5.2 Strategiarbeid for å beholde eksisterende medlemmer
5.2.2 Synlighet
A gota oceânica representativa está pretensamente cercada, e agora que fazer? Se hercúlea, apresentou-se a tarefa inicial, penso que, posteriormente, transformou-se goliana, uma vez que foram distintos atores, em diferentes ângulos e com diferentes pontos de vista ou com visões diferentes do mesmo ponto, a formação de professores de Matemática, que foram analisadas pelas evidências obtidas. Conhecer é preciso. “Conhecer é realizar operações de que o conjunto constitui traduções/construção/solução.” (MORIN, 2008b, p. 58).
Nesse sentido, a realização do cômputo de todas as informações obtidas transformou- se numa operação de paciência e de perspicácia para separar o joio do trigo, argúcia para ler nas entrelinhas do óbvio, sensibilidade para perceber o que existe além das aparentes verdades descritas e, dessa forma, poder traduzir em um texto significativo, que atenda os objetivos da pesquisa e, assim, contribuir com a formação de inteireza do professor de Matemática na perspectiva da complexidade.
Isto posto, a fase de análise dos achados representou uma verdadeira operação de solução de problemas, foi o momento de “[...] entrar no reino do pensamento complexo e abandonar o olhar simplificador que torna cego o nosso conhecimento e, de modo singular, o conhecimento das fontes de nosso conhecimento.” (MORIN, 2008b, p. 61).
Para fazer essa imersão, ancorei-me no método de análise textual discursiva de Moraes e Galiazzi (2007). Para os autores: “A análise textual discursiva pode ser concebida a partir de dois movimentos opostos e ao mesmo tempo complementares: o primeiro de desconstrução, de análise propriamente dita; o segundo reconstrutivo, um movimento de síntese.” (MORAES; GALIAZZI, 2007, p. 47). Tais movimentos permitem a percepção do fenômeno estudado, não com a função de confrontar ou refutar hipóteses, uma vez que não é essa a proposta da pesquisa qualitativa, sua finalidade é a compreensão dos achados e, a partir deles ter outra visão sobre o objeto de investigação.
Para os referidos autores, esse tipo de análise possui quatro focos, quais sejam: desmontagem dos textos, estabelecimento de relações, captura do novo emergente e processo auto-organizado.
A desmontagem ou desconstrução do texto é denominada de unitarização e requer leitura e interpretação com a finalidade de se obter unidades de significado. “Unitarizar um texto é desmembrá-lo, transformando-o em unidades elementares, correspondendo a elementos discriminantes de sentidos, significados importantes para a finalidade da pesquisa, denominadas de unidades de sentido ou de significado.” (MORAES; GALIAZZI, 2007, p. 49).
Nessa etapa, ainda que seja um momento de fragmentação, o pesquisador deve ter presente os seus objetivos para não perder nas partes o sentido do todo. É um exercício de reconhecimento dos aspectos que são significativos daqueles que são periféricos, é um processo de imersão, que não deve ser feita de forma superficial apressada, pois somente assim será possível reconhecer, nas falas de cada sujeito, o conteúdo significativo de cada comunicação emitida. “A unitarização é parte do processo de superação de uma leitura imediata e superficial para atingir sentidos mais profundos a partir de um afastamento cada vez maior dos textos em seu sentido imediato.” (MORAES; GALIAZZI, 2007, p. 69). Outro fator relevante é a relação que essas unidades devem manter com a teoria abordada para que se possa ter uma coerência no texto que se pretende construir.
A segunda etapa da análise textual discursiva é a categorização que pode ser elaborada segundo dois processos: um obtido pelas categorias determinadas a priori e o outro decorrentes das categorias emergentes. Para Moraes e Galiazzi (2007), a categorização se assemelha a um quebra-cabeça para criação de um mosaico. Nessa pesquisa, o mosaico está representado pelo olhar inquiridor que se pretende lançar sobre a formação de inteireza do professor de Matemática na perspectiva da complexidade, nesse olhar se quer aproximar o que é comum e, ao mesmo tempo, permitir que as diferenças, representadas pelo sensível,
pela espiritualidade, pelo emocional ou pelo social, também, estejam presentes nessa formação.
