existe um processo de “feminização da velhice”. Em relação à idade, verificou-se que a maioria dos idosos se encontrava na faixa de 66 a 70 anos, devendo ser ressaltado que as mulheres apresentavam faixa etária superior à dos homens. Ao calcular a média das idades dos homens e das mulheres, verificou-se que a feminina era superior à masculina, 78 anos contra 69,8 anos, respectivamente (Tabela 3). Essa situação pode ser confirmada pelos dados do IBGE (2004), que evidenciaram que a expectativa de vida da mulher brasileira é superior à
dos homens, 75,5 contra 67,9 anos, embora a faixa etária média da amostra estudada tenha sido maior.
No que concerne ao estado civil, identificou-se que dos 11 idosos, a maioria, ou seja, cinco eram viúvos (45,45%) e destes quatro eram mulheres e apenas um homem, situação que pode ser explicada pela maior expectativa de vida das mulheres (Tabela 3). Destes 11 indivíduos estudados, três eram solteiros e três casados. Referindo-se à escolaridade, um era analfabeto, três alfabetizados fora da escola e sete tinham ensino fundamental incompleto, o que comprova a baixa escolaridade desses idosos. Segundo dados do IBGE (2000), a taxa de alfabetização para indivíduos com mais de 60 anos é de 64,8%, ao passo que o índice nacional total da população brasileira é de 87,2%, o que demonstra uma desvantagem para o primeiro grupo. É importante ressaltar que as gerações nascidas até a década de 1940 não valorizavam o estudo por motivos de socialização, já que os homens eram ensinados a assumir o sustento da casa muito jovens e as mulheres dividiam suas atribuições domésticas com os filhos (PIRES e SILVA, 2001).
Quanto à procedência, sete vieram do meio rural e seis do meio urbano (Tabela 3). Analisando o número de filhos, percebeu-se que a maioria dos idosos entrevistados não possuía filhos.
Referindo-se às condições de saúde ao ingressar no asilo, constatou- se, por meio dos registros médicos da instituição, que seis idosos apresentavam problemas de saúde, como cirrose, hipertensão, vitiligo, depressão, seqüela de acidente vascular cerebral, diabetes e labirintite, sendo um portador de necessidades especiais. Do total de indivíduos, dois receberam a avaliação de condições de saúde normais e três não possuíam registro médico com avaliação ao ingressar na instituição (Tabela 3). Segundo os funcionários deste setor, essa falha é de responsabilidade da administração anterior, por isso eles não poderiam dar nenhuma explicação em relação a este fato.
Em relação à ocupação e às atividades anteriores ao asilamento, das seis mulheres, três haviam trabalhado como empregadas domésticas, uma na agricultura e duas tinham sido donas de casa. Dos cinco homens, dois tinham trabalhado na agricultura, um como auxiliar de serviços gerais, um
como operador cinematográfico e um em fábrica. Analisando a renda, tem- se que dez idosos recebiam benefícios no valor de 1 salário mínimo (Tabela 3), sendo a renda de nove deles administrada por um responsável da instituição. Este responsável fazia o repasse mensal de 12% para oito destes nove idosos, seguindo determinações da administração anterior. Segundo os funcionários deste setor, essa medida foi simplesmente seguida pela atual administração, portanto não seria possível qualquer tipo de explicação em relação aos critérios de escolha dos contemplados com o repasse e o valor deste. O recebimento do benefício de apenas dois idosos era de responsabilidade da família, que encaminhava integralmente 1 salário mínimo à instituição. Em um destes casos, o valor era de R$350,00 e era repassado integralmente para instituição. No outro caso, o valor do benefício era de R$ 1.279,00 e a família fazia o repasse de R$350,00 para a instituição, e nenhum para o idoso (Tabela 3).
Para caracterização do perfil sociodemográfico do membro responsável pela institucionalização dos idosos, foram utilizadas as seguintes variáveis: identificação do membro responsável pelo asilamento, idade, ocupação, faixa de renda, estado civil e existência de bens próprios.
Recorreu-se aos registros da instituição no intuito de identificar o membro familiar responsável pelo encaminhamento do idoso à instituição, uma vez que essa pessoa poderia informar com maior precisão o motivo do asilamento (Tabela 4). A entrevista foi realizada, então, com esse responsável, buscando-se traçar seu perfil sociodemográfico e também o perfil de sua unidade doméstica. Só foi possível realizar o estudo com nove famílias, pois duas se recusaram a participar.
Em relação ao membro responsável pela institucionalização, tem-se que três idosos foram levados ao asilo por irmãos, um pela afilhada, um pela esposa, dois pelos filhos, um pela amiga e um pela sobrinha (Tabela 4). Constatou-se que a maioria dos responsáveis pela institucionalização asilar dos idosos era mulheres (77,8%), o que pode sinalizar que este fato esteja associado com a saída da mulher para o mercado de trabalho e para especialização profissional, tornando-as cada vez menos disponíveis para assumirem a responsabilidade pelos cuidados com os idosos (CALDAS, 2002).
