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Sysselsetting i elektrobransjen

In document Kristine Nergaard (sider 12-16)

Nestas pesquisas permanecemos no terreno positivo. A evolução é um fato aceito. Que ela caminha em direção à espiritualidade é uma verdade amplamente demonstrada. O conceito de evolução implica no de vários planos biológicos e a possibilidade da existência de seres mais ou menos adiantados, situados nesses níveis. É lógico que quanto mais se sobe, tanto mais eles se tornam seres pensantes e que aumente o seu conhecimento em proporção ao seu grau de evolução.

Em nosso ambiente terrestre, é conhecida a telepatia. Não há razão para que tal fenômeno de transmissão do pensamento não se deva verificar também fora do restrito campo terreno no qual o vemos funcionar. Não se pode negar "a priori" a possibilidade de uma comunicação telepática entre seres pensantes situados em diversos planos de evolução.

Tal hipótese é corroborada pelo fato de que este processo se demonstra útil aos fins da evolução, que se aproveitaria da inteligência e conhecimento conquistados pelos mais avançados para colocá-los, —- com a finalidade de ensinamento e como guia de orientação, — no nível e à disposição dos menos avançados. Outra confirmação é que na Terra é conhecido — e historicamente tem funcionado — o fenômeno da intuição, da inspiração profética, tanto que delas derivou a revelação, acontecimento espiritual de tal importância que constitui as bases das nossas religiões, nas quais é Deus quem fala. Quando se diz que estas vozes descem do Alto entende-se que provêm de seres situados em superiores planos de existência, de pleno acordo com a teoria da evolução. Este tipo de transmissão telepática, que aqui estamos observando a propósito da Obra, já existe, portanto, nos hábitos de nosso mundo espiritual. Assistimos finalmente ao fato de que a ciência está utilizando largamente tal sistema de transmissão por radiação, com a televisão, as transmissões de imagens da lua, o rádio etc. Mais tarde a transmissão do

pensamento como energia radiante será fato positivamente averiguado.

Do conjunto destas constatações se deduz não ser absurdo pensar que a vida utilize também o meio de transmissão telepática para realizar, dessa forma, o fenômeno da evolução, para ela importantíssimo, com a técnica da descida dos ideais aqui examinada.

Foi neste sentido que falamos da Obra-centro, isto é, como meio de evolução e tentativa daquela descida de ideais. Mas, se quisermos ou não admitir as suas origens super-normais, permanecerá o fato positivo da existência desta Obra e das soluções que ela oferece para muitos problemas do conhecimento que até agora eram insolúveis. Este já é um resultado que a torna útil conforme os fins a que ela se propõe. Aqui desejamos esclarecer que por Obra-centro entendemos: centro apenas como sistema conceitual e espiritual, não o sendo, em sentido algum, o instrumento terreno que a compilou. Aliás, esta sua posição de nulidade perante o valor da Obra, a sua firme vontade de não se fazer chefe terreno de nenhum grupo humano e de seus interesses foram muitas vezes declarados (cfr. Vol. Profecias, "Gênese e Origem da Segunda Obra"). para que não pudessem surgir quaisquer dúvidas a este respeito. Tivemos de insistir neste conceito, porque esta superioridade, toda espiritual e impessoal da Obra, valorizada sobretudo por ser posta a serviço dos outros, foi muitas vezes entendida como uma afirmação de supremacia humana individual por parte do instrumento Assim, ele foi condenado por alguns, que deram prova de não ter compreendido coisa alguma do que, efetivamente, estava acontecendo.

Infelizmente, cada um não tem outro meio para julgar, senão a forma mental que possui, conforme o seu nível evolutivo e dela é difícil sair. É natural: quem pensa de certa maneira vê tudo com sua ótica, mesmo que não corresponda de fato à realidade O que vemos não depende somente do objeto observado, mas dos olhos que usamos para observá-lo. Neste caso existe um centro de tipo espiritual em cujo campo de forças se puseram a girar elementos de sinal oposto. Mas os olhos comuns não vêem as coisas espirituais senão enquanto revestidas de forma material. Neste caso tal forma era representada pelo instrumento humano daquele centro. Trocaram-no pelo centro, enquanto este era somente a Obra; confundiram-no com a idéia e começaram a circular em volta dele, como se ele, e não a idéia, fosse o centro, como se a veste fosse a pessoa, o tradutor fosse o autor, ou o meio de expressão constituísse o conceito expresso. Tínhamos, assim, uma situação completamente invertida. Outra coisa ainda: os elementos periféricos não podiam fazer, porque não tinham olhos para ver a idéia, mas somente a sua forma.

Assim aconteceu: o ponto em volta do qual se movimentaram não era um centro. mas pseudocentro. Como cidadãos do AS não podiam ver as coisas senão pelo avesso e procurar inverter o centro espiritual, concebendo-o como matéria, conforme a sua forma mental. Atribuíram-lhe as características do plano humano, como egoísmo, avidez de domínio e semelhantes. Eis a que erros se pode chegar julgando as coisas do espírito com a psicologia corrente. Assim, se deixou de observar o fenômeno principal de natureza espiritual, como também se deu mais atenção à parte menos importante, em detrimento do próprio fenômeno. Somente a uma parte de sua manifestação, e deste modo observada, foram atribuídas as características que eles estão habituados a perceber.

Trata-se de uma visão sem muita profundidade. Esboça-se. então, o movimento rotatório. Mas ele não é senão o desordenado amontoar das borboletas em torno da luz, da gente atraída pelo barulho, isto é, um agrupamento caótico, que não se organiza e estabiliza num sistema. Isto pode verificar-se somente ao redor de um verdadeiro centro por parte de elementos que tenham olhos para vê-lo e mente para compreendê-lo. Assim se explica este mal-entendido. Ele é natural no caso da descida dos ideais, porque se trata do abaixamento de um nível evolutivo superior até outro inferior. E o que está mais em baixo é incapaz de compreender o que se encontra mais em cima. O remédio é um só: ver a parte espiritual em lugar da material e pôr-se ordenadamente a girar à volta do verdadeiro centro no plano espiritual, em vez de o fazer desordenadamente em torno de um pseudocentro no plano material. Procurar, então, a potência no espírito e não nos meios humanos. Este é e segredo da força.

Da natureza dos elementos do fenômeno deriva outro mal-entendido, dado pela mesma incapacidade de compreender. Como alguns puderam ver na afirmação espiritual da Obra uma vontade de determinação terrena por parte do seu instrumento, assim a atual oferta da Obra pode ser entendida em sentido material e não espiritual, não como a dádiva de uma idéia para assimilar, a fim de melhorar o próprio tipo biológico, colocando-se evolutivamente mais no alto não como uma oferta espiritual, mas como uma cessão de propriedade e de direitos de exploração de uma idéia para extrair-lhe vantagens materiais: uma utilidade concreta. No entanto, na conferência fala-se de herdeiros espirituais e de oferta simbólica Mesmo neste caso o mal-entendido pode ser completo, dependendo igualmente da diversa forma mental usada na maneira de julgar. Dada a natureza dos elementos em campo, não podia acontecer

de outra forma. Aqui, não podemos senão fazer constatações, embora necessárias, para compreender o desenvolvimento do fenômeno e vivê-lo sob sua orientação, conhecendo-lhe o funcionamento e, deste modo, prever os seus futuros desenvolvimentos. Pode-se, neste caso., controlar experimentalmente o modo pelo qual se verifica o fenômeno da descida dos ideais.

Estamos no momento em que o míssil desce em direção à Terra, entra na atmosfera e se incendeia. Encontramo-nos na última fase do fenômeno, no plano humano, onde se trava a luta pela sucessão. Então, não há mais Cristo, mas o papado e o Vaticano, que lutam para conquistar e manter o poder; não existe mais o santo, mas a ordem religiosa, que em seu nome administra a vida de uma comunidade. Ao iniciador se substitui o grupo dos seguidores, que o utilizam para os seus próprios fins. Termina o trabalho no plano espiritual e em seu lugar aparece a administração, a burocracia, entrando-se na fase da autoridade, das leis e regulamentos, da adaptação à realidade material. A idéia materializa-se de forma concreta, com templos, obras, instituições etc. Porque agora desceu à Terra. ela deve tomar um corpo, mas como faz a alma em nosso organismo animal. Começa a exploração, a degradação, até que, pelo uso da idéia, se consome a pureza do seu impulso de origem; corrompe-se e torna-se inutilizável pela série das adaptações que a torceram, ficando agora sepultada sob as superestruturas humanas. Neste momento, desce ao mundo outra idéia para recomeçar desde o princípio, percorrendo o mesmo caminho, cumprindo-se a mesma função, e assim por diante, em ondas sucessivas, operando na humanidade uma transformação em sentido evolutivo.

Esta descida é como a queda de uma estrela luminosa que se projeta nas águas do oceano. O momento que aqui observamos é o dessa queda. À idéia se substitui o grupo que a representa. Este a incorpora, e ela passa a ser o grupo, que é o seu corpo humano. Esta é a primeira fase de sua realização na Terra, e nela agora nos encontramos no caso tomado em exame. Estamos no mundo, no pólo oposto ao do ideal; estamos em baixo, onde reinam, em vez de obediência e ordem, a revolta e a desordem. Assim, a primeira necessidade que surge ao descer a este plano é formar e defender um centro de disciplina e de ordem. Para que seja possível um regime de liberdade, é necessário o estado de consciência e coordenação próprios níveis mais evoluídos. Num ambiente de insubordinação egocêntrica, a liberdade é anarquia, conduzindo à dispersão e à destruição. Em nosso planeta dada a sua natureza, surge subitamente a necessidade de impor a ordem com uma regra. E por isso que a cada passo encontramos leis que traçam as normas de conduta e se fazem valer por meio de sanções punitivas. Tendo em vista que o homem é naturalmente rebelde, levado a abusar de tudo, e preciso em primeiro lugar enquadrá-lo dentro dos limites exigidos pela ordem. Eis que, ao lado da lei, surge, subitamente, um seu sistema defensivo que lhe fecha as evasões e lhe garante a aplicação. Infelizmente, numa selva povoada de animais ferozes não se pode ir ao seu encontro de braços abertos para amá-los, mas faz-se mister estar armado e ameaça-los de morte, se não se quiser ser morto por eles. Esta é a lei de nosso meio, e a ela o ideal não pode deixar de se sujeitar,. se quiser civilizá-lo.

A descida de um ideal ao nosso plano inferior de vida constitui um retrocesso. Esse ideal deve ser fechado dentro dos estreitos horizontes de um mundo que nem sequer suspeita a existência de outros mais vastos, e cuja sapiência consiste em desfrutá-lo para fins terrenos, com a astúcia, que dele faz uma máscara para melhor enganar o próximo, assaltando-o para ser o vencedor. É com esta forma mental que o ideal se encontra constrangido a chocar-se. De fato, ele pretende iluminar e educar, mas se acha perante um mundo de rebeldes que lhe resistem, porque querem, ao contrário, impor o próprio eu. Eis porque o ideal, para não se destruir nem ficar prejudicado, deve armar-se de normas reguladoras que imponham a obediência através do meio de que dispõe o homem para melhor compreendê-lo. Nasce, assim, o inferno, a galera do espírito, semelhante àquela criada por nós, porque só assim o ideal civilizador pode sobreviver e funcionar em nosso inundo, onde a tendência é virá-lo pelo avesso para colocá-lo a seu serviço.

O ideal é um centro. Mas, para poder funcionar como tal em relação aos seus satélites, não pode deixar de levar em conta a natureza deles, que é a de um plano biológico inferior. Para que eles possam colocar-se na órbita daquele centro, é necessário um estímulo que os faça sentir-se no seu nível, impulso a eles adaptado e proporcionado. Aquilo que exige e mais apreciam é uma prova de força, porque para eles isto é o que mais vale e merece respeito. Este é o tipo de superioridade que eles compreendem, ou seja, não a inteligência ou a bondade mas a imposição do domador. Quem não possui, ou não usa estes meios, para eles não é forte, não vale, portanto não pode ser centro. Eis como nas religiões nasceu a idéia de um Deus armado de vingança contra os rebeldes. Não existe outro modo para fazer-se compreender por involuídos. Quem não usa tais expedientes é um indivíduo bom, isto é, um fraco, porque um tipo bom não é forte, não reage infligindo penas que fazem valer a sua vontade. Então, ele é escarnecido, como aconteceu com Cristo, que não quis reagir.

Na Terra, sem sanção punitiva, não há poder nem autoridade Para que serve a bondade em nosso mundo de luta senão para que nos aproveitemos dela, a fim de explorar o bem e submetê-lo? Ai do indivíduo que, em um momento de cansaço confiante, abandona-se aos braços do próximo. Encontrará, então, uma fileira de salvadores e libertadores que lhe retribuirão o abraço fraternal e amorosamente o espoliarão de tudo. A primeira coisa de que necessita um ideal ao descer à Terra é a sua defesa contra os assaltos da força da mentira, é a jaula da disciplina dentro da qual deve enquadrar direitos e deveres. O anjo, se quiser sobreviver em nosso mundo e nele trabalhar, deve induzir o homem a um regime de ordem, usando os meios à sua compreensão, isto é, os da Terra e não os do céu.

Apliquemos agora esses princípios gerais no caso particular de nosso protagonista. Hoje o autor terreno da Obra é velho, está terminando a sua missão e vai-se embora. Ofereceu ao mundo o fruto do seu trabalho. A Obra, por sua vez, se encontra em uma nova fase do seu caminho, diferente das precedentes, isto é, no momento em que o ideal desce à Terra e toma contato com um plano diverso do seu. Mas pela própria natureza do mundo, não se estranha que a oferta possa vir a ser entendida como um convite a dela se tomar posse, como uma simples aquisição em sentido material e não espiritual, podendo despertar uma cupidez bem terrena, como acontece quando surge uma herança, ou um lugar se torna vago e se abre a sucessão ao poder. É necessário imediatamente tudo definir e disciplinar, porque já não estamos no céu, mas na Terra. onde o mais urgente é estabelecer a ordem para evitar abusos.

Quem fez a Obra disse claramente que se tratava de uma oferta simbólica e de herdeiros espirituais, o que significa a dádiva de uma idéia e não uma cessão de negócios. Isto é evidente, porque os legítimos herdeiros neste sentido já existem. Este problema está portanto, automaticamente, por lei, já resolvido. Depois, uma vez que a Obra não é uma mercadoria — e a sua oferta foi espiritual — querer colocar o problema no terreno econômico e comercial significa, por parte dos que acabaram de chegar, deslocar a questão. Quando se dedica um livro a alguém, ao destinatário não cumpre por isso apossar-se da edição para fazer dela um negócio.

Não podíamos deixar de nos encontrar, também neste caso, perante a tentativa habitual, acima explicada, de emborcamento que se verifica, sempre que um ideal desce à Terra. No entanto, tudo isso foi previsto, e a nossa atitude anterior, diametralmente oposta, previu esses fatos. Portanto, o que aconteceu hoje não é novidade, mas foi há muito tempo definido na Obra, dado que faz parte da sua orientação geral. Desde um dos primeiros volumes da Obra, Ascese Mística (cfr. cap. XIII - Segunda Parte - "Minha Posição") já tinham sido expostos estes princípios diretivos. Quem tiver dúvidas pode reler aquele trecho. Estávamos então apenas no início de todo o trabalho. Depois o livro foi condenado pelo Índex, tribunal hoje desaparecido. Naquele capítulo foi dito: "Nenhuma posse (. . . .), nada que possa solicitar os baixos instintos e excitar a sempre demasiadamente rápida resposta dos inferiores instintos do homem comum; nenhum cheiro de dinheiro, que tanto atrai os ávidos e sórdidos mascarados (. . . .). Esta é a minha garantia (. .). Esta é a minha força em face do mundo".

Repetimos estas palavras, em 1955, na Introdução ao livro Profecias, acrescentando: "Desejo que se compreenda claro e sem equívoco o meu método, que é de nunca procurar dinheiro, de nunca pedi- lo, de nunca organizar propaganda, comissões etc., para recolher dinheiro. Quem o fizer em meu nome, fá-lo sem o meu consentimento, contra a minha vontade e a seu risco e perigo". O tema foi retomado na conferência "O Nosso Caminho" (1957), na qual se diz: (. . . .), "devemos fugir da dependência dos bens materiais, porque a sua tendência é conduzir a Obra pela via dos enganos e, assim, da falência (. . . .), as grandes coisas fazem-se sem dinheiro (. . .), os meios materiais estão colocados no último lugar da Obra (. . . .), começa-se com uma grande propaganda e faz-se uma campanha para recolher fundos (. . . .), forma-se, assim, uma montanha de interesses individuais a quem tudo importa menos a Obra (. . . .), os que mais são atraídos pelo cheiro do dinheiro são os desonestos e os interesseiros (. . . .). Tudo o que fizemos com o nosso trabalho sem o barulho da propaganda, campanhas ou recolhimento de fundos". Por fim desenvolvemos amplamente este tema no volume: A Grande Batalha (1958).

Pode-se usar um regime de liberdade quando a disciplina é espontânea conseqüência de uma convicção de autocontrole. Só quando ela já existe interiormente, não é necessário que seja imposta do exterior. Mas, quando a disciplina interna não existe, a liberdade pode tornar-se abuso e por isso aquela disciplina deve ser invocada. Então, é necessária a exata definição dos direitos e deveres, e respectivas posições. Assim, não se pode admitir que os estranhos à Obra possam aproveitar-se da liberdade para substituir com as suas próprias finalidades, às da Obra e as dos seus legítimos herdeiros. Em primeiro lugar, seria preciso ter confiança nos novos elementos, a qual só se adquire dando-se prova de merecê-la.

Os atalhos para chegar mais rapidamente, sem fadiga, não constróem coisa alguma. É repetido e abusado nas religiões o método humano de se deslocarem as posições do plano espiritual para o

econômico e político, transformando-o, assim, num meio de domínio. É antigo o processo de administrar em nome do dono, para acabar apossando-se da sua autoridade e meios. É velha a indústria do santo, glorificado pelas suas virtudes e martírio, e depois utilizado como bandeira com a qual se esconde o prosperar dos interesses de um grupo de seguidores. Fenômeno humano de todos os tempos e lugares. A isto pode servir o ideal quando desce à Terra. Parece que, num ambiente de luta, não possa acontecer de outra maneira. A culpa está no baixo nível evolutivo de nosso meio humano. Esse é ainda o método vigente. Aqui, mesmo se por este motivo tivermos de ir contra a corrente, se for preciso lutar para não seguir tal processo, lutaremos, porque isso poderia acontecer com a Obra. Quem quiser levar a sério o que é do céu não pode deixar de se encontrar fora do trilho sobre o qual caminham as coisas da Terra. Mas esta revolta contra o mundo, que se respira em cada página da Obra, é realmente a sua maior força, a força do céu,aquela que a fará vencer.

É nesta fase do fenômeno que se inicia o calvário do idealista. Enquanto fazia o seu trabalho, ele vivia na embriaguez que lhe dava o contato com o seu mundo superior, para ele como a sua própria casa, onde podia viver conforme a sua natureza. Mas, terminado o trabalho, se não se apressar a morrer, deverá assistir à degradação do ideal, isto é, ao seu emborcamento no plano humano. Aparecem, então, os mercadores do templo. A crucificação de Cristo torna-se Estado pontifício, a pobreza de São Francisco transforma-se num convento que vale milhões. Esta é a técnica do fenômeno da descida dos ideais à Terra. Em geral o idealista já morreu e não é obrigado a ver tudo isso. Mas, se não tem essa sorte, ele deve suportar o tormento de ver assim tratado e a isto reduzido o fruto da sua vida. Nos honestos nasce, então, uma revolta, como a de Cristo, que perdoou aos seus crucificadores, mas não aos vendilhões do templo. É uma revolta que nasce irresistivelmente ao ver assim tratadas as coisas sagradas.

Somos invadidos pela tristeza, quando, depois de tantos sonhos e esperanças, depois de tantos

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