Da mesma forma que a etapa anterior, a categorização exige perspicácia do pesquisador uma vez que há um encadeamento de cada fase, constituindo: “[...] um processo reiterativo dos elementos em construção, possibilitando uma reconstrução permanente, não só dos produtos da análise, mas também do processo analítico de classificação.” (MORAES; GALIAZZI, 2007, p. 76). A categorização possui características que precisam ser atendidas em sua elaboração, quais sejam: validação, homogeneidade, amplitude e precisão, exaustão e exclusão mútua. Antes de ser um processo metódico, tais características conduzem a maior clareza das categorias que se vão constituído durante a análise indutiva dos textos decorrentes das entrevistas.
A terceira etapa da análise textual do discurso está representada pela apreensão do novo emergente que decorre da impregnação por parte do pesquisador nos materiais de análise. Essa impregnação permite uma nova compreensão, o que levou à construção do metatexto como resultado de um produto das relações retiradas dos elementos envolvidos nos passos anteriores.
Para os autores referenciados, a última etapa representa a auto-organização que permitirá uma nova compreensão, ainda que se constitua “[...] em um movimento sempre inacabado, destacando-se, de modo especial, a recorrência do processo em que, a cada retomada dos mesmos elementos consegue-se expressar melhor as compreensões que vão sendo construídas.” (MORAES; GALIAZZI, 2007, p. 88).
Frente a esses conceitos, analisei o pensamento expresso individualmente pelos atores envolvidos, materializado nas entrevistas e, posteriormente, aproximei-os na síntese, para, a partir daí, fazer emergir o texto que representariam as unidades de significado. Entretanto, ainda que reconhecendo como fundamentais cada uma dessas etapas, a análise dos achados desenrolou-se até a terceira fase conforme descrevem Moraes e Galiazzi (2007), a partir daí as possíveis categorias que emergiriam pela aproximação das respostas, diluíram-se em um constructo que se autogerou em direção de um texto único. Essa compreensão se deu pelo reconhecimento que, falar sobre a formação de inteireza do professor de Matemática na perspectiva da complexidade, não requeria uma proposta desmembrada em categorias.
Aliados à análise das entrevistas, esteve o diário de campo com o registro da interpretação das mensagens não verbais percebidas durante a visita e durante as observações do ambiente dos cursos, que materializaram as falas dos entrevistados, compuseram o texto que se apresenta no capítulo cinco.
Do horizonte, no qual o sujeito pesquisador se encontra ele vê o universo sob uma ótica, de onde os sujeitos investigados se encontram, eles veem esse mesmo universo, sob outra ótica, entretanto, na curvatura desse horizonte, essas percepções têm a possibilidade de interagirem e, a partir daí, terem convergências construtivas. Assim, a partir da análise dos resultados referentes aos achados emergiu o texto, que tecido com o diálogo sobre o pensamento complexo de Morin e as dimensões propostas por Catanante, poderá contribuir com proposta de formação de inteireza do professor de Matemática na perspectiva da complexidade.
5 A MATEMÁTICA, AS UNIVERSIDADES, OS CURSOS E AS PESSOAS
“O homem se identifica com sua própria ação: objetiva o tempo, temporaliza-se, faz-se homem-história.”
(FREIRE, 1979, p. 31). Apropriando-me do pensamento de Paulo Freire, reconheço-me nesse tempo. Transporto-me ao passado e resgato fragmentos da educação superior no Brasil e da história sobre a formação de professores e em especial os de Matemática. Refiro-me a fragmentos, uma vez que discorrer sobre esse assunto representaria, no mínimo, outra tese dessa história e não sendo esse o foco principal do objeto investigado, tive o intuito de situar no tempo a referida formação do professor de Matemática, a partir das ideias dos entrevistados.
Nesse fazer-se “homem-história”, retorno ao presente, no Rio Grande do Sul, nas universidades e nos cursos cujas pessoas serviram de Iluminadores, para poder obter melhor compreensão sobre a formação de inteireza do professor de Matemática na perspectiva da complexidade e, propiciar, assim, alguns indicadores a respeito dessa licenciatura. Nesse resgate, à medida que os achados foram reconhecidos e ressignificados ocorreram, conforme o encaminhamento da questão um, o entrelaçamento entre as falas dos entrevistados sobre o curso em que atuam e a realidade histórica em que esses cursos se constituíram.