• No results found

Synspunkter angående opptaksgrunnlaget og studentenes prestasjoner

3.2.1 A mensuração da vulnerabilidade das lavouras

Para estudar a vulnerabilidade das lavouras de sequeiro, optou-se por estimar os

coeficientes de variação de seus indicadores agrícolas no período 1996 - 2014. Isso porque

entende-se que essa medida é capaz de captar os três aspectos fundamentais do conceito:

capacidade adaptativa, exposição e sensibilidade (Figura 1). Além disso, o coeficiente de

variação mede a heterogeneidade que se observa na distribuição das observações de uma

variável aleatória sobre o valor esperado.

Sendo assim, pode também ser considerada uma medida de instabilidade, ou de

vulnerabilidade. Maiores coeficientes de variação, associados à área colhida no tempo são

indicadores da instabilidade que existe nessas áreas que, em grande medida, está associada

aos aspectos climáticos, quando se trata do setor agrícola. Em anos em que o agricultor fica

exposto à baixa pluviosidade, se não tiver capacidade adaptativa sofrerá a redução na área

colhida, ainda que a área plantada tenha obedecido aos padrões históricos do município. Da

mesma forma, tenderá a ocorrer as seguintes hipóteses: a) queda no rendimento das lavouras,

que também decorre da baixa inserção tecnológica dos sujeitos envolvidos nos cultivos dessas

lavouras; b) queda na produção per capita e; c) queda nos preços recebidos pelos agricultores,

o que afeta, portanto, sua renda bruta.

Figura 1. Variabilidade dos indicadores agrícoas como reflexo da vulnerabilidade.

Percebe-se, assim, que o coeficiente de variação dos indicadores agrícolas é uma

proxy aceitável para expressar a vulnerabilidade das lavouras à instabilidade climática (seca)

nos municípios do SAB. De um ponto de vista estatístico, define-se coeficiente de variação do

município j (CVj) da seguinte forma:

CV

j

= (σ

xj

xj

)*100 (1)

Na equação (1) σ

xj

é o desvio padrão de uma variável aleatória X para o município

e j,; µ

xj

é a média desta variável para o município j.

Assim, foram calculados σ

xj

e µ

xj

para as três lavouras em cada município,

considerando-se os ano do período analisado (1996 – 2014). Esse procedimento foi realizado

para cada um dos quatro indicadores agrícolas citados anteriormente, o que deu origem a um

painel de dados com os coeficientes de variação anuais correspondentes aos municípios do

semiárido. Os CV

j

de cada um dos quatro indicadores, para cada lavoura e para cada um dos

municípios do SAB foram nomeados de índices parciais de vulnerabilidade (IPV). A

agregação dos quatro IPVs de cada lavoura permitiu a construção do Índice de

Vulnerabilidade da mesma (INVUL).

A agregação de medidas para compor um índice pode ser realizada por meio de

vários procedimentos e envolve várias decisões. Uma delas é o uso de pesos diferenciados

para cada medida ou coponente do índice. Nesse estudo, a opção foi a atribuição de pesos,

feita por meio de da estimação de um modelo de análise fatorial, método dos componentes

principais (BROOKS; ADGER; KELLY, 2005; LEMOS, 2007; THORNTON et al., 2008;

HANH; RIEDERER; FOSTER, 2009; GUILLAUMONT; SIMONET, 2011). Detalhes do

método encontram-se no Apêndice.

Assim:

INVULji = P1IPVAREji + P2IPVBPji + P3 IPVRENji + P4IPVPRODji (2)

Sendo:

 INVUL

ji

= índice de vulnerabilidade para o município j e lavoura i (INVUL

ji

);

 P

1

, P

2

, P

3

eP

4

somam um e são os pesos referentes a cada indicador agrícola;

 IPVARE

ji

= índice parcial de vulnerabilidade da área colhida para o município j e

 IPVBP

ji

= índice parcial de vulnerabilidade do valor bruto da produção para o

município j e lavoura i;

 IPVREN

ji

= índice parcial de vulnerabilidade do rendimento para o município j e

lavoura i;

 IPVPROD

ji

= índice parcial de vulnerabilidade da produção per capita para o

município j e lavoura i;

 i = lavoura feijão, mandioca ou milho;

 j = 1, ..., 898 (municípios do SAB).