Tabela 4 – Perfil sociodemográfico do membro familiar responsável pela institucionalização asilar do idoso
Identificação da família Membro familiar responsável pelo asilamento Idade
(anos) Ocupação Faixa de renda Estado civil Bens próprios
B Irmã 72 Aposentada,
do lar
2 a 5 salários
mínimos Viúva 1 casa
C Afilhada 48 Do lar 2 a 5
salários mínimos Casada
1 casa, 1 carro
D Irmã 65 Do lar 2 a 5 salários
mínimos Viúva 1 casa, 1 carro E Esposa 69 Aposentada, do lar 2 a 5 salários
mínimos Casada 1 casa
F Filha 39 Diarista 2 a 5 salários
mínimos Casada Nenhum
G Amiga 59 Do lar,
vendedora
1 salário mínimo
Casada 1 casa
I Irmão 56 Agricultor 2 a 5 salários
mínimos Casado
1 casa, 1 carro, 1 sítio
J Filho 50 Comerciante 2 a 5 salários
mínimos Casado 1 casa, 1 carro, 1 loja financiada L Sobrinha 26 Atendente do posto de saúde 2 a 5 salários mínimos Solteira 1 casa, 1 carro Fonte: dados da pesquisa.
Obs.: As famílias “A” e “H” se recusaram a participar deste estudo.
Constatou-se que em apenas dois casos foi o homem, o provedor da casa, o responsável pela institucionalização asilar. Nos demais casos, foi a mulher, mesmo não sendo a provedora, a responsável pelo asilamento. Este dado pode revelar que, na maioria das vezes, a institucionalização asilar é motivada principalmente pela falta de tempo dos membros em assumir o cuidado com os idosos, e não por questão financeira.
A renda da maioria dos responsáveis pelo asilamento (88,9%) era de 2 a 5 salários mínimos, o que está de acordo com os dados do IBGE (2003), que relata que o rendimento médio mensal das famílias brasileiras é de R$ 726,60, ou seja, em torno de 2 salários mínimos vigentes. Todos desempenhavam atividades laborais e, ou, de estudos, sendo a maioria casada (66,7%) e possuidora de bens (88,90%) (Tabela 4).
Para caracterização do perfil sociodemográfico da unidade doméstica do responsável pelo asilamento do idoso, foram utilizadas as seguintes variáveis: número de pessoas que compõem a família e o sexo destas; a idade de cada membro; e a ocupação (Tabela 5).
Tabela 5 – Perfil sociodemográfico da unidade doméstica do responsável pelo asilamento
Identificação da família Grau de parentesco com o
idoso Idade Ocupação
B C D E F G I J L Irmã Sobrinha-neta Afilhada Marido da afilhada Filho da afilhada Filho da afilhada Irmã Sobrinho Esposa Filha Genro Neto Neta Amiga Marido da amiga Tia da amiga Irmão Cunhada Sobrinha Sobrinho Sobrinha Sobrinha Filho Nora Neta Neta Neta Sobrinha Irmã 72 anos 17anos 48 anos 53 anos 21 anos 24 anos 65 anos 29 anos 69 anos 39 anos 44 anos 14 anos 12 anos 59 anos 37 anos 73 ano 56 anos 44 anos 18 anos 15 anos 9 anos 8 anos 50 anos 47 anos 19 anos 18 anos 3 anos 26 anos 56 anos Aposentada, do lar Auxiliar de salão de beleza
Do lar Funcionário público Estudante Prestador de serviços Do lar Servidor público Aposentada, do lar Diarista Trabalha no Saae Estudante Estudante Do lar, vendedora de chup-chup Servente de pedreiro Aposentada por invalidez
Agricultor Artesã e do lar Artesã e estudante Estudante Estudante Estudante Comerciante Comerciante, do lar Estudante Estudante
Atendente do posto de saúde, estudante
Atendente do posto de saúde Fonte: dados da pesquisa.
Obs.: as famílias “A” e “H” se recusaram a participar deste estudo.
Ao analisar a questão da composição familiar, identificou-se que a média do número de membros das famílias é de 3,2 indivíduos. Este fato pode ser confirmado pelos dados do IBGE (2000), que evidenciam que a composição média das famílias é de 3,5 membros. Verificou-se que todos os membros familiares desempenhavam atividades laborais e, ou, de estudos (Tabela 5).
4.2 Percepção acerca da condição da institucionalização, na perspectiva do idoso e de sua família
Inicialmente, foram realizadas entrevistas com os idosos a fim de analisar a sua percepção acerca da institucionalização. A análise do conteúdo das entrevistas revelou que dos 11 idosos estudados, 54,5% moravam em Viçosa antes do asilamento, 36,4% em municípios vizinhos: um em Coimbra, um em Paraguai, um em Cachoeirinha e um em Paula Cândido. Apenas 9,09% morava em São Paulo antes do asilamento. No que se refere à pessoa com quem co-habitavam, verificou-se que 54,54% moravam com a família (dois com os irmãos, um com a esposa, dois com os filhos e um com a amiga), 36,36% idosos moravam sozinhos e 9,1% morava no asilo de Coimbra. Neste primeiro caso, a co-residência com uma amiga se efetivou porque esta não tinha um relacionamento próximo com a família, situação que pode ser exemplificada por meio da fala da idosa:
Como meus irmãos faleceram e meus sobrinhos moram todos em São Paulo, eu fiquei sozinha, não me casei e nem tive filhos. Aí eu fui morar com minha amiga. Eu não tenho convívio com meus sobrinhos, por isso não tenho relacionamento com eles, com a família (Idosa A).
Foi importante verificar a percepção do idoso em relação às suas condições de moradia na fase pré-asilamento. No que se refere à satisfação com a moradia anterior, 63,63% dos idosos estavam satisfeitos. A satisfação foi justificada principalmente pela convivência familiar, pela liberdade proporcionada a quem vive sozinho, pelo sentimento de pertencimento e, ou, propriedade em relação à casa em que se vive. Destes, 36,37% não quiseram explicitar o motivo da satisfação. Exemplificando:
Estava satisfeito, morando com a família, né? (Idoso E). Estava gostando é de morar lá sozinho, ficar liberado, né? (Idoso L).
Estava satisfeita. Nunca pensei em me mudar de lá. Morar no que é da gente é bom demais (Idosa B).
De acordo com Licht (2007), em se tratando dos idosos, a casa inclui um significado de abrigo, proteção e de conquistas e memórias afetivas que foram construídas ao longo de toda a vida e é, por si só, motivadora de satisfação neste grupo etário. A casa é o espaço social e de identidade dos idosos, e estes estabelecem laços importantes com os objetos, as pessoas e o ambiente. Por este motivo acredita-se que os idosos entrevistados manifestaram sua satisfação com a condição anterior de moradia, ou seja, sua casa, e não com o asilo. Espera-se que o tempo construa um novo sentimento para esta “nova casa”, o asilo, mas isto demandará tempo para se criar a identidade.
Com relação àqueles que relataram insatisfação com o local de moradia anterior ao asilamento, vários foram os motivos apresentados. Dos 36,37% de idosos, uma relatou que a presença de amigos do filho na residência a incomodava. Para outra, o sentimento de não pertencer, ou de estar de favor em casa que não era sua, gerava inconveniência. Outro relatou que a casa em que ele vivia com a filha era uma bagunça causada pelo genro alcoólatra. Outros não revelaram o motivo de sua insatisfação:
Eu não gostava de morar com ele. Ele levava uns rapazes pra lá e me incomodava (Idosa A).
Não estava gostando, não. Morar de favor na casa dos outros não é fácil (Idosa G).
Não estava gostando porque era uma bagunça danada. Meu genro bebia muito e fazia uma bagunça danada e eu ficava com muita raiva (Idoso F).
No que diz respeito aos motivos impulsionadores da institucionalização asilar na perspectiva do idoso, foram identificados 27,3% casos por doença, que resultaram na impossibilidade do cuidador assumir o idoso dependente, por não poder e, ou, não querer, situação que teve como conseqüência em um dos casos a sensação de exclusão sentida pela idosa em relação à família.
Aí eu fiquei doente, um problema no pé de circulação. Comecei a andar de cadeira de rodas. Como eu precisava de cuidado, minha irmã não quis saber de mim e me trouxe pra cá (Idosa B).
De acordo com Chaimowicz e Greco (2007), os problemas de saúde têm sido apontados na literatura brasileira como uma das principais causas do asilamento, devido à dificuldade que a família encontra em se organizar e eleger qual e, ou, quais membros serão responsáveis pelo cuidado do idoso dependente, pela falta de tempo, rejeição e falta de vontade em se dedicar a esta função estressante, que requer muito tempo de dedicação, paciência e bom relacionamento entre cuidador e o idoso. Assim, a institucionalização asilar do idoso é a alternativa mais comum em casos de doença. No Brasil, grande parte dos idosos institucionalizados é dependente por problemas físicos ou mentais.
Outro motivo para o asilamento foi vontade própria, manifestada por 27,3% dos idosos, motivados por medo de morar sozinho e pelo desejo de não morar com parentes e amigos. A institucionalização asilar representa uma alternativa de baixo custo que propicia cuidado e abrigo para os idosos que vivem sozinhos e não querem se mudar para a casa da família por diversos motivos, como: relacionamento distante ou conflituoso com a mesma, desejo de não ser considerado um trabalho e um gasto a mais, para não perder a liberdade e autonomia, dentre outros.
Segundo Debert (1999), o projeto do idoso de entrar no asilo se relaciona ao desejo de manter a independência funcional, ameaçada diante das deficiências físicas próprias da idade; não ser um estorvo para a família e participar de uma vida social ativa.
É porque eu separei da esposa, né? Minha mulher e meus filhos brigaram comigo, e pra não ficar sozinho, eu mudei pra Viçosa pra ficar perto de meus irmãos. Morar com os irmãos não dava certo, a gente não combinava tanto. Então eu resolvi vim aqui pro asilo (Idoso I).
De acordo com Barros (2003, p.163), “a escolha de alternativas não familiares no caso dos velhos não os elimina como executores da opção”. Isto porque a velhice, para eles, tem um lado de rejeição, e ao serem os responsáveis pela opção de asilamento exercem sua individualidade.
O conflito familiar foi apontado também como motivador da institucionalização asilar em 36,4% dos casos, e que podem ter sido
conseqüência do fato de estes idosos morarem de favor na casa dos filhos casados e de amiga com respectiva família.
O motivo de mudar da casa da minha irmã pra aqui era que meu cunhado estava brigando muito comigo, ele era muito estourado e nervoso, ignorante mesmo. Não dava certo não. Aí minha irmã resolveu me trazer pra cá, assim as brigas acabavam (Idosa D).
A falta de cuidador, resultado de rejeição por parte da família, aliada à falta de tempo e de vontade de se dedicar a esta função, foi relatada em 9,1% dos casos como impulsionador do asilamento.
Ninguém me quis, e fazer o quê, né? Ninguém quer cuidar de velho, não tem tempo e nem vontade (Idosa C).
Esses dados estão de acordo com estudos de Cortelleti et al. (2004), que relatam que enquanto o idoso permanece saudável e independente, responsabilizando-se pelos seus cuidados pessoais, realizando tarefas domésticas ou dando sua colaboração para o orçamento doméstico, tem possibilidade de permanecer e participar da estrutura familiar. Entretanto, quando passa a necessitar de ajuda, a família, muitas vezes, recorre à institucionalização.
Ao serem questionados sobre a pessoa que tomou a decisão quanto ao asilamento, percebeu-se que a maioria dos idosos foi levada pela própria família ao asilo. Dos 11 idosos, 72,7% foram institucionalizados por decisão familiar e somente 27,3%, por vontade própria.
Quando foi indagado àqueles idosos que foram institucionalizados por decisão familiar se haviam sido consultados pela família sobre o asilamento, o que se pôde perceber é que a família tomou a iniciativa, sem oferecer ao idoso oportunidade de escolha, talvez porque esta seja uma opção mais rápida, menos trabalhosa e menos desgastante. Apenas um indivíduo havia sido consultado sobre a possibilidade de ir para o asilo, 63,6% foram simplesmente comunicados, considerando que consultar significa permitir argumentação e escolha; enquanto os 27,3% restantes tomaram a decisão. Percebe-se pelos relatos expostos que, na grande maioria dos casos, existiu
uma imposição da família em relação à institucionalização dos idosos. Estas situações podem ser explicitadas pelos discursos:
Ela conversou e eu disse que eu vou pra lá (Idoso F).
Ela falou que ia me trazer. Ela arrumou tudo e eu tive que vir, fazer o quê, né? (Idosa C).
Não, quando eu soube, ela já estava me trazendo (Idosa B).
Para Alcântara (2004), a maioria dos idosos que se encontra em asilo foi persuadida pela família, sob o argumento de que neste local teria melhor assistência. Porém, apesar de muitas vezes o cuidado ser mais apropriado na instituição, o asilamento impõe perda de laços diretos com o contexto histórico, com suas referências pessoais e familiares, influenciando o idoso a acreditar em si próprio e dificultando as estratégias para se manter e se sentir vivo. Além disso, de acordo com Bulla e Mediondo (2004), os idosos, em sua maioria, não desejam envelhecer nessas instituições.
De acordo com Bosi (1994), na própria família existe uma cumplicidade entre os adultos em conduzir os velhos, em provê-los de cuidados “para o próprio bem”, privando-os da liberdade de escolha, estimulando-os a ficarem dependentes, gerenciando sua aposentadoria, decidindo quando e para onde devem mudar de casa, submetendo-os à institucionalização e iludindo-os com a idéia de ser temporária a nova moradia.
Percebe-se que os dados contradizem o Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003), que prega políticas de proteção dos direitos básicos (saúde, educação, trabalho, justiça) e políticas de proteção à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Este estatuto, que será a referência para a análise dos dados desta pesquisa, prevê também, em seu Art. 3o das “Disposições Preliminares”, a priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento ao asilar,