Como os IPVs são dados em percentuais (pois correspondem a coeficientes de

variação) e os pesos são adimensionais, os resultados associados ao INVUL

ji

também são

interpretados em percentuais. Após o cálculo do INVUL

ji

foi realizada a padronização do

índice, com o intuito de favorecer a hierarquização dos municípios. Para tanto foi adotado o

método Min-Max, conforme expressão (3) (NARDO et al. 2005; SALVATI et al., 2009;

BRIGUGLIO et al., 2009; WIREHN; DANIELSSON; NESET, 2015):

Sendo:

= Índice de Vulnerabilidade padronizado correspondente ao

município j e lavoura i;

= Índice de Vulnerabilidade do município com menor

vulnerabilidade, correspondente à lavoura i;

= Índice de Vulnerabilidade do município com maior

vulnerabilidade, correspondente à lavoura i.

Por fim, a vulnerabilidade global das lavouras de sequeiro no município j

(INVULj) foi obtida a partir da média aritmética descrita na expressão (4):

Acredita-se que o INVUL seja um índice confiável, por atender alguns critérios, tais

como: interpretabilidade, relevância, acurácia, acessibilidade e coerência, (NARDO et al.,

2005).

3.2.2 Classificação dos municípios segundo a vulnerabilidade das lavouras de sequeiro

Para classificar e agrupar os municípios de acordo com o nível de vulnerabilidade

das lavouras foi utilizado o método de Análise de Agrupamentos (Cluster Analysis).

Conforme Moori, Marcondes e Ávila (2002, p. 71):

a análise de agrupamentos (Cluster analysis) é uma técnica estatística que permite ao pesquisador separar ou classificar objetos observados em um grupo ou em número específico de subgrupos ou conglomerados (Cluster s) mutuamente exclusivos, de modo que os subgrupos formados tenham características de grande similaridade interna e grande dissimilaridade externa.

Os limites de cada cluster foram definidos por meio de análise de agrupamento,

método hierárquico, k-médias (Tabela 1). Segundo Moori Marcondes e Ávila (2002), esse

método é utilizado quando se conhece previamente o número de clusters que se pretende

estudar, caso do presente estudo, uma vez que o interesse foi identificar municípios com

lavouras menos vulneráveis, na faixa de transição e onde há maior vulnerabilidade. Assim,

foram realizadas quatro análises de agrupamento, uma para cada lavoura, sendo que a

última, para a análise das três lavouras em conjunto (vulnerabilidade global).

Tabela 1: Intervalo e classificação dos Clusters para os índices de vulnerabilidade das lavouras de feijão, mandioca e milho e global.

Cluster

Intervalo de variação

Classificação do Cluster

Feijão

Cluster

0 – 22,36

Menor INVUL

feijão

Cluster

22,41-38,25

Intermediário INVUL

feijão

Cluster

38,48-100

Maior INVUL

feijão

Mandioca

Cluster

0 - 20,87

Menor INVUL

mandioca

Cluster

21,01-41,97

Intermediário INVUL

mandioca

Cluster

42,39-100

Maior INVUL

mandioca

Milho

Cluster

0 - 26,29

Menor INVUL

milho

Cluster

26,47-48,35

Intermediário INVUL

milho

Global

Cluster

5,6 - 21,53

Menor INVUL

Cluster

21,55-34,59

Intermediário INVUL

Cluster

34,69 -100

Maior INVUL

Fonte: Elaboração própria de acordo com os dados da pesquisa.

3.2.3 Caracterização socioeconômica dos grupos de vulnerabilidade

Com o objetivo de caracterizar os municípios onde as lavouras são mais e menos

vulneráveis foi realizada uma análise comparativa dos valores médios dos indicadores:

 Renda per capita (R$) (2010);

 Proporção de pobres (%) (2010);

 Perda Média na Área Plantada com Lavoura Temporária (anos de seca 2012-2013);

 % dos ocupados no setor agropecuário - 18 anos ou mais;

 Proporção da área municipal destinada a lavouras temporárias;

 Proporção da área municipal destinada a lavouras permanentes;

 Proporção da área municipal destinada a lavouras permanentes e temporárias;

 Taxa de crescimento da população rural (1991-2010);

 Proporção da população rural;

 Domicílios com renda per capita de até 70 reais;

 Participação do valor adicionado bruto a preços correntes da agropecuária no valor

adicionado bruto a preços correntes total (Percentual);

O procedimento estatístico para a comparação das médias foi a ANOVA.

Adicionalmente, foi verificada a existência de correlação entre a vulnerabilidade global das

lavouras e os indicadores supracitados por meio do cálculo do coeficiente de correlação de

Pearson. Detalhes dos dois procedimentos estatísticos são encontrados em Fávero et